Eletromobilidade

Licitação de ônibus de Curitiba é destacada em agenda com o BNDES que fala sobre 80 elétricos; Banco vai financiar fiação subterrânea

Nova concessão terá cinco lotes, R$ 3,9 bilhões em investimentos e leilão em novembro; Diário do Transporte acompanha desde o início a preparação da concorrência

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de Curitiba e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fizeram nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, um balanço dos projetos de mobilidade urbana desenvolvidos em parceria, uma semana depois da publicação do edital que vai definir os operadores dos ônibus da capital paranaense pelos próximos 15 anos. A concorrência prevê cinco lotes, R$ 3,9 bilhões em investimentos, integração temporal mais ampla e 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031. As propostas deverão ser entregues em 17 de novembro e o leilão está marcado para 26 de novembro, na B3, em São Paulo.

No mesmo encontro, a Prefeitura informou que uma operação de crédito de R$ 380 milhões com o BNDES está direcionada atualmente à aquisição de 80 ônibus elétricos, entre articulados e modelos Padrón, além de um eletroposto. A informação representa uma atualização em relação ao desenho divulgado anteriormente pelo próprio município e pelo banco, que previa 54 ônibus e dois eletropostos com os mesmos R$ 380 milhões. Curitiba já possui sete ônibus 100% elétricos na frota regular e documentos tarifários da Urbs mostram também a permanência dos ônibus híbridos no sistema. Depois do balanço da mobilidade, Prefeitura e BNDES assinaram um protocolo para estudar uma PPP destinada ao enterramento de redes elétricas e de telecomunicações.

O Diário do Transporte acompanha desde as primeiras etapas a preparação da nova licitação, incluindo a modelagem, audiências, questionamentos técnicos, mudanças de cronograma, discussão sobre as tecnologias de propulsão, manifestações das atuais empresas, análise de especialistas e os episódios judiciais que antecederam a publicação do edital definitivo.

LICITAÇÃO FINALMENTE ESTÁ NA RUA; PROPOSTAS SERÃO RECEBIDAS EM 17 DE NOVEMBRO

O edital da nova concessão foi publicado em 19 de agosto de 2026.

A entrega das propostas ocorrerá das 10h às 12h de 17 de novembro, na sede da B3, na capital paulista.

Há aqui uma correção importante em relação ao release divulgado pela Prefeitura nesta terça-feira (25). O texto diz, em determinado trecho, que o leilão está marcado para 17 de novembro. Pelo edital e pela própria comunicação oficial da Urbs de 19 de agosto, 17 de novembro é a data de entrega das propostas.

A sessão pública do leilão está marcada para 26 de novembro de 2026, às 10h, também na B3.

O novo modelo foi batizado de SIM (Sistema Integrado de Mobilidade) e dará continuidade à RIT (Rede Integrada de Transporte).

Serão cinco lotes.

Dois deles, BRT1 e BRT2, concentram as linhas estruturais, como expressos, Linha Direta e Ligeirões. O BRT1 terá 20 linhas e atendimento predominantemente na região Sul. O BRT2 terá 17 linhas, principalmente nas regiões Norte e Oeste.

Os três demais lotes serão regionais. O Norte terá 100 linhas, o Sul, 92, e o Oeste, 84. Neles estarão predominantemente linhas alimentadoras e convencionais.

Os contratos terão duração de 15 anos.

A Prefeitura estima R$ 3,9 bilhões em investimentos no período, dos quais 96,75% serão destinados à frota e 3,25% à infraestrutura de recarga elétrica e novas estações-tubo.

Só nos cinco primeiros anos, a previsão é de aproximadamente R$ 2,44 bilhões em investimentos. A subvenção municipal prevista é de R$ 893,6 milhões, principalmente para aquisição de ônibus elétricos e implantação dos eletropostos.

O custo global estimado para a prestação dos serviços chega a R$ 18,75 bilhões em 15 anos, aproximadamente R$ 1,25 bilhão por ano.

FROTA ATUAL TEM 1.207 ÔNIBUS E SISTEMA TRANSPORTA CERCA DE 580 MIL PESSOAS POR DIA ÚTIL

Segundo os dados apresentados pela Urbs quando o edital foi lançado, Curitiba possui atualmente 302 linhas, 22 terminais de integração, 89 quilômetros de vias exclusivas para ônibus e frota operacional de 1.207 veículos, dos quais 154 são biarticulados.

O sistema registra aproximadamente 588 mil viagens de ônibus por mês e transporta cerca de 580 mil passageiros nos dias úteis, chegando a 13,6 milhões de passageiros por mês.

Entre as mudanças prometidas para a próxima concessão está a ampliação da integração temporal.

A intenção é permitir que passageiros que utilizem o cartão-transporte da Urbs façam conexões entre linhas em outros pontos da cidade, sem depender exclusivamente da entrada em terminais e estações-tubo para não pagar nova tarifa.

Segundo a Urbs, a expectativa é reduzir em 4,7 pontos percentuais a quantidade de transbordos.

250 ÔNIBUS ELÉTRICOS ESTÃO PREVISTOS NA NOVA CONCESSÃO

O edital definitivo prevê a entrada de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031.

Segundo a divisão apresentada pela Prefeitura, serão:

Tipo Quantidade
Biarticulados elétricos 141
Articulados elétricos 98
Padrón elétricos 7
Comuns elétricos 4
Total 250

A Prefeitura informa que 90 elétricos deverão estar disponíveis já no início da nova operação.

Pela concentração desses veículos nas linhas de maior capacidade, o município calcula que aproximadamente um terço dos lugares oferecidos no sistema será atendido por ônibus elétricos.

Também serão adquiridos 151 novos ônibus a diesel Euro 6 ao longo da implantação prevista no edital.

Todos os elétricos terão ar-condicionado. Os ônibus novos a diesel também deverão receber climatização, mas a renovação será gradual.

A previsão da Prefeitura é chegar a 50% da frota climatizada em 2031 e à totalidade em até 12 anos.

OS R$ 380 MILHÕES DO BNDES: DE 54 PARA 80 ÔNIBUS NAS INFORMAÇÕES DA PREFEITURA

A situação da operação de R$ 380 milhões merece uma explicação específica porque os números oficiais divulgados ao longo do projeto mudaram.

Em maio de 2024, Curitiba anunciou ter sido selecionada no Novo PAC para uma operação de R$ 380 milhões destinada à aquisição de 54 ônibus elétricos.

Em dezembro daquele ano, o próprio BNDES informou oficialmente que havia aprovado R$ 380 milhões do Fundo Clima para a compra dos 54 veículos elétricos e implantação de dois eletropostos, com respectivos carregadores. A página do banco continuava com essa informação mesmo após atualização realizada em maio de 2026.

Em 2025, quando a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal as autorizações para contratação das operações de crédito, o desenho continuava sendo de 54 ônibus articulados elétricos destinados ao Inter 2 e Interbairros II, além de dois eletropostos públicos.

Agora, em 25 de agosto de 2026, a Prefeitura apresenta outro quantitativo.

O release oficial diz que os mesmos R$ 380 milhões serão destinados a 80 ônibus elétricos, entre articulados e Padrón, para as linhas Inter 2, Interbairros II e Interbairros I, além de um eletroposto nas proximidades do Terminal Capão da Imbuia.

O texto desta terça-feira informa ainda que a operação foi aprovada pela diretoria do BNDES e segue para aprovação da STN (Secretaria do Tesouro Nacional).

Assim, a atualização oficial da Prefeitura aponta:

Etapa Configuração informada
Maio de 2024 54 elétricos
Dezembro de 2024 BNDES aprova R$ 380 mi para 54 elétricos + 2 eletropostos
2025 Município mantém projeto de 54 elétricos + 2 eletropostos
25 de agosto de 2026 Prefeitura passa a informar 80 elétricos + 1 eletroposto
Próxima etapa informada Aprovação pela STN

A Prefeitura não detalhou no comunicado desta terça-feira a razão técnica para a mudança de 54 para 80 veículos nem explicou como o quantitativo foi ampliado mantendo-se o financiamento em R$ 380 milhões.

Também não informou neste release uma data definitiva para licitação, compra ou entrada em operação desses 80 veículos.

Portanto, os 80 ônibus não devem ser confundidos com os 90 elétricos previstos para o início da nova concessão nem com o total de 250 elétricos projetado até 2031. São frentes relacionadas à eletrificação, mas com instrumentos e cronogramas próprios.

SETE ELÉTRICOS JÁ FAZEM PARTE DA FROTA REGULAR

Curitiba já possui sete ônibus 100% elétricos incorporados definitivamente à operação.

Os primeiros seis começaram a circular em julho de 2024 nas linhas 010 – Interbairros I, sentido horário, e 011 – Interbairros I, sentido anti-horário.

São ônibus BYD D9W de 13,2 metros, com capacidade informada para 90 passageiros e autonomia aproximada de 250 quilômetros.

O sétimo veículo é um Volvo BZL de 12,6 metros e capacidade para 85 passageiros, incorporado à linha 863 – Água Verde.

Em documentos tarifários da própria Urbs, a frota elétrica aparece dividida entre eComum e ePadrón.

Além dos sete veículos definitivos, Curitiba vem realizando testes com diferentes fabricantes.

Já passaram pelo programa modelos de Eletra, Volvo, Marcopolo, BYD, Ankai e Mercedes-Benz.

O chamamento para testes de ônibus elétricos foi prorrogado até 2026.

BIARTICULADO ELÉTRICO DA VOLVO JÁ FOI TESTADO, MAS NÃO É UM DOS SETE DA FROTA DEFINITIVA

Outra frente de avaliação foi o Volvo BZRT biarticulado 100% elétrico.

O veículo possui aproximadamente 27,6 metros e pode receber até oito conjuntos de baterias, com capacidade total de 720 kWh.

O conjunto utiliza dois motores elétricos, com potência combinada da ordem de 400 kW, aproximadamente 540 cv, e transmissão automatizada de duas velocidades.

A autonomia declarada pode chegar a 250 quilômetros, dependendo da configuração e das condições de operação.

Esse ônibus participou de testes para subsidiar a definição das características da futura frota de alta capacidade, mas não deve ser somado aos sete ônibus elétricos já incorporados em caráter permanente.

HÍBRIDOS FAZEM PARTE DA HISTÓRIA DA ELETROMOBILIDADE DE CURITIBA E AINDA APARECEM NA FROTA

A transição energética da cidade não começou com os ônibus totalmente elétricos.

Curitiba incorporou em 2012 uma frota de 30 ônibus híbridos Volvo, que combinam motor de combustão e propulsão elétrica.

Nesses veículos, a energia das frenagens é reaproveitada para carregar as baterias e o motor elétrico participa principalmente das arrancadas e acelerações, reduzindo o tempo de funcionamento do motor a combustão em situações de maior consumo.

O número diminuiu com o envelhecimento e a renovação da frota.

Na planilha oficial da tarifa técnica referente a março de 2026, a Urbs contabilizava 27 veículos da categoria Padrón Híbrido na frota operante. O mesmo documento registrava sete ônibus elétricos, sendo um eComum e seis ePadrón.

Não há indicação no edital atual de compra de uma nova geração de híbridos.

A matriz inicialmente programada na concessão concentra os novos investimentos em ônibus a diesel Euro 6 e elétricos a bateria.

Em audiências acompanhadas pelo Diário do Transporte, a Urbs afirmou que tecnologias diferentes poderão ser introduzidas futuramente, mas dependerão de alterações contratuais e eventual recomposição econômico-financeira.

CRONOGRAMA DOS ELÉTRICOS DE CURITIBA

Período Marco
2012 Entrada dos primeiros 30 híbridos em frota regular
2023 Ampliação dos testes estruturados com ônibus elétricos
Julho de 2024 Seis BYD elétricos entram na frota regular
Setembro de 2024 Volvo BZL amplia frota regular para sete elétricos
Dezembro de 2024 BNDES anuncia R$ 380 mi para 54 elétricos e dois eletropostos
2025 Prefeitura obtém autorizações para operações com BNDES e KfW
2025/2026 Teste do biarticulado elétrico Volvo BZRT
Agosto de 2026 Prefeitura passa a informar 80 ônibus no projeto de R$ 380 mi
2027 Edital prevê início da incorporação da nova frota elétrica
2027 a 2031 Entrada planejada de 250 elétricos da nova concessão
Até 2031 141 biarticulados, 98 articulados, 7 Padrón e 4 comuns elétricos

Há ainda uma segunda operação internacional, com o banco alemão KfW, de até € 100 milhões. O planejamento apresentado anteriormente previa 84 ônibus elétricos, especialmente biarticulados para o futuro Ligeirão Leste/Oeste, além de eletropostos e sistemas fotovoltaicos. Em 2025, a Prefeitura estimava chegar à assinatura dessa operação até dezembro de 2026.

A LICITAÇÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS

LICITAÇÃO COMEÇOU A SER ESTRUTURADA EM 2023

O caminho até o edital publicado em agosto de 2026 foi longo e teve várias alterações de calendário.

Segundo a própria Urbs, a modelagem da nova concessão começou em 2023 em parceria com o BNDES. A Prefeitura decidiu não simplesmente prorrogar por mais dez anos os contratos existentes e passou a desenvolver outro modelo de concessão.

O Diário do Transporte acompanha esta preparação desde as etapas preliminares e também repercutiu os questionamentos que surgiram durante o processo.

Em agosto de 2025, a Prefeitura estimava publicar o edital em novembro daquele ano, com leilão em janeiro de 2026 e início dos contratos em junho.

A consulta pública começou em 19 de setembro de 2025.

As audiências foram realizadas em 1º e 15 de outubro, e a consulta, inicialmente prevista para terminar em outubro, acabou prorrogada até 17 de novembro de 2025.

Houve também um road show para potenciais investidores em 6 de outubro.

O cronograma inicial não foi cumprido.

EM ABRIL, PREFEITURA PROMETEU EDITAL PARA O DIA 27 E LEILÃO EM JULHO

Em 6 de abril de 2026, o município anunciou uma nova programação.

O edital seria lançado em 27 de abril e o leilão deveria ocorrer em até 90 dias, no mês de julho.

Pouco mais de duas semanas depois, em 24 de abril, a Prefeitura informou que o documento ainda passava por ajustes.

Entre as razões apresentadas estavam a mudança no cenário internacional dos preços do petróleo e a decisão de antecipar alguns investimentos voltados ao conforto dos passageiros.

O edital novamente não saiu naquele prazo.

DIÁRIO DO TRANSPORTE ACOMPANHOU DIVERGÊNCIAS, RISCOS E QUESTIONAMENTOS

Durante a elaboração do projeto, o Diário do Transporte mostrou diferentes discussões em torno da concorrência.

Na audiência pública de outubro de 2025, a reportagem questionou aspectos como a divisão operacional dos lotes, possível quilometragem morta, infraestrutura de energia elétrica e a escolha do modelo de concessão.

O presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, afirmou na ocasião que a Copel havia avaliado os pontos de fornecimento de energia e que os locais destinados à recarga estavam mapeados. Também sustentou que o modelo jurídico escolhido pela Prefeitura tinha respaldo legal.

Em julho de 2026, o Diário do Transporte ouviu especialista sobre mecanismos de proteção em licitações públicas diante do risco de infiltração de organizações criminosas em atividades como transporte coletivo.

Relembre: Modelos atuais de licitação podem abrir espaço para infiltração do crime organizado no transporte coletivo; Curitiba preocupa, alerta especialista

Em 5 de agosto, o site revelou um ofício da Urbs à Fipecafi envolvendo a continuidade dos estudos relativos à licitação e uma divergência de entendimento com as empresas operadoras sobre quem deveria arcar com os custos desse trabalho.

Relembre: Ofício da Urbs à Fipecafi afirma que Prefeitura não pagará continuidade dos estudos da licitação

Finalmente, em 19 de agosto, após autorização da 5ª Câmara Cível do TJ-PR, a Prefeitura publicou o edital definitivo. A modelagem também passou por análise prévia do TCE-PR.

Relembre: Curitiba lança edital para nova concessão do transporte coletivo

CRONOGRAMA COMPLETO DA LICITAÇÃO ATÉ AGORA

Data/período Etapa e situação
2023 Prefeitura e BNDES iniciam estruturação da nova concessão
Agosto de 2025 Município detalha modelo e prevê edital para novembro
26 de agosto de 2025 Lei municipal autoriza extensão dos contratos atuais por até 24 meses para transição
19 de setembro de 2025 Abertura da consulta pública
1º de outubro de 2025 Primeira audiência pública
6 de outubro de 2025 Road show com investidores
15 de outubro de 2025 Segunda audiência pública
17 de novembro de 2025 Encerramento da consulta, após prorrogação
Novembro de 2025 Antiga previsão de publicação do edital não se concretiza
Janeiro de 2026 Antiga previsão de leilão não se concretiza
6 de abril de 2026 Prefeitura anuncia edital para 27 de abril
24 de abril de 2026 Município informa novos ajustes e posterga publicação
Julho de 2026 Nova previsão de leilão também não se concretiza
5 de agosto de 2026 Diário do Transporte revela discussão Urbs/FIpecafi sobre continuidade dos estudos
Agosto de 2026 Disputa judicial antecede publicação; 5ª Câmara Cível do TJ-PR autoriza prosseguimento
19 de agosto de 2026 Edital definitivo publicado
17 de novembro de 2026 Entrega das propostas na B3, das 10h às 12h
26 de novembro de 2026 Leilão dos cinco lotes na B3, às 10h
Após o leilão Habilitação, homologação, constituição das SPEs e assinatura dos contratos
Transição Pode se estender por até 24 meses, conforme legislação aprovada para continuidade do serviço
2027 a 2031 Implantação progressiva dos 250 elétricos previstos no novo modelo

A legislação sancionada em agosto de 2025 permite que os atuais contratos sejam mantidos por até 24 meses para evitar interrupção do serviço durante a troca de operadores e implantação da nova concessão.

NOVA CONCESSÃO TAMBÉM PREVÊ LINHAS CONECTORAS, CIRCULAR CENTRO E TRANSPORTE SOB DEMANDA

O edital inclui quatro novas linhas chamadas de conectoras: Tatuquara–Carmo, Pinheirinho–Centenário, Portão–Capão da Imbuia e Santa Felicidade–Bairro Alto.

Também está previsto o retorno do Circular Centro com ônibus elétricos.

Outra inovação será um projeto-piloto de transporte sob demanda.

A previsão é testar nove micro-ônibus ou midi-ônibus durante 12 meses, com possibilidade de agendamento por aplicativo e itinerários definidos de forma dinâmica conforme a demanda dos passageiros.

O edital também considera, a partir de 2031, a possível implantação do VLT Expresso Metropolitano, previsto para ligar o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, ao Centro Cívico de Curitiba.

DEPOIS DA MOBILIDADE, BNDES E PREFEITURA ASSINAM PROTOCOLO PARA ENTERRAR FIAÇÃO

Depois do balanço dos projetos de transporte, a Prefeitura e o BNDES assinaram nesta terça-feira um protocolo de intenções voltado a outro projeto de infraestrutura urbana: o enterramento das redes de energia elétrica e telecomunicações.

Curitiba pretende contratar estudos para a estruturação de uma PPP (Parceria Público-Privada).

Segundo a Prefeitura, seria a primeira cidade brasileira a contratar com o BNDES uma modelagem deste tipo especificamente para redes subterrâneas de energia e telecomunicações, e os estudos poderão servir de laboratório para a elaboração de um marco regulatório nacional.

O protocolo ainda não significa contratação da PPP nem início das obras.

Nesta primeira etapa serão tomadas providências para a contratação dos estudos técnicos especializados do BNDES, prevista pela Prefeitura para até o fim de novembro de 2026.

PROJETO INICIAL É DE 120 KM E R$ 1,2 BILHÃO

A intenção preliminar é estudar cerca de 120 quilômetros de vias.

A Prefeitura estima aproximadamente R$ 1,2 bilhão para o enterramento da infraestrutura nesse recorte inicial.

O estudo deverá priorizar o Centro e regiões próximas, especialmente áreas mais densas, históricas e turísticas ou consideradas mais vulneráveis a interrupções provocadas por eventos climáticos.

A modelagem terá de envolver não apenas Prefeitura e BNDES, mas também concessionárias e órgãos federais.

Isso ocorre porque os serviços de eletricidade e telecomunicações são regulados em esfera federal, envolvendo respectivamente Aneel e Anatel, e possuem contratos de concessão que precisam ser compatibilizados com uma eventual PPP municipal.

Entre os pontos a serem estudados estarão divisão de responsabilidades, remuneração, modelo econômico, segurança jurídica e fontes capazes de viabilizar o investimento privado.

Assim, o encontro desta terça-feira colocou lado a lado duas agendas de longo prazo de Curitiba: uma já na fase concreta de licitação, que é a substituição do atual modelo de concessão dos ônibus, e outra ainda na etapa inicial de estudos, destinada a avaliar como transformar redes aéreas de energia elétrica e telecomunicações em infraestrutura subterrânea.

No transporte, o próximo marco objetivo é 17 de novembro, com a entrega das propostas dos cinco lotes. Nove dias depois, em 26 de novembro, está previsto o leilão que deverá definir quem disputará a operação do sistema de ônibus de Curitiba pelos próximos 15 anos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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