32 anos da Guarupass: o que uma passagem de ônibus pode contar sobre uma cidade?
Publicado em: 1 de setembro de 2026
Atualmente, empresa administra mais de dois milhões de cartões eletrônicos ativos
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Ela não vai para o álbum de família nem costuma sobreviver às gavetas. Cumprida sua função, desaparece. Mas, se fosse possível colocar lado a lado as passagens usadas em Guarulhos nas últimas três décadas, surgiria ali um pequeno retrato de como a cidade mudou. Em 1994, ano em que nasceu a Guarupass, o papel ainda fazia parte da rotina do transporte coletivo. Depois veio a bilhetagem eletrônica.
O cartão ocupou espaço na carteira dos passageiros e ganhou diferentes versões para acompanhar uma cidade formada por estudantes, trabalhadores, idosos, crianças e pessoas com diferentes necessidades de deslocamento. Hoje, a Guarupass administra 2.231.752 cartões eletrônicos ativos. O número ajuda a dimensionar o alcance da bilhetagem na cidade, mas guarda uma contradição interessante: nenhum desses cartões tem destino.
Quem tem destino são as pessoas. É o passageiro quem transforma um cartão em uma ida para a escola, uma entrevista de emprego, uma consulta médica, um encontro ou uma volta para casa. A bilhetagem está justamente nesse ponto quase invisível entre a necessidade de sair e a possibilidade de chegar. Talvez seja aí que a história da Guarupass encontre a própria transformação da mobilidade em Guarulhos, uma mudança que acompanha um movimento muito maior no transporte coletivo brasileiro.
Levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), divulgado em 2025, reuniu dados de 12 empresas fornecedoras de tecnologia de bilhetagem que atuam no País. Juntas, elas atendiam 1.043 cidades, com 120.409 validadores instalados nos ônibus de 3.453 operadoras. Embora não representem a totalidade do mercado nacional, os números ajudam a dimensionar o espaço que a bilhetagem eletrônica passou a ocupar no transporte público brasileiro.
Guarulhos faz parte dessa transformação há mais de três décadas. Nesse período, a passagem deixou o papel, ganhou novos formatos e avançou para o ambiente digital, com recargas e informações sobre o transporte cada vez mais acessíveis.
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte


