Aracaju (SE) regulamenta transporte complementar e autoriza 289 cooperados a operar na cidade

Medida formaliza atividade após mais de três décadas de espera e estabelece identificação dos veículos e novas condições para o serviço

ARTHUR FERRARI

O transporte complementar urbano de Aracaju (SE) passou a operar de forma regular após a regulamentação da atividade pela Prefeitura. Ao todo, 289 cooperados receberam autorização para atuar na capital sergipana depois da entrega dos Termos de Autorização às cooperativas habilitadas e dos Termos de Credenciamento que formalizaram a atuação das entidades junto à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), realizada no fim de julho.

A regulamentação foi estabelecida pela Lei Municipal nº 6.205/2025, sancionada em outubro do ano passado. A legislação determina que o serviço seja realizado por meio de cooperativas legalmente credenciadas e encerra uma espera de mais de 30 anos pela formalização da atividade.

A mudança também estabelece uma nova condição para os veículos utilizados pelos cooperados. A identificação vinculada às cooperativas permite que os passageiros reconheçam os automóveis autorizados a prestar o serviço.

O presidente da Cooptasan, João Batista, afirmou que a regularização modificou a percepção sobre os trabalhadores. “Antes da regulamentação, nós éramos invisíveis. Agora, somos visíveis. Quando passamos pelas ruas, o passageiro percebe que aquele carro é vinculado à cooperativa. Para nós, esse foi um dos melhores presentes dos últimos anos”, afirmou.

Os veículos regulamentados também avançam nos procedimentos para obtenção das placas vermelhas. A etapa permitirá que os automóveis utilizem as faixas destinadas ao transporte coletivo, de acordo com o texto.

Trabalhadores esperavam regularização

A formalização atende a uma reivindicação que atravessou diferentes períodos da atividade. Motorista da Cooptasan, Antônio Carlos Dias da Cruz atua no segmento há 12 anos e acompanhou parte desse processo.

“O sentimento é extraordinário, muito especial. Já existia a cooperativa há cerca de 37 anos, com toda essa luta e batalha. Foi preciso perseverança, esperança e muita oração, confiando que um dia daria certo”, relatou.

Segundo Antônio Carlos, o período anterior à regulamentação foi marcado por dificuldades e apreensões. Ele afirma que seu veículo chegou a ser apreendido três vezes.

“Todo mundo está alegre, com os carros preparados e acreditando que o melhor está por vir. A regulamentação trouxe valorização para quase 300 pais de família”, destacou.

José Carlos da Conceição Medeiros, também motorista da Cooptasan, avalia que a mudança alterou a relação dos profissionais com a sociedade.

“A gente passou da ilegalidade para a legalidade. A visão da sociedade é diferenciada. Já sofremos muito com apreensões e tudo mais. Agora, temos uma visão de segurança e somos bem vistos”, afirmou.

O motorista também relatou mudanças nas condições de trabalho após a formalização. “A rotina tem sido bem melhor, mais lucrativa. Espero que daqui pra frente seja ainda positiva para a nossa renda. Quem ganha é a sociedade e a gente que é motorista”, completou.

A regulamentação também alcançou mulheres que atuam no segmento. Presidente da Cooptrazul e motorista, Maria da Conceição Carvalho afirmou que aguardou por quase três décadas pela regularização.

“Esperávamos há quase 30 anos por essa regulamentação. Passaram vários gestores, entrava prefeito, saia prefeito, prometiam e não cumpriam. Graças a Deus entrou uma mulher de coragem, de fibra e de palavra e regulamentou a profissão. Hoje, estamos todos felizes, porque podemos trabalhar sem a preocupação que existia antes”, colocou.

Para Wilson Porto, motorista da Cooptrazul, a formalização representa principalmente o reconhecimento profissional. “Trouxe mais dignidade, visibilidade. Estamos bastante satisfeitos com esse reconhecimento, que era esperado há muito tempo. É a realização de um sonho”, ressaltou.

A identificação dos veículos também é apontada pelos trabalhadores como uma mudança na relação com os passageiros. “A nova configuração trouxe mais confiança para quem utiliza o serviço. A regulamentação e a identificação dos veículos proporciona tranquilidade e os usuários estão bastante satisfeitos”, contou.

Paulo Roberto Augusto Franco, também motorista da Cooptrazul, descreveu a mudança na rotina após a regularização. “Muda tudo. Antes a gente vivia correndo do povo, hoje não. Agora, existe um respaldo maior e a gente não tem mais medo de rodar. O próprio passageiro já sabe quem é a gente e já dá a mão para parar”, relatou.

Linhas atendem diferentes regiões

Com a regulamentação, o transporte complementar passou a atender diferentes áreas de Aracaju (SE), incluindo regiões da Zona de Expansão e bairros da capital.

Na Zona de Expansão, os itinerários contemplam Mosqueiro, Matapuã, Areia Branca, São José e Aruana. Também são atendidos Coroa do Meio, Atalaia Velha, Santa Tereza, Augusto Franco, Santa Maria, 17 de Março, Jabotiana, Santa Lúcia e Castelo Branco.

Os itinerários possuem ligação com o Centro de Aracaju (SE) nos dois sentidos, ampliando as alternativas disponíveis para os deslocamentos dos moradores dessas regiões.

Segundo Antônio Carlos, o serviço atua de maneira complementar a outras modalidades de transporte. “É um transporte que complementa o ônibus, o uber, o motoboy e até mesmo os táxis. Quando falta um, o outro ajuda. É um transporte complementar de passageiros”, explicou.

Com a formalização, os 289 cooperados autorizados passam a atuar dentro das regras estabelecidas pela legislação municipal. A medida também incorpora o transporte complementar à estrutura regular de mobilidade da capital sergipana, após décadas de atividade sem regulamentação formal.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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