Conpresp aprova reforma no Pátio da Luz e dá aval preliminar a elevadores na Armênia
Publicado em: 25 de agosto de 2026
CPTM poderá reformar via, rede aérea e sinalização; No caso da Armênia, usuários com deficiência precisam hoje atravessar a Avenida do Estado
ADAMO BAZANI
O Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) aprovou intervenções da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) no Pátio Ferroviário da Luz e deu anuência preliminar ao Metrô para estudar a implantação de novos elevadores nos acessos norte da Estação Armênia, da Linha 1-Azul.
Os dois assuntos aparecem na documentação da 851ª Reunião Ordinária do conselho, realizada em 3 de agosto de 2026 e publicada no Diário Oficial da Cidade desta terça-feira, 25 de agosto.
No Pátio da Luz, a autorização é mais avançada: o Conpresp aprovou por unanimidade a reforma da via permanente, da rede aérea e da sinalização ferroviária, além da demolição de um pequeno galpão anteriormente usado para armazenar produtos inflamáveis. A área fica na Rua José Paulino, nº 7, no Bom Retiro.
O Diário do Transporte já havia noticiado em 17 de agosto a decisão favorável ao Pátio da Luz, a partir de publicação anterior. A ata agora divulgada detalha a votação e as razões consideradas pelo conselho.
No caso da Estação Armênia, o estágio é diferente e exige atenção: o Conpresp não autorizou obras nem aprovou um projeto executivo. O conselho deu apenas anuência preliminar às posições estudadas para os futuros elevadores e determinou que, depois da elaboração dos projetos, o Metrô abra um novo processo para análise definitiva.
A documentação revela ainda que o Metrô informou não dispor, naquele momento, dos recursos necessários para elaborar os projetos e que a contratação dos trabalhos de arquitetura e engenharia estava prevista para 2026/2027.
CPTM: VIA, REDE AÉREA E SINALIZAÇÃO SERÃO REFORMADAS NO PÁTIO DA LUZ
O pedido da CPTM envolve o Pátio Ferroviário Luz, estrutura localizada na Rua José Paulino, nº 7, no Bom Retiro.
Por estar dentro de área sujeita a proteção patrimonial pela Resolução nº 44/Conpresp/1992, as intervenções precisaram passar pelo conselho municipal de preservação.
Segundo a documentação, são duas frentes principais.
A primeira é a demolição de um pequeno galpão que anteriormente servia como depósito de produtos inflamáveis.
A segunda, diretamente ferroviária, compreende a reforma de três sistemas fundamentais: via permanente, rede aérea e sinalização.
Via permanente é o conjunto formado pelos trilhos e demais componentes físicos sobre os quais circulam as composições.
A rede aérea fornece energia elétrica para a tração dos trens.
Já a sinalização reúne os equipamentos responsáveis pelo controle e pela segurança da circulação ferroviária.
A publicação não detalha, entretanto, quais equipamentos serão substituídos, a extensão das vias afetadas, o cronograma, o valor das intervenções ou os reflexos operacionais esperados.
Por isso, não é possível afirmar somente a partir da decisão do Conpresp que haverá aumento de capacidade ou mudança específica na operação dos trens.
PATRIMÔNIO HISTÓRICO ENTENDEU QUE OBRAS NÃO PREJUDICAM ELEMENTOS PROTEGIDOS
O parecer técnico que embasou a análise foi favorável às intervenções.
De acordo com o documento, as mudanças propostas não provocam impactos nos elementos considerados de interesse para a preservação do patrimônio.
O Núcleo de Intervenções no Patrimônio Público e a Divisão de Preservação do Patrimônio acompanharam esse entendimento.
Na votação, todos os conselheiros presentes se manifestaram favoravelmente ao pedido da CPTM.
A exigência de análise patrimonial é característica da região da Luz, onde infraestrutura ferroviária em funcionamento convive com estruturas históricas protegidas.
O desafio é permitir atualizações técnicas necessárias ao transporte diário sem descaracterizar imóveis e conjuntos que fazem parte da história ferroviária e urbana de São Paulo.
DIÁRIO DO TRANSPORTE JÁ HAVIA REVELADO A APROVAÇÃO EM 17 DE AGOSTO
A decisão sobre o Pátio da Luz já havia sido publicada anteriormente de forma resumida e foi noticiada pelo Diário do Transporte em 17 de agosto.
Naquela reportagem, o site mostrou que o Conpresp havia autorizado a reforma da via permanente, rede aérea e sinalização e a retirada do antigo galpão.
A publicação desta terça-feira traz agora o conteúdo dentro do registro da reunião do conselho e confirma a aprovação por unanimidade.
LUZ JÁ PASSOU POR OUTRAS ANÁLISES DO PATRIMÔNIO PARA MODERNIZAÇÃO FERROVIÁRIA
Não é a primeira vez que projetos ferroviários na Luz precisam conciliar modernização e preservação.
Em julho de 2019, o Diário do Transporte mostrou que o Conpresp aprovou um projeto executivo de adequação da Estação da Luz da CPTM para ampliar a acessibilidade e melhorar a circulação dos passageiros.
Entre as intervenções estavam novos elevadores, escadas e mudanças nos fluxos internos da estação.
Pouco depois, em agosto daquele ano, o Diário do Transporte detalhou outra aprovação que abrangia um túnel de aproximadamente 117 metros para melhorar a ligação entre CPTM e a Linha 4-Amarela, novas escadas rolantes e fixas e dois elevadores na região do acesso da Avenida Cásper Líbero.
Em fevereiro de 2020, houve novo parecer favorável, desta vez para o anteprojeto de ampliação da área operacional da plataforma central das vias 2 e 3, novamente com objetivo de melhorar o fluxo de usuários.
Relembre: Conpresp aprova anteprojeto de ampliação da plataforma central da Estação da Luz
Já em 2022, o conselho municipal aprovou parcialmente a adequação da Plataforma 5, utilizada nas transformações operacionais relacionadas ao Expresso Aeroporto, mantendo condicionantes justamente por causa da proteção histórica do complexo.
Relembre: Patrimônio Histórico aprova adequação da Plataforma 5 da Estação da Luz
Assim, a reforma agora analisada no Pátio Ferroviário se soma a uma sequência de intervenções de manutenção, modernização e adequação de infraestrutura ferroviária na região central.
CPTM TEM QUATRO LINHAS E TRANSPORTA CERCA DE 1,2 MILHÃO DE PASSAGEIROS POR DIA ÚTIL
Depois das concessões realizadas pelo Governo do Estado nos últimos anos, a CPTM opera atualmente as linhas 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Segundo a companhia, são aproximadamente 142 quilômetros de rede, 41 estações e cerca de 1,2 milhão de passageiros transportados em um dia útil.
A região da Luz continua tendo papel importante nessa rede.
Em programações recentes de obras, por exemplo, a CPTM vem realizando intervenções de via permanente, rede aérea e sinalização nas linhas que utilizam ou se aproximam do complexo central. Em 2026, serviços programados já exigiram mudanças de plataformas e interrupções temporárias entre Luz e Palmeiras-Barra Funda.
Isso não significa, entretanto, que todas essas intervenções estejam diretamente vinculadas ao projeto aprovado para o Pátio da Luz. O documento do Conpresp não estabelece essa relação.
METRÔ: NOVOS ELEVADORES SÃO PROPOSTOS PARA OS ACESSOS NORTE DA ESTAÇÃO ARMÊNIA
A segunda decisão envolve a Estação Armênia, da Linha 1-Azul do Metrô.
O projeto pretende implantar novos elevadores nos acessos norte, localizados entre as ruas Eduardo Chaves e Pedro Vicente.
A finalidade expressamente registrada nos documentos é ampliar a acessibilidade.
A estação é elevada e tombada pelo Conpresp.
A Resolução nº 40/2017 protege integralmente a volumetria e as características arquitetônicas externas e internas relacionadas às áreas públicas, além de determinar a preservação das relações visuais entre a estrutura e os espaços do entorno.
Por causa dessa proteção, qualquer solução para os elevadores precisa ser avaliada também sob o aspecto arquitetônico.
USUÁRIOS COM DEFICIÊNCIA PRECISAM HOJE ATRAVESSAR A AVENIDA DO ESTADO
Um dos pontos mais relevantes da documentação é a justificativa apresentada pelo próprio Metrô.
A Estação Armênia recebeu elevadores no acesso sul, mas o acesso norte permaneceu sem solução adequada de acessibilidade.
Segundo o processo, isso faz com que passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida que precisam utilizar o lado norte tenham de atravessar a Avenida do Estado.
É justamente esse problema que o novo projeto pretende solucionar.
A questão não é apenas de conforto, portanto, mas de eliminar um deslocamento adicional imposto atualmente a parte dos usuários.
PROJETO AINDA NÃO ESTÁ PRONTO
Apesar do avanço no Conpresp, as obras ainda estão longe da etapa de execução.
Inicialmente, a documentação entregue pelo Metrô foi considerada insuficiente para que os técnicos de patrimônio analisassem adequadamente a intervenção.
O DPH emitiu uma solicitação de complementação.
Depois de uma reunião com a área técnica e de duas prorrogações de prazo, o Metrô informou que ainda não dispunha dos recursos necessários para a elaboração dos projetos.
A previsão registrada no processo é contratar os projetos arquitetônico e executivo entre 2026 e 2027.
Diante disso, em vez de analisar um projeto definitivo, o Conpresp passou a tratar o material como uma consulta prévia.
O Metrô apresentou um relatório examinando possíveis posições para os elevadores e pediu ao conselho um sinal verde conceitual para poder prosseguir com a contratação dos projetos.
CONPRESP EXIGE ESTRUTURA “LEVE E DE ALTA TRANSPARÊNCIA”
O conselho aceitou o prosseguimento dos estudos, mas estabeleceu condicionantes.
A principal é que a solução arquitetônica dos elevadores seja leve e tenha elevada transparência, para reduzir o impacto visual sobre os elementos estruturais da estação.
Depois que os estudos forem concluídos, o Metrô terá de abrir um novo processo no DPH e no Conpresp, acompanhado do projeto e da documentação exigida para uma intervenção de reforma.
A votação foi unânime.
Mas o próprio Conpresp fez questão de registrar os limites da decisão.
AVAL NÃO AUTORIZA OBRA
A anuência concedida à Estação Armênia é preliminar.
O conselho diz expressamente que a deliberação não autoriza a execução das obras, não representa aprovação de projeto e não gera direito adquirido em relação à solução definitiva.
A análise final somente ocorrerá quando o Metrô apresentar peças gráficas, materiais, implantação e demais detalhes do projeto futuro.
Portanto, neste momento não há no documento data para início das obras, prazo de conclusão ou valor do investimento.
Também não há quantidade de elevadores explicitada na ata publicada. A documentação fala em “elevadores”, no plural, e em posições preliminares nos acessos norte, mas não fixa no ato divulgado quantos equipamentos efetivamente serão construídos.
ARMÊNIA FOI INAUGURADA EM 1975 COMO PONTE PEQUENA
A Estação Armênia é uma das estruturas originais da expansão inicial da atual Linha 1-Azul para o norte da cidade.
Foi inaugurada em 26 de setembro de 1975, então denominada Ponte Pequena.
Segundo o Metrô, a estação possui 5.560 m² de área construída, capacidade projetada para 20 mil passageiros por hora no pico e integração com terminais de ônibus urbanos e intermunicipais.
A estrutura é elevada, com plataformas laterais, concreto aparente e cobertura pré-fabricada.
O próprio Metrô destaca a importância arquitetônica do projeto: na então Ponte Pequena, o arquiteto Marcello Fragelli adotou uma solução estrutural especial para vencer o vão sobre o Rio Tamanduateí, concentrando os apoios. O projeto recebeu reconhecimento do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) ainda na década de 1960.
Essa característica ajuda a explicar a preocupação do Conpresp com a transparência e a leveza visual dos futuros elevadores.
ESTAÇÃO É TAMBÉM PONTO IMPORTANTE DE INTEGRAÇÃO COM ÔNIBUS METROPOLITANOS
Além dos passageiros da Linha 1-Azul, a Armênia historicamente funciona como ponto de conexão com ônibus metropolitanos provenientes principalmente de municípios ao norte e nordeste da capital.
O Diário do Transporte já acompanhou diversas mudanças de linhas metropolitanas que utilizam a estação como terminal na cidade de São Paulo.
Em 2020, por exemplo, o site mostrou discussões entre Prefeitura e Estado envolvendo a reativação, criação e alteração de linhas da então EMTU que chegavam ao Metrô Armênia, inclusive serviços de Guarulhos e Santa Isabel.
A função de integração amplia a relevância de eliminar barreiras nos acessos da estação, principalmente para passageiros com deficiência, idosos e pessoas com mobilidade reduzida que realizam transferência entre ônibus e metrô.
PATRIMÔNIO E ACESSIBILIDADE VOLTAM A SE ENCONTRAR NOS DOIS PROJETOS
Apesar de independentes, os dois processos publicados nesta terça-feira possuem um ponto em comum.
Tanto no Pátio da Luz quanto na Estação Armênia, a modernização de infraestrutura de transporte precisa conviver com regras de preservação histórica.
Na Luz, o conselho concluiu que a reforma ferroviária e a retirada do pequeno galpão não atingem elementos relevantes do patrimônio e autorizou as intervenções.
Na Armênia, a situação exige uma etapa adicional: o Conpresp reconheceu a necessidade de melhorar a acessibilidade e permitiu que o Metrô avance nos estudos, mas preservou para uma nova análise a decisão sobre o desenho definitivo dos elevadores.
Para o passageiro, a diferença também é prática: enquanto a CPTM já possui parecer favorável para executar a intervenção apresentada no Pátio Ferroviário, no Metrô a publicação representa apenas mais um passo antes de existir um projeto apto a ser contratado e executado.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Adamo, permita-me alguns reparos à tua excelente matéria. Coube-me pessoalmente coordenar a operação de todas as estações do metrô instaladas até 1984, incluindo a Ponte Pequena. Ela veio a ser renomeada como Armênia por uma excrescência política cometida pelo então Gov. Franco Montoro (de boa lembrança pelo seu papel de defesa da Democracia no Brasil). Por motivos q só ele poderia nos explicar, resolveu dar o nome de “Armênia” a uma estação que não tinha absolutamente nada de armênios, já q o bairro todo era de italianos. Nada contra os Armênios, com cuja comunidade convivi alegremente na infância (em Presidente Altino). Eles mereciam uma homenagem pelo holocausto de seu povo pelos Otomanos e pelo seu papel desempenhado no comércio brasileiro. Ponte pequena recebeu um projeto do Arq. Fragelli, o qual foi premiado. Mas, com todas as desculpas a ele, a estação Ponte Pequena foi considerada por nós – seus operadores – como a PIOR , do ponto de vista FUNCIONAL, de todas as estações do metrô até então. Essa avaliação negativa continua até hoje. Admira-me o corporativismo dos meus amigos arquitetos q, meio século tendo-se passado, se recusam a aprovar as modificações tão necessárias quanto a de facilitar o acesso dos passageiros e operadores do metrô. Em nome de preservar o patrimônio histórico, estão deixando de lado preservar o direito de acesso e a liberdade de ir e vir dos usuários.