Primeiros 60 ônibus zero km da JTP começam a sair da Caio para Rio Branco (AC) e devem chegar até quinta-feira (1º), anuncia prefeito – VÍDEO

Em primeira mão, Diário do Transporte noticiou que empresa paulista comprou 80 unidades para operações na cidade, sendo 60 Apache Vip 5 e 20 do recém-lançado Apache Vip 6

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

O prefeito de Rio Branco (AC), Alysson Bestene, anunciou nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, que parte da frota de ônibus zero quilômetro comprada para o início das operações da JTP na cidade já começou a sair da encarroçadora Caio, de Botucatu (SP).

Segundo Bestene, nesta sexta-feira, 30 coletivos já foram liberados pela fabricante e, neste sábado (26), serão mais 30.

Os veículos devem chegar à cidade até quinta-feira, 1º de outubro de 2026, ainda de acordo com o prefeito.

Em primeira mão, ainda no dia 2 de setembro de 2026, o Diário do Transporte noticiou que a empresa comprou ao todo 80 unidades, sendo 60 Apache Vip 5 e 20 do recém-lançado Apache Vip 6.

Todos os coletivos possuem chassis Mercedes-Benz e itens de acessibilidade e segurança, como elevadores para pessoas com deficiência, sistema de monitoramento de carroceria e chassi e câmeras. Carregadores USB para celulares e ar-condicionado também integram a configuração.

Relembre:

JTP compra 20 novos Apache Vip 6 e 60 Apache Vip 5 para Rio Branco.

Também em primeira mão, o Diário do Transporte noticiou que, justamente para Rio Branco, a JTP foi incluída no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Governo Federal, em um financiamento de R$ 68,4 milhões para compra de ônibus novos.

A publicação oficial ocorreu nesta quarta-feira (2).

Relembre:

JTP é selecionada no Novo PAC para financiar R$ 68,4 milhões em ônibus para Rio Branco. A seleção da proposta permite avançar nas etapas de contratação do crédito; a portaria federal não informa quantos veículos serão financiados nem representa, por si só, o desembolso dos recursos.

A Prefeitura de Rio Branco contratou a empresa depois de um chamamento emergencial no qual a JTP foi a única interessada. A administração municipal informou inicialmente uma frota operacional de 120 ônibus e estabeleceu um período de transição com a Ricco para evitar a interrupção do atendimento.

Crise do transporte em Rio Branco começou antes da Ricco

A substituição da operadora ocorre após anos de dificuldades no transporte coletivo de Rio Branco. Antes da chegada da Ricco, o sistema já enfrentava paralisações, disputas sobre o financiamento da operação e redução do atendimento.

Em setembro de 2021, trabalhadores da Auto Viação Floresta fizeram uma greve de dois dias, encerrada após acordo. Naquele ano, a Prefeitura também discutiu repasses às empresas para manter os ônibus em circulação e o pagamento dos funcionários. Em dezembro, a Floresta deixou de atender oito linhas. Outras três perderam o serviço no começo de janeiro de 2022: Taquari, Vila Baixa Verde e Quixadá.

A Prefeitura decretou intervenção no transporte coletivo em dezembro de 2021. Com a continuidade da redução dos serviços, anunciou em janeiro de 2022 a contratação emergencial da Ricco. A empresa começou a operar 31 linhas em 13 de fevereiro daquele ano, em substituição à Floresta. Em 1º de maio, assumiu também as linhas restantes e se tornou a única operadora dos ônibus municipais.

Paralisações e subsídios marcaram os primeiros meses da Ricco

A concentração de todas as linhas na Ricco não encerrou as dificuldades. Em junho de 2022, a empresa suspendeu a operação de 11 linhas. Segundo a RBTrans, a operadora alegou prejuízos relacionados ao aumento do preço do diesel. A Ricco também informou, naquele período, que pretendia deixar o serviço, afirmando perder cerca de R$ 40 mil por dia.

A Câmara Municipal aprovou, em 30 de junho de 2022, uma proposta de R$ 7,94 milhões para subsidiar a operação. O Ministério Público do Acre questionou o repasse na Justiça, mas o pedido para suspendê-lo foi negado em julho. A discussão evidenciou um problema que continuaria nos anos seguintes: como cobrir os custos do sistema mantendo a passagem paga pelos usuários em R$ 3,50.

Em novembro de 2023, vereadores aprovaram uma nova previsão de subsídio, com impacto anual estimado em R$ 11,1 milhões para 2024 e 2025. A justificativa apresentada pela administração municipal era preservar o valor da passagem diante do aumento dos custos. Os contratos emergenciais com a Ricco continuaram a ser prorrogados enquanto Rio Branco buscava uma contratação definitiva para as linhas.

Apreensões de ônibus agravaram a instabilidade da frota

Em 2024, a situação da frota também passou a ser discutida na Justiça. Uma decisão relacionada a parcelas de financiamento em atraso envolveu 16 ônibus utilizados pela Ricco. O Banco Caruana apontava uma dívida de R$ 2,62 milhões ligada à aquisição dos veículos. Em outubro daquele ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu recurso da transportadora após a quitação de parcelas atrasadas e afastou a apreensão discutida naquele processo.

Uma nova e mais ampla retirada de veículos ocorreu em 30 de junho de 2026. Na ocasião, 38 ônibus usados pela Ricco foram apreendidos por determinação judicial; a ordem abrangia até 50 veículos e estava associada a uma dívida estimada em cerca de R$ 3 milhões. Segundo o levantamento publicado pelo Diário do Transporte, apenas 48 ônibus circularam naquele dia, com lotação em pontos de parada e no terminal. Os episódios de 2024 e 2026 envolveram medidas e disputas distintas.

Greves, divergência sobre repasses e licitação suspensa em 2026

O início de 2026 trouxe novas paralisações. Em janeiro, trabalhadores interromperam parte da operação para cobrar pagamentos. Em março, a Ricco anunciou a suspensão de 31 das 50 linhas, atribuindo a decisão a dificuldades financeiras e operacionais. A empresa afirmou ter acumulado prejuízos superiores a R$ 8 milhões em 2025. Passageiros relataram esperas prolongadas nos pontos.

Em fevereiro, a Prefeitura havia divulgado outra prorrogação do contrato emergencial, com previsão de R$ 12,4 milhões e aumento do subsídio. A Ricco contestou publicamente aspectos dessa relação contratual. Em comunicado divulgado em abril, a empresa alegou defasagem na remuneração, problemas nos repasses referentes a gratuidades e à diferença do passe estudantil e divergência sobre a renovação contratual. Essas são alegações da operadora, apresentadas em meio à disputa com a administração municipal.

Rio Branco tentava, ao mesmo tempo, realizar uma licitação definitiva para o transporte coletivo. O edital então preparado previa um contrato superior a R$ 1 bilhão e uma frota de 140 ônibus, dos quais 128 em operação e 12 na reserva. A concorrência foi suspensa em abril de 2026 para ajustes.

Em 22 de abril, uma greve por salários e benefícios atrasados paralisou integralmente o sistema. A Prefeitura decretou situação de emergência no transporte coletivo, e os ônibus voltaram a circular no dia seguinte após acordo entre trabalhadores, Ricco e município. Ainda em abril, uma decisão da Justiça do Trabalho determinou providências relativas ao pagamento dos empregados e apontou irregularidades nos registros de mais de 40 veículos.

Escolha da JTP e transição de até 90 dias

Em junho, a RBTrans abriu um chamamento para contratar emergencialmente uma substituta da Ricco por até 12 meses, enquanto o município buscava uma solução definitiva. A JTP foi a única empresa a apresentar proposta. O Conselho Municipal de Transporte Público aprovou a remuneração oferecida, de R$ 11,29 por quilômetro rodado, abaixo do limite de R$ 11,56 por quilômetro previsto no chamamento. A passagem informada ao usuário permaneceu em R$ 3,50. São unidades de cálculo diferentes: o valor por quilômetro remunera a operação e não pode ser diretamente subtraído do preço da passagem.

A Prefeitura anunciou que a troca entre Ricco e JTP poderia durar até 90 dias, com transferência gradual das linhas para evitar uma nova interrupção do atendimento. O Ministério Público do Acre também acompanhou a transição e recomendou medidas para assegurar a continuidade e a segurança do serviço. O planejamento inicial para a JTP indicava 120 ônibus, incluindo veículos novos e seminovos, além de GPS, bilhetagem eletrônica e um centro de controle operacional.

O plano divulgado em julho previa inicialmente 60 ônibus zero quilômetro. A compra de 80 veículos novos, revelada pelo Diário do Transporte em 2 de setembro, ampliou esse número: são os 60 Apache Vip 5 cuja saída da fábrica foi anunciada agora e mais 20 Apache Vip 6. A encomenda de 80 unidades novas e a frota operacional de 120 veículos são informações diferentes; a composição final da frota em serviço dependerá da implantação da operação.

Onde a JTP opera e onde já operou linhas urbanas

Fundada em 2005 e com sede administrativa em Barueri (SP), a JTP possui operações municipais de ônibus em diferentes estados. A tabela reúne os sistemas urbanos regulares identificados no levantamento do Diário do Transporte; contratos de transporte escolar ficam fora da comparação. “Em implantação” significa que a operação em Rio Branco ainda estava em transição na data desta reportagem.

Cidade Início Situação em 25/9/2026
Embu das Artes (SP) Out./2019 Encerrou em fev./2026
Porto Velho (RO) 1º/10/2020 Em operação
Bragança Paulista (SP) 4/10/2020 Em operação
Rio Branco (AC) Transição em 2026 Em implantação

Em Embu das Artes, a JTP deixou as linhas municipais no fim de fevereiro de 2026 e foi substituída pela Viação Cidade das Artes em 1º de março. Em Porto Velho e Bragança Paulista, as operações começaram em outubro de 2020 e seguem em andamento. A entrada em Rio Branco acrescenta uma nova capital à atuação urbana da empresa.

Apache Vip 5 e Apache Vip 6: o que muda nos ônibus de Rio Branco

As 60 unidades cuja liberação foi anunciada pelo prefeito são Caio Apache Vip 5. Segundo informações divulgadas sobre a encomenda de Rio Branco, essa configuração tem capacidade para até 84 pessoas, consideradas as posições sentadas, em pé e reservadas a passageiros com deficiência. Os veículos terão duas portas, ar-condicionado, carregadores USB e equipamento de acessibilidade. A ficha comercial do Apache Vip 5 admite carrocerias de até 15 metros de comprimento, mas as dimensões efetivas dependem do chassi e da configuração encomendada.

Os outros 20 ônibus adquiridos pela JTP são Apache Vip 6, geração apresentada pela Caio na Lat.Bus 2026, em agosto. Para as unidades destinadas a Rio Branco, foi divulgada capacidade de até 72 pessoas. A nova versão traz alterações no desenho da dianteira, iluminação em LED, acabamento interno e revestimento do piso. As portas embutidas, chamadas pela fabricante de “Flor da Pele”, foram apontadas como recurso para melhorar o fechamento e o isolamento do salão de passageiros. A Caio também preservou componentes utilizados no Apache Vip 5 para facilitar a manutenção das duas gerações na mesma frota.

No catálogo geral da Caio, o Apache Vip 6 pode medir de 9,50 a 15 metros de comprimento, conforme o chassi e a aplicação, com largura externa de 2,53 metros e altura externa de 3,37 a 3,59 metros. Esses intervalos descrevem as possibilidades do modelo e não as medidas confirmadas dos 20 ônibus comprados para Rio Branco. Tanto os Apache Vip 5 quanto os Apache Vip 6 da encomenda anunciada pela JTP utilizarão chassis Mercedes-Benz.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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