WEG aposta em tecnologia nacional para reduzir distância de custo entre ônibus elétricos e modelos a diesel

Empresa amplia atuação com motores, inversores, baterias e recarga, aposta também em soluções híbridas e diz que desafio da eletrificação é tornar o novo veículo competitivo diante da tecnologia convencional

ALEXANDRE PELEGI

A WEG aposta no desenvolvimento e na produção nacional de componentes para acelerar a eletrificação dos transportes no Brasil e considera que o principal desafio da indústria não é apenas disputar espaço entre os diferentes fornecedores de tecnologias elétricas. É conseguir tornar o ônibus eletrificado competitivo em relação aos modelos convencionais a diesel.

A avaliação é de Gilson Piovesan, responsável pela área comercial de mobilidade elétrica da WEG.

Para o executivo, a diferença de preço entre as duas tecnologias precisa diminuir à medida que o mercado ganha escala, a indústria desenvolve novos produtos e aumenta a nacionalização dos componentes.

“Nosso maior concorrente não é o meu concorrente de elétrico, é o meu ônibus a diesel. A gente tem que ganhar o mercado sendo competitivo quanto eles”, afirmou.

A estratégia da WEG para esse mercado envolve uma cadeia que vai além do fornecimento do motor elétrico. A companhia desenvolve motores para tração e sistemas auxiliares, inversores, packs de baterias e estações de recarga.

A empresa também atua na infraestrutura necessária à eletrificação, com equipamentos como transformadores e soluções relacionadas à geração de energia solar.

Segundo Piovesan, essa capacidade permite que a WEG participe tanto do desenvolvimento do veículo quanto da infraestrutura energética necessária para sua operação.

RECARGA E SOLUÇÕES COMPLETAS PARA GARAGENS

Um dos desafios da implantação dos ônibus elétricos está justamente fora do veículo. A entrada de uma frota movida a baterias exige avaliar a disponibilidade de energia nas garagens, dimensionar carregadores e administrar a demanda elétrica para evitar picos de consumo.

A WEG trabalha, entre outras alternativas, com sistemas que permitem recargas de oportunidade e diferentes estratégias de gerenciamento das baterias.

Na infraestrutura, a companhia também oferece projetos completos, no modelo conhecido como “turn key”, no qual assume a integração das diferentes etapas necessárias à implantação do sistema.

Piovesan ressalta que a eletrificação representa uma atividade nova para muitas empresas de ônibus, acostumadas durante décadas à operação de veículos movidos a diesel.

Por isso, segundo ele, a possibilidade de entregar uma solução integrada pode reduzir a complexidade enfrentada pelo operador na transição energética.

WEG TAMBÉM APOSTA NOS HÍBRIDOS

A companhia não concentra sua estratégia exclusivamente nos ônibus 100% elétricos a bateria.

A WEG também desenvolve soluções para veículos híbridos, nos quais a propulsão elétrica pode ser associada a motores a combustão utilizando combustíveis renováveis, como etanol e outros biocombustíveis.

Nesse tipo de configuração, a empresa pode fornecer o sistema gerador responsável pela integração entre o motor térmico e a propulsão elétrica.

Para Piovesan, não existe necessariamente uma única solução capaz de atender todas as operações.

A escolha entre ônibus elétrico a bateria e uma configuração híbrida pode depender das características da rota, da infraestrutura disponível e das condições de cada sistema de transporte.

“Temos o híbrido, que a gente entende que é uma solução em alguns mercados superimportante”, disse.

PARCERIAS COM ELETRA, MARCOPOLO E MERCEDES-BENZ

Entre as fabricantes atendidas pela WEG está a Eletra, parceria que, segundo Piovesan, remonta aos projetos de trólebus desenvolvidos no Brasil.

A relação ganhou novos espaços com o avanço dos ônibus elétricos a bateria e a ampliação dos projetos de eletrificação no País.

A WEG também mantém parceria com a Marcopolo e fornece tecnologia para projetos da fabricante, incluindo aplicações em veículos híbridos.

Outra frente citada pelo executivo é a Mercedes-Benz, com aplicação de soluções de tração e baterias.

Segundo Piovesan, existem ainda conversas com outras empresas, que poderão resultar em novos projetos conforme as negociações avancem.

CONTEÚDO LOCAL

A produção nacional é apontada pela WEG como um dos principais diferenciais de sua estratégia.

A companhia pretende aproveitar a estrutura industrial e tecnológica que já possui no Brasil para ampliar a participação de componentes locais nos veículos eletrificados.

Piovesan avalia que esse movimento ganha importância diante do crescimento da presença de fornecedores estrangeiros nos mercados latino-americanos de ônibus elétricos.

Países como Chile e Colômbia avançaram rapidamente na eletrificação das frotas, principalmente com tecnologias importadas.

Na avaliação do executivo, desenvolver uma cadeia local pode preservar e fortalecer a indústria instalada no Brasil ao mesmo tempo em que o mercado passa pela transição tecnológica.

Além disso, a proximidade entre engenharia, fabricantes e operadores permite adaptar os equipamentos às características das operações brasileiras.

“A gente conversa muito com os operadores de ônibus, com o pessoal que produz chassis, que produz carrocerias. Essa conversa e esse retorno deles nos fazem ir evoluindo ano a ano com esses produtos”, explicou.

“UM ÔNIBUS DE 2022 PARA HOJE É COMPLETAMENTE UM NOVO VEÍCULO”

Piovesan chama atenção para a velocidade das mudanças tecnológicas.

Segundo ele, mesmo em um intervalo de poucos anos, motores, baterias, controles eletrônicos e configurações dos veículos passaram por alterações significativas.

“Se você pegar um ônibus de 2022 para hoje, é completamente um novo veículo.”

Para a WEG, a rapidez dessa evolução exige capacidade de engenharia e desenvolvimento próximos do mercado.

Piovesan afirmou que, em média, mais de 50% das vendas anuais da companhia correspondem a produtos desenvolvidos nos cinco anos anteriores, indicador que, segundo ele, demonstra a velocidade de renovação tecnológica do portfólio.

A empresa possui mais de 50 mil funcionários e, de acordo com o executivo, cerca de 10% de sua estrutura está relacionada ao corpo de engenharia.

Essa capacidade é considerada estratégica porque a própria indústria ainda está acumulando experiência sobre o comportamento dos ônibus elétricos em diferentes condições de operação.

Piovesan considera precipitado falar em conhecimento consolidado sobre um mercado que ainda passa por mudanças tão rápidas.

“Se alguém falar que tem uma ampla experiência do mercado da eletrificação, você já começa a olhar com o pé atrás. É um aprendizado que a gente está fazendo junto com os nossos clientes.”

Para a WEG, esse processo deve continuar acelerado nos próximos anos, com alterações tecnológicas, regulatórias e comerciais capazes de mudar rapidamente os projetos e as decisões de investimento das empresas.

WEG NA MOBILIDADE ELÉTRICA

A atuação da WEG no segmento abrange diferentes etapas da cadeia de eletrificação. A empresa fornece motores elétricos de tração e auxiliares, inversores, sistemas eletrônicos de controle, packs de baterias e estações de recarga.

Também participa da infraestrutura energética por meio de equipamentos como transformadores e soluções de geração solar, além de oferecer projetos integrados para implantação de sistemas de recarga.

No segmento de veículos, trabalha tanto com modelos 100% elétricos a bateria quanto com sistemas híbridos, incluindo configurações que podem utilizar motores a combustão alimentados por combustíveis renováveis.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Viva!!! Finalmente um grande fornecedor nacional mencionando claramente a tecnologia híbrida movida a biocombustíveis.
    Temos essa solução literalmente embaixo dos nossos narizes, e quase nada têm-se falado sobre ela.
    Até porquê via de regra os gestores públicos preferem aquilo que dá mais status de visibilidade, fazendo com que os ônibus 100% à bateria monopolizem as atenções. E assim passando a falsa impressão de que estes últimos sejam a única opção de descarbonização.

    Concordo com o sr Gilson de que é fundamental aumentarmos o conteúdo e as tecnologias locais pra se deixar o preço dos elétrificados mais próximos à nossa realidade.
    Porém lembremo-nos que a tecnologia e a produção em escala dos ônibus eletrificados já é plenamente consolidada há tempos, e portanto estes ônibus já poderiam estar sendo vendidos por valores bem abaixo daquilo que ainda é praticado.

    Mas se os governos das três esferas e os órgãos públicos financiadores aceitam comprar sem questionar os atuais preços, fica fácil para os fabricantes argumentaram “- o preço é esse mesmo, e mês que vem vai ficar mais caro”.
    Lei da oferta e procura:
    – Se batremos à porta deles rogando que nos vendam, é mais caro!
    – Se deixarmos que nos procurem, e tentem nos convencer a comprar, é mais barato!

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