Metrô de São Paulo confirma que vai deixar de aceitar bilhetes magnéticos Edmonson a partir de 31 de outubro de 2026
Publicado em: 31 de agosto de 2026
Passageiros que ainda tiverem unidades poderão fazer a troca entre novembro de 2026 e janeiro de 2027; cartão com tarja magnética acompanha o sistema desde o início da operação comercial, em 1974
ADAMO BAZANI
O Metrô de São Paulo confirmou nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, que deixará de aceitar definitivamente os bilhetes magnéticos do tipo Edmonson nas catracas a partir de 31 de outubro. Quem ainda tiver bilhetes não utilizados poderá trocá-los entre novembro e janeiro de 2027, em postos de atendimento que ainda serão divulgados pela companhia.
A retirada encerra uma tecnologia presente no sistema metroviário paulistano desde o início das operações comerciais, em 1974, e que perdeu espaço nos últimos anos para o Bilhete Único, cartão TOP, bilhetes com QR Code e, mais recentemente, pagamentos por aproximação. Segundo o Metrô, a decisão também está relacionada à dificuldade de manutenção dos equipamentos que fazem a leitura dos cartões magnéticos, considerados obsoletos e para os quais há cada vez menos peças de reposição.
Bilhetes deixam de funcionar nas catracas em 31 de outubro
De acordo com o Metrô, 31 de outubro de 2026 será o último dia em que os bilhetes magnéticos poderão ser utilizados normalmente para entrar nas estações.
A partir de novembro, as catracas deixarão de reconhecê-los como título válido de viagem.
Isso não significa, entretanto, que passageiros que ainda possuam bilhetes perderão imediatamente os valores correspondentes.
A companhia informou que haverá um período específico para a troca das unidades remanescentes, entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Os locais, horários e procedimentos para esta troca serão divulgados posteriormente.
Para quem ainda possui bilhetes guardados, portanto, a orientação é não descartá-los.
Metrô diz que equipamentos de leitura se tornaram obsoletos
Uma das justificativas apresentadas pelo Metrô é tecnológica.
As catracas destinadas à leitura do Edmonson utilizam equipamentos eletromecânicos desenvolvidos para um sistema que já não é predominante na rede.
Segundo a companhia, esses dispositivos passaram a registrar falhas com maior frequência e enfrentam dificuldade de manutenção porque diversos componentes não são mais fabricados.
A operação do bilhete físico também envolve uma cadeia própria de custos.
Os cartões precisam ser produzidos por empresa especializada, transportados, armazenados em condições controladas, distribuídos entre as estações e repostos de acordo com a demanda.
Há ainda procedimentos de controle de estoque, recolhimento e manutenção das máquinas de leitura.
Com a redução do uso desse tipo de título e a disseminação dos meios digitais, manter toda essa estrutura passou a ter peso proporcionalmente maior na operação.
Bilhete Único, TOP, QR Code e pagamento por aproximação assumiram espaço
O abandono do cartão magnético ocorre depois de uma mudança gradual na forma de pagamento das viagens.
Atualmente, o passageiro pode utilizar cartões como Bilhete Único e TOP e adquirir passagens unitárias com QR Code.
O QR Code pode ser fornecido em papel nas máquinas e pontos de venda ou adquirido digitalmente, dependendo do canal disponibilizado.
O sistema metroferroviário também vem ampliando a possibilidade de pagamento por aproximação com cartões de débito e crédito, além de dispositivos como celulares e relógios inteligentes compatíveis com a tecnologia.
Na prática, o Edmonson deixou de ser o principal meio de acesso ao Metrô há bastante tempo, mas continuou sendo utilizado como uma das alternativas para viagens unitárias.
O fim da aceitação nas catracas marca agora a retirada definitiva dessa tecnologia.
Pequeno cartão acompanhou o Metrô desde 1974
O bilhete magnético está diretamente ligado aos primeiros anos do Metrô paulistano.
Quando a operação comercial começou, em 1974, o uso de cartões de papel com codificação magnética representava uma solução moderna para automatizar o controle de entrada dos passageiros.
Durante décadas, comprar o pequeno bilhete na estação, inseri-lo na catraca e passar pelo bloqueio fez parte da rotina de milhões de viagens.
Com o crescimento da rede, o bilhete também atravessou diferentes fases tarifárias e tecnológicas do transporte da Região Metropolitana de São Paulo.
Posteriormente, cartões eletrônicos recarregáveis começaram a assumir parcela crescente das viagens.
A implantação do Bilhete Único na capital paulista a partir dos anos 2000 acelerou essa transformação, especialmente com a integração entre ônibus e sistema sobre trilhos.
Mais tarde, surgiram outras soluções, como o cartão TOP para o transporte metropolitano e os bilhetes unitários com QR Code.
Assim, o cartão magnético permaneceu em circulação enquanto deixou progressivamente de ocupar o papel central que teve durante as primeiras décadas do Metrô.
Nome tem origem nas ferrovias inglesas do século XIX
A história que deu origem ao nome é ainda mais antiga que o transporte metroviário.
Thomas Edmondson, ferroviário inglês que trabalhou na Newcastle and Carlisle Railway, desenvolveu no século XIX uma forma padronizada de emissão de passagens.
A partir de 1839, o modelo substituiu parte dos bilhetes preenchidos manualmente por pequenos cartões previamente impressos e numerados.
Além de agilizar a venda, a numeração sequencial permitia às empresas ferroviárias exercer maior controle sobre a emissão das passagens e sobre a arrecadação.
O sistema se difundiu pelas ferrovias britânicas e posteriormente por diversos outros países.
Há uma diferença de grafia que costuma causar dúvida: o sobrenome do criador era Edmondson, com “d”. No sistema metroviário paulistano, entretanto, a denominação “Edmonson” também se consolidou no uso técnico e administrativo para identificar esse tipo de bilhete.
Bilhete do Metrô é uma evolução do conceito original
O cartão utilizado em São Paulo não é exatamente o mesmo bilhete ferroviário criado na Inglaterra no século XIX.
O princípio histórico está no uso de um título físico de dimensões padronizadas para controlar a viagem, mas o sistema adotado pelo Metrô acrescentou recursos tecnológicos inexistentes nos antigos cartões ferroviários.
No caso paulistano, uma tarja magnética armazenava informações que eram lidas pelas catracas.
Essa tecnologia permitiu automatizar a validação e impedir, por exemplo, que um bilhete já utilizado voltasse a ser empregado para uma nova entrada.
Por isso, o Edmonson acompanhou não apenas a expansão física do Metrô, mas uma época em que a bilhetagem migrava de controles essencialmente mecânicos para sistemas eletrônicos.
Agora, pouco mais de 52 anos depois do início da operação comercial do Metrô de São Paulo, o cartão magnético entra na etapa final de sua utilização regular.
A partir de 31 de outubro de 2026, permanece apenas o prazo de troca dos bilhetes que ainda estiverem nas mãos dos passageiros.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



E pensar que lá no começo, e por décadas, foi o que existia de mais moderno e arrojado nessa área, e hoje virou literalmente peça de museu.
É o progresso tecnológico…
O bilhete Edmonsom foi utilizado no Brasil com uma finalidade q foi além da de permitir o acesso ao metrô. A “Banca” internacional tinha receio de automatizar os bilhetes portadores de créditos. Para testar a fiabilidade desse instrumento, houveram por bem aplicá-lo a um metrô de massa situado num país de 3o. Mundo (o Brasil). Esse bilhete, portanto, serviu como um predecessor dos Cartões de Crédito (cuja aplicação no Brasil também teve o objetivo de teste: “se os brasileiros se dessem bem com eles, qualquer outro povo saberia usá-lo” … ). O Edmonson veio até nós com a garantia dos fornecedores franceses de que seria à prova de 1.001 falhas. Nas primeiras semanas de uso, constatamos vários tipos de fraude praticadas por brasileiros: a) a fita magnética era dividida em duas ou três (com uma gilette) e colada sobre um bilhete já usado, de sorte a aproveitá-lo mais uma vez; b) dois bilhetes eram emendados e isso revalidava um dos bilhetes usados; c) um múltiplo de dez viagens foi sinalizado por alarme de software no centro de controle, como se permitisse até 32 viagens. Neste caso, tratava-se de um usuário contumaz, que fazia uso da estação S. Bento e que tinha hábitos cronológicos precisos: viajava sempre nos mesmos horários. Montamos uma campana para identificar esse passageiro, para descobrir como ele conseguia falsificar o M-10. Descobrimos – para surpresa geral – q não era um passageiro, mas uma passageira. E que, além de mulher, era freira! Diante da dúvida sobre acionar ou não a polícia, consultada pelo Corpo de Segurança, a Diretoria do Metrô achou q não valia a pena comprar uma briga com a Cúria da Igreja Católica, pois devíamos favores a eles. E nunca soubemos como ela (ou algum amigo/a dela fraudava aquele bilhete).