Rodoviários do Distrito Federal fazem assembleia neste domingo (27) antes de greve prevista para segunda-feira (28)
Publicado em: 26 de setembro de 2026
Paralisação foi aprovada em reunião anterior; sindicato diz que uma proposta aceita pela categoria pode suspender o movimento. Empresas oferecem reajuste salarial de 5,5%, enquanto reivindicação apresentada pelas concessionárias é de 8%
ADAMO BAZANI/YURI SENA/VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Os rodoviários do Distrito Federal têm uma assembleia marcada para este domingo, 27 de setembro de 2026, para organizar a greve prevista para começar na segunda-feira (28). A paralisação já havia sido aprovada pela categoria em reunião no domingo anterior (20). Segundo o sindicato, ela ainda pode ser suspensa se os trabalhadores aceitarem uma proposta de acordo. Assim, a reunião do dia 27 é decisiva para o passageiro, mas não representa a primeira votação da greve.
A negociação envolve salários, benefícios e a renovação do acordo coletivo. Em nota encaminhada ao Diário do Transporte, as concessionárias informam ter formalizado na sexta-feira (25) uma oferta de reajuste salarial de 5,5%, com efeitos retroativos a 1º de agosto. Segundo as empresas, o sindicato reivindica 8% para salários, 10% para benefícios alimentares e 12% para o plano de saúde. O diretor financeiro da entidade, João Osório, afirmou à imprensa que a greve permanece marcada enquanto a categoria não receber uma proposta que considere aceitável.
O que será decidido no domingo
A assembleia deste domingo foi anunciada como uma reunião para definir a organização do movimento previsto para segunda-feira. O sindicato havia comunicado a intenção de greve após a deliberação do dia 20. A continuidade das negociações permite que a categoria examine uma proposta e decida suspender a paralisação antes do início previsto.
Para quem depende dos ônibus, a informação central é que a greve está prevista, mas sua realização ainda depende do desfecho das negociações e da assembleia. Até a definição, o passageiro deve acompanhar os comunicados do sindicato, das operadoras e da Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal antes de sair para os primeiros horários de segunda-feira. A Semob informou que acompanha as tratativas entre as parte
Salário, alimentação, saúde e emprego dos cobradores estão na negociação
Segundo as concessionárias, a reivindicação apresentada pelo sindicato é de 8% de reajuste salarial, 10% para os benefícios alimentares e 12% para o plano de saúde. Os trabalhadores também cobram a renovação do acordo coletivo, que contempla jornada de seis horas corridas, tíquete e cesta-alimentação, assistência médica e odontológica, adicional por tempo de serviço e garantia dos postos de trabalho dos cobradores. Os percentuais de 8%, 10% e 12% constam da versão das empresas sobre a negociação; as demais pautas foram relatadas publicamente pelo sindicato.
Na proposta escrita de sexta-feira, as empresas oferecem 5,5% de reajuste nos salários, 6% no tíquete refeição-alimentação e na cesta básica, e 11,88% nos valores do auxílio-saúde e do plano odontológico. Também propõem uma cesta básica adicional no mês de aniversário do empregado, ampliação das coberturas do seguro de vida, manutenção dos postos destinados aos cobradores e pagamento das diferenças salariais retroativas. As concessionárias afirmam que a proposta não foi aceita pela direção sindical. A decisão da assembleia permitirá verificar como os trabalhadores avaliam a oferta.
Nota das concessionárias na íntegra
O texto abaixo é reproduzido conforme encaminhado pelas empresas, inclusive suas avaliações sobre o andamento das negociações.
Nota das concessiocárias do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal
Desde julho passado foram abertas oficialmente as negociações entre as concessionárias do serviço de transporte público coletivo do Distrito Federal e o sindicato dos rodoviários, com o objetivo de fixar os reajustes salariais e benefícios relativos à data-base de 1º de agosto de 2026. A pauta de reivindicações da categoria foi encaminhada às empresas e ao Governo do Distrito Federal em 19 de julho de 2026.
Durante todo o processo negocial, foram realizadas mais de dez rodadas de negociação entre as partes. Contudo, o sindicato profissional evitou inicialmente a apresentação de números concretos, sob o argumento de que seria necessário consultar a categoria, visitar as bases e compreender as expectativas dos trabalhadores. As empresas, por sua vez, solicitaram reiteradamente a apresentação de parâmetros objetivos que permitissem uma avaliação e o efetivo avanço das tratativas.
Ressalte-se que o Acordo Coletivo de Trabalho anterior, vigente no período de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026, havia concedido à categoria reajuste salarial de 7,56% (sete vírgula cinquenta e seis por cento), além de reajustes significativos nos benefícios de alimentação, saúde e plano odontológico.
Com a aproximação da assembleia da categoria, o sindicato dos rodoviários apresentou finalmente percentuais de reivindicação: 8% (oito por cento) para reajuste salarial, 10% (dez por cento) para os benefícios alimentares e 12% (doze por cento) em relação ao plano de saúde, acompanhados da possibilidade de deflagração de greve.
Diante desse cenário, as empresas anteciparam a apresentação de sua proposta. Considerando uma inflação acumulada no período de apenas 4,11% (quatro vírgula onze por cento), foi sinalizado reajuste salarial com ganho real, inicialmente na faixa de 5,5% (cinco vírgula cinco por cento), com possibilidade de avanço no curso da negociação.
Para os benefícios de alimentação, também foi proposto reajuste superior à inflação, além da criação de novo benefício no valor de R$ 500,00 no mês de aniversário do empregado. Houve, ainda, proposta de duplicação do capital do seguro de vida, atualmente em aproximadamente vinte e quatro mil reais, para cerca de quarenta e oito mil reais.
Apesar dos avanços apresentados, o sindicato profissional manteve os percentuais anteriormente reivindicados, sem flexibilização relevante, passando a considerar a possibilidade de paralisação da categoria.
Na reunião realizada em 25 de setembro de 2026, às 14 horas, as empresas formalizaram por escrito a proposta final contemplando ganho real nos salários e avanços em diferentes itens econômicos e sociais.
A proposta patronal final, subscrita conjuntamente por todas as concessionárias do sistema: BsBus, Viação Piracicabana, Viação Pioneira, Auto Viação Marechal, e Consórcio URBI-HP e contemplava:
a) reajuste salarial de 5,5% (cinco vírgula cinco por cento), incidente sobre os salários vigentes em 31 de julho de 2026, com efeitos financeiros a partir de 1º de agosto de 2026, o que representa ganho real de 1,39% (um vírgula trinta e nove por cento) acima da inflação acumulada de 4,11%;
b) reajuste de 6% (seis por cento) sobre o valor vigente do ticket refeição-alimentação;
c) reajuste de 6% (seis por cento) sobre o valor vigente da cesta-básica, acrescida de cesta-básica adicional no mês de aniversário do empregado;
d) reajuste de 11,88% (onze vírgula oitenta e oito por cento) sobre os valores vigentes do auxílio saúde e do plano odontológico;
e) aplicação de reajuste de 100% (cem por cento) dos valores atualmente previstos para as coberturas do seguro de vida em grupo;
f) garantia de manutenção dos postos de trabalho destinados à função de cobrador; e
g) pagamento das diferenças salariais retroativas.
A proposta não foi aceita pelo sindicato. Em mensagem informal enviada via aplicativo de comunicação instantânea, o representante da direção sindical, Sr. João Osorio, manifestou que “cremos sejam suas posições pela rejeição da proposta” e que “esta será a posição da direção do sindicato a indicar a categoria também, por entender ser insuficiente”. Não houve resposta formal documentada à proposta patronal escrita.
Ocorre que, no domingo anterior, dia 20 de setembro de 2026, realizou-se Assembleia Geral da categoria no Estacionamento do CONIC, ao lado da Rodoviária do Plano Piloto, na qual os trabalhadores deliberaram pela decretação de greve a partir de segunda-feira, dia 28 de setembro de 2026.Em cumprimento ao disposto no art. 13 da Lei nº 7.783/1989, que exige comunicação prévia de 72 (setenta e duas) horas para greve em serviços essenciais, o sindicato enviou comunicado formal às empresas em 23 de setembro de 2026, informando a paralisação das atividades a partir da zero hora do dia 28 de setembro de 2026.
Nova assembleia de organização da greve foi convocada para domingo, 27 de setembro de 2026, com o objetivo de estruturar o movimento paredista.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes, com Vinícuis de Oliveira e Yuri Sena



