Ratinho Jr promete novo Contorno Metropolitano e, como antecipou Diário do Transporte, Leblon entrega ônibus articulados com pacote tecnológico de segurança
Publicado em: 11 de setembro de 2026
Promessa foi feita em cerimônia na manhã desta sexta-feira (11). Estudos do BRT Norte-Sul Metropolitano, entre Curitiba e Fazenda Rio Grande, avançam, diz governador
ADAMO BAZANI
Como anunciou o Diário do Transporte, em primeira mão, a Leblon Transporte de Passageiros realizou nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, a entrega dos primeiros 20 ônibus articulados de 20 metros cada e com tecnologia de segurança inédita em modelos urbanos para a ligação entre a cidade de Fazenda Rio Grande (PR), na região metropolitana, e a capital paranaense, Curitiba (PR).
Os veículos, com chassis Scania K 320 6×2/2 e carroceria Marcopolo Viale, possuem itens como sensor que detecta presença de pessoas, animais e obstáculos na lateral do veículo, sistema de frenagem automática e alerta de mudança de faixa sem sinalização. Com 20 metros de comprimento, cada coletivo tem capacidade para cerca de 160 pessoas, ar-condicionado, tomadas USB e acessibilidade. O lote total é composto por 37 unidades, sendo 20 na cor “branco Califórnia”, que é o padrão visual da gerenciadora de transportes do Estado, a Amep, e 17 vermelhos, cor inédita em ligação metropolitana, já com vistas ao corredor BRT Norte-Sul Metropolitano, entre Curitiba (PR) e Fazenda Rio Grande (PR).
Os 20 ônibus brancos são para a linha F01 – Fazenda Rio Grande ao Terminal do Pinheirinho e à Cidade Industrial de Curitiba (CIC), e os 17 vermelhos são para a linha F02 Curitiba/Fazenda Rio Grande, que liga o terminal de integração da cidade vizinha da capital à Praça Carlos Gomes, no Centro de Curitiba.
Veja reportagem do Diário do Transporte dada em primeira mão: Leblon apresenta primeiros dos 37 ônibus articulados para o sistema metropolitano de Curitiba
Na cerimônia desta sexta-feira (11), o governador Ratinho Jr disse que estão avançando os procedimentos para os estudos que contemplam este novo corredor, que deve ter 17,5 km de extensão.
O governador, no mesmo evento, prometeu a conclusão do chamado “Contorno Metropolitano”, para a ligação com Araucária (PR), Campo Largo (PR) e Balsa Nova (PR).
O objetivo é reduzir o trânsito no Contorno Sul.
Ratinho Jr ainda prometeu a ligação entre Mandirituba (PR) e São José dos Pinhais (PR), que deve desafogar o fluxo na região da Ceasa.
ÔNIBUS TÊM 320 CV E PACOTE DE ASSISTÊNCIA AO MOTORISTA
O modelo escolhido pela Leblon é voltado a operações urbanas e metropolitanas de alta capacidade.
O Scania K 320 6×2/2 é um chassi desenvolvido para ônibus articulados. A atual geração possui motor de nove litros, cinco cilindros, com 320 cv de potência a 1.900 rpm e torque máximo de 1.600 Nm entre 1.050 e 1.400 rpm. A motorização atende ao padrão de emissões Proconve P8, equivalente ao Euro 6. A própria Scania classifica esta configuração entre as destinadas a linhas troncais e corredores de alta demanda.
Nos veículos da Leblon, o conjunto recebeu carroceria Marcopolo Viale articulada, com aproximadamente 20 metros de comprimento e capacidade para cerca de 160 passageiros. Há ar-condicionado, acessibilidade e tomadas USB.
Um dos principais diferenciais está no pacote de assistência à condução. Entre as tecnologias confirmadas para os veículos estão frenagem automática de emergência, monitoramento lateral de pontos cegos e de usuários vulneráveis, como pedestres e ciclistas, e alerta de saída involuntária da faixa.
No sistema da Scania, câmera, radar e sensores trabalham para identificar situações de risco e alertar o motorista ou, em determinadas condições, atuar na frenagem. São recursos de assistência: o condutor continua responsável pela direção do ônibus.
A adoção deste tipo de equipamento ganha importância também pelo percurso atual entre Fazenda Rio Grande (PR) e Curitiba (PR), que utiliza trechos da BR-116 sem segregação integral dos ônibus e, portanto, compartilha espaço com automóveis e veículos de carga.
Segundo informação prestada pela Leblon ao Diário do Transporte na apresentação dos veículos, o investimento no lote de 37 articulados ficou em aproximadamente R$ 70 milhões.
LEBLON TEM MAIS DE QUATRO DÉCADAS DE HISTÓRIA NA REGIÃO
A trajetória da Leblon está diretamente relacionada ao crescimento de Fazenda Rio Grande (PR) e à integração do município com Curitiba (PR).
A história da família Isaak no transporte de passageiros começou em 1965, quando Alfredo Willy Isaak adquiriu um ônibus Chevrolet para transporte escolar. Em 1982, a família passou a operar a ligação Curitiba-Tietê, via Fazenda Rio Grande, que havia pertencido à Viação Montreal. A Leblon Transporte de Passageiros foi formalmente constituída em 1983.
Em março de 1989, Fazenda Rio Grande, ainda antes da emancipação municipal, passou a fazer parte de uma experiência de integração tarifária com a rede de Curitiba. O passageiro passou a conseguir combinar linhas metropolitanas e alimentadoras dentro do sistema integrado sem pagar uma segunda passagem, experiência que ajudou a estruturar a integração metropolitana posteriormente ampliada para outras cidades.
A empresa também tem histórico com ônibus de maior capacidade. Em 2012, incorporou articulados Neobus BRT sobre chassis Volvo e, nos anos seguintes, realizou testes com veículos de diferentes dimensões e tecnologias.
Na área de gestão, o Grupo Leblon registra certificação ISO 9001 desde 1997, ISO 14001 desde 2008 e OHSAS 18001, então relacionada à saúde e segurança ocupacional, a partir de 2009. Mais recentemente, a Leblon também passou a trabalhar com a ISO 39001, voltada à gestão da segurança viária.
O grupo participou ainda de diferentes ciclos do Prêmio ANTP de Qualidade. A empresa registra Troféu Prata em 2013 e novo reconhecimento à Leblon em 2015. Naquele ano, a ANTP confirmou a Leblon como Troféu Prata na categoria de operadoras rodoviárias urbanas e metropolitanas. Em 2017, a Viação Nobel, também do Grupo Leblon, recebeu o Troféu Prata na mesma categoria.
BRT NORTE-SUL METROPOLITANO TERÁ 17,5 KM ENTRE CURITIBA E FAZENDA RIO GRANDE
Os novos ônibus chegam enquanto ainda está sendo desenvolvido o projeto que pode mudar estruturalmente a operação entre Fazenda Rio Grande (PR) e Curitiba (PR).
O BRT Norte-Sul Metropolitano é um projeto da Amep para prolongar a infraestrutura de corredores exclusivos de Curitiba em direção aos municípios metropolitanos.
No trecho Sul, que interessa diretamente à operação da Leblon, são previstos 17,5 quilômetros de corredor na BR-116, partindo da região do Pinheirinho, em Curitiba (PR), passando pelo Terminal Central de Fazenda Rio Grande e chegando ao bairro Estados.
A proposta não é apenas pintar faixas para ônibus. Os estudos abrangem canaletas exclusivas, estações de embarque e desembarque, intervenções viárias, acessos aos terminais e pontos de integração.
O projeto completo também possui um braço ao Norte. Neste caso, estão previstos outros 5,9 quilômetros entre a Estação Atuba, em Curitiba (PR), e as proximidades do Terminal Guaraituba, em Colombo (PR), passando pelo Terminal Maracanã. Também é estudada infraestrutura de integração na região da Ceasa.
A Amep assinou em 31 de março de 2026 contrato de R$ 5,8 milhões com a Modera Engenharia para elaborar os estudos e o anteprojeto. Portanto, esta etapa não corresponde ainda à contratação das obras. O material técnico deverá definir as soluções de engenharia e subsidiar posteriormente a licitação para implantação efetiva do BRT.
A mudança antecipada de 17 ônibus da Leblon para a cor vermelha aproxima visualmente esses veículos do padrão dos serviços estruturais de alta capacidade de Curitiba, embora, por enquanto, eles continuem utilizando a infraestrutura disponível atualmente.
CONTORNO METROPOLITANO FAZ PARTE DE UM NOVO EIXO VIÁRIO AO SUL E OESTE DA GRANDE CURITIBA
O chamado “Contorno Metropolitano” mencionado por Ratinho Jr durante a cerimônia está inserido em um conjunto de obras rodoviárias que pretende criar uma alternativa ao atual Contorno Sul de Curitiba.
Uma das principais intervenções é denominada oficialmente pelo Governo do Estado de Corredor Metropolitano de Curitiba, também apresentada em comunicações oficiais como um “novo Contorno Sul”.
O projeto prevê uma nova rodovia de 9,5 quilômetros, prolongando a PR-423 a partir da BR-476, em Araucária (PR), até a BR-116, na divisa entre Curitiba (PR) e Fazenda Rio Grande (PR). O investimento anunciado é de R$ 336 milhões.
A obra se conecta à duplicação da própria PR-423 entre Araucária (PR) e Campo Largo (PR), eixo que também atende a região de Balsa Nova (PR). Somados, estes projetos criam um caminho alternativo para quem vem do interior pela região da Rodovia do Café e precisa seguir para a BR-116 sem entrar no trecho atualmente mais carregado do Contorno Sul.
Segundo cálculos divulgados pela Amep e pelo DER-PR, o novo corredor pode retirar entre 35% e 40% do volume de automóveis e caminhões do Contorno Sul atual, por onde passam cerca de 70 mil veículos por dia. A Amep também estimou possibilidade de redução de até 40 minutos em determinados deslocamentos do transporte coletivo entre Curitiba (PR) e Fazenda Rio Grande (PR).
O contrato da nova ligação de 9,5 quilômetros foi autorizado em agosto de 2025, com prazo informado pelo Governo do Estado de dois anos e meio para conclusão.
LIGAÇÃO MANDIRITUBA–SÃO JOSÉ DOS PINHAIS TERÁ 26 KM ENTRE BR-116 E BR-376
A outra ligação citada pelo governador já possui obras em andamento.
O projeto conecta Mandirituba (PR) a São José dos Pinhais (PR) por aproximadamente 26 quilômetros de pavimentação em concreto, criando uma ligação direta entre a BR-116 e a BR-376. O traçado vai da região da Rua Gilberto Palu, em Mandirituba, ao trevo da fábrica Volkswagen-Audi, em São José dos Pinhais.
A obra foi concebida para transformar antigas estradas rurais em um novo eixo metropolitano, permitindo que parte dos deslocamentos entre o Sul da região metropolitana, São José dos Pinhais e o eixo da BR-376 não precise utilizar os caminhos hoje mais congestionados próximos à capital.
Também deve facilitar o escoamento de produção agrícola de Mandirituba (PR), Quitandinha (PR), Agudos do Sul (PR), Piên (PR), Campo do Tenente (PR) e Rio Negro (PR), além de melhorar a ligação com o aeroporto, o litoral e outros corredores logísticos.
A página atual da Amep informa investimento de R$ 111,8 milhões. Em abril de 2026, o Estado divulgou que a obra havia atingido 65,5% de execução. Além da pavimentação em concreto, estão previstas ciclovias, drenagem, iluminação e dispositivos de segurança.
Há, entretanto, uma diferença de cronograma que merece acompanhamento. A previsão oficial disponível na Amep ainda aponta agosto de 2026 para a conclusão, prazo que já passou. A declaração de Ratinho Jr nesta sexta-feira, portanto, ocorre quando a ligação ainda é apresentada pelo governo como uma obra a ser concluída.
Segundo o governador durante o evento, esta conexão também integra a estratégia para retirar tráfego de outros pontos sobrecarregados da Região Metropolitana, incluindo o fluxo na região da Ceasa.
Embora tenham efeitos complementares, são projetos diferentes: o BRT Norte-Sul é voltado prioritariamente ao transporte coletivo de alta capacidade; o Corredor Metropolitano busca redistribuir o tráfego rodoviário no eixo Oeste-Sul; e a ligação Mandirituba–São José dos Pinhais cria uma nova conexão entre BR-116 e BR-376.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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