ABC homologa contrato de R$ 29 milhões para projetos de corredores de ônibus e obras associadas
Publicado em: 26 de agosto de 2026
Consórcio formado por Maubertec e PD Engenharia venceu concorrência por técnica e preço; trabalho prevê estudos de viabilidade, projetos funcionais e básicos, mas ainda não representa a execução das obras
ADAMO BAZANI
O Consórcio Intermunicipal Grande ABC homologou por R$ 29,04 milhões a contratação das empresas que vão elaborar estudos e projetos de engenharia para requalificação de corredores preferenciais de transporte coletivo e outras intervenções associadas na região.
A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo desta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, e conclui uma das principais etapas da concorrência aberta em março para preparar tecnicamente futuras obras de mobilidade nos municípios do ABC Paulista.
O vencedor foi o Consórcio Requalifica Mobilidade ABC, formado pela Maubertec Tecnologia em Engenharia Ltda., que será a empresa líder, e pela PD Engenharia Ltda.
O valor adjudicado é de R$ 29.041.982,81. O orçamento estimado quando a concorrência foi lançada era de R$ 36.997.912,29, segundo o portal oficial de licitações do Consórcio Intermunicipal. Assim, a proposta vencedora ficou aproximadamente R$ 7,96 milhões, ou 21,5%, abaixo do valor inicialmente estimado.
O ato de homologação foi assinado em 25 de agosto pelo secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, Gilmar Viana Conceição.
O Diário do Transporte acompanha esta concorrência desde a abertura. Em 25 de março de 2026, a reportagem mostrou que o Consórcio havia lançado o edital para contratar os estudos de viabilidade e os projetos funcionais e básicos dos corredores. A sessão de disputa estava prevista para 28 de maio.
É importante destacar que os R$ 29 milhões não são para executar imediatamente corredores de ônibus. A contratação é para desenvolver a parte técnica necessária para que intervenções possam avançar posteriormente para projetos mais detalhados, captação de recursos, licitações e, somente depois dessas etapas, obras.
O próprio objeto oficial define a contratação como serviços especializados de engenharia e urbanismo destinados à elaboração de projetos para requalificação dos corredores, incluindo estudos de viabilidade, projetos funcionais e projetos básicos.
DISPUTA TEVE RECURSOS DE TRÊS CONSÓRCIOS
A homologação ocorre depois de uma disputa administrativa entre os participantes da concorrência.
Os consórcios Corredores ETOM, URB VIA e Corredor ABC apresentaram recursos contra o resultado da avaliação.
De acordo com a publicação oficial, os três recursos foram conhecidos e tiveram provimento parcial.
A consequência foi uma reavaliação das notas técnicas atribuídas pela Comissão de Licitação. Mesmo após a revisão, entretanto, foi mantida a habilitação do Consórcio Requalifica Mobilidade ABC.
Superada essa fase, o Consórcio Intermunicipal adjudicou o objeto à associação formada por Maubertec e PD Engenharia e homologou a Concorrência nº 001/2026.
O julgamento foi realizado pelo critério de técnica e preço. Isso significa que a definição do vencedor não dependeu exclusivamente do menor valor financeiro apresentado, mas da combinação prevista no edital entre a avaliação técnica e o preço da proposta.
O QUE SERÁ FEITO
A contratação possui três níveis principais de desenvolvimento dos projetos: estudos de viabilidade, projetos funcionais e projetos básicos.
Na prática, essa sequência permite analisar inicialmente se determinada intervenção é técnica e operacionalmente adequada, definir sua concepção e, depois, produzir um nível maior de detalhamento para possibilitar os próximos passos de implantação.
Além dos corredores preferenciais para o transporte coletivo, o objeto permite incluir obras de engenharia diretamente relacionadas a esses eixos.
Assim, dependendo da solução definida para cada local, os projetos podem envolver não apenas o espaço destinado aos ônibus, mas adequações geométricas e viárias necessárias ao funcionamento dos corredores. O detalhamento definitivo de cada intervenção, entretanto, deverá resultar justamente dos estudos contratados.
O extrato de homologação publicado nesta quarta-feira não informa quais serão todas as avenidas e os corredores contemplados nem divide os R$ 29 milhões por município ou intervenção.
Também não apresenta um cronograma físico individualizado para cada projeto.
PROJETOS DE CORREDORES NO ABC TÊM HISTÓRICO DE MAIS DE UMA DÉCADA
A contratação atual se insere em uma discussão regional sobre priorização do transporte coletivo que atravessa diferentes gestões municipais e programas federais.
O Plano Regional de Mobilidade do ABC começou a ser estruturado no início da década passada para tentar tratar deslocamentos que não terminam nas divisas municipais.
Isso é particularmente importante no ABC porque parte expressiva das viagens entre Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra é regional ou metropolitana.
Em 2013, o Consórcio já discutia com o Governo Federal um conjunto intervenções para priorização do transporte coletivo.
Documentos da entidade daquela época chegaram a trabalhar com aproximadamente 134 quilômetros de corredores preferenciais dentro de quatro eixos considerados prioritários: Guido Aliberti/Lauro Gomes/Taióca; Alvarenga/Robert Kennedy/Couros; Leste-Oeste; e Corredor Sudeste.
Nos anos seguintes, o planejamento foi incorporado ao PAC Mobilidade.
Em 2015, o Ministério das Cidades autorizou recursos federais para o desenvolvimento de projetos regionais. Foram destinados R$ 26,4 milhões à preparação de 21 projetos funcionais e básicos de engenharia voltados à requalificação de corredores preferenciais para o transporte coletivo, além de recursos para um Centro de Controle de Operações regional.
O Diário do Transporte acompanhou esse processo.
Em março de 2016, o site mostrou que os 21 projetos deveriam servir como base para futuras obras e que, mesmo naquela etapa, o dinheiro liberado não significava início imediato das intervenções: antes seria necessário concluir os projetos e obter recursos para executar as obras.
O QUE ESTAVA PREVISTO NOS 21 PROJETOS
O conjunto elaborado naquele período ajuda a mostrar a dimensão e a lógica do planejamento regional, embora não seja possível afirmar apenas pelo extrato publicado nesta quarta-feira que todas aquelas 21 intervenções históricas serão reproduzidas sem alterações na contratação de 2026.
Entre as propostas do eixo Leste-Oeste estavam o tratamento preferencial para os ônibus nas avenidas Dona Ruyce Ferraz Alvim e Antônio Dias Adorno, em Diadema, e um viaduto sobre a Rodovia dos Imigrantes compatível com o corredor de transporte coletivo.
Outro grande conjunto envolvia Guido Aliberti, Lauro Gomes e Córrego Taióca.
Entre as propostas estavam intervenções na Avenida Guido Aliberti, em São Caetano do Sul; uma ligação com a Avenida dos Estados; adequações viárias relacionadas à travessia da ferrovia; um viaduto na Avenida Lauro Gomes sobre a Avenida Pereira Barreto; marginais ao Córrego Taióca nos lados de Santo André e São Bernardo do Campo; e tratamento preferencial para o transporte coletivo em direção ao Terminal Vila Luzita, em Santo André.
No chamado Corredor Sudeste, o planejamento incluía intervenções na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul; Avenida Dom Pedro II, Avenida Industrial, Avenida Santos Dumont e Avenida Giovanni Battista Pirelli, em Santo André; avenidas Capitão João e João Ramalho, em Mauá; e Avenida Humberto de Campos, em Ribeirão Pires.
Parte desses projetos foi concebida em um cenário de transporte metropolitano diferente do atual. Um exemplo é que documentos antigos mencionavam integração ou compatibilidade de determinadas obras com a então projetada Linha 18-Bronze por monotrilho.
Isso ajuda a explicar a necessidade de atualização técnica de projetos regionais à medida que a rede de transporte, o planejamento urbano e as prioridades de investimentos mudam.
QUATRO EIXOS FORAM TRATADOS COMO PRIORITÁRIOS
Em 2017, ao anunciar que o Ministério das Cidades havia autorizado a continuidade do Plano Regional de Mobilidade mesmo após uma revisão nacional de projetos federais, o Consórcio Intermunicipal voltou a apontar quatro grandes corredores como prioritários.
Eram Guido Aliberti/Lauro Gomes/Taióca, envolvendo Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul; Alvarenga/Robert Kennedy/Couros, entre Diadema e São Bernardo; Leste-Oeste, também envolvendo Diadema e São Bernardo; e Sudeste, passando por Santo André, São Caetano, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
O planejamento regional, portanto, não se restringe à criação de uma única faixa de ônibus ou a uma obra isolada. Historicamente, a proposta busca criar e melhorar eixos capazes de atravessar limites municipais e reduzir gargalos justamente em viagens que envolvem mais de uma cidade.
LICITAÇÃO DE 2026 RETOMA A ETAPA DE PROJETOS
A atual concorrência foi aberta formalmente em março de 2026.
O aviso oficial definiu a contratação de serviços técnicos especializados de engenharia e urbanismo para requalificação de corredores preferenciais de transporte coletivo e obras associadas, com estudos de viabilidade e projetos funcionais e básicos. A disputa foi marcada para 28 de maio.
No cadastro atual do Consórcio Intermunicipal, a contratação aparece vinculada ao tema “PAC Mobilidade” e tinha orçamento estimado em R$ 36,997 milhões.
Agora, com a homologação por R$ 29,04 milhões, a licitação entra em uma nova fase.
Ainda será necessária a formalização contratual e, posteriormente, a execução e aprovação dos trabalhos técnicos previstos.
Somente depois do desenvolvimento dos estudos será possível saber, com maior precisão, quais soluções serão propostas para cada corredor, os custos estimados das futuras intervenções, as prioridades, as etapas de implantação e quanto ainda deverá ser captado para transformar os projetos em obras.
Por isso, apesar do valor significativo da contratação, a publicação desta quarta-feira deve ser entendida como avanço do planejamento das intervenções, e não como ordem imediata para construção de R$ 29 milhões em corredores.
O ato também não deve ser confundido automaticamente com outros projetos metropolitanos existentes na região. A publicação desta quarta-feira trata especificamente da contratação promovida pelo Consórcio Intermunicipal Grande ABC para projetos de corredores preferenciais e obras associadas.
RELEMBRE
Em 25 de março de 2026, o Diário do Transporte noticiou a abertura desta concorrência e explicou que o certame tratava da elaboração dos projetos, não ainda da construção dos corredores.
Em 2016, o Diário do Transporte também detalhou as 21 intervenções que integravam o planejamento regional do PAC Mobilidade naquela etapa.
ABC deve receber nos próximos dias R$ 31,5 milhões para mobilidade – 04/03/2016
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


