Marcopolo detalha película “inteligente” para vidros de ônibus exibida na Lat.Bus 2026

Tecnologia ainda está em fase de testes e pode alterar transparência dos vidros por comando elétrico; fabricante avaliou duas soluções em ônibus da Geração 8

ADAMO BAZANI

A Marcopolo detalhou nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, uma tecnologia de película inteligente para vidros de ônibus que foi apresentada como conceito durante a Lat.Bus 2026, realizada entre 11 e 13 de agosto, em São Paulo. A solução permite alterar eletricamente o vidro entre diferentes condições de transparência e opacidade e foi demonstrada em dois ônibus rodoviários da Geração 8 e em um painel instalado no estande da fabricante.

A tecnologia ainda não está disponível comercialmente. Segundo a Marcopolo, o desenvolvimento está em fase final de testes e validação para avaliar possíveis aplicações futuras em ônibus. Além da privacidade, a empresa estuda o uso das películas para controle da entrada de luz e calor no interior dos veículos, com possível reflexo sobre o funcionamento do ar-condicionado e, consequentemente, sobre o consumo de combustível nos modelos a diesel ou de energia nos elétricos.

Vidro pode passar de transparente a opaco por comando elétrico

Conhecida genericamente como Smart Film, a película modifica as propriedades ópticas do vidro por meio de energia elétrica.

Uma das aplicações possíveis seria permitir que determinadas áreas do veículo tenham maior privacidade sem a necessidade de cortinas convencionais. Dependendo da tecnologia utilizada, também é possível controlar a quantidade de luz que atravessa o vidro.

A Marcopolo informa que as soluções avaliadas podem bloquear mais de 99% dos raios ultravioleta e aproximadamente 90% da radiação infravermelha.

Esses números são dados divulgados pela própria fabricante e ainda fazem parte de uma solução em avaliação, sem produto comercial definitivo anunciado.

Ao reduzir a incidência de radiação solar no interior do ônibus, a expectativa da empresa é diminuir a carga térmica sobre o sistema de climatização.

Em um veículo a diesel, isso poderia contribuir para menor demanda de combustível associada ao funcionamento do ar-condicionado. Em um ônibus elétrico, o objetivo seria reduzir o consumo de energia da climatização e preservar uma parcela maior da carga das baterias para a operação.

A Marcopolo não apresentou, entretanto, índices de redução de consumo obtidos em operação real nem informou ainda preço, prazo para comercialização ou em quais modelos a tecnologia poderá ser oferecida.

Marcopolo testou duas tecnologias diferentes

Durante a Lat.Bus, a fabricante mostrou duas alternativas: EPC e PDLC.

Apesar de terem como resultado visual a possibilidade de modificar as características do vidro, o funcionamento é diferente.

A EPC, sigla em inglês relacionada aos dispositivos de polímeros eletrocrômicos, utiliza materiais que alteram cor ou transparência quando submetidos a uma tensão elétrica.

De acordo com a fabricante, uma das características dessa tecnologia é não precisar de fornecimento contínuo de energia para permanecer no estado transparente ou escurecido depois da alteração.

Na feira, a solução EPC foi aplicada à parede de separação interna de um Paradiso G8 1200.

PDLC usa cristais líquidos dispersos no material

A segunda solução apresentada foi a PDLC, sigla de Polymer Dispersed Liquid Crystal, ou cristal líquido disperso em polímero.

Neste sistema, cristais líquidos ficam incorporados a uma matriz polimérica.

Sem energia, os cristais permanecem desalinhados e espalham a luz, deixando o material com aspecto opaco. Quando uma corrente elétrica é aplicada, eles se alinham e permitem maior passagem da luz, fazendo com que o vidro se torne transparente.

Segundo a Marcopolo, a transição ocorre em milissegundos.

A tecnologia pode ser utilizada tanto na forma de película aplicada ao vidro como integrada entre camadas do próprio conjunto envidraçado.

Na Lat.Bus 2026, uma aplicação de PDLC foi mostrada no para-brisa superior de um Paradiso G8 TEC 1800 Double Decker. Um painel independente com a mesma tecnologia também esteve no estande da companhia para demonstração aos visitantes.

Aplicações ainda serão definidas

A apresentação na feira teve caráter conceitual.

Isso significa que a presença da película nos ônibus expostos não representa o lançamento de um novo item de série ou opcional disponível imediatamente para compra.

A fabricante ainda avalia questões relacionadas a aplicação, durabilidade, funcionamento, integração elétrica e possíveis usos em diferentes partes dos veículos antes de definir eventual oferta comercial.

Entre as possibilidades estão janelas do salão de passageiros, divisórias internas e superfícies nas quais seja desejável controlar privacidade ou luminosidade.

A adoção também precisará considerar as características específicas de cada aplicação, inclusive requisitos de segurança e visibilidade quando o vidro estiver em áreas relacionadas à condução do veículo.

Diário do Transporte acompanhou lançamentos da Marcopolo antes e durante a Lat.Bus

A película inteligente se soma ao conjunto de tecnologias e veículos apresentados pela Marcopolo durante a Lat.Bus 2026.

O Diário do Transporte acompanhou os lançamentos da fabricante antes mesmo da abertura da feira. Na semana anterior ao evento, Adamo Bazani conheceu antecipadamente os veículos e entrevistou diretores responsáveis pelas novidades que seriam apresentadas ao mercado.

Entre os principais destaques estavam o Torino 2027 para o segmento urbano e o G8 TEC, evolução da atual geração de ônibus rodoviários. Também foram mostrados o Volare Attack 10 Híbrido, com tração elétrica e geração de energia a etanol, uma configuração de menor altura do ônibus elétrico Attivi e novas opções na linha Volare.

No G8 TEC, a fabricante apresentou mudanças de aerodinâmica, monitoramento eletrônico, câmera 360 graus, registro de informações da operação e sistema automático de supressão de incêndio na região do motor. A Marcopolo também informou redução de 15% no arrasto aerodinâmico e estimativa de queda de 3,5% no consumo de combustível, números divulgados pela própria empresa.

Já o Torino 2027 recebeu mudanças na arquitetura elétrica, climatização, portas, materiais, isolamento térmico e componentes voltados à manutenção. Durante a Lat.Bus, o diretor comercial e de Marketing da Marcopolo, Ricardo Portolan, disse ao Diário do Transporte que as primeiras entregas começam ainda em 2026 e que a produção deverá atingir capacidade plena em 2027.

A fabricante informou posteriormente ter comercializado mais de 300 ônibus durante a Lat.Bus, dos quais mais de 100 unidades do Torino 2027, além de mais de 200 veículos rodoviários e micro-ônibus para clientes brasileiros e do exterior.

Relembre: Diário do Transporte conheceu antecipadamente o Torino 2027 e o G8 TEC

A película inteligente, por enquanto, está em uma etapa diferente dos veículos já apresentados comercialmente: trata-se de uma tecnologia em testes, sem previsão anunciada pela Marcopolo para chegar aos ônibus vendidos aos operadores.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. PowerEletrical disse:

    Só quem faz esses ônibus na fábrica sabe a baita qualidade que é… Com investimento em marketing até um Fusca enferrujado fica bonito

  2. BusólogoTechBuss disse:

    Eu sinceramente odeio viajar pela Cometa,.pois sua frota é praticamente composta na sua totalidade de ônibus Marcoplástico no chassi/motor Scania. Impossível conseguir dormir dentro dessas carroças barulhentas e com a sensação que o teto vai desabar a cada desnível de pista. Não é por acaso que os ônibus da Marcoplástico são chamados carinhosamente pelos chofer pelo apelido de “bate lata”.

    1. PowerEletrical disse:

      Trabalho a anos com veículos diesel, e posso te afirmar com toda certeza que o caminhão da Scania, tu nem sente que o motor está ligado, e detalhe né, a cabine do caminhão fica em cima do motor, já o “bate lata”…. Já fiz muito Double Deck e posso dizer que as condições dentro da área fabril que dão aos funcionários é INACREDITÁVEL, fazem dos funcionários meros escravos e com condições e ferramentas precárias, por isso parece que o “bate lata” parece que vai desmontar. Esses veículos são feitos a mão de forma artesanal. Compre 10 veículos exatamente “iguais” e olha a estrutura de um por um por exemplo. Tudo torto, cheio de GAMBIARRA, sendo que nem saiu da fábrica ainda. Oque os clientes compram é marketing, não qualidade, eles querem vender e te convencer que o produto e bom, e pior que conseguem!! “Boniteza não se põe em mesa”. É…. Produto mais caro do mercado é assim. eai? Será que é mentira minha? Quem conhece esses ônibus não fica difícil de acreditar né eu sei! Kkkkkk

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