Eletromobilidade

Emplacamentos de ônibus elétricos crescem 49% na Europa e chegam a 8,1 mil unidades no primeiro semestre de 2026

Yutong lidera entre fabricantes, seguida por Iveco/Heuliez e Solaris; somente os modelos elétricos a bateria já representam 61,2% dos novos ônibus urbanos registrados no mercado europeu

ADAMO BAZANI

Os emplacamentos de ônibus elétricos a bateria cresceram 49% na Europa no primeiro semestre de 2026, alcançando 8.141 unidades, contra 5.477 veículos no mesmo período de 2025. A expansão ocorre em um mercado de ônibus que também está aquecido e mostra uma aceleração da substituição de veículos a diesel, principalmente nas operações urbanas.

Os números, divulgados pela Busworld com base em levantamento da DVV Media Group, mostram ainda que os ônibus elétricos já responderam por 61,2% dos novos veículos urbanos registrados no período. Entre as fabricantes, a chinesa Yutong liderou, com 1.636 unidades, seguida pelo conjunto Iveco/Heuliez, com 1.156, e pela Solaris, com 1.022 ônibus.

Os dados consideram ônibus com peso bruto acima de oito toneladas e, no levantamento principal dos elétricos a bateria, não incluem trólebus.

ELÉTRICOS JÁ SÃO MAIORIA ENTRE OS NOVOS ÔNIBUS URBANOS

Um dos números que mais chama atenção é a participação dos veículos elétricos no segmento especificamente urbano.

Entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 12.215 ônibus urbanos no mercado abrangido pelo levantamento. Destes, 7.480 eram elétricos a bateria.

Isso significa uma participação de 61,2%.

A evolução nos últimos anos mostra a velocidade da mudança tecnológica: Período Elétricos nos urbanos 1º sem. 2022 29,0% 1º sem. 2023 36,1% 1º sem. 2024 49,6% 1º sem. 2025 57,9% 1º sem. 2026 61,2%

Fonte: DVV Media Group / Busworld

Assim, em quatro anos, a participação dos elétricos a bateria entre os novos ônibus urbanos europeus mais que dobrou.

8,1 MIL ELÉTRICOS EM APENAS SEIS MESES

A série histórica também evidencia a aceleração.

Em todo o ano de 2022, foram registrados 4.152 ônibus elétricos. O número subiu para 6.354 em 2023, 7.843 em 2024 e 11.819 em 2025.

Somente nos primeiros seis meses de 2026 foram 8.141 unidades, o equivalente a aproximadamente 69% de todo o volume registrado durante 2025.

Período Ônibus – elétricos

2022 – 4.152

2023 – 6.354

2024 – 7.843

2025 – 11.819

1º sem. 2026 8.141

Fonte: DVV Media Group

A comparação direta entre os primeiros semestres mostra crescimento de 49%: foram 5.477 veículos entre janeiro e junho de 2025 e 8.141 no mesmo intervalo de 2026.

YUTONG LIDERA E IVECO FICA EM SEGUNDO LUGAR

Entre as fabricantes, a chinesa Yutong aparece na primeira colocação do mercado europeu de ônibus elétricos a bateria.

Foram 1.636 veículos registrados no primeiro semestre.

A Iveco/Heuliez ocupa a segunda posição, com 1.156 unidades quando consideradas conjuntamente as diferentes classificações das marcas no levantamento.

A Solaris aparece em terceiro lugar, com 1.022 unidades.

Fabricante Unidades

Yutong 1.636

Iveco/Heuliez 1.156

Solaris 1.022

BYD 681

MAN 584

Mercedes-Benz 553

Wrightbus 542

Karsan 321

VDL 202

Alexander Dennis 157

Volvo 153

King Long 146

Zhongtong 131

Irizar 109

Golden Dragon 103

CRRC 100

Hess 76

Oceantia 68

SOR 56

Scania 44

Isuzu 37

Fonte: DVV Media Group / Busworld

No caso da Iveco/Heuliez, o total é resultado da soma de 911 registros atribuídos à Iveco, 173 classificados como Iveco/Heuliez e outros 72 como Heuliez.

CHINESES TÊM PRESENÇA IMPORTANTE

O ranking também evidencia a presença crescente de fabricantes chineses no mercado europeu.

Além da liderança da Yutong, a BYD aparece em quarto lugar, com 681 ônibus. King Long registrou 146 unidades, Zhongtong, 131, Golden Dragon, 103, e CRRC, 100.

Ao mesmo tempo, fabricantes tradicionais europeus mantêm posições relevantes, entre eles Iveco/Heuliez, Solaris, MAN, Mercedes-Benz, VDL, Volvo, Irizar, Scania e Isuzu.

A disputa ocorre justamente em um momento no qual os ônibus urbanos elétricos deixaram de representar um nicho para corresponder à maioria dos novos veículos colocados em circulação nas cidades abrangidas pelo levantamento.

ITÁLIA DISPARA E ASSUME A LIDERANÇA

Por países, a Itália foi o maior mercado europeu de ônibus elétricos a bateria no primeiro semestre de 2026.

Foram 1.559 unidades, contra apenas 369 no mesmo período de 2025.

Na sequência aparecem Reino Unido, com 1.075 veículos, e Polônia, com 1.060.

O avanço polonês também foi expressivo: no primeiro semestre de 2025 havia sido registrados somente 148 ônibus elétricos no país.

País Elétricos – 1º sem. 2026

Itália 1.559

Reino Unido 1.075

Polônia 1.060

Noruega 660

Alemanha 553

Países Baixos 510

Portugal 473

Romênia 343

França 337

Suécia 326

Espanha 223

Dinamarca 208

Bélgica 140

Áustria 128

Suíça 96

Finlândia 88

Fonte: DVV Media Group / Busworld

O Reino Unido seguiu entre os principais mercados, mas apresentou queda em relação às 1.299 unidades do primeiro semestre de 2025.

OUTRAS TECNOLOGIAS TAMBÉM CRESCEM

Somadas as principais formas alternativas de propulsão, foram registrados 11.315 ônibus elétricos a bateria, híbridos, movidos a GNC (Gás Natural Comprimido) ou equipados com células de combustível no primeiro semestre de 2026.

No mesmo período de 2025 eram 8.292 unidades.

Tecnologia 1º sem. 2025 1º sem. 2026

Elétrico a bateria 5.477 – 8.141

Híbrido 1.348 – 1.449

GNC 1.195 -1.328

Célula de combustível 272 – 397

Fonte: DVV Media Group

Os elétricos a bateria representaram 71,9% das unidades somadas destas quatro tecnologias.

Também chama atenção o crescimento dos ônibus a célula de combustível, tecnologia normalmente associada ao uso de hidrogênio. Os registros passaram de 272 para 397 veículos, avanço de aproximadamente 46%.

SOLARIS DOMINA ÔNIBUS A HIDROGÊNIO

Entre os 397 ônibus a célula de combustível registrados no primeiro semestre de 2026, a Solaris respondeu por 256 unidades.

Na sequência aparecem Neso Bus, com 39; MCV, com 36; Mercedes-Benz, com 34; Wrightbus, com 21; e Caetano, com seis.

A Itália também liderou este segmento, com 178 ônibus, seguida pela Polônia, com 119. Áustria registrou 34 unidades, França, 27, e Alemanha, 26.

MERCADO TOTAL DE ÔNIBUS TAMBÉM CRESCE

Os dados podem ser comparados com o levantamento oficial da ACEA (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis), que utiliza abrangência e critérios estatísticos diferentes da DVV.

Segundo a entidade, considerando somente a União Europeia, foram registrados 22.590 ônibus novos no primeiro semestre de 2026, crescimento de 22,7%.

Os ônibus classificados pela ACEA como eletricamente recarregáveis tiveram expansão ainda maior, de 56,8%, e passaram de 21,6% para 27,7% do mercado total de ônibus da União Europeia.

A Itália apresentou crescimento de 51,6% no mercado geral de ônibus, enquanto Alemanha e França avançaram 21,6%. A Polônia registrou alta de 78% e passou a ocupar a quarta posição entre os maiores mercados da União Europeia. A Espanha, por outro lado, teve retração de 8,5%.

A participação dos elétricos divulgada pela ACEA não deve ser diretamente confundida com os 61,2% apontados pela DVV. Além das diferenças de abrangência geográfica e metodologia, os 61,2% se referem especificamente ao segmento de ônibus urbanos analisado pela DVV, enquanto os 27,7% da ACEA consideram o mercado total de novos ônibus na União Europeia.

Mesmo com o avanço da eletrificação, o diesel ainda respondeu por 58,2% dos registros totais de ônibus considerados pela ACEA no primeiro semestre de 2026. Os híbridos ficaram com participação de 6,1%.

Os números mostram, portanto, dois movimentos simultâneos: o mercado europeu de ônibus como um todo está crescendo, mas a eletrificação avança em velocidade maior, principalmente no transporte coletivo urbano.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Uma coisa que esse site nunca comentou é que os modelos chineses já foram acusados de instalarem nos modelos de forma oculta espionagem no Europa, e não é teoria da conspiração não é bem sério isso.

    1. diariodotransporte disse:

      Noticiamos sim kkkk
      Só procurar melhor – na falta de uma são TRÊS reportagens que fizemos kkkk

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