São Paulo vai discutir como melhorar PAESE, corredores emergenciais para ônibus e mudanças de linhas em panes e greves de metrô e trens

CMTT debate nesta sexta (28) protocolos para manter deslocamentos quando sistemas de trilhos  são interrompidos

ADAMO BAZANI

A cidade de São Paulo vai discutir nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, medidas para melhorar a resposta do transporte público a situações emergenciais, como panes, acidentes e greves que interrompam ou prejudiquem a circulação de metrôs e trens.

Entre os pontos estão a implantação de corredores emergenciais para ônibus, alterações temporárias de itinerários e pontos de parada, priorização de eixos estratégicos e o acionamento do PAESE (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência). Também poderão ser adotadas medidas de trânsito, como a suspensão do Rodízio Municipal.

Os temas fazem parte da pauta da 86ª Reunião Ordinária do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte), marcada para ocorrer das 9h30 às 12h30, por videoconferência.

Um dos pontos que chama atenção é justamente a previsão de corredores emergenciais. Na prática, são rotas estratégicas que podem receber tratamento operacional diferenciado para dar maior fluidez aos ônibus quando uma linha de alta capacidade, principalmente de metrô ou trem, deixa de atender normalmente.

A discussão é importante porque colocar mais ônibus nas ruas, isoladamente, não resolve uma emergência se os coletivos ficarem presos no congestionamento. Outra possibilidade é prolongar temporariamente linhas regulares para levá-las até estações ou regiões atendidas por um sistema metroferroviário que esteja paralisado.

O próprio histórico do PAESE mostra que reforço de frota, extensão temporária de linhas, mudanças de pontos e criação de serviços especiais podem ser combinados.

PAESE CONTINUA ESSENCIAL, MAS PRECISA SER APRIMORADO

O PAESE não é, e nem poderia ser, um substituto em capacidade para uma linha de metrô ou de trem.

Um trem transporta milhares de passageiros de uma só vez, em infraestrutura segregada do trânsito. Já os ônibus precisam dividir espaço com outros veículos em boa parte dos percursos e têm capacidade individual muito menor.

Isso ficou evidente na greve dos ferroviários da CPTM no início deste mês.

Em 5 de agosto de 2026, segundo dia da paralisação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, foram mobilizados 195 ônibus: 95 para a Linha 11, 90 para a Linha 12 e dez para a Linha 13.

Passageiros relataram ao Diário do Transporte problemas de organização, demora e até motoristas que tiveram dificuldades com rotas às quais não estavam habituados. A Artesp informou que havia reforçado as orientações e colocado inspetores nas estações. A própria reportagem destacou ainda que um ônibus não reproduz a capacidade de uma composição ferroviária, que pode transportar aproximadamente 2,4 mil passageiros.

No primeiro dia daquela greve, haviam sido convocados 128 ônibus para o PAESE, mas o trânsito prejudicou o cumprimento da operação planejada. Ao mesmo tempo, a SPTrans reforçou linhas municipais que atendem regiões afetadas pela paralisação.

É justamente aí que a discussão de corredores emergenciais ganha relevância.

Se o PAESE tiver ônibus, mas esses veículos ficarem presos no trânsito, sua capacidade de reduzir os impactos da interrupção ferroviária diminui. Corredores ou eixos temporariamente priorizados podem tornar a resposta mais rápida e previsível.

O PAESE, portanto, está longe de ser uma solução ideal para substituir sistemas de alta capacidade. Isso não significa que seja dispensável.

Pelo contrário: diante de uma pane prolongada, acidente, inundação, manutenção que exija interrupção ou greve, deixar milhares de passageiros sem alternativa seria muito pior.

O desafio é melhorar um instrumento que continua essencial.

PROLONGAR LINHAS REGULARES PODE SER MAIS UMA FERRAMENTA

A estratégia de modificar linhas existentes durante emergências não é inédita.

Em uma operação do PAESE para a Linha 1-Azul, por exemplo, a SPTrans determinou que linhas normalmente encerradas no Metrô Jabaquara fossem prolongadas até as proximidades da Estação Saúde, além de criar atendimento especial para substituir parte do metrô.

Em outra ocorrência, na Linha 12-Safira da CPTM em 2021, a SPTrans prolongou temporariamente as linhas 2202/10 Jardim das Oliveiras – CPTM Guaianases e 3064/10 Cidade Tiradentes – CPTM Guaianases até o Terminal Metrô Itaquera. Somadas, as linhas operaram com 65 ônibus durante parte do período de emergência.

Também houve remanejamento de pontos e plataformas e implantação de uma linha especial entre Jardim Romano e Tatuapé.

São exemplos do conceito que volta agora à discussão do CMTT: em vez de depender exclusivamente de uma linha emergencial paralela ao trilho interrompido, a rede convencional de ônibus pode ser reorganizada temporariamente para distribuir melhor a demanda.

PAESE NASCEU DEPOIS DE INCÊNDIO EM LINHA FERROVIÁRIA EM 1983

A origem do PAESE remonta a 1983.

Naquele ano, um incêndio em uma estação da ferrovia hoje integrante da Linha 7-Rubi interrompeu completamente a circulação e afetou passageiros das regiões de Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato e Campo Limpo Paulista.

O Centro de Controle Operacional da então CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos) foi acionado e enviou ônibus das garagens mais próximas para retirar passageiros das estações afetadas e realizar ligações rodoviárias emergenciais.

Foi uma ação improvisada para uma situação excepcional.

A experiência mostrou, porém, que problemas semelhantes poderiam voltar a ocorrer e que não seria adequado decidir quantidade de ônibus, itinerários, pontos de embarque e responsabilidades somente depois que a emergência estivesse instalada.

O episódio levou técnicos da CMTC a propor um plano de contingência conjunto com o Metrô, Fepasa, CBTU e CET.

Nascia o PAESE.

O planejamento passou a levar em consideração a movimentação de passageiros e as vias disponíveis no entorno das estações. Foi elaborado um manual com alternativas previamente estudadas para diferentes tipos de interrupção.

Já no primeiro ano de implantação, a CMTC realizou 12 atendimentos e disponibilizou mais de 1,1 mil ônibus. Em 1984, foram 58 ocorrências atendidas, com mais de 8,5 mil ônibus mobilizados ao longo das diferentes operações.

Posteriormente, um convênio formalizou responsabilidades, obrigações e regras de ressarcimento entre as empresas participantes.

QUASE TRÊS MESES DE PAESE NO MONOTRILHO CUSTARAM R$ 28,6 MILHÕES

Um dos casos que mostram ao mesmo tempo a importância e os limites do PAESE ocorreu em 2020.

A Linha 15-Prata do monotrilho ficou paralisada durante 94 dias depois de um problema envolvendo os pneus e componentes das rodas dos trens.

Durante o período, ônibus atenderam os passageiros.

Dados obtidos à época pelo Diário do Transporte, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostraram que somente o PAESE custou R$ 28,675 milhões. Em parte do período, cerca de 50 ônibus articulados eram empregados diariamente na operação.

O episódio reforça uma característica fundamental: o PAESE é uma rede de segurança para o transporte público, e não uma solução permanente para substituir metrôs e ferrovias.

CMTT VAI REUNIR CET E DIFERENTES ÁREAS DA SPTRANS

A reunião desta sexta-feira terá representantes da CET e de diferentes áreas operacionais da SPTrans.

Estão previstos Emerson Bittencourt, da Superintendência de Engenharia de Tráfego da CET; Marcelo José de Almeida, do Centro de Operações da SPTrans; Luiz Eduardo Loureiro, o Mustafa, da Superintendência de Operações; e Katia Moura Silva, da Superintendência de Planejamento da Rede de Transporte.

A pauta oficial menciona expressamente a análise dos protocolos e das medidas operacionais usadas em situações emergenciais ou de grave impacto na mobilidade.

A discussão ocorre poucas semanas depois de uma greve ferroviária que voltou a mostrar a importância do PAESE, mas também evidenciou seus gargalos.

Corredores emergenciais, planejamento prévio das rotas, treinamento dos motoristas, informação aos passageiros, prolongamentos de linhas e integração entre trânsito, ônibus e trilhos podem fazer diferença justamente quando o sistema mais precisa responder rapidamente.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Marcelo disse:

    Bom dia !!! Gostaria de saber se esta aberto ao público, pois temos muito agregar.

  2. Rodrigo de Freitas Andrade disse:

    Nessa reunião deveria ir o nobre Wagner Chagas Alves, que entende muito mesmo de operações emergenciais, principalmente de PAESE.
    Chagas Alves já foi presidente interino da SPTrans e por mais de um ano, Vice-Presidente da SPTrans, além de por quase uma década ser gerente operacional da area 4.
    É uma pessoa super capacitada e querido por todos na SPTrans, além de ser uma pessoa muito sensível aos problemas que a população enfrenta.
    Enquanto gerente da area 4, ajudou e muito a melhorar graves problemas operacionais nas linhas alimentadoras, locais e estruturais.
    Agora, minha opinião como membro de uma associação de moradores da região do distrito de José Bonifácio (COHAB 2 Itaquera) e participante do CONSEG José Bonifácio, além de colaborar há mais de 20 anos com o Ministério Público de SP em procedimentos na área de transporte, e por toda esta bagagem, e por ter trabalhado na área e ter experiência com estas questões de logística de planejamento de transportes, e finalmente como usuário e entusiasta de mobilidade urbana, posso dizer com firmeza e sem medo de errar:
    O diálogo para extender as linhas locais, alimentadoras e estruturais, além de operação especial em linhas radiais principais, é essencial e urgente!
    De cerca de 5 anos para cá, a forma como fora planejada e alterado o PAESE, tornou-a ineficiente e incompleta, devido as pressões das operadoras do subsistema local que insistem em fazer pressão junto a SPTrans para que as linhas sublocais permaneçam operando em seus itinerários normais durante o PAESE, prejudicando assim a população.
    As principais operadoras do subsistema local e alimentador que resistem a colaborar no PAESE são a Pêssego Transportes, A AlliBus, a Transwolff, a Express Transportes e as reminiscentes da Transcooper e Associação Paulistana de várias regiões de SP que se tornaram várias pequenas empresas mas continuam como cooperativas por dentro.
    A Pressão vem primeiro dos investidores destas operadoras, os antigos ‘donos de frota’, que não querem fazer linhas longas porcausa da carestia da manutenção dos veículos e do preço alto do combustível, além de mais gastos com mão de obra e suprimentos em geral.
    Este, além da tal ‘racionalização’ do transporte, que de racional não tem nada e a tal racionalização perdura desde 2002 e nunca se conclui, são os motivos das alterações radicais no sistema de PAESE.
    Até meados de 2015 mais ou menos, o PAESE era completo, um tanto quanto desordenado sim, admito, e nesse caso a SPTrans está correta em reorganizar, mas mesmo assim, era muito mais eficiente, com as linhas locais, estruturais e alimentadoras seguindo até o centro da cidade em dias de greve do metrô ou CPTM ou ambas, como muito já aconteceu em SP. A população tinha certeza que voltaria para casa, sim, apesar da bagunça quanto aos pontos de atendimento dessas linhas extendidas excepcionalmente em dias de greve.
    Eu mesmo, como integrante de associação de bairro, cansei de ligar para a articulação comunitária — atual assessoria de integração territorial — solicitando extensão de linhas como a 3732-10, 3766-10, 3736-10, além de extensão de linhas que vão até o Terminal Carrão e Terminal Penha serem extendidas até o Pq. Dom Pedro II ou Sé nestes dias de greve, antes de meados de 2015, nosso pedido era atendido, depois, devido as pressões egoísticas das operadoras do susbsistema local, a SPTrans nunca mais atendeu nossos e outros pedidos da população para extender linhas locais até o centro em dias de greve do sistema metro-ferroviário.
    Portanto, o que proponho aqui e também será motivo de geração de SEI, é a volta — porém reordenada e bem planejada — do sistema antigo de PAESE, modernizado, mas com linhas-chave locais. alimentadoras e estruturais excepcionalmente seguindo ao centro da cidade, não todas como era desordenadamente, mas uma boa parte delas e com bolsões especiais feitos de emergência pela equipe de PAESE para estas linhas terem locais certos para seus Terminais Secundários Temporários. Isso sim vao ajudar e muito a população em dias terríveis de greves de metro-ferroviários, muitas delas, LOCAUTES COM OBJETIVAÇÃO POLÍTICO-ELEITORAL, O QUE É MAIS GRAVE, E DEVERIA SER OBJETO DE INVESTIGAÇÃO DO MPSP.

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