MetroSula prevê 550 ônibus, tecnologia brasileira e mudança radical no transporte de San Pedro Sula, em Honduras

Nasry Asfura, presidente de Honduras, durante apresentação do MetroSula

Projeto de US$ 129 milhões, de iniciativa privada, pretende substituir modelo pulverizado por sistema tronco-alimentador, com Volvo, Marcopolo e Volare na frota; operação comercial da primeira etapa é prevista para agosto de 2027

ALEXANDRE PELEGI

San Pedro Sula, a segunda maior cidade de Honduras, capital industrial do país, prepara uma transformação profunda de seu sistema de transporte coletivo. O projeto MetroSula prevê uma nova rede tronco-alimentadora, 550 ônibus, bilhetagem eletrônica, monitoramento GPS em tempo real, videovigilância, CCO (Centro de Controle Operacional), integração com a Polícia Nacional e até uma experiência inicial com ônibus elétricos.

O investimento total estimado é de aproximadamente US$ 129 milhões, incluindo frota, bilhetagem eletrônica e sistemas inteligentes de transporte (ITS), segundo Natanael Romero, diretor de Operações do projeto MetroSula.

Brasileiro e com 38 anos de atuação no setor, Romero conversou no dia 7 de setembro de 2026, com o Diário do Transporte. Ele foi contratado diretamente pela INTRASE, organização dos transportadores envolvida no projeto, e atualmente trabalha na estruturação da futura operação tecnológica do sistema.

A dimensão brasileira do MetroSula é um dos principais destaques revelados durante a entrevista.

Os provedores serão brasileiros, em sua maioria”, afirmou Romero ao explicar a fase de fechamento financeiro do empreendimento.

De 1.455 veículos para 550 ônibus

Hoje, segundo Romero, 1.455 ônibus, micro-ônibus e outros veículos convergem para o centro de San Pedro Sula. O modelo favorece uma disputa direta pelos passageiros e não possui gestão centralizada.

O MetroSula pretende romper com essa lógica.

A proposta é reorganizar a rede como um sistema único tronco-alimentador tipo BRS (Bus Rapid Service). Dos atuais 1.455 veículos que chegam à região central, Romero estima que apenas cerca de 200 precisarão entrar no centro quando a nova configuração estiver implantada, para diminuir congestionamentos, poluição e perdas de tempo.

A frota projetada terá 550 veículos modernos, de maior capacidade, com ar-condicionado, dos quais 360 ônibus padrão para linhas troncais e 160 Volare como alimentadores, além da previsão de veículos articulados. Os atuais ônibus serão sucateados, não sendo possível retornar à operação.

Segundo Romero, o sistema será dividido inicialmente em quatro áreas: norte, centro estendido, leste e sul.

A reorganização é particularmente significativa porque as linhas deixarão de pertencer, operacionalmente, a cada empresa de forma isolada e passarão a ser planejadas como parte de um único sistema integrado e inteligente.

As linhas já não vão ser de uma empresa, vão ser do sistema e elas têm que ser planejadas”, explicou.

Volvo, Marcopolo e Volare

Questionado pelo Diário do Transporte sobre os fornecedores dos novos veículos, Romero confirmou a participação de Volvo e Marcopolo, além dos veículos Volare.

Volvo motor e chassis, carroceria Marcopolo. Aí tem o Volare também”, respondeu.

A Volvo também aparece na estrutura financeira do empreendimento. De acordo com Romero, foi obtida uma linha de crédito com participação da fabricante, inclusive com condições especiais de incentivo, relacionadas às características econômicas do país.

O cronograma apresentado durante a entrevista prevê que a Volvo/Marcopolo entreguem os primeiros 130 ônibus aproximadamente sete meses depois da conclusão do fechamento financeiro.

A expectativa é fechar contratos e a estrutura financeira até dezembro de 2026. Os primeiros veículos deverão chegar em julho de 2027, permitindo o início da operação comercial da primeira etapa em agosto de 2027. Depois, haverá um período inicial de alguns meses para demonstrar a estabilidade da operação ao agente financeiro.

Antes disso, Romero prevê a chegada de dois ônibus protótipos, destinados, entre outras atividades, à capacitação dos motoristas e socialização do sistema para clientes passageiros.

O sistema de pagamento será uma das mudanças mais visíveis para o passageiro.

Não haverá dinheiro dentro dos ônibus sem a necessidade de cobradores. Segundo Romero, a retirada de numerário a bordo é uma exigência da autoridade hondurenha de transporte e também está diretamente relacionada à segurança. O projeto prevê cartão próprio e aceitação de cartões de crédito e débito bancários.

Serão distribuídos gratuitamente 500 mil cartões Desfire, além da utilização de QR Code dinâmico em celulares. Os créditos poderão ser adquiridos também em pequenos estabelecimentos comerciais espalhados pelos bairros, conhecidos como pulperias (vem de “pulpo”, tentáculos de um polvo com todo tipo de mercadorias, mercadinhos)

Ônibus conectados e monitorados

A tecnologia embarcada terá papel central.

Romero detalhou equipamentos de telemetria, biometria facial e câmeras capazes de acompanhar inclusive o comportamento do motorista, identificando situações como uso de celular, fadiga, embriaguez e outras condutas ao volante. A configuração mencionada na entrevista chega a sete câmeras por ônibus.

Os veículos terão ainda GPS, Wi-Fi, tomadas para recarga de celulares e comunicação permanente com o CCO.

O Centro de Controle não será ocupado apenas pelo operador. A proposta é colocar dentro dele representantes do Instituto Hondurenho de Transporte, do Município e da Polícia Nacional, permitindo acompanhamento simultâneo da operação, planejamento, fiscalização e segurança.

2.800 câmeras compartilhadas com a polícia

A preocupação com segurança atravessa praticamente todo o projeto.

Romero informou que 2.800 câmeras deverão ser compartilhadas com a Polícia Nacional. O plano prevê policiais atuando em turnos dentro do próprio CCO e monitorando o que ocorre no sistema em tempo real.

Há ainda uma solução incomum: o passageiro conectado à internet do ônibus poderá ter acesso, pelo celular, a um botão de pânico flutuante. Quando acionado intencionalmente, o dispositivo enviará um alerta ao CCO, permitindo que os policiais visualizem, imediatamente, as imagens daquele veículo e adotem os protocolos previstos.

Paradas de onibus

As paradas de ônibus atuais serão reformadas e algumas novas construídas para integração. O projeto inclui ainda câmeras nas paradas e a entrega de dez motocicletas para a Polícia Nacional para reforçar o patrulhamento associado ao transporte.

Para Romero, recuperar a confiança no ônibus é indispensável para recuperar passageiros.

As pessoas não entram nos ônibus, ou quem entra, só entra porque é o seu último recurso para chegar no seu destino”, afirmou ao descrever a percepção de insegurança no sistema atual.

Sua definição para o objetivo é expressiva: transformar os novos veículos em “bolhas de segurança” e devolver dignidade ao passageiro com conforto

Motoristas passarão por transformação

A mudança não será apenas tecnológica.

Segundo Romero, os motoristas deverão cumprir jornadas de oito horas, com registro em carteira, com direito a férias, descanso semanal, décimo-terceiro e décimo-quarto salário e seguro saúde, em contraste com a realidade atual descrita por ele, onde estes profissionais trabalham até 15 horas diárias sem registro e passarão por um amplo processo de capacitação estrutural.

Além de direção preventiva e primeiros socorros, estão previstos treinamentos constantes para atendimento de idosos, pessoas com deficiência e passageiros no espectro autista entre outros.

A telemetria também será usada para avaliar desempenho. Pontualidade, forma de condução, frenagens, comportamento profissional e elogios de passageiros deverão alimentar um programa de reconhecimento dos melhores motoristas. Os motoristas serão premiados em cerimônias. Um motorista por mês será premiado como o melhor condutor com premiação e certificado, com a presença de autoridades e familiares.

MetroSula quer começar com ônibus elétricos

A eletrificação também entrou no projeto após reunião recente dos responsáveis pelo MetroSula com o presidente de Honduras.

Natanael Romero durante encontro com presidente de Honduras

Segundo Romero, foi solicitado o desenvolvimento de um projeto-piloto com ônibus elétricos, apesar dos desafios locais relacionados ao custo e à disponibilidade de energia.

A ideia mencionada durante a entrevista é iniciar com uma pequena frota e estudar inclusive articulados elétricos para o anel central da cidade.

Romero disse ainda que o apoio presidencial deverá se materializar não como aporte financeiro direto do governo, mas por medidas institucionais, leis especificas para a segurança jurídica, cartas de apoio aos financiadores e fornecedores e desoneração tributária para ônibus e equipamentos relacionados ao projeto.

Sistema deverá ser sustentado pela tarifa

Perguntado diretamente pelo Diário do Transporte se o novo sistema dependeria de subsídios operacionais, Romero respondeu: “tarifa pura”.

Segundo seus cálculos, o sistema será autossustentável.

A tarifa atual informada por ele é de 16 lempiras, aproximadamente R$ 3,10, com um subsídio de 3 lempiras para a modernização. Para elaborar os estudos, Romero afirmou que trabalhou com uma demanda conservadora de mais de 700 mil viagens diárias, embora estime um potencial superior.

Ele também informou que as perdas do sistema são superiores a 30% con, evazao de receita, perdas por falta de controles e ausencia de economia de escala, mas argumenta que parte importante dos recursos se perde na estrutura fragmentada de operação. Com bilhetagem eletrônica e controle centralizado, a intenção é produzir, nas palavras de Romero, “transparência absoluta para calcular a tarifa”.

Transporte associado à assistência médica

Um dos componentes mais incomuns apresentados por Romero e previstos no projeto, é de vincular ao cartão do transporte um serviço básico de assistência médica aos usuários.

A proposta ainda está sendo estruturada, mas, segundo ele, poderá ser financiada por uma pequena parcela incorporada sem aumentar a tarifa. A proposta inclui a implantação de três clínicas em terminais, com médicos, ambulâncias, atendimento emergencial e consultas programadas

A ideia despertou especial interesse do presidente hondurenho durante a apresentação do projeto, relatou o diretor.

Dos transportadores individuais para um único sistema

Talvez a transformação institucional seja tão complexa quanto a tecnológica.

Romero descreve um setor formado historicamente por pequenos transportadores, muitos dos quais dirigiam seus próprios veículos. A estratégia foi reuni-los dentro de uma estrutura empresarial organizada como consórcio.

Segundo ele, são aproximadamente 160 empresários distribuídos por cerca de 60 empresas. O governo exige participação mínima de 70% dos operadores, mas a adesão alcançou 95%.

Romero resume a transformação pretendida como a passagem para um negócio com gestão inteligente, planejamento e controle centralizados.

Agora eu vou te mostrar como vocês estão hoje e como podem estar amanhã no negócio. Negócio limpo, negócio honesto. Empresários com dignidade, com transparência”, afirmou ao explicar como apresenta o projeto aos atuais transportadores.

Depois de décadas de tentativas de reorganização do transporte em San Pedro Sula, o diretor acredita que a combinação de financiamento sustentável, adesão dos operadores e apoio institucional criou uma oportunidade concreta para tirar o MetroSula do papel.

A única coisa que a população aqui teme é ele não acontecer”, resumiu Romero. Para ele, a principal beneficiária deverá ser justamente a população, que passaria a contar com “um transporte digno”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


En español…

MetroSula prevé 550 autobuses, tecnología brasileña y un cambio radical en el transporte de San Pedro Sula, Honduras

El proyecto de 129 millones de dólares, de iniciativa privada, busca sustituir el modelo fragmentado actual por un sistema troncal-alimentador, incorporando autobuses de las marcas Volvo, Marcopolo y Volare a la flota; se prevé que la operación comercial de la primera etapa comience en agosto de 2027.

ALEXANDRE PELEGI

San Pedro Sula, la segunda ciudad más grande de Honduras y capital industrial del país, se prepara para una transformación profunda de su sistema de transporte colectivo. El proyecto MetroSula contempla una nueva red troncal-alimentadora, 550 autobuses, sistema de pago electrónico, monitoreo GPS en tiempo real, videovigilancia, un CCO (Centro de Control Operativo), integración con la Policía Nacional e incluso una experiencia inicial con autobuses eléctricos.

La inversión total estimada es de aproximadamente 129 millones de dólares, incluyendo la flota, el sistema de pago electrónico y los sistemas inteligentes de transporte (ITS), según Natanael Romero, director de Operaciones del proyecto MetroSula.

Romero, de nacionalidad brasileña y con 38 años de trayectoria en el sector, conversó este lunes 7 de septiembre de 2026 con *Diário do Transporte*. Fue contratado directamente por INTRASE, la organización de transportistas involucrada en el proyecto, y actualmente trabaja en la estructuración de la futura operación tecnológica del sistema.

La dimensión brasileña de MetroSula es uno de los aspectos más destacados revelados durante la entrevista.

“Los proveedores serán brasileños, en su mayoría”, afirmó Romero al explicar la fase de cierre financiero del proyecto.

De 1.455 vehículos a 550 autobuses

Hoy en día, según Romero, 1.455 autobuses, microbuses y otros vehículos convergen en el centro de San Pedro Sula. Este modelo fomenta la competencia directa por los pasajeros y carece prácticamente de una gestión centralizada.

MetroSula pretende romper con esa lógica.

La propuesta consiste en reorganizar la red como un sistema único troncal-alimentador de tipo BRS (*Bus Rapid Service*). De los 1.455 vehículos que actualmente llegan a la zona céntrica, Romero estima que solo unos 200 necesitarán ingresar al centro una vez implementada la nueva configuración, con el fin de reducir la congestión, la contaminación y la pérdida de tiempo.

La flota proyectada contará con 550 vehículos modernos de mayor capacidad: 360 autobuses padrones para líneas troncales y 160 unidades tipo Volare como alimentadores, además de la previsión de incorporar vehículos articulados. Los autobuses actuales serán chatarrizados, por lo que no podrán volver a operar.

Según Romero, el sistema se dividirá inicialmente en cuatro áreas: norte, centro ampliado, este y sur.

La reorganización es particularmente significativa porque las líneas dejarán de pertenecer operativamente a cada empresa de forma aislada y pasarán a planificarse como parte de un único sistema integrado e inteligente.

“Las líneas ya no pertenecerán a una empresa, sino al sistema, y ​​deben ser planificadas”, explicó.

Volvo, Marcopolo y Volare

Al ser consultado por Diário do Transporte sobre los proveedores de los nuevos vehículos, Romero confirmó la participación de Volvo y Marcopolo, además de los vehículos Volare.

“Volvo aporta motor y chasis, y Marcopolo la carrocería. También está Volare”, respondió.

Volvo también figura en la estructura financiera del proyecto. Según Romero, se obtuvo una línea de crédito con la participación del fabricante, que incluye condiciones especiales de incentivo relacionadas con las características económicas del país.

El cronograma presentado durante la entrevista prevé que Volvo/Marcopolo entreguen los primeros 130 autobuses aproximadamente siete meses después de concretarse el cierre financiero.

Se espera cerrar los contratos y definir la estructura financiera para diciembre de 2026. Los primeros vehículos deberían llegar en julio de 2027, lo que permitiría iniciar la operación comercial de la primera etapa en agosto de 2027. Posteriormente, habrá un periodo inicial de unos meses para demostrar la estabilidad de la operación ante la entidad financiera.

Antes de eso, Romero prevé la llegada de dos autobuses prototipo, destinados, entre otras actividades, a la capacitación de los conductores y a dar a conocer el sistema a los pasajeros.

No habrá efectivo a bordo de los autobuses y se eliminará la figura del cobrador. Según Romero, la eliminación del manejo de efectivo a bordo es una exigencia de la autoridad hondureña de transporte y también está directamente relacionada con la seguridad. El proyecto contempla una tarjeta propia y la aceptación de tarjetas bancarias de crédito y débito.

Se distribuirán gratuitamente 500.000 tarjetas inteligentes Desfire, además de implementarse el uso de códigos QR dinámicos en teléfonos móviles. Los créditos también podrán adquirirse en pequeños establecimientos comerciales distribuidos por los barrios, conocidos como “pulperías” (término que alude a los tentáculos de un pulpo que abarcan todo tipo de mercancías; pequeños comercios locales).

Autobuses conectados y monitoreados

La tecnología embarcada desempeñará un papel fundamental.

Romero detalló los equipos de telemetría, biometría facial y cámaras capaces de supervisar incluso el comportamiento del conductor, identificando situaciones como el uso del teléfono móvil, la fatiga, la embriaguez y otras conductas al volante. La configuración mencionada en la entrevista contempla hasta siete cámaras por autobús.

Los vehículos contarán además con GPS, Wi-Fi, tomas de carga para teléfonos móviles y comunicación permanente con el Centro de Control de Operaciones (CCO).

El Centro de Control no estará ocupado únicamente por el operador. La propuesta consiste en integrar en él a representantes del Instituto Hondureño de Transporte, del municipio y de la Policía Nacional, permitiendo un seguimiento simultáneo de la operación, la planificación, la fiscalización y la seguridad.

2.800 cámaras compartidas con la policía

La preocupación por la seguridad es un eje transversal en prácticamente todo el proyecto.

Romero informó que se compartirán 2.800 cámaras con la Policía Nacional. El plan prevé la presencia de agentes policiales en turnos dentro del propio CCO, monitoreando en tiempo real lo que sucede en el sistema.

Existe también una solución poco convencional: el pasajero conectado a la red Wi-Fi del autobús podrá acceder, desde su teléfono móvil, a un botón de pánico flotante. Al activarse intencionalmente, el dispositivo enviará una alerta al CCO, permitiendo a los policías visualizar de inmediato las imágenes de dicho vehículo y aplicar los protocolos establecidos.

El proyecto incluye además cámaras en las paradas que serán remodeladas, así como la entrega de diez motocicletas para reforzar el patrullaje asociado al transporte.

Para Romero, recuperar la confianza en el autobús es indispensable para recuperar a los pasajeros. «La gente no sube a los autobuses, o quienes lo hacen, lo hacen solo porque es su último recurso para llegar a su destino o al trabajo», afirmó al describir la percepción de inseguridad en el sistema actual.

Su definición del objetivo es elocuente: transformar los nuevos vehículos en «burbujas de seguridad» y devolver la dignidad al pasajero ofreciéndole confort.

Los conductores experimentarán una transformación.

El cambio no será solo tecnológico.

Según Romero, los conductores deberán cumplir jornadas de ocho horas con contrato formal, derecho a vacaciones, descanso semanal, decimotercer y decimocuarto salario, y seguro médico; esto contrasta con la realidad actual descrita por él, en la que trabajan hasta 15 horas diarias. Además, se someterán a un amplio proceso de capacitación integral.

Más allá de la conducción preventiva y los primeros auxilios, se prevé capacitación para la atención de personas mayores, personas con discapacidad y pasajeros dentro del espectro autista.

También se utilizará la telemetría para evaluar el desempeño. La puntualidad, el estilo de conducción, el frenado, el comportamiento profesional y los elogios de los pasajeros alimentarán un programa de reconocimiento para los mejores conductores. Estos serán premiados: cada mes se distinguirá al mejor conductor con un premio y un certificado, en un acto que contará con la presencia de autoridades y familiares.

MetroSula planea comenzar con autobuses eléctricos

La electrificación también se incorporó al proyecto tras una reunión reciente entre los responsables de MetroSula y el presidente de Honduras.

Según Romero, se solicitó el desarrollo de un proyecto piloto con autobuses eléctricos, a pesar de los desafíos locales relacionados con el costo y la disponibilidad de energía.

La idea mencionada durante la entrevista es comenzar con una flota pequeña y evaluar incluso el uso de autobuses articulados eléctricos para el anillo central de la ciudad.

Romero añadió que el apoyo presidencial no se materializará mediante una aportación financiera directa del gobierno, sino a través de medidas institucionales, leyes específicas para garantizar la seguridad jurídica, cartas de respaldo a financiadores y proveedores, y exenciones fiscales para los autobuses y equipos relacionados con el proyecto.

El sistema se financiará mediante la tarifa

Al ser consultado directamente por Diário do Transporte sobre si el nuevo sistema dependería de subsidios operativos, Romero respondió: “tarifa pura”.

Según sus cálculos, el sistema será autosostenible.

La tarifa actual que indicó es de 16 lempiras con un subsidio de 3 lempiras destinado a la modernización. Para elaborar los estudios, Romero afirmó que trabajó con una estimación conservadora de más de 700.000 viajes diarios, aunque prevé un potencial mayor.

También informa que las pérdidas del sistema son superiores a un 30% de evasiones, pérdidas por falta de controles y ausencia de economía por mayoreo, debido a la estructura operativa fragmentada. Con el sistema de cobro electrónico y el control centralizado, el objetivo es generar —en palabras de Romero— «transparencia absoluta para calcular la tarifa».

Transporte vinculado a la asistencia médica

Uno de los componentes más inusuales presentados por Romero es la intención de vincular a la tarjeta de transporte un servicio básico de asistencia médica para los usuarios.

La propuesta aún se está estructurando, pero, según él, podría financiarse mediante una pequeña fracción incorporada sin aumentar la tarifa.

Romero mencionó la posibilidad de instalar tres clínicas en las terminales, con médicos, ambulancias y atención tanto de emergencia como programada.

La idea despertó un interés especial en el presidente hondureño durante la presentación del proyecto, según relató el director.

De transportistas individuales a un sistema único

Tal vez la transformación institucional sea tan compleja como la tecnológica.

Romero describe un sector formado históricamente por pequeños transportistas, muchos de los cuales conducían sus propios vehículos. La estrategia no consiste en expulsarlos del mercado, sino en agruparlos dentro de una estructura empresarial organizada como consorcio.

Según él, hay aproximadamente 160 empresarios distribuidos en unas 60 empresas. El proyecto exige una participación mínima del 70% de los operadores, pero la adhesión ya ha alcanzado el 95%.

Romero resume la transformación pretendida como el paso hacia un negocio con gestión, planificación y control centralizados.

“Ahora les voy a mostrar cómo están hoy y cómo pueden estar mañana en el negocio. Un negocio limpio, un negocio honesto. Empresarios con dignidad, con transparencia”, afirmó al explicar cómo presenta el proyecto a los actuales transportistas.

Tras décadas de intentos de reorganizar el transporte en San Pedro Sula, el director cree que la combinación de financiación sostenible, adhesión de los operadores y apoyo institucional ha creado una oportunidad concreta para hacer realidad MetroSula.

“Lo único que teme la población de aquí es que no se lleve a cabo”, resumió Romero. Para él, la principal beneficiaria debería ser precisamente la población, que pasaría a contar con “un transporte digno”.

Alexandre Pelegi, periodista especializado en transporte

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