BNDES cita sistema Jaé como exemplo de governança orientada por dados no transporte público

Relatório sobre mobilidade urbana destaca acesso do poder público a informações de demanda, receita e fluxo de passageiros; sistema de bilhetagem do Rio também recebeu premiação internacional em 2026

ALEXANDRE PELEGI

O sistema de bilhetagem Jaé, utilizado no transporte público municipal do Rio de Janeiro, foi citado em relatório de mobilidade urbana do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como exemplo de utilização de dados na gestão do transporte.

Operado pelo Grupo Autopass, o Jaé atende ônibus, BRTs, VLTs, vans e os chamados “cabritinhos” da cidade do Rio de Janeiro.

A referência ao sistema aparece no contexto da discussão sobre governança orientada por dados e sobre a possibilidade de os gestores públicos terem acesso direto às informações geradas pela operação do transporte coletivo.

“No Brasil, o município do Rio de Janeiro, com o sistema Jaé, é um exemplo relevante de governança orientada por dados. Este modelo aumenta a transparência do sistema e assegura ao poder concedente acesso amplo e atualização em tempo real de informações como demanda por linha, receita e fluxo de passageiros, insumos que fortalecem regulação, fiscalização e tomada de decisão operacional”, afirma trecho da publicação.

Na avaliação apresentada pelo estudo, o acesso a informações atualizadas sobre demanda, receitas e movimentação de passageiros amplia as condições para que o poder concedente acompanhe a operação e utilize esses dados nas atividades de planejamento, fiscalização e regulação.

O tema integra uma discussão mais ampla conduzida pelo BNDES sobre modernização da mobilidade urbana. O banco desenvolve o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, que contempla as 21 maiores regiões metropolitanas do País e reúne dados, diagnósticos e propostas de projetos para os sistemas de transporte. (BNDES⁠)

Para Leonardo Ceragioli, CEO do Jaé, a implantação do sistema representou uma mudança na forma de utilização da bilhetagem pelos passageiros do Rio.

“O Jaé foi criado para facilitar a vida das pessoas. Pelo aplicativo, o usuário pode comprar créditos, pagar suas viagens, acompanhar suas transações, consultar saldo e gerenciar toda a sua jornada de forma simples, prática e transparente”, afirmou.

Além das funcionalidades destinadas aos usuários, a arquitetura do sistema permite que as informações da bilhetagem sejam disponibilizadas ao poder público, aspecto ressaltado pelo relatório do BNDES.

Premiação internacional

O projeto de bilhetagem implantado no Rio de Janeiro também recebeu reconhecimento no Transport Ticketing Awards 2026, premiação internacional especializada em sistemas de cobrança, bilhetagem e tecnologias aplicadas à mobilidade.

A solução apresentada pela Autopass para o Rio venceu a categoria Regional Integrated Ticketing, criada para reconhecer iniciativas de integração tarifária regional envolvendo autoridades de transporte, operadores e empresas de tecnologia. (transport-ticketing.com⁠)

Na relação oficial dos vencedores, o projeto aparece como “Autopass: Fare Collection in Rio de Janeiro”. Antes da premiação, a iniciativa havia sido selecionada entre os finalistas com a descrição “Integration, High scale, and Fast deployment: Transforming Automatic Fare Collection in Rio de Janeiro”. (transport-ticketing.com⁠)

A cerimônia do Transport Ticketing Awards 2026 foi realizada em 17 de março de 2026, em Londres, reunindo projetos e empresas ligados à tecnologia de bilhetagem e pagamentos no transporte público de diferentes países. (transport-ticketing.com⁠)

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Jaé, bilhetagem eletrônica, Rio de Janeiro, BNDES, mobilidade urbana, Autopass, transporte público, BRT Rio, VLT Rio, governança de dados, bilhetagem digital, Transport Ticketing Awards

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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