São Paulo suspende contrato de R$ 379 milhões do Corredor Norte-Sul; desapropria 21,8 mil m² para corredor na zona leste e estende fiscalização das obras do Imirim
Publicado em: 26 de agosto de 2026
Diário Oficial reúne três decisões sobre infraestrutura de ônibus: Lote 2 do Norte-Sul volta a ter contrato suspenso, imóveis em Cidade Líder e Itaquera são declarados de utilidade pública e acompanhamento do Corredor Imirim é prorrogado até outubro
ADAMO BAZANI
Três decisões publicadas no Diário Oficial da Cidade de São Paulo desta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, mexem com projetos de corredores de ônibus em diferentes regiões da capital.
A SPTrans formalizou nova suspensão do contrato de R$ 379,46 milhões do Lote 2 do Corredor Norte-Sul – Trecho 2, projeto que abrange parte do eixo formado pelas avenidas 23 de Maio, Professor Ascendino Reis, Rubem Berta e Moreira Guimarães.
Na zona leste, o prefeito Ricardo Nunes declarou de utilidade pública uma área total de 21.854 m² em Cidade Líder e Itaquera especificamente para implantação de corredor de ônibus. O decreto abre caminho para desapropriações judiciais ou aquisição dos imóveis por acordo.
Já na zona norte, a SIURB adotou novo cronograma físico-financeiro e prorrogou até 31 de outubro de 2026 o contrato da SPObras para assistência e apoio à fiscalização das obras de reforma do Corredor Imirim.
CORREDOR NORTE-SUL: contrato de R$ 379,46 milhões volta a ser suspenso
O ato de maior impacto financeiro é o novo Termo de Suspensão referente ao contrato da SPTrans com o Consórcio Norte Sul.
O contrato nº 2023/0675-02-00 envolve desenvolvimento de projeto executivo e execução das obras do Corredor Norte-Sul – Trecho 2 – Lote 2.
O extrato publicado nesta quarta-feira confirma a suspensão, mas não apresenta no texto divulgado o motivo da medida nem fixa uma nova data para a retomada dos serviços.
Dados oficiais da SPTrans mostram que o contrato foi firmado por R$ 379.462.138,58. A vigência registrada originalmente vai de 25 de junho de 2024 a 24 de abril de 2027.
Lote 2 tem aproximadamente 4,6 km e cinco paradas no canteiro central
Documentos técnicos da própria SPTrans detalham a área atingida pelo contrato.
O Lote 2 corresponde ao sistema viário entre a Rua Dr. Luiz Falgetano Sobrinho e o Viaduto João Julião da Costa Aguiar, na Avenida dos Bandeirantes.
O eixo principal percorre as avenidas 23 de Maio, Professor Ascendino Reis, Rubem Berta e Moreira Guimarães.
São aproximadamente 4,6 quilômetros e cinco paradas previstas com embarque e desembarque pelo lado esquerdo, implantadas junto ao canteiro central.
Entre os projetos executivos já produzidos aparecem estruturas como as paradas Pedro de Toledo e Aratãs, com intervenções de acessibilidade e adequações das plataformas.
Trecho 2 liga Terminal Bandeira à Avenida dos Bandeirantes
O Trecho 2 como um todo começa na região do Terminal Bandeira e segue até o Viaduto João Julião da Costa Aguiar, sobre a Avenida dos Bandeirantes.
A SPTrans apresentou o empreendimento como uma intervenção em um dos principais eixos de transporte entre as regiões central e sul da cidade.
As obras foram divididas em dois lotes.
O Lote 1 foi contratado com o Consórcio Corredor Norte Sul JRC por aproximadamente R$ 339,85 milhões.
O Lote 2, agora novamente suspenso, ficou com o Consórcio Norte Sul por R$ 379,46 milhões.
Somente os dois contratos principais de projeto executivo e obras somam aproximadamente R$ 719,3 milhões.
Durante a análise do edital, documentação do Tribunal de Contas do Município indicava valor estimado de aproximadamente R$ 785,76 milhões para os dois lotes do Trecho 2.
Não é a primeira suspensão do Lote 2
A publicação desta quarta-feira não representa a primeira interrupção formal do contrato.
O cadastro de contratos da própria SPTrans registra termos de suspensão assinados em fevereiro de 2026 e um terceiro termo formalizado em maio.
Em 6 de maio, por exemplo, foi registrado o terceiro termo de suspensão do mesmo contrato.
Há ainda contratos paralelos de apoio à supervisão das obras. No caso específico do Lote 2, o contrato de serviços técnicos de supervisão também recebeu novo termo de suspensão com efeitos a partir de 24 de agosto de 2026.
Assim, a publicação atual deve ser entendida dentro de uma sequência de interrupções contratuais do projeto, e não como um episódio isolado.
O extrato publicado agora, porém, não esclarece a causa da nova suspensão.
ZONA LESTE: 21.854 m² são destinados a corredor de ônibus
Em outro ato de grande importância para a mobilidade, o Decreto nº 65.463 declara de utilidade pública imóveis particulares em Cidade Líder e Itaquera necessários à implantação de corredor de ônibus.
A área total é de 21.854 m².
Os terrenos estão distribuídos por cinco plantas de desapropriação. A primeira reúne 5.750 m²; a segunda, 3.945 m²; a terceira, 4.780 m²; a quarta, 5.117 m²; e a quinta, 2.262 m².
O decreto autoriza que os imóveis sejam desapropriados judicialmente ou adquiridos mediante acordo com os proprietários.
As despesas serão pagas com dotações orçamentárias próprias de cada exercício.
O decreto não informa o nome do corredor
Há outro processo de desapropriação envolvendo Cidade Líder relacionado ao Corredor de Ônibus Aricanduva. Em janeiro de 2026, a Prefeitura atualizou um decreto anterior e identificou expressamente o empreendimento como Corredor Aricanduva, abrangendo Vila Matilde, Aricanduva, Carrão, São Mateus e Cidade Líder e uma área de 16.657,33 m².
CORREDOR IMIRIM: contrato de apoio à fiscalização vai até 31 de outubro
Na zona norte, a mudança é de natureza diferente.
A SIURB prorrogou até 31 de outubro de 2026 o contrato com a SPObras destinado à assistência e ao subsídio técnico à fiscalização das obras de reforma do Corredor de Ônibus da Avenida Imirim.
O trecho fica entre a Avenida Deputado Emílio Carlos e a Alameda Afonso Schmidt.
O ato também determina a adoção de um novo cronograma físico-financeiro para o contrato de fiscalização.
É importante distinguir: o despacho publicado nesta quarta-feira trata especificamente do contrato de apoio e fiscalização da obra, e não é, por si só, uma prorrogação expressa do contrato principal de construção.
Reforma do Imirim começou em 2023 e deveria durar 16 meses
A obra principal foi contratada em 2023 com o Consórcio Corredor Imirim.
O contrato original tinha valor de R$ 71.827.565,60 e prazo de 16 meses.
A execução abrange aproximadamente 4,6 km da Avenida Imirim, da região da Avenida Deputado Emílio Carlos até a Alameda Afonso Schmidt.
Quando anunciou o início das intervenções, a Prefeitura estimou que aproximadamente 112 mil passageiros seriam beneficiados diariamente.
Segundo os dados oficiais divulgados na ocasião, a movimentação varia de aproximadamente 50 a 150 ônibus por hora nos períodos de maior demanda.
Pavimento de concreto, plataformas, ultrapassagens e monitoramento
O projeto prevê implantação de pavimento rígido no corredor, elevação das plataformas para melhorar o embarque e desembarque, adequação das paradas, melhorias de acessibilidade e ajustes na largura das vias.
Também estão previstas faixas de ultrapassagem nas paradas, melhorias de drenagem, sinalização, iluminação, valas técnicas, remanejamento das redes de telecomunicação e de postes e implantação de sistemas de monitoramento.
A Prefeitura informou ainda, quando lançou a intervenção, investimento complementar de aproximadamente R$ 48 milhões para enterramento da rede elétrica.
Contrato de fiscalização começou em R$ 7,16 milhões
Além dos R$ 71,8 milhões da obra principal, a Prefeitura contratou a SPObras para fornecer assistência técnica à fiscalização.
Esse contrato foi assinado em julho de 2023 por R$ 7.166.549,55, inicialmente também com vigência de 16 meses.
É justamente este contrato que aparece novamente no Diário Oficial desta quarta-feira.
Com o novo despacho, a SIURB adota o cronograma físico-financeiro atualizado e mantém a atuação da SPObras no acompanhamento das intervenções até 31 de outubro de 2026.
Assim, os três atos publicados no mesmo Diário Oficial mostram situações bastante diferentes da política de corredores de ônibus da cidade: uma obra de grande porte com sucessivas suspensões contratuais no eixo Norte-Sul; uma nova frente de desapropriações na zona leste; e um corredor em reforma na zona norte cujo acompanhamento técnico continua sendo prorrogado.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Preciso dar umas voltas no bairro do Imirim,cresci neste lugar me dá saudades (CLASSE MÉDIA HURRA).