Selic cai para 13,75%, mas crédito caro ainda dificulta compra de ônibus novos e usados; pequenos empresários enfrentam obstáculos maiores e passageiros sentem os efeitos
Publicado em: 25 de setembro de 2026
Redução dos juros pode diminuir os custos da renovação de frota, mas impacto é gradual. Recursos do Move destinados aos ônibus se esgotaram rapidamente, enquanto operadores menores relatam dificuldades para acessar o Refrota e outras linhas de financiamento
ADAMO BAZANI
O passageiro que espera por um ônibus novo, com ar-condicionado, acessibilidade e melhores condições de conforto, também depende de uma questão que parece distante dos pontos e terminais: a taxa de juros da economia. A redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano, anunciada pelo Banco Central em 16 de setembro e detalhada na ata divulgada nesta terça-feira (22), pode contribuir para diminuir o custo dos financiamentos utilizados pelas empresas de transporte na compra de veículos novos e usados. Entretanto, o crédito continua caro, especialmente para os pequenos e médios empresários, que enfrentam juros, exigências de garantias e dificuldades de acesso aos programas destinados à renovação da frota.
A situação atinge os transportes urbanos, metropolitanos, rodoviários e de fretamento, com consequências para a idade dos veículos, os custos operacionais e a qualidade dos serviços. Programas como o Move Brasil, que reservou R$ 2 bilhões para a aquisição de ônibus, e o Refrota, que possui condições diferenciadas para o transporte coletivo urbano, oferecem alternativas ao financiamento convencional. Entretanto, o primeiro teve seus recursos destinados aos ônibus comprometidos rapidamente, enquanto o segundo exige uma série de procedimentos técnicos, administrativos e bancários que dificultam o acesso de empresas menores. O Diário do Transporte já havia mostrado, em reportagens e entrevistas realizadas neste ano, que operadores e representantes da indústria defendem a ampliação do crédito e mecanismos permanentes de financiamento.
O cenário apresenta uma diferença importante entre a redução dos juros básicos e as condições efetivamente oferecidas pelos bancos.
Embora a Selic influencie o custo do dinheiro na economia, uma diminuição de 0,25 ponto percentual não significa que as instituições financeiras sejam obrigadas a reduzir imediatamente as taxas dos financiamentos de ônibus na mesma proporção.
Os juros cobrados das transportadoras também dependem das condições econômicas, do perfil da empresa, das garantias apresentadas, do prazo de pagamento e da modalidade de crédito escolhida.
Isso significa que os benefícios da redução da Selic podem levar algum tempo para chegar às empresas e, posteriormente, aos passageiros.
Selic caiu pela quinta vez consecutiva, mas Banco Central ainda considera necessário manter os juros elevados
A redução anunciada em setembro corresponde ao quinto corte consecutivo da Selic.
Na reunião realizada nos dias 15 e 16, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa básica de 14% para 13,75% ao ano.
A ata publicada nesta terça-feira explica que a decisão considerou a desaceleração gradual da atividade econômica e da inflação.
Entretanto, o Banco Central mantém uma postura cautelosa em relação aos próximos movimentos dos juros.
Segundo o documento, as expectativas de inflação ainda permanecem acima da meta, enquanto as incertezas econômicas internas e externas continuam exigindo atenção.
Portanto, o corte representa mais uma etapa da redução dos juros, mas a continuidade desse processo dependerá da evolução dos indicadores econômicos.
Para as empresas de ônibus, o principal aspecto é que a Selic continua em um patamar que influencia o custo das operações de crédito.
A redução dos juros básicos pode favorecer a negociação de novos financiamentos e a revisão de determinadas modalidades de crédito pós-fixado.
Já as operações contratadas com taxas prefixadas geralmente mantêm as condições estabelecidas no momento da contratação.
A transmissão dos cortes para os financiamentos de veículos também depende das condições específicas de cada banco.
Quanto uma empresa pode pagar de juros para comprar um ônibus? Simulação mostra o peso do financiamento
Para compreender o impacto dos juros, o Diário do Transporte elaborou uma simulação de financiamento.
O exemplo considera um ônibus novo de R$ 1 milhão, valor meramente ilustrativo, com entrada de R$ 200 mil e financiamento dos R$ 800 mil restantes.
O pagamento seria realizado em cinco anos, com prestações mensais constantes.
A simulação utiliza três taxas hipotéticas para demonstrar as diferenças no custo financeiro.
| Condição | Juros anuais | Parcela mensal | Total pago |
|---|---|---|---|
| Cenário A | 15% | R$ 18.639 | R$ 1.118.317 |
| Cenário B | 18% | R$ 19.739 | R$ 1.184.323 |
| Cenário C | 20% | R$ 20.477 | R$ 1.228.602 |
Os valores correspondem exclusivamente ao financiamento de R$ 800 mil e não incluem a entrada de R$ 200 mil.
Também não consideram tarifas bancárias, seguros, tributos ou outras despesas que possam integrar o Custo Efetivo Total.
As taxas apresentadas são exemplos matemáticos, não cotações obtidas junto a instituições financeiras.
A diferença entre o primeiro e o terceiro cenário ultrapassa R$ 110 mil durante os cinco anos de financiamento.
Em uma aquisição de dez ônibus nas mesmas condições, essa diferença ultrapassaria R$ 1,1 milhão.
É dinheiro que poderia fazer diferença no planejamento de renovação da frota, na formação de reservas financeiras e na capacidade das empresas de absorver outros custos da operação.
A simulação também ajuda a dimensionar o efeito de uma redução relativamente pequena dos juros.
Se uma instituição financeira reduzisse integralmente uma taxa hipotética de 18% para 17,75% ao ano, mantendo as demais condições do financiamento, a prestação mensal passaria de aproximadamente R$ 19.739 para R$ 19.647.
A economia seria de aproximadamente R$ 5.520 durante os cinco anos.
O exemplo mostra que reduções sucessivas podem produzir efeitos acumulados, mas uma única diminuição de 0,25 ponto percentual representa uma parcela relativamente pequena do custo total de uma operação de longo prazo.
Pequenos e médios empresários enfrentam obstáculos adicionais e possuem menor capacidade de negociação
As dificuldades de financiamento não atingem todas as empresas da mesma maneira.
Transportadoras de grande porte podem possuir maior disponibilidade de capital, garantias e relacionamento com instituições financeiras.
Essas características podem facilitar a negociação das condições de financiamento, embora não eliminem os efeitos dos juros elevados.
Para empresas pequenas e médias, a situação pode ser diferente.
Uma transportadora que opera poucos veículos frequentemente precisa equilibrar o pagamento dos financiamentos com despesas de combustível, salários, manutenção, seguros e outras obrigações.
No transporte urbano, também existe a dependência das condições estabelecidas nos contratos com as prefeituras, incluindo os mecanismos de remuneração e os reajustes previstos.
No transporte rodoviário e no fretamento, a renovação depende principalmente das condições comerciais das empresas, da demanda por viagens e da disponibilidade de crédito.
A exigência de garantias bancárias representa outro obstáculo.
Dependendo da avaliação realizada pela instituição financeira, uma empresa pode precisar oferecer garantias adicionais ou realizar uma entrada maior para conseguir a aprovação do empréstimo.
O Banco Central esclarece que as taxas praticadas pelas instituições variam conforme as condições cadastrais dos clientes, o valor da entrada e as garantias consideradas na operação.
Esse contexto ajuda a explicar por que uma redução da Selic não resolve, isoladamente, as dificuldades de financiamento enfrentadas por empresas de menor porte.
Ônibus usados são uma alternativa, mas também dependem de financiamento e condições de conservação
Diante das dificuldades para adquirir veículos novos, empresas menores frequentemente recorrem ao mercado de ônibus seminovos.
Essa alternativa pode permitir a substituição de veículos mais antigos por modelos relativamente recentes, mediante investimentos menores.
Entretanto, a aquisição de ônibus usados também depende das condições de financiamento.
A idade do veículo, seu valor de mercado, seu histórico de manutenção e sua utilização anterior podem influenciar as garantias exigidas pelas instituições financeiras.
Além disso, determinadas linhas públicas de crédito financiam apenas veículos novos.
É o caso do BNDES Mais Mobilidade, que contemplou ônibus e micro-ônibus novos, mas restringiu a possibilidade de aquisição de veículos seminovos aos caminhões e caminhões-tratores.
O programa, portanto, não criou uma linha equivalente para a compra de ônibus usados.
Essa diferença é especialmente relevante para os empresários que não possuem condições financeiras de adquirir um veículo zero-quilômetro.
A compra de um ônibus seminovo, entretanto, exige avaliação técnica.
A conservação mecânica, o funcionamento dos equipamentos de segurança, as condições de acessibilidade e o histórico de manutenção precisam ser considerados.
Também devem ser observadas as exigências de idade máxima e as características técnicas estabelecidas pelos órgãos responsáveis pelos diferentes sistemas de transporte.
A renovação por veículos usados pode representar uma etapa intermediária de modernização para determinadas empresas, desde que respeite as condições de segurança e a regulamentação aplicável.
Move Brasil: R$ 2 bilhões destinados aos ônibus foram rapidamente comprometidos
O Programa Move Brasil constitui um exemplo de iniciativa de financiamento com condições específicas para a renovação de veículos pesados.
Em sua segunda etapa, operacionalizada pelo BNDES Mais Mobilidade, foram disponibilizados aproximadamente R$ 21,2 bilhões para caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.
Desse montante, R$ 2 bilhões foram reservados ao financiamento de ônibus.
A linha começou a receber propostas em 29 de maio de 2026.
Em 16 de junho, o BNDES anunciou que já havia aprovado R$ 10 bilhões em financiamentos, correspondentes a aproximadamente 47% dos recursos previstos.
Para as empresas de transporte de passageiros, o programa previa financiamentos com prazo total de até dez anos, incluindo até seis meses de carência.
As condições permitiam financiar até 100% dos itens elegíveis, observada a análise realizada pela instituição financeira credenciada.
Segundo o BNDES, as taxas finais poderiam ficar próximas de 13% ao ano, dependendo das condições de cada operação.
Entretanto, a elevada demanda reduziu rapidamente os recursos disponíveis.
Em 29 de julho, o Diário do Transporte mostrou que a verba reservada aos ônibus havia se esgotado e que mais de R$ 20 bilhões do orçamento total do programa já estavam comprometidos.
As empresas ouvidas pela reportagem relataram que ainda existia demanda por financiamento, especialmente nos segmentos rodoviário e de fretamento.
Os recursos destinados aos ônibus correspondiam a menos de 10% do orçamento global da segunda etapa.
O prazo originalmente estabelecido para o encaminhamento de propostas terminou em 28 de agosto.
Já a comunicação das contratações ao BNDES tem prazo previsto até a próxima segunda-feira, 28 de setembro.
Essas datas demonstram uma característica importante do programa: trata-se de uma linha com orçamento e período de contratação delimitados, diferentemente de um instrumento permanente de crédito.
Relembre a reportagem publicada pelo Diário do Transporte:
Recursos do Move para ônibus se esgotam e empresas relatam falta de crédito
Refrota oferece juros menores, mas exigências documentais e bancárias dificultam o acesso
Outra alternativa de financiamento é o Programa de Renovação de Frota do Transporte Público Coletivo Urbano, conhecido como Refrota.
O programa utiliza recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para financiar a aquisição de veículos destinados aos sistemas de transporte público.
Entre os investimentos contemplados estão ônibus novos com tecnologia Euro VI, veículos elétricos e equipamentos de recarga.
As condições financeiras são diferentes das encontradas em operações convencionais de crédito.
Segundo o Ministério das Cidades, o Refrota apresenta taxa básica de financiamento de 6% ao ano, contrapartida mínima de 5%, prazo de amortização de até 20 anos e possibilidade de carência de até 48 meses.
Entretanto, a taxa básica não representa necessariamente o custo final do financiamento.
Também podem incidir encargos relacionados à intermediação financeira e ao risco de crédito, dentro dos limites estabelecidos pelo programa.
O acesso depende de procedimentos que envolvem o Ministério das Cidades, o poder público responsável pelo transporte e as instituições financeiras.
Para operadores privados, a seleção de propostas do Novo PAC exige a apresentação de carta-consulta e anuência do poder concedente.
Os interessados também precisam atender aos critérios técnicos e administrativos estabelecidos para os veículos e para os serviços.
A página oficial do programa estabelece exigências relacionadas à acessibilidade, ao ar-condicionado, à internet sem fio e aos sistemas embarcados de bilhetagem, rastreamento e monitoramento da operação.
A aprovação das propostas não elimina a necessidade de contratação do empréstimo junto à instituição financeira.
A combinação dessas etapas pode representar um obstáculo para empresas que não possuem equipes administrativas especializadas ou condições financeiras para contratar consultorias.
Empresário do ABC relatou ao Diário do Transporte que burocracia dificulta até a tentativa de financiamento
O problema foi abordado pelo Diário do Transporte em reportagem publicada em 1º de julho de 2026.
Na ocasião, o empresário Edmilson Fernandes Pereira, proprietário da Viação Talismã, responsável pelo transporte público de Rio Grande da Serra, no ABC Paulista, relatou as dificuldades enfrentadas pelos operadores de menor porte.
Segundo Pereira, mesmo empresas com disponibilidade de capital precisam lidar com diversas etapas de comprovação e procedimentos administrativos.
O empresário também afirmou que os agentes financeiros poderiam oferecer maior atenção aos operadores menores durante a preparação dos pedidos.
A reportagem mostrou que a complexidade dos procedimentos pode levar determinadas empresas a procurar alternativas no mercado de ônibus seminovos.
A dificuldade, portanto, não está necessariamente relacionada apenas à taxa de juros oferecida pelo programa.
Ela também envolve a capacidade de preparar e apresentar os projetos e de obter aprovação nas diferentes etapas administrativas e bancárias.
Relembre a reportagem:
Refrota alcança R$ 5,21 bilhões, mas pequenos frotistas relatam dificuldades burocráticas
Refrota já havia alcançado R$ 5,21 bilhões em créditos aprovados até junho
Apesar das dificuldades relatadas por operadores menores, o Refrota registrou investimentos expressivos em 2026.
Segundo balanço divulgado pelo Ministério das Cidades e publicado pelo Diário do Transporte em 1º de julho, o programa havia alcançado R$ 5,21 bilhões em créditos aprovados até o encerramento de junho.
O montante estava relacionado a 180 propostas contratadas e contemplava 4.040 ônibus com tecnologia Euro VI, 470 ônibus elétricos e 47 veículos sobre trilhos.
A Região Sudeste concentrava R$ 2,56 bilhões dos investimentos, destinados à aquisição de 2.523 ônibus Euro VI ou elétricos em 90 municípios.
O Nordeste aparecia na sequência, com R$ 1,65 bilhão.
Os números demonstram a abrangência do programa, mas também precisam ser analisados considerando o acesso desigual às diferentes linhas de financiamento.
A aprovação de recursos em nível nacional não significa que todas as empresas ou municípios consigam concluir os procedimentos necessários à contratação.
A relação entre propostas selecionadas, operações contratadas, recursos efetivamente liberados e veículos entregues também precisa ser considerada na avaliação dos resultados.
Finame permanece como alternativa, mas custo final depende dos bancos
Além dos programas específicos, as empresas podem recorrer às linhas convencionais do BNDES, como o Finame.
O programa financia a aquisição de máquinas e equipamentos, incluindo ônibus novos que atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As condições variam conforme a modalidade, o porte da empresa, a fonte dos recursos e o agente financeiro responsável pela operação.
No financiamento convencional de ônibus e caminhões, o custo envolve a taxa financeira aplicável, a remuneração do BNDES e a remuneração da instituição financeira credenciada.
O banco informa que sua remuneração é de 0,95% ao ano para operações de micro, pequenas e médias empresas nas regiões Norte e Nordeste, e de 1,25% nas demais condições relacionadas aos ônibus e caminhões.
A remuneração do agente financeiro é negociada diretamente com o cliente.
Embora o programa apresente diferentes possibilidades de composição do custo financeiro, a utilização direta da Selic como referência está suspensa nessa modalidade desde janeiro de 2026.
Portanto, o corte recente da taxa básica não produz automaticamente uma redução equivalente nos contratos do Finame.
As instituições financeiras também possuem autonomia para avaliar a capacidade de pagamento dos interessados e definir as garantias exigidas.
O BNDES admite a utilização de fundos garantidores em determinadas operações, observadas as regras específicas desses instrumentos.
Essa possibilidade pode contribuir para a estruturação dos financiamentos, mas não representa aprovação automática do crédito.
Representante da indústria também pediu redução da burocracia e maior acesso direto ao financiamento
As dificuldades enfrentadas pelas transportadoras também foram abordadas por representantes da indústria de ônibus.
Em entrevista concedida ao Diário do Transporte em abril de 2026, o vice-presidente do segmento de ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa, defendeu mudanças nos procedimentos dos programas federais de financiamento.
Entre os pontos apresentados pelo executivo estavam a ampliação do acesso direto dos operadores ao crédito e a redução do intervalo entre a aprovação dos recursos e o faturamento dos veículos.
As declarações foram realizadas durante entrevista ao jornalista Adamo Bazani.
A manifestação destaca que o custo financeiro constitui apenas uma das questões relacionadas à renovação da frota.
A previsibilidade dos procedimentos e o tempo necessário para concluir as operações também influenciam as decisões de investimento das empresas e o planejamento industrial.
Para os passageiros, financiamento de ônibus também significa conforto, segurança e qualidade do transporte
Os efeitos do crédito sobre os transportes vão além das condições comerciais estabelecidas entre bancos e empresas.
A capacidade de renovar a frota influencia a idade média dos veículos, a disponibilidade de equipamentos de acessibilidade, o conforto e as condições operacionais dos serviços.
Nos sistemas urbanos, a incorporação de ônibus novos pode ampliar a oferta de veículos com ar-condicionado, recursos tecnológicos e dispositivos de acessibilidade.
A substituição de modelos antigos por ônibus com motores Euro VI também contribui para reduzir determinadas emissões de poluentes atmosféricos.
Já a eletrificação permite eliminar as emissões provenientes do escapamento e diminuir o ruído produzido durante a circulação.
Nos serviços rodoviários e de fretamento, os investimentos permitem incorporar veículos com diferentes configurações de poltronas, recursos de segurança e equipamentos voltados às viagens de longa distância.
Entretanto, a renovação não depende exclusivamente da disponibilidade de crédito.
As condições econômicas dos contratos de transporte urbano, os mecanismos de remuneração, a demanda por viagens e os custos operacionais também influenciam a capacidade de investimento das transportadoras.
A manutenção adequada permanece indispensável tanto para os ônibus novos quanto para os usados.
Da mesma forma, a redução do custo de financiamento não se transforma automaticamente em diminuição das tarifas.
Os possíveis efeitos sobre o preço das passagens dependem dos contratos, dos modelos de remuneração e das decisões regulatórias aplicáveis a cada sistema.
O que a redução dos juros pode proporcionar é uma melhoria gradual das condições para novos investimentos, dependendo de sua transmissão efetiva às operações de crédito.
Para os passageiros, o resultado concreto desse processo será percebido quando os financiamentos se transformarem em veículos entregues e efetivamente colocados em circulação.
A discussão sobre os juros, portanto, também faz parte do debate sobre a qualidade do transporte coletivo e as condições necessárias para manter sua renovação ao longo dos anos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



