O escritório do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, na zona sul da capital paulista, teve HDs que armazenavam imagens de câmeras de segurança, dinheiro e papéis levados na noite deste domingo, 20 de setembro de 2026.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da ocorrência e quem retirou os materiais do imóvel. Uma das possibilidades analisadas é a de furto, mas os investigadores também devem apurar se o episódio possui alguma relação com a Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em empresas do transporte coletivo e no poder público.
Até a publicação desta reportagem, não havia sido informado o período das gravações armazenadas nos equipamentos.
A polícia também não havia esclarecido se houve sinais de arrombamento, quantas pessoas participaram da ação e se outras câmeras da região registraram a movimentação no imóvel.
Retirada dos HDs pode dificultar recuperação das imagens
Os HDs guardavam gravações produzidas pelas câmeras de segurança do escritório. A retirada dos equipamentos pode dificultar a verificação de quem entrou no imóvel e dos horários de movimentação, caso as imagens não estejam armazenadas simultaneamente em servidores externos ou sistemas de nuvem.
A perícia e os investigadores devem procurar outros equipamentos, registros eletrônicos e imagens de imóveis vizinhos que possam ajudar a reconstituir a ocorrência.
A polícia também deverá verificar se houve retirada seletiva de materiais ou se outros objetos foram levados. Essa análise poderá ajudar a diferenciar um possível crime patrimonial de uma ação direcionada aos documentos e às gravações existentes no escritório.
Por enquanto, não há confirmação de que os materiais estejam diretamente relacionados às investigações envolvendo Milton Leite. Essa possível ligação integra o conjunto de hipóteses que deverá ser analisado pela Polícia Civil.
Operação investiga suspeitas de infiltração do PCC no transporte coletivo
Milton Leite é um dos investigados na Operação Vectura Corrupta, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pela Polícia Civil. A investigação apura suspeitas de infiltração de integrantes do PCC em empresas de transporte coletivo, corrupção de servidores públicos, lavagem de dinheiro, interferência em contratos e financiamento eleitoral ilícito.
O ex-presidente da Câmara Municipal teve a prisão temporária decretada e apresentou-se à polícia na sexta-feira (18). A Justiça manteve a detenção após audiência de custódia. Milton Leite nega envolvimento com a organização criminosa e afirma não ser proprietário de empresas de ônibus.
Entre as suspeitas investigadas está a de que Leite seria o proprietário de fato da Transwolff, antiga operadora do sistema municipal de ônibus de São Paulo. O ex-vereador e a empresa negam que ele tenha participação societária ou atuação na administração da transportadora.
A Transwolff foi investigada na Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024 pelo Ministério Público, sob suspeita de ligação com integrantes do PCC e lavagem de dinheiro. A Prefeitura de São Paulo encerrou os contratos da empresa em dezembro de 2025.
A Operação Vectura Corrupta também atingiu empresários do setor de ônibus, funcionários e ex-dirigentes da SPTrans, políticos, advogados e pessoas apontadas como ligadas à facção criminosa. Entre os detidos está o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Que coincidencia hein kkkkkkk
A gangue continua em ação, para ocultar o máximo de provas, contra seu chefe!