VÍDEO: “Só se arrepende quem comete crime, eu não cometi nenhum; nada devo”, diz Milton Leite antes de ser preso

Político teve prisão temporária decretada na Operação Vectura Corrupta e se apresentou nesta sexta-feira (18), em Mogi das Cruzes; investigação o relaciona à Transwolff e a articulações envolvendo empresas de ônibus, mas ele nega qualquer vínculo com a facção criminosa

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite se entregou à Polícia Civil nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, e teve cumprido o mandado de prisão temporária decretado no âmbito da Operação Vectura Corrupta. Logo depois de se apresentar, o ex-vereador negou integralmente as acusações, afirmou confiar na Justiça e disse que pretende contestar no processo, por meio de seus advogados, os elementos reunidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

Milton Leite é investigado por possível participação em um esquema de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de ônibus de São Paulo. A investigação menciona o político em diálogos entre suspeitos, sustenta que ele exerceria influência sobre empresas do sistema e registra declarações segundo as quais seria o “dono de fato” da Transwolff. Leite e a empresa negam essa relação. As acusações ainda estão em fase de investigação, e a prisão temporária é uma medida cautelar, não uma condenação.

APÓS SE ENTREGAR, MILTON LEITE DIZ QUE É INOCENTE E QUE VAI CONTESTAR ACUSAÇÕES

Ao deixar claro que cumpriu a determinação judicial voluntariamente, Milton Leite afirmou que acredita no trabalho da Polícia Civil e da Justiça, mas sustentou que nenhuma das acusações procede.

Na declaração dada após a apresentação, o ex-presidente da Câmara também foi questionado sobre onde permaneceu antes de comparecer à delegacia, sobre as buscas realizadas nesta sexta-feira e sobre as mensagens em que seu nome aparece na investigação.

O Diário do Transporte reproduz abaixo integralmente a manifestação, inclusive as perguntas feitas ao político:

“Absolutamente, sou inocente de todas as acusações, eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito, a gente tem a oportunidade da contradita pelos meus advogados, a gente vai guardar essa decisão pacientemente, temos que respeitar as decisões da justiça, eu cumpri a decisão, me apresentei conforme prometido, conforme dito, vim no dia que vaquei, estou aqui sem nenhum problema.

Só se arrepende quem comete crime eu não cometi nenhum, nada devo. Estava na minha residência, no interior, fui lá dormir na minha casa e voltei, em Sorocaba, sim.

é aquela casa onde foi alvo de buscas hoje pela manhã ?

Não, não, é a minha casa, a casa da minha empresa.

Objeto da discussão será feita no processo com meus advogados. Você vai me pegar num detalhe, numa pergunta, por ora eu posso lhe garantir, eu nego todas as acusações e tenho convicção que sou inocente de todas elas.

Por que o senhor acredita que apareceu em tantas mensagens citadas?

Eu não vou discutir esses detalhes porque eu estaria entrando no processo, pontualmente é ruim. Está certo.”

POLÍCIA FOI A SOROCABA ANTES DA APRESENTAÇÃO

A referência de Milton Leite a Sorocaba ocorre porque a Polícia Civil havia realizado diligências na cidade nesta sexta-feira enquanto tentava cumprir o mandado.

Em um imóvel ligado a um ex-assessor do político, os agentes apreenderam R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie, totalizando aproximadamente R$ 740 mil pela conversão utilizada nas reportagens sobre o caso. Milton Leite não estava no local no momento da operação. A origem do dinheiro faz parte das apurações.

Na manifestação reproduzida nesta reportagem, Leite afirmou que havia passado a noite em sua residência no interior e, quando questionado se era a mesma casa alvo das buscas, respondeu negativamente e fez referência à “casa da minha empresa”.

A investigação deverá esclarecer as relações entre os diferentes endereços citados e os elementos apreendidos.

POR QUE MILTON LEITE APARECE NA INVESTIGAÇÃO

O nome do ex-presidente da Câmara surge em conversas analisadas pela Polícia Civil envolvendo empresas do transporte coletivo.

Em uma das sequências, investigados discutem problemas relacionados à UPBus e afirmam que seria necessário “envolver” Milton Leite antes de determinadas decisões. Em seguida, também aparece referência à necessidade de conversar com Levi dos Santos Oliveira, então presidente da SPTrans.

A investigação sustenta ainda que Milton teria exercido influência sobre empresas que, na tese policial, estariam sob controle ou influência de integrantes do PCC.

Outro ponto considerado relevante pelas autoridades são declarações existentes em procedimento no Tribunal de Justiça Militar segundo as quais ele seria o “dono de fato” da Transwolff.

Milton Leite nega.

Ele afirma não ter participação societária ou administrativa em empresas de ônibus e sustenta que seus contatos com o setor decorreram de sua atuação política e institucional. A Transwolff também nega que o ex-vereador tenha sido proprietário ou gestor da companhia.

TRANSWOLFF JÁ HAVIA SIDO ALVO DA OPERAÇÃO FIM DA LINHA

A Transwolff foi um dos principais alvos da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro e possível utilização de empresas do transporte coletivo por integrantes do PCC.

A Prefeitura de São Paulo posteriormente interveio na empresa e rompeu o contrato da operadora.

A investigação atual ampliou o alcance das apurações. Polícia Civil e Ministério Público trabalham com a hipótese de influência direta ou indireta da organização criminosa sobre diferentes empresas do sistema de ônibus e investigam, além de lavagem de dinheiro, possíveis relações com agentes públicos, políticos e decisões administrativas.

MILTON LEITE DIZ QUE NÃO VAI DISCUTIR DETALHES DAS MENSAGENS FORA DO PROCESSO

Um dos momentos mais importantes da manifestação desta sexta-feira ocorreu quando Milton Leite foi questionado especificamente sobre a quantidade de mensagens da investigação nas quais seu nome aparece.

O ex-presidente da Câmara evitou responder ponto a ponto.

Disse que entrar nesses detalhes fora dos autos seria inadequado e que a discussão será feita no processo pelos advogados.

A estratégia da defesa, portanto, passa a ser confrontar judicialmente a interpretação que Polícia Civil e Ministério Público fazem dos diálogos, documentos e demais dados extraídos durante a investigação.

INVESTIGAÇÃO TEM MATERIAL QUE AUTORIDADES CONSIDERAM CONSISTENTE, MAS CASO AINDA NÃO FOI JULGADO

Polícia Civil e Ministério Público afirmam ter reunido mensagens, áudios, documentos, movimentações financeiras e informações extraídas de aparelhos celulares que sustentaram os pedidos de prisões temporárias, buscas e outras medidas cautelares.

O Gaeco atribuiu relevância ao conjunto reunido pela investigação e a Justiça autorizou as prisões temporárias de 16 investigados, entre eles Milton Leite, o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e Paulo Sirqueira Korek Farias, ligado à A2 Transportes.

Isso não elimina uma distinção fundamental: os elementos considerados suficientes para medidas cautelares ainda serão confrontados pelas defesas e avaliados no decorrer do processo.

Não há condenação definitiva de Milton Leite pelas acusações investigadas.

Ao se apresentar nesta sexta-feira, o ex-vereador resumiu justamente qual será sua posição daqui em diante: nega todas as acusações e afirma que pretende demonstrar sua inocência no processo.

EXCLUSIVO: Polícia pediu afastamento de 43 gestores de nove empresas de ônibus e intervenção da SPTrans, mas Gaeco foi contra naquele momento

Medida alcançaria A2, Alfa Rodobus, Allianz, Transcap – não opera mais com esse nome, Imperial, MoveBus, Norte Buss, Pêssego e Spencer; Ministério Público apontou falta de individualização das condutas e risco de descontinuidade do transporte

ADAMO BAZANI

A Polícia Civil pediu à Justiça o afastamento de 43 pessoas ligadas à gestão de nove empresas do sistema municipal de ônibus de São Paulo e a intervenção da SPTrans nas concessionárias, com a possibilidade de redistribuição das linhas para outras operadoras. A medida atingiria A2 Transportes, Alfa Rodobus, Allianz, Auto Viação Transcap, atualmente não opera com este nome, Imperial, MoveBus, Norte Buss, Pêssego e Spencer.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), entretanto, manifestou-se contra o afastamento coletivo naquele momento. Apesar de considerar que existiam elementos para prosseguir com prisões, buscas e investigação patrimonial, o Ministério Público afirmou que ainda não era possível individualizar a atuação e os poderes administrativos de cada um dos 43 nomes e alertou que a saída simultânea de dezenas de gestores poderia provocar descontinuidade no transporte público.

Os documentos, analisados pelo Diário do Transporte, integram a investigação que deu origem à Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, para apurar a suposta infiltração do PCC em empresas de ônibus, licitações, contratos públicos e estruturas políticas e administrativas.

Polícia queria afastamento de gestores, bloqueio de pagamentos e proibição de acesso às garagens

A representação foi apresentada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, vinculada ao Demacro, em 4 de agosto de 2026.

A Polícia Civil pediu que os 43 nomes fossem impedidos de exercer funções gerenciais e administrativas, votar em assembleias, acessar sedes e garagens, receber remunerações e retirar lucros, dividendos ou juros sobre capital próprio.

O objetivo declarado era preservar o caixa das concessionárias e impedir que os investigados continuassem se beneficiando economicamente de atividades que, segundo a apuração, estariam relacionadas à organização criminosa.

Caso os afastamentos fossem autorizados, a polícia defendia que a Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, interviesse nas concessionárias para evitar interrupção das linhas.

A representação também sugeria que a administração municipal pudesse transferir temporariamente a operação para outras empresas e que o Tribunal de Contas do Município e a Controladoria-Geral do Município fossem chamados para acompanhar as intervenções.

Nove empresas e 43 nomes foram incluídos no pedido de afastamento

A medida cautelar solicitada pela Polícia Civil relacioava as seguintes empresas e pessoas:

Empresa Pessoas que a polícia pretendia afastar
A2 Transportes QUATRO PESSOAS
Alfa Rodobus TREZE PESSOAS
Allianz Transportes SEIS PESSOAS
Auto Viação Transcap- não opera mais com esse nome DUAS PESSOAS
Imperial Transportes Urbanos QUATRO PESSOAS
MoveBus/Transpeople Soluções em Mobilidade Urbana QUATRO PESSOAS
Norte Buss Transportes SEIS PESSOAS
Pêssego Transportes  QUATRO PESSOAS
Spencer Transporte Rodoviário DUAS PESSOAS

A inclusão dos nomes na representação policial não significa que todos tenham sido denunciados, condenados ou que exista comprovação definitiva de vínculo com o PCC. A própria discussão posterior do Gaeco foi justamente sobre a necessidade de individualizar as condutas antes de aplicar uma medida contínua e restritiva de direitos . O DIÁRIO DO TRANSPORTE TEVE ACESSO A TODOS OS NOMES, MAS COMO NÃO HOUVE A INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA, POR LINHA EDITORIAL, NÃO FARÁ A CITAÇÃO

Polícia defendia intervenção para impedir risco ao transporte

Na representação, a Polícia Civil sustentou que o afastamento dos gestores deveria ser acompanhado de intervenção pública para manter as linhas em funcionamento.

O documento afirma:

“Uma vez deferido o afastamento cautelar dos representados, a fim de evitar que continuem se beneficiando economicamente das atividades ilícitas praticadas por meio das empresas, é impositivo que o Município de São Paulo, por intermédio da SPTRANS, proceda à intervenção no concessionário, nos termos da legislação vigente, com o intuito de assegurar a manutenção do transporte público nessas localidades, evitando-se prejuízo à população usuária do serviço.”

A polícia também argumentou que a permanência dos investigados no controle das empresas poderia comprometer o funcionamento das operadoras e, consequentemente, a prestação do serviço.

Apesar da afirmação policial, o afastamento coletivo dos gestores e a intervenção simultânea nas nove empresas não foram determinados pela Justiça.

Gaeco reconheceu gravidade, mas pediu que afastamentos fossem negados

Em manifestação protocolada em 7 de agosto de 2026, o Gaeco concordou com a maior parte da representação policial, incluindo os pedidos relacionados ao núcleo considerado principal da investigação, prisões temporárias, buscas e apuração patrimonial.

O Ministério Público, contudo, posicionou-se contra o afastamento preventivo dos 43 nomes ligados às empresas de ônibus.

Segundo o Gaeco, as provas reunidas indicavam a utilização de pessoas jurídicas para ocultação de responsáveis, movimentação de recursos e prestação de serviços públicos de transporte. Mesmo assim, faltavam elementos para definir a participação concreta de cada pessoa indicada na administração das operadoras.

O documento afirma que não era possível determinar, naquele momento, “a natureza e a extensão da participação, a existência ou não de poderes de administração de cada um destes representados ou mesmo a coincidência temporal da titularidade das quotas com o período dos fatos apurados”.

O Gaeco também considerou o impacto que uma medida ampla poderia causar aos passageiros:

“Não se ignora, ademais, que as sociedades envolvidas operam serviço público essencial de transporte coletivo de passageiros, sob delegação de diversos Municípios. O afastamento simultâneo de dezenas de integrantes dos respectivos quadros diretivos pode projetar um risco de descontinuidade do serviço, com repercussão direta sobre a população usuária.”

Por isso, o Ministério Público pediu o indeferimento dos afastamentos naquela etapa, sem impedir que a medida fosse novamente analisada depois do cumprimento das buscas e da obtenção de provas individualizadas.

Indeferimento naquele momento não encerrou possibilidade de novas medidas

A manifestação do Gaeco não significou o arquivamento das suspeitas nem uma declaração de inocência das empresas ou das pessoas relacionadas.

O Ministério Público considerou que havia elementos para buscas, apreensões e aprofundamento da investigação, mas avaliou que uma medida continuada, como impedir dezenas de pessoas de administrar empresas, exigia provas específicas contra cada alvo.

Na conclusão, o Gaeco concordou com a representação policial “exceto no que toca à imposição da medida cautelar de afastamento dos quadros diretivos”.

O órgão ainda registrou que o pedido poderia ser reapresentado depois da análise dos celulares, documentos, contratos, registros financeiros e demais materiais apreendidos.

Mensagens analisadas citam 12 empresas, mas pedido de afastamento alcançou nove

Os documentos apresentam duas relações diferentes de empresas.

A investigação transcreve mensagens que relacionariam 12 operadoras do sistema de ônibus da capital:

  1. Viação Transcap – não opera mais com esse nome
  2. Alfa Rodobus;
  3. Transwolff;
  4. A2 Transportes;
  5. Imperial Transportes;
  6. MoveBus;
  7. Pêssego Transportes;
  8. Allianz Transportes;
  9. Transunião;
  10. Qualibus, posteriormente UPBus;
  11. Norte Buss;
  12. Spencer.

Essa lista teria sido enviada por José Daniel Satilite, apontado pelos investigadores como integrante do PCC e intermediário entre empresários, advogados, pessoas ligadas ao meio político e integrantes da facção.

Segundo a Polícia Civil, um interlocutor teria confirmado que a relação estava correta. A partir dessas conversas, os investigadores afirmaram que as 12 empresas estariam sob influência ou controle da organização criminosa.

Essa é uma conclusão formulada pela investigação com base nos diálogos analisados. Não se trata de decisão judicial que reconheça o controle criminoso das 12 operadoras.

Já o pedido concreto de afastamento de gestores atingiu nove empresas. Transwolff, Transunião e Qualibus/UPBus não aparecem nesse grupo específico porque já haviam sido objeto de outras operações, intervenções, substituições operacionais ou processos administrativos.

Empresas relacionadas atendem milhões de passageiros

A manifestação do Gaeco afirma que as empresas citadas pertencem ao subsistema local de distribuição, responsável principalmente pelas linhas alimentadoras que ligam bairros mais afastados a terminais, corredores e estações.

Segundo uma estimativa apresentada nos autos, o conjunto transportaria entre 2,8 milhões e 3,5 milhões de passageiros por dia e operaria entre 550 e 700 linhas municipais.

Os números são estimativas produzidas durante a investigação. Indicadores oficiais mais recentes da SPTrans, citados anteriormente pelo Diário do Transporte, mostram que o subsistema local reúne 6.029 ônibus e 511 das 1.331 linhas da cidade.

A dimensão explica a preocupação do Ministério Público com os efeitos que o afastamento simultâneo de dezenas de gestores poderia causar à operação e aos passageiros.

A2 aparece em negociações de ônibus e supostos pagamentos

A A2 Transportes ocupa uma posição relevante nos documentos. Paulo Sirqueira Korek Farias é apontado pela investigação como gestor da A2 e da Translíder, empresa que atuou no transporte municipal de Cubatão.

A investigação menciona a negociação de 63 ônibus da Translíder por R$ 1,26 milhão. Segundo os documentos, parte do dinheiro teria sido depositada em uma conta da A2.

Uma planilha mencionada nos autos indicaria o pagamento de R$ 825.880 entre novembro de 2019 e janeiro de 2020. Em outro episódio, os investigadores identificaram um comprovante de R$ 100 mil destinado à conta da A2.

A Polícia Civil sustenta que José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz apareciam formalmente ligados à Translíder, mas seriam pessoas interpostas, ou “laranjas”, de Paulo Korek.

Júlio Salvador Filho, diretor da A2, também é citado. De acordo com a investigação, ele participaria, com Korek, das decisões sobre a liberação de pagamentos relacionados à Translíder.

Essas afirmações são teses da Polícia Civil e do Ministério Público e ainda dependem de defesa, contraditório e julgamento.

Prefeitura de São Paulo deu prazo de 24 horas para A2 afastar dois dirigentes

Depois da deflagração da Operação Vectura Corrupta, o prefeito Ricardo Nunes anunciou que a Prefeitura de São Paulo notificaria a A2 para afastar Paulo Korek e Júlio Salvador em 24 horas.

Segundo Nunes, se os dois não forem retirados da direção, a administração municipal fará uma intervenção preventiva na concessionária. Caso sejam afastados, a empresa poderá continuar operando.

A providência administrativa anunciada pela prefeitura é diferente do pedido policial de agosto. A representação pretendia afastar 43 pessoas de nove empresas por ordem judicial. O Gaeco posicionou-se contra essa medida coletiva naquele estágio.

O ultimato anunciado por Ricardo Nunes concentra-se na A2 e decorre da competência administrativa da Prefeitura de São Paulo e da SPTrans sobre o contrato municipal.

Prisões foram ampliadas posteriormente pelo Tribunal de Justiça

A Polícia Civil pediu inicialmente a prisão temporária de 16 investigados. O Gaeco concordou com a medida.

Na primeira instância, entretanto, foram autorizadas apenas três prisões, contra André Cassali, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz e José Daniel Satilite, além de buscas relacionadas aos três.

O Ministério Público recorreu. Em 4 de setembro de 2026, o desembargador Sérgio Ribas, da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou a prisão temporária de mais 13 investigados:

  • Carla de Paula Muller;
  • Cícero José dos Santos Filho;
  • Danilo Marco Morgado Silva;
  • Edivânia Arruda Botelho Alves;
  • Edson Antonio de Souza;
  • Eduardo Medeiros;
  • José Ronaldo Alves de Sales;
  • Júlio Salvador Filho;
  • Levi dos Santos Oliveira;
  • Milton Leite da Silva;
  • Milton Mello Milreu;
  • Paulo Sirqueira Korek Farias;
  • Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira.

Com as duas decisões, a operação passou a ter 16 mandados de prisão temporária. Também foram autorizadas buscas e acesso a dados de equipamentos eletrônicos.

O bloqueio patrimonial foi negado naquele momento porque o Tribunal considerou insuficiente a individualização da possível origem ilícita de cada bem e de sua relação direta com os fatos investigados.

Documentos detalham suspeitas contra Levi Oliveira e Milton Leite

O ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira é citado como uma pessoa que teria mantido encontros com José Daniel Satilite para tratar de interesses relacionados às empresas de transporte.

A investigação menciona conversas sobre a situação da antiga UPBus e uma eventual troca no comando da empresa. Também aparece uma convocação atribuída a Levi para uma reunião na garagem da MoveBus em outubro de 2024.

Os documentos não demonstram, nesse trecho, qual decisão administrativa concreta teria sido adotada por Levi em decorrência das supostas conversas.

Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é citado como suposto responsável pela operação de algumas empresas que, de acordo com a investigação, estariam sob controle da facção.

A apuração reproduz ainda declarações de policiais militares apresentadas em procedimento da Justiça Militar, segundo as quais Milton Leite “seria o dono de fato” da Transwolff.

A propriedade formal, o eventual poder de decisão e a consistência desses relatos ainda deverão ser comprovados judicialmente.

Investigação começou com apreensão de drogas e chegou ao setor de ônibus

O inquérito teve origem em uma ocorrência registrada em junho de 2023, em Itaquaquecetuba, onde foram apreendidos aproximadamente 28 quilos de maconha e oito quilos de cocaína.

A análise posterior de celulares apreendidos levou os investigadores a identificar pessoas apontadas como integrantes do PCC, suspeitas de lavagem de dinheiro, tráfico, negociação de armas, influência política e utilização de empresas regulares para movimentar recursos.

A partir desses aparelhos, a apuração avançou sobre empresas de transporte, contratos públicos, licitações municipais e relações com agentes políticos e administrativos.

A Polícia Civil afirma ter identificado diálogos relacionados a operações de ônibus em São Paulo, Cubatão, São Vicente, Itanhaém e Leme, além de negociações envolvendo a refinaria Fanal e outros empreendimentos.

Empresas e pessoas citadas têm direito à defesa

As conclusões apresentadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público integram uma investigação em andamento. O material contém pedidos cautelares, análises de mensagens e interpretações dos investigadores, mas não representa condenação definitiva das empresas ou pessoas mencionadas.

O próprio Gaeco considerou que não havia, naquele momento, elementos suficientes para individualizar a atuação de cada um dos 43 nomes incluídos no pedido de afastamento administrativo.

Todos os investigados têm direito à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa. O espaço permanece aberto para manifestações das empresas, dos investigados e de seus representantes.

O Diário do Transporte continuará acompanhando eventuais decisões sobre a A2, novas medidas relacionadas às demais concessionárias e os efeitos da investigação sobre a operação do transporte coletivo de São Paulo.

CONTRATOS ORIGINAIS ULTRAPASSAM R$ 22 BILHÕES COM TODO O SUBSISTEMA LOCAL:

Os contratos originais de concessão assinados em 2019 para os lotes D1 a D13 do Grupo Local de Distribuição do sistema municipal de ônibus da cidade de São Paulo. Juntos, apresentavam valor contratual estimado de R$ 22,22 bilhões e prazo de 20 anos, com possibilidade de prorrogação por até um ano.

Esses valores não representam pagamentos antecipados às empresas. Correspondem ao valor presente da remuneração estimada para todo o período contratual, calculado originalmente com taxa de desconto de 9,85% ao ano.

Contratos originais de 2019

Lote Contrato Concessionária original Valor estimado original
D1 039/2019 Consórcio Transnoroeste R$ 2.953.516.246
D2 040/2019 Consórcio Transnoroeste R$ 1.726.523.554
D3 041/2019 Transunião Transportes R$ 1.902.155.061
D4 042/2019 UpBus Qualidade em Transportes R$ 540.874.628
D5 043/2019 Pêssego Transportes R$ 1.964.597.759
D6 044/2019 Allibus Transportes R$ 2.177.462.147
D7 045/2019 Transunião Transportes R$ 574.992.920
D8 046/2019 MoveBuss Soluções em Mobilidade Urbana R$ 1.994.240.208
D9 047/2019 A2 Transportes R$ 1.858.841.310
D10 048/2019 Transwolff Transportes e Turismo R$ 2.630.545.954
D11 049/2019 Transwolff Transportes e Turismo R$ 2.281.747.206
D12 050/2019 Auto Viação Transcap R$ 1.026.519.847
D13 051/2019 Alfa Rodobus Administração e Participação R$ 586.750.192
Total 13 contratos Dez concessionárias originais R$ 22.218.767.032

Embora sejam 13 contratos, havia dez concessionárias titulares diferentes, porque três operadoras concentravam mais de um lote:

  • Consórcio Transnoroeste: D1 e D2;
  • Transunião: D3 e D7;
  • Transwolff: D10 e D11.

O Consórcio Transnoroeste era formado originalmente pela Norte Buss Transportes e pela Spencer Transportes.

Maiores contratos na configuração original

Os cinco maiores valores estimados eram:

  1. D1 – Consórcio Transnoroeste: R$ 2,95 bilhões;
  2. D10 – Transwolff: R$ 2,63 bilhões;
  3. D11 – Transwolff: R$ 2,28 bilhões;
  4. D6 – Allibus: R$ 2,18 bilhões;
  5. D8 – MoveBuss: R$ 1,99 bilhão.

Somados, os dois contratos originalmente assinados com a Transwolff representavam aproximadamente R$ 4,91 bilhões.

Os contratos D1 e D2 do Consórcio Transnoroeste somavam R$ 4,68 bilhões. Já os lotes D3 e D7 da Transunião totalizavam aproximadamente R$ 2,48 bilhões.

A2 e Transwolff aparecem diretamente no contexto da investigação

O contrato do lote D9 foi originalmente assinado com a A2 Transportes, representada no documento por Paulo Sirqueira Korek Farias. O valor contratual estimado era de R$ 1,86 bilhão.

Na ordem judicial relacionada à investigação sobre a suposta infiltração do PCC no setor de ônibus, Paulo Korek é apontado pela polícia e pelo Ministério Público como empresário ligado à administração de interesses do grupo criminoso no transporte. Trata-se de uma alegação investigativa, ainda sem condenação definitiva.

Os contratos dos lotes D10 e D11 foram assinados originalmente com a Transwolff, representada por Luiz Carlos Efigênio Pacheco. Os valores estimados eram, respectivamente, de R$ 2,63 bilhões e R$ 2,28 bilhões.

A decisão judicial menciona alegações de que Milton Leite seria proprietário de fato da Transwolff e estaria relacionado à operação de empresas investigadas. A ordem não declara comprovada essa relação; utiliza os elementos para fundamentar medidas cautelares, como prisão temporária, buscas e análise de equipamentos eletrônicos.

O que as empresas receberam em concessão

Os contratos delegaram às operadoras a prestação e exploração dos serviços locais de distribuição de passageiros nos respectivos lotes.

Na organização criada pela licitação municipal, as linhas locais de distribuição foram concebidas principalmente para deslocamentos dentro das regiões e para a alimentação de corredores, terminais e ligações estruturais do sistema.

A concessão abrangia, entre outras atividades:

  • operação da frota;
  • execução das viagens programadas;
  • serviços complementares definidos pelo município;
  • disponibilização de motoristas e demais trabalhadores;
  • manutenção e limpeza dos ônibus;
  • abastecimento;
  • conservação de garagens e instalações;
  • cumprimento de horários e itinerários;
  • atendimento aos passageiros;
  • utilização dos sistemas de bilhetagem e monitoramento;
  • fornecimento de informações operacionais à prefeitura e à SPTrans;
  • cumprimento de padrões de acessibilidade, segurança e qualidade;
  • renovação e adequação da frota;
  • implantação dos investimentos previstos nos documentos da licitação.

Os contratos vedavam a transferência livre da operação e submetiam mudanças societárias, subconcessões e alterações relevantes ao controle do poder concedente.

Remuneração não dependia somente da passagem

Os documentos estruturaram a remuneração das concessionárias com base na prestação dos serviços e nas regras econômicas definidas pela Prefeitura de São Paulo e pela SPTrans.

O dinheiro arrecadado dos passageiros integra o financiamento do sistema, mas não é repassado automaticamente à empresa responsável pelo ônibus utilizado. A remuneração contratual considera a produção operacional, os custos reconhecidos, os indicadores de qualidade e as regras estabelecidas pelo município.

Por isso, a tarifa pública cobrada do passageiro e a remuneração contratual da empresa são conceitos diferentes. Quando a arrecadação tarifária não cobre o custo reconhecido do sistema, a prefeitura pode realizar aportes orçamentários.

Reajustes, revisões e reequilíbrio

Os contratos originais previam:

  • reajuste periódico da remuneração;
  • revisão quadrienal;
  • recomposição do equilíbrio econômico-financeiro;
  • alterações por termos aditivos;
  • aplicação de indicadores de desempenho;
  • penalidades por descumprimento;
  • possibilidade de intervenção;
  • extinção ou transferência da concessão nas hipóteses legais.

Esses mecanismos explicam por que os valores e as condições de 2019 não podem ser usados isoladamente para retratar a situação atual.

Reajustes de custos, mudanças na frota, pandemia, alterações na quilometragem, eletrificação, novas obrigações, revisões econômicas, substituições societárias e intervenções municipais podem ter modificado significativamente os contratos.

Prazo original

Todos os 13 contratos estabeleceram prazo de 20 anos, com possibilidade de prorrogação por até um ano, desde que houvesse interesse público devidamente justificado pela Prefeitura de São Paulo.

O prazo não significa garantia de permanência da concessionária por todo o período. O município pode aplicar sanções, intervir, declarar caducidade ou extinguir a concessão se forem comprovados descumprimentos contratuais.

EMPRESAS INVESTGADAS (CITADAS NO INQUÉRITO) FIGURAM ENTRE AS PIORES NO IQT – Índice da Qualidade do Transporte – DA SPTRANS

O Índice de Qualidade do Transporte, o IQT, médio do sistema municipal de ônibus de São Paulo ficou em 77,43 pontos entre janeiro e abril de 2026, resultado enquadrado como “bom” pela escala da SPTrans. Apesar da classificação, houve piora ao longo do período: o índice caiu de 79,66 em janeiro para 76,32 em abril.

O pior resultado mensal foi registrado em março, com 75,91 pontos, faixa considerada “regular”. Abril apresentou pequena recuperação de 0,41 ponto, mas permaneceu 3,34 pontos abaixo de janeiro.

Evolução do sistema

Período IQT do sistema Variação mensal
Janeiro 79,66
Fevereiro 77,86 -1,80
Março 75,91 -1,95
Abril 76,32 +0,41
Média de janeiro a abril 77,43

A média do sistema é ponderada pela quantidade de passageiros transportados. Por isso, não corresponde à média aritmética simples das 40 operações relacionadas.

Dos 40 registros de empresas por lote:

  • 25 ficaram na faixa “bom”, o equivalente a 62,5%;
  • 14 ficaram na faixa “regular”, ou 35%;
  • uma ficou na faixa “ruim”, equivalente a 2,5%;
  • nenhuma alcançou a faixa “ótimo”, que exige índice acima de 93 pontos.

Maio e junho aparecem nas planilhas, mas ainda estão sem resultados. Portanto, a média indicada como pertencente ao ciclo de janeiro a junho considera, neste momento, somente janeiro, fevereiro, março e abril. A própria SPTrans informa que os dados estão sujeitos a revisão até o fechamento do ciclo.

Ranking geral da cidade: das piores para as melhores

A classificação considera cada empresa dentro do respectivo lote. Uma mesma operadora aparece mais de uma vez quando atua em contratos diferentes.

Posição Grupo Lote Empresa/registro IQT médio Avaliação
40ª Distribuição D9 A2 58,11 Ruim
39ª Distribuição D2 Spencer 63,95 Regular
38ª Distribuição D2 Norte Buss 66,87 Regular
37ª Distribuição D4 Alfa Rodobus 67,76 Regular
36ª Distribuição D7 Transunião 68,94 Regular
35ª Distribuição D3 Transunião 69,78 Regular
34ª Articulação Regional AR2 Sambaíba 70,21 Regular
33ª Distribuição D1 Spencer 72,09 Regular
32ª Distribuição D10 SPTrans 73,24 Regular
31ª Estrutural E8 Transppass 73,34 Regular
30ª Articulação Regional AR9 Transppass 73,67 Regular
29ª Distribuição D11 SPTrans 73,95 Regular
28ª Estrutural E7 Metrópole 73,98 Regular
27ª Estrutural E2 Sambaíba 75,27 Regular
26ª Distribuição D5 Pêssego 75,29 Regular
25ª Estrutural E3 Metrópole 76,50 Bom
24ª Distribuição D8 Movebuss 76,75 Bom
23ª Articulação Regional AR3 Metrópole 76,93 Bom
22ª Distribuição D1 Registro identificado como “D1” 78,01 Bom
21ª Estrutural E6 Grajaú 78,10 Bom
20ª Articulação Regional AR5 Via Sudeste 78,28 Bom
19ª Estrutural E5 Mobibrasil 78,66 Bom
18ª Estrutural E4 Via Sudeste 79,64 Bom
17ª Articulação Regional AR4 Express 79,92 Bom
16ª Distribuição D12 Auto Bless 80,89 Bom
15ª Distribuição D1 Norte Buss 81,87 Bom
14ª Estrutural E8 Campo Belo 83,05 Bom
13ª Articulação Regional AR8 Gato Preto 83,24 Bom
12ª Articulação Regional AR0 Ambiental 83,47 Bom
11ª Articulação Regional AR9 Campo Belo 83,97 Bom
10ª Articulação Regional AR1 Gato Preto 84,12 Bom
Estrutural E9 Gatusa 84,20 Bom
Articulação Regional AR7 KBPX 84,33 Bom
Distribuição D6 Allibus 85,32 Bom
Articulação Regional AR6 Mobibrasil 85,39 Bom
Estrutural E1 Gato Preto 85,49 Bom
Estrutural E1 Santa Brígida 85,89 Bom
Articulação Regional AR7 Nova Paineira 86,04 Bom
Distribuição D13 Alfa Rodobus 86,39 Bom
Articulação Regional AR1 Santa Brígida 89,77 Bom

A A2, responsável pelo lote D9, foi a única operação classificada como “ruim”, com 58,11 pontos. O resultado ficou 19,32 pontos abaixo da média do sistema.

Na outra ponta, a Santa Brígida, no lote AR1, obteve o melhor resultado da cidade, com 89,77 pontos. Mesmo a líder, entretanto, não alcançou a faixa “ótimo”.

Ranking dos grupos de operação

Posição Grupo IQT médio Avaliação
Distribuição 75,10 Regular
Estrutural 79,00 Bom
Articulação Regional 79,19 Bom

Articulação Regional e Estrutural ficaram praticamente empatados, separados por apenas 0,19 ponto. O grupo Distribuição ficou 4,09 pontos abaixo da Articulação Regional e foi o único classificado como “regular”.

Distribuição piorou em todos os meses

Grupo Janeiro Fevereiro Março Abril Média
Distribuição 77,31 76,04 73,67 73,33 75,10
Estrutural 80,90 79,04 77,93 78,12 79,00
Articulação Regional 81,85 79,26 76,84 78,81 79,19

O grupo Distribuição caiu continuamente: 77,31 pontos em janeiro, 76,04 em fevereiro, 73,67 em março e 73,33 em abril. Foi, portanto, o único grupo que não apresentou recuperação no último mês analisado.

A Articulação Regional teve a maior recuperação entre março e abril, avançando 1,97 ponto. O Estrutural subiu apenas 0,18 ponto.

Distribuição: da pior para a melhor

Posição no grupo Lote Empresa/registro IQT Avaliação
16ª D9 A2 58,11 Ruim
15ª D2 Spencer 63,95 Regular
14ª D2 Norte Buss 66,87 Regular
13ª D4 Alfa Rodobus 67,76 Regular
12ª D7 Transunião 68,94 Regular
11ª D3 Transunião 69,78 Regular
10ª D1 Spencer 72,09 Regular
D10 SPTrans 73,24 Regular
D11 SPTrans 73,95 Regular
D5 Pêssego 75,29 Regular
D8 Movebuss 76,75 Bom
D1 Registro “D1” 78,01 Bom
D12 Auto Bless 80,89 Bom
D1 Norte Buss 81,87 Bom
D6 Allibus 85,32 Bom
D13 Alfa Rodobus 86,39 Bom

O grupo concentra os resultados mais baixos: nele estão a única avaliação “ruim” e nove das 14 avaliações “regulares” de toda a cidade.

As maiores diferenças da mesma operadora também aparecem na Distribuição. A Alfa Rodobus obteve 67,76 no D4 e 86,39 no D13, diferença de 18,63 pontos. A Norte Buss marcou 66,87 no D2 e 81,87 no D1, distância de 15 pontos. Isso mostra que o desempenho deve ser analisado por lote, garagem e contrato.

Os lotes D10 e D11 aparecem na base oficial sob o nome SPTrans, com índices de 73,24 e 73,95, respectivamente. Os dois ficaram na faixa “regular”.

Estrutural: da pior para a melhor

Posição no grupo Lote Empresa IQT Avaliação
11ª E8 Transppass 73,34 Regular
10ª E7 Metrópole 73,98 Regular
E2 Sambaíba 75,27 Regular
E3 Metrópole 76,50 Bom
E6 Grajaú 78,10 Bom
E5 Mobibrasil 78,66 Bom
E4 Via Sudeste 79,64 Bom
E8 Campo Belo 83,05 Bom
E9 Gatusa 84,20 Bom
E1 Gato Preto 85,49 Bom
E1 Santa Brígida 85,89 Bom

O Estrutural teve três operações classificadas como “regular” e oito como “bom”. Santa Brígida e Gato Preto, ambas no E1, ficaram separadas por apenas 0,40 ponto.

A Metrópole apresentou 76,50 pontos no E3, mas apenas 73,98 no E7. A diferença de 2,52 pontos fez com que uma operação fosse classificada como “bom” e a outra como “regular”.

Articulação Regional: da pior para a melhor

Posição no grupo Lote Empresa IQT Avaliação
13ª AR2 Sambaíba 70,21 Regular
12ª AR9 Transppass 73,67 Regular
11ª AR3 Metrópole 76,93 Bom
10ª AR5 Via Sudeste 78,28 Bom
AR4 Express 79,92 Bom
AR8 Gato Preto 83,24 Bom
AR0 Ambiental 83,47 Bom
AR9 Campo Belo 83,97 Bom
AR1 Gato Preto 84,12 Bom
AR7 KBPX 84,33 Bom
AR6 Mobibrasil 85,39 Bom
AR7 Nova Paineira 86,04 Bom
AR1 Santa Brígida 89,77 Bom

A Articulação Regional apresentou o melhor resultado entre os três grupos. Apenas Sambaíba, no AR2, e Transppass, no AR9, ficaram na faixa “regular”. As outras 11 operações foram classificadas como “bom”.

Empresas que mais melhoraram entre janeiro e abril

Empresa Lote Janeiro Abril Variação
KBPX AR7 79,08 89,23 +10,15
Ambiental AR0 81,47 89,27 +7,80
Gato Preto AR1 87,89 93,54 +5,65
Mobibrasil AR6 83,87 87,13 +3,26
Grajaú E6 75,68 77,61 +1,93

A Gato Preto no AR1 alcançou 93,54 pontos em abril, entrando naquele mês na faixa “ótimo”. Entretanto, a média dos quatro meses ficou em 84,12 porque a operação havia registrado apenas 70,83 em fevereiro.

Maiores quedas entre janeiro e abril

Empresa Lote Janeiro Abril Variação
Gato Preto E1 93,42 80,42 -13,00
Santa Brígida AR1 96,67 83,75 -12,92
Auto Bless D12 86,35 73,44 -12,91
Spencer D1 77,22 66,44 -10,78
Allibus D6 89,98 80,59 -9,39
Nova Paineira AR7 91,21 82,27 -8,94

O resultado da Santa Brígida no AR1 merece atenção: apesar de liderar a média da cidade, a empresa caiu de 96,67 em janeiro para 83,75 em abril. A posição no ranking acumulado é sustentada, portanto, pelos índices elevados do começo do período.

A Auto Bless caiu 12,91 pontos e terminou abril com 73,44, na faixa “regular”, embora a média de janeiro a abril ainda apareça como “bom”.

Principais conclusões

  • A qualidade média do sistema piorou 3,34 pontos entre janeiro e abril.
  • A recuperação registrada em abril foi pequena e não ocorreu no grupo Distribuição.
  • A Distribuição concentra dez avaliações abaixo da faixa “bom”.
  • A A2, no D9, foi a única operação classificada como “ruim”.
  • Nenhuma operação alcançou média suficiente para a classificação “ótimo”.
  • Santa Brígida no AR1 lidera o acumulado, mas apresenta trajetória de queda.
  • KBPX e Ambiental registraram as maiores evoluções entre janeiro e abril.
  • Empresas que atuam em mais de um lote apresentam diferenças expressivas de qualidade, especialmente Alfa Rodobus, Norte Buss, Spencer e Mobibrasil.
  • O ranking deve ser tratado como parcial, pois maio e junho ainda não foram preenchidos e os resultados permanecem sujeitos a revisão.

Nota da Prefeitura de São Paulo (SP) e do prefeito Ricardo Nunes

“O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, determinou, nesta quinta-feira (17), a criação de um grupo de trabalho formado pela Procuradoria-Geral do Município (PGM), Controladoria-Geral do Município (CGM), SPTrans e Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) para analisar todos os elementos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada hoje. Após reunião nesta manhã, o grupo decidiu pelo afastamento imediato, em até 24 horas, dos integrantes da diretoria da empresa A2 Transportes citados na Operação por suposto envolvimento com sócios da empresa Translider. Ela será notificada da determinação sob pena de sofrer intervenção do Município.

Importante destacar que, embora o inquérito policial investigue 12 empresas, 7 de transporte foram citadas na decisão judicial da Operação Vectura Corrupta, das quais 6 não operam na cidade. A A2 Transportes é a única citada em operação na capital paulista. A Transwolff, que consta na decisão, não opera mais na cidade desde dezembro de 2025. Em 2024, a Prefeitura realizou a intervenção na Transwolff e, por iniciativa própria, também na UPBus, mesmo sem solicitação da Justiça. Na ocasião, a CGM instaurou processos contra as duas empresas, a Prefeitura encerrou os contratos e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil nas investigações.

A administração municipal está analisando rigorosamente os contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com os fatos investigados na Operação Vectura Corrupta. Caso sejam constatadas irregularidades, serão adotadas imediatamente todas as medidas administrativas e judiciais necessárias para proteger o interesse público e assegurar a continuidade do serviço à população.

A Prefeitura reitera que não compactua com qualquer irregularidade e seguirá colaborando integralmente com as autoridades competentes. O serviço de transporte público municipal segue normalmente nesta quinta-feira.”

Nota da Transwolff

“A defesa da Transwolff esclarece que Milton Leite nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou “deu ordens” na empresa e se reputa que tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade.

O empresário Luiz Carlos Efigenio Pacheco nunca havia sido denunciado em nenhuma outra situação em sua vida até as indevidas imputações da “Operação Fim de Linha”, que estão sendo combatidas na Justiça, com a defesa alegando sua total inocência.

O processo administrativo de intervenção ilegal e arbitrário na Transwolff está sendo questionado na Justiça.

Ressalta-se que o decreto de intervenção da Prefeitura se apoia exclusivamente em questões financeiras, comuns a todas as empresas do setor e plenamente sanáveis, não havendo qualquer fundamento criminal, diferentemente do que havia sido inicialmente aventado na intervenção.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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