Prefeitura de São Paulo formaliza R$ 132,8 milhões para Ciclopassarela Panorama e SPObras homologa consórcio vencedor
Publicado em: 9 de setembro de 2026
Estrutura de 515 metros vai atravessar o Rio Pinheiros e as marginais para ligar o Jardim Panorama à Estação Berrini da Linha 9-Esmeralda e às ciclovias da região; obra terá acessibilidade, bicicletários, monitoramento e prazo previsto de 18 meses após início dos serviços
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de São Paulo (SP) deu nesta quarta-feira, 09 de setembro de 2026, dois passos para a implantação da Ciclopassarela Panorama, projeto de mobilidade ativa que vai ligar o Jardim Panorama à região da Berrini atravessando as pistas da Marginal Pinheiros e o próprio Rio Pinheiros. A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento formalizou o repasse de R$ 132.804.761,46 à SPObras para contratação, execução e gestão ambiental do empreendimento e, na mesma edição do Diário Oficial, a empresa municipal homologou a licitação e declarou vencedor o Consórcio Ciclopassarela-HPJ pelo mesmo valor.
O projeto atual prevê aproximadamente 515 metros de extensão total, com cerca de 185 metros entre as vias marginais, e deve permitir que pedestres e ciclistas façam a ligação entre o Jardim Panorama, as ciclovias das duas margens do Pinheiros, o Parque Linear Bruno Covas e a Estação Berrini da Linha 9-Esmeralda. Além da travessia, estão previstos bicicletários, áreas de permanência, iluminação, monitoramento por câmeras e acessibilidade. O cronograma elaborado pela SPObras estabelece 18 meses para execução e 21 meses de vigência contratual, mas a homologação ainda não significa que as obras tenham começado: ainda são necessárias a formalização do contrato e a emissão da ordem para início dos serviços.
Recursos vêm da Operação Urbana Faria Lima
O ato da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento formaliza um contrato não oneroso entre a SMUL e a SPObras, com participação da SP Urbanismo.
Os R$ 132.804.761,46 são provenientes da Operação Urbana Consorciada Faria Lima e serão repassados para a SPObras contratar e executar as obras, além da gestão ambiental da implantação da ciclopassarela. O termo foi formalizado em 08 de setembro de 2026.
A Operação Urbana Faria Lima utiliza, entre outras fontes, recursos obtidos pela comercialização dos Cepacs, Certificados de Potencial Adicional de Construção. Esses recursos são destinados a intervenções urbanísticas previstas na legislação e no programa da operação, que inclui mobilidade, espaços públicos, habitação e outras melhorias na área de influência.
A Ciclopassarela Panorama está há anos entre as intervenções previstas para receber recursos da operação. Em 2021, a Prefeitura já relacionava o empreendimento entre as obras que poderiam ser financiadas por uma emissão de Cepacs.
Consórcio reúne Protende, Hidropav e Jofege
Também nesta quarta-feira, a SPObras homologou o resultado da licitação e adjudicou a obra ao Consórcio Ciclopassarela-HPJ.
O grupo é formado por:
- Protende ABS Serviços de Protensão Ltda.;
- Hidropav Construtora e Participações Ltda.;
- Jofege Pavimentação e Construção Ltda.
A proposta vencedora foi de R$ 132.804.761,46, com BDI de 24,31% e data-base de julho de 2025.
O orçamento referencial elaborado antes da disputa era de R$ 134.963.738,40. Assim, a proposta vencedora ficou aproximadamente R$ 2,16 milhões, ou 1,6%, abaixo do valor de referência.
A abertura da licitação havia sido autorizada pela Diretoria da SPObras em março de 2026. Como o orçamento ultrapassava R$ 100 milhões, o projeto passou anteriormente por consulta pública.
De menos de 500 metros de distância a horas de deslocamento
Um dos principais argumentos apresentados pela SP Urbanismo para justificar o projeto é a barreira urbana representada pelo Rio Pinheiros, pelas duas pistas da Marginal, pela ferrovia e pelas demais infraestruturas existentes na região.
Em setembro de 2025, durante apresentação à Câmara Temática de Bicicleta, a SP Urbanismo explicou que o Jardim Panorama está a menos de 500 metros em linha direta da Estação Berrini, mas a inexistência de uma travessia direta obriga moradores a percursos muito maiores.
Segundo os estudos apresentados pelo órgão, um deslocamento que pode superar duas horas a pé deverá cair para aproximadamente sete minutos com a ciclopassarela. De bicicleta, a estimativa apresentada foi de redução de aproximadamente 21 minutos para quatro minutos e meio. A previsão é de utilização por mais de 3,8 mil pedestres e ciclistas por dia.
A ciclopassarela também deverá permitir acesso direto à Linha 9-Esmeralda, ampliando a integração entre mobilidade ativa e transporte coletivo.
Projeto atual tem 515 metros, 5,8 metros de largura e vão de 103 metros
O desenho atual é maior e mais complexo que as primeiras versões divulgadas pela Prefeitura.
Em janeiro de 2022, quando a SPObras anunciou a contratação dos projetos executivos e estudos ambientais, a estrutura era apresentada com aproximadamente 325 metros de extensão, ciclovia bidirecional, passeio para pedestres e estrutura metálica estaiada. Naquela ocasião, a estimativa global anunciada era de R$ 72 milhões, contemplando projetos, serviços ambientais, desapropriações, obras e interferências em redes.
Com o desenvolvimento dos projetos, a solução passou por modificações.
O Estudo Ambiental Simplificado analisado no fim de 2025 registra extensão total de 515 metros, dos quais 185 metros correspondem ao trecho entre as marginais.
Na apresentação feita pela SP Urbanismo à Câmara Temática de Bicicleta foram detalhadas outras características:
| Característica | Projeto atual |
| Extensão total | cerca de 515 m |
| Maior vão livre | 103 m |
| Altura sobre o nível do rio | 18,72 m |
| Largura útil | 5,8 m |
| Inclinação máxima | 8,33% |
| Demanda estimada | + de 3,8 mil/dia |
A altura e o vão têm relação direta com uma das exigências do projeto: não instalar pilares dentro do canal do Rio Pinheiros, preservando a possibilidade de navegação e evitando interferências no curso d’água.
Linha de transmissão e Estação Berrini aumentaram complexidade
Segundo a SP Urbanismo, uma ligação simplesmente reta entre o Jardim Panorama e a Estação Berrini mostrou-se inviável.
Na margem Oeste existe uma linha de transmissão de alta tensão. Passar por cima exigiria elevar excessivamente a estrutura, enquanto passar por baixo criaria dificuldades para manter a inclinação dentro das regras de acessibilidade.
Na outra margem, uma ligação direta atingiria praticamente o mezanino e a área de passageiros da Estação Berrini, o que exigiria modificações na arquitetura e até no sistema de controle de acesso da estação.
Outra alternativa estudada dependeria da desapropriação de um posto de combustíveis cujo custo, segundo a SP Urbanismo, seria próximo ao próprio valor então estimado para execução da ciclopassarela.
Esses fatores fizeram com que diferentes traçados fossem analisados até chegar à solução atual.
Ciclista poderá fazer toda a travessia sem descer da bicicleta
Uma das premissas estabelecidas no projeto foi permitir o percurso integral do ciclista sem necessidade de desembarcar.
Quem sair do Jardim Panorama poderá atravessar a Marginal, acessar a ciclovia e o Parque Linear Bruno Covas na margem Oeste ou continuar sobre o Rio Pinheiros.
Depois da travessia do canal, será possível descer para a ciclovia da margem Leste ou prosseguir sobre a outra pista da Marginal até a região da Estação Berrini. A conexão deverá prosseguir pela região da Praça General Gentil Falcão até a rede cicloviária da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini.
O desenho prevê inclinação máxima de 8,33% para atender às condições de acessibilidade.
Bicicletários, áreas de descanso, câmeras e possibilidade de serviços públicos
A estrutura não será apenas uma passarela de passagem.
O projeto apresentado em 2025 prevê cerca de 438 m² de áreas de refúgio e contemplação distribuídas pelo percurso, dois bicicletários, um em cada lado, espaços destinados a quiosques e áreas que poderão receber instalações de apoio e serviços públicos.
Também estão contemplados projeto de iluminação convencional e cênica, circuito fechado de televisão e infraestrutura para integração de câmeras ao Smart Sampa.
Há ainda área reservada para eventual implantação de um Centro de Controle Operacional ou ponto de vigilância e apoio aos pedestres e ciclistas.
Obras deverão passar por seis grandes etapas
Em fevereiro de 2026, o Conselho de Administração da SPObras recebeu a apresentação do cronograma previsto para a construção.
A programação foi dividida em seis etapas.
Nos dois primeiros meses devem ocorrer mobilização, obtenção de licenças e autorizações, montagem do canteiro e levantamentos complementares.
Entre o terceiro e o sétimo mês estão previstas fundações, contenções, terraplenagem, estacas, blocos e vigas.
Paralelamente, componentes metálicos deverão ser fabricados fora do canteiro desde o início da obra.
A montagem das grandes estruturas no local deverá ocupar aproximadamente do quinto ao 16º mês, incluindo os maciços Panorama, Oeste e Leste, as travessias das duas pistas marginais e o tabuleiro sobre o Rio Pinheiros.
Os meses 15 a 17 foram reservados para intervenções viárias e acabamentos.
No 18º mês deverão ser realizados testes de carga, inspeções, comissionamento da iluminação, limpeza, desmobilização e entrega da documentação final da obra.
Por enquanto, este é um cronograma de execução previsto. A contagem efetiva dependerá da assinatura do contrato e da ordem de serviço.
Custo estimado mudou ao longo do desenvolvimento
O valor da Ciclopassarela Panorama também mudou substancialmente desde os primeiros anúncios.
Em 2022, a Prefeitura falava em R$ 72 milhões para um conjunto que compreendia projeto, serviços ambientais, desapropriações, construção e intervenções nas redes existentes.
Com o avanço dos estudos, o projeto mudou de dimensão e detalhamento. Em julho de 2025, prospecto da Operação Urbana Faria Lima estimava em R$ 122,64 milhões os recursos ainda necessários para concluir todas as frentes relacionadas à ciclopassarela, considerando projetos, obras, estudos ambientais, alteamento de redes e desapropriações.
Em fevereiro de 2026, uma apresentação ao Conselho de Administração da SPObras mencionava previsão de R$ 159 milhões.
Quando a licitação foi formalmente estruturada no mês seguinte, entretanto, o orçamento referencial específico para execução das obras e gestão ambiental foi fechado em R$ 134,96 milhões.
Agora, o valor vencedor ficou em R$ 132,80 milhões.
As cifras não são necessariamente diretamente comparáveis, porque foram produzidas em etapas diferentes e algumas contemplavam componentes adicionais, como desapropriações, projetos e interferências em redes. O que está formalmente adjudicado nesta quarta-feira para as obras e a gestão ambiental é R$ 132.804.761,46.
Projeto foi concluído em 2025 e obra entra agora na fase de contratação
A elaboração do projeto percorreu vários anos.
A primeira contratação para desenvolvimento do projeto executivo e estudos ambientais foi anunciada em janeiro de 2022. A SP Urbanismo informa que o projeto da Ciclopassarela Jardim Panorama foi concluído em outubro de 2025.
Em dezembro de 2025, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê analisou o Estudo Ambiental Simplificado. O empreendimento também passou pelo processo de licenciamento ambiental municipal.
Em março de 2026, a SPObras autorizou a licitação, estabelecendo orçamento referencial de R$ 134,96 milhões e execução prevista de 18 meses.
Agora, com a homologação da licitação e a formalização dos R$ 132,8 milhões pela SMUL, a implantação entra na etapa imediatamente anterior ao início efetivo das obras.
A futura ciclopassarela deverá eliminar uma barreira que hoje separa fisicamente áreas muito próximas: de um lado, Jardim Panorama e Real Parque; do outro, um dos principais polos empresariais e de empregos da capital paulista e a Linha 9-Esmeralda.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


