Metrobus abre licitação para comprar pastilhas de freio para ônibus Volvo B12M de 2011 e 2014 em Goiás
Publicado em: 21 de agosto de 2026
Pregão será realizado em 3 de setembro de 2026. Companhia segue mantendo veículos com até 15 anos enquanto avança na renovação da frota com ônibus elétricos e a biometano
ADAMO BAZANI
A Metrobus Transporte Coletivo S/A abriu uma nova licitação para a compra de pastilhas de freio destinadas aos ônibus Volvo B12M dos anos de 2011 e 2014 que integram a frota da companhia em Goiás.
O aviso foi publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira, 21 de agosto de 2026.
O pregão eletrônico está marcado para 3 de setembro, às 9h, e a contratação terá vigência de 12 meses. A publicação não informa a quantidade de pastilhas que será adquirida nem o valor estimado da compra.
Os componentes são destinados aos Volvo B12M que formaram durante anos a base da operação de alta capacidade da Metrobus, com ônibus articulados e biarticulados empregados principalmente no Eixo Anhanguera, atual BRT Leste-Oeste.
A nova compra ocorre justamente em um período de transição da frota do sistema, com a entrada de veículos elétricos e movidos a biometano e a substituição gradual dos ônibus a diesel mais antigos.
A licitação não significa, por si só, que todos os veículos fabricados em 2011 e 2014 estejam atualmente na operação regular. O documento publicado nesta sexta-feira informa apenas que as pastilhas são destinadas aos Volvo B12M desses anos.
FROTA DE 2011 E 2014 AINDA EXIGE MANUTENÇÃO
Documentos oficiais da própria Metrobus mostram a importância que os Volvo B12M ainda tinham na frota pouco antes do avanço mais intenso da renovação.
No relatório administrativo referente a 2025, divulgado pela companhia em 2026, a Metrobus informou uma idade média de frota de 11,7 anos.
Naquele retrato, havia 69 ônibus Volvo B12M a combustão fabricados em 2011 e 2014: 23 biarticulados de 28 metros, ano 2011; 19 articulados de 21 metros, também de 2011; e 27 articulados de 21 metros fabricados em 2014.
Portanto, os veículos alcançam em 2026 idades próximas de 12 e 15 anos.
A manutenção desses ônibus não é um fato isolado.
Em 2025, a Metrobus realizou diferentes contratações relacionadas aos mesmos Volvo B12M, envolvendo itens como componentes elétricos e mecânicos, placas de LED, reparos para ônibus articulados e biarticulados, recondicionamento de unidades injetoras, motores de partida e outras peças.
Um contrato para recondicionamento das unidades injetoras dos B12M 2011 e 2014, por exemplo, teve valor de R$ 530,4 mil e vigência até junho de 2026. Outros contratos de peças também alcançaram 2026.
Em documentação anterior, a Metrobus já justificou investimentos na manutenção dos B12M pela necessidade de manter os veículos em condições operacionais, ampliar sua vida útil e garantir a continuidade do transporte enquanto a frota permanece necessária ao serviço.
RENOVAÇÃO COM ELÉTRICOS E BIOMETANO
Ao mesmo tempo em que mantém os veículos antigos, a Metrobus atravessa um dos maiores processos de renovação tecnológica de sua história.
O planejamento estratégico da companhia prevê a substituição da frota a combustão por ônibus elétricos e movidos a biometano até o fim de 2026, além da adoção de ar-condicionado, wi-fi, entradas USB e sistemas de monitoramento e gestão.
O Diário do Transporte vem acompanhando diretamente este processo.
No início de 2026, foram incorporados 21 novos ônibus elétricos Volvo, sendo 16 articulados e cinco biarticulados, segundo balanço da própria Metrobus. A companhia também prevê outros veículos elétricos de diferentes fabricantes dentro da modernização do sistema.
Em janeiro, o Diário do Transporte mostrou diretamente da fábrica da BYD, em Campinas (SP), a produção de mais 23 ônibus superarticulados elétricos de 23 metros destinados à Região Metropolitana de Goiânia. Os veículos se somam às unidades elétricas que já haviam começado a operar no Eixo Anhanguera.
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Outra frente é o biometano.
Em março de 2026, o Diário do Transporte acompanhou no local o início da operação comercial de oito ônibus articulados Marcopolo com chassis Scania movidos a biometano/GNV no BRT Leste-Oeste. Segundo as empresas envolvidas, foram os primeiros ônibus desta configuração a entrar em operação comercial no Brasil.
Relembre:
VÍDEO: Conheça em primeira mão os ônibus articulados a biometano do Sistema BRT de Goiânia
A própria Metrobus informou em maio que a substituição da frota diesel já está em andamento e destacou a operação de ônibus elétricos e a introdução do biometano como parte da mudança da matriz energética do BRT Leste-Oeste.
TRANSIÇÃO EXIGE MANUTENÇÃO DOS ÔNIBUS ANTIGOS
A nova licitação para pastilhas de freio mostra uma característica prática dos processos de renovação de grandes sistemas de transporte: os veículos antigos não podem simplesmente deixar de receber manutenção enquanto as novas unidades ainda estão sendo entregues e incorporadas.
Pastilhas de freio são componentes diretamente relacionados à segurança e sujeitos a desgaste durante a operação.
Em licitações anteriores para o mesmo tipo de peça, a Metrobus justificou a aquisição pela necessidade de realizar manutenções preventivas e corretivas, manter os ônibus em condições seguras para motoristas e passageiros e evitar desabastecimento do estoque de componentes.
Assim, mesmo com a expansão dos elétricos e do biometano, a empresa continua adquirindo peças para os Volvo B12M fabricados entre 2011 e 2014 enquanto ocorre a transição da frota.
O aviso publicado nesta sexta-feira não estabelece quando os veículos alcançados pela nova compra serão retirados definitivamente do serviço.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes




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