Eletromobilidade

VÍDEO: “Democratizar a eletromobilidade”, conheça os detalhes do chassi eCity, o ônibus elétrico da Mercedes-Benz que vai ser mais barato que outros modelos

Gerente de Mobilidade da Mercedes-Benz, Mike Munhato, fala sobre ferramenta inédita de simulação de rota e consumo para escolha do modelo elétrico mais adequado para cada tipo de operação

ADAMO BAZANI / ARTHUR FERRARI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA

“Democratizar a eletromobilidade” – Essa é a proposta alegada pela Mercedes-Benz para lançar o eCity básico, um ônibus elétrico de piso alto, para carrocerias de até 12 metros e 77 passageiros, com autonomia de 150 km, em média, com uma carga completa.

A promessa é de que o ônibus seja o mais barato do mercado entre os modelos elétricos oferecidos no Brasil.

O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conversou com o gerente de eletromobilidade da Mercedes-Benz, Mike Munhato, que explicou ponto a ponto o chassi, apresentado oficialmente em 11 de agosto de 2026, na Lat.Bus 2026.

O veículo já vai ser vendido encarroçado, muito embora não seja monobloco. Inicialmente, a carroceria será somente da Caio.

Este já é um dos pontos de facilitação do acesso à eletromobilidade, segundo Munhato.

A Mercedes-Benz aposta que esta forma de compra facilita operadores e gestores públicos que não têm ainda familiaridade com ônibus elétricos, além de dar mais agilidade na aquisição dos veículos.

A autonomia das baterias é, em média, de 150 km, abaixo dos demais modelos no mercado, habitualmente entre 250 km e 280 km.

Munhato explicou que a escolha por um banco de baterias menor segue justamente este conceito de “democratização” da eletromobilidade: com esta característica, o ônibus se torna mais barato e mais adequado a operações em que autonomias maiores seriam desnecessárias, como em cidades menores, linhas de bairro e alimentadoras, serviços regulares específicos, como “linhas da saúde entre hospitais” ou reforços somente para atendimentos em horas de pico.

“Ele é um ônibus urbano piso alto, 12,1 metros para 77 passageiros, que faz a média de 150 km. É limitado? Eu vou te responder, depende. Para algumas linhas, sim. A linha que você roda o dia inteiro, grande cidade, sim, não é o produto ideal, mas para várias outras linhas, você tem a opção de carregar esse ônibus no meio do dia ou mesmo não andar os 250 km, ele é muito adequado. Então você tem duas possibilidades, ou linhas menores ou linhas que você faz o pico-manhã e o pico-tarde e consegue parar durante o dia para carregar, ele também resolve. Então depende, depende da linha, depende da aplicação”. – explicou Munhato a Adamo Bazani

O executivo ainda falou sobre uma plataforma tecnológica de simulação de rota e consumo para escolha do modelo elétrico mais adequado para cada tipo de operação.

“A gente está lançando uma ferramenta de simulação de autonomia, que ela vale para o eCity básico, ela vale para o O500U e para o O500UA. Nessa ferramenta, você consegue colocar a sua rota, a sua condição operacional e entender a viabilidade técnica da aplicação de cada produto. Isso ajuda o cliente a escolher o melhor produto e entender se vai funcionar ou não na rota. Isso vai ajudar muito ele a visualizar a operação sem ter o produto lá rodando. E depois do produto rodando, a gente tem a telemetria de fábrica, que monitora o produto em tempo real e ele consegue acompanhar o estado de bateria em tempo real. Então, antes e depois, a gente tem solução de serviço para ajudar na operação” – detalhou.

TRÊS FAIXAS DE APLICAÇÃO COM TECNOLOGIA PRÓPRIA

Com a chegada do eCity, a Mercedes-Benz passa a estruturar sua oferta própria de ônibus elétricos no Brasil em três faixas de aplicação: o novo modelo de piso alto e menor autonomia, voltado especialmente para operações que não precisam percorrer grandes distâncias durante todo o dia; o eO500U, padron de piso baixo; e o eO500UA, articulado de piso baixo para operações de maior capacidade.

Os conceitos são diferentes justamente porque as necessidades das linhas também são diferentes. Enquanto o eCity aposta em menor quantidade de baterias, custo de aquisição mais baixo e possibilidade de recargas intermediárias, o eO500U é destinado a serviços de maior quilometragem diária. No patamar seguinte está o eO500UA, desenvolvido para corredores e linhas de maior carregamento.

No caso do eO500U, a Mercedes-Benz informa oficialmente que o chassi pode receber carrocerias de até 13,2 metros, tem PBT de 21,2 toneladas e utiliza propulsão por dois motores elétricos junto aos cubos das rodas. Releases mais recentes da fabricante indicam autonomia de até 270 quilômetros e baterias da geração NMC3.

Já o eO500UA foi desenvolvido como articulado de piso baixo para carrocerias de 18 metros. A Mercedes-Benz informa capacidade para até 120 passageiros, autonomia de aproximadamente 250 quilômetros, baterias NMC3 e motor elétrico central, diferenciando a arquitetura do modelo daquela adotada no eO500U.

FICHA TÉCNICA – MERCEDES-BENZ eCITY BÁSICO

Item Especificação
Tipo Ônibus urbano elétrico a bateria
Configuração Piso alto
Comprimento 12,1 metros na configuração apresentada
Capacidade 77 passageiros
Autonomia Média de 150 km por carga
Quantidade de baterias 3
Fabricante das baterias WEG
Localização das baterias Duas no entre-eixos e uma no balanço traseiro
Baterias no teto Não
Motor elétrico Central
Estratégia operacional Linhas de menor quilometragem, alimentadoras, de bairro, operações específicas e serviços com possibilidade de recarga entre períodos
Comercialização Ônibus completo, já encarroçado
Carroceria inicial Caio
Simulação operacional Compatível com a ferramenta de simulação de autonomia apresentada pela Mercedes-Benz
Telemetria De fábrica, com acompanhamento do estado da bateria e da operação
Potência do motor Não divulgada nos dados apresentados até o momento
Capacidade energética total das baterias Não divulgada nos dados apresentados até o momento
Potência e tempo de recarga Não divulgados nos dados apresentados até o momento

Os dados acima são os confirmados pela própria Mercedes-Benz por meio do gerente de eletromobilidade Mike Munhato durante a apresentação do veículo na Lat.Bus. A fabricante ainda não disponibilizou, em seus canais públicos consultados, uma ficha técnica completa com potência do motor, capacidade energética das três baterias e potência máxima de recarga. Por isso, estes dados não foram estimados ou preenchidos por comparação com outros modelos.

FICHA TÉCNICA – MERCEDES-BENZ eO500U

Item Especificação
Tipo Chassi de ônibus urbano elétrico a bateria
Configuração Padron 4×2
Piso Baixo
Comprimento de carroceria Até 13,2 metros
PBT 21,2 toneladas
Capacidade Até 86 passageiros, conforme configuração
Autonomia Até 270 km, segundo dados mais recentes da Mercedes-Benz
Propulsão Eixo elétrico ZF AVE 130
Motores 2 motores elétricos instalados junto aos cubos das rodas
Potência por motor 125 kW
Potência total máxima 250 kW, equivalente a aproximadamente 340 cv
Torque dos motores 2 x 485 Nm
Baterias Íons de lítio, tecnologia NMC; releases mais recentes citam a geração NMC3
Configuração das baterias Modular, ajustável conforme a aplicação
Número de pacotes De 3 a 6 na arquitetura divulgada pela fabricante
Capacidade por pacote 98 kWh na documentação técnica pública da Mercedes-Benz
Capacidade máxima indicada 588 kWh com 6 pacotes
Recarga Plug-in CCS2
Tempo de recarga Até aproximadamente 3 horas para carga completa, conforme configuração e infraestrutura
Recuperação de energia Frenagem regenerativa
Suspensão dianteira Independente
Telemetria FleetBus de fábrica
Produção São Bernardo do Campo (SP)

A Mercedes-Benz ressalta que a quantidade de baterias pode ser ajustada à aplicação: mais pacotes ampliam a energia disponível e a autonomia, enquanto configurações menores reduzem peso e permitem maior capacidade de passageiros. A página técnica da fabricante informa pacotes de 98 kWh e até 588 kWh na configuração de seis unidades; materiais mais recentes passaram a destacar a nova geração NMC3 e autonomia de até 270 km. Portanto, a especificação final depende da configuração contratada.

A própria fabricante informa ainda que todos os eO500U são entregues com módulo de telemetria, permitindo acompanhar dados do veículo por meio do FleetBus.

FICHA TÉCNICA – MERCEDES-BENZ eO500UA

Item Especificação
Tipo Chassi de ônibus urbano articulado elétrico a bateria
Configuração Articulado
Piso Baixo
Comprimento da carroceria 18 metros
Capacidade Até 120 passageiros
Autonomia Aproximadamente 250 km
Motor elétrico Central
Tecnologia das baterias NMC3
Aplicação Grandes cidades, corredores e linhas de maior capacidade
Desenvolvimento Brasil, com participação da Daimler Buses
Produção São Bernardo do Campo (SP)
Mercado Brasil e demais países da América Latina
Potência do motor Não informada nos materiais técnicos públicos consultados
Capacidade energética das baterias Não informada nos materiais técnicos públicos consultados
Potência de recarga Não informada nos materiais técnicos públicos consultados

Diferentemente do eO500U, que usa dois motores junto às rodas do eixo de tração, o eO500UA tem motor elétrico central. Ao apresentar o modelo, a Mercedes-Benz definiu o articulado como uma alternativa para operações de alta capacidade e informou que o desenvolvimento foi direcionado especificamente para as condições das cidades latino-americanas.

PARCERIA COM A ELETRA AMPLIA A GAMA DE ELÉTRICOS

Além dos ônibus com tecnologia elétrica própria, a Mercedes-Benz mantém uma parceria de longa data com a Eletra, empresa brasileira de São Bernardo do Campo especializada em sistemas de tração elétrica.

Assim, a participação da Mercedes-Benz na eletromobilidade não se restringe aos eCity, eO500U e eO500UA.

A própria Mercedes-Benz informou, em 2025, que a parceria com a Eletra já havia resultado no fornecimento de 167 chassis para receber sistemas de tração elétrica da fabricante brasileira.

A relação entre as duas empresas é anterior inclusive ao lançamento do eO500U com tecnologia própria da Mercedes-Benz.

Um exemplo são os ônibus elétricos fornecidos para o BRT de Salvador. Oito e-Bus da Eletra foram montados sobre chassis Mercedes-Benz O 500 U, com carrocerias Caio eMillennium de 12,5 metros, capacidade para 72 passageiros e conjunto elétrico com motor, inversor e baterias WEG. A configuração é de piso baixo. Na ocasião, a Mercedes-Benz destacou que a finalidade da parceria era justamente desenvolver linhas de produtos complementares.

A parceria também permite à Mercedes-Benz participar de uma gama de configurações diferente daquela formada exclusivamente pelos três modelos de tecnologia própria.

A Eletra já apresentou produtos desde o e-Bus de 10 metros, classificado como Midi e com piso alto, passando por versões de 12,1 metros, 12,8 metros Padron e 15 metros.

Há ainda ônibus elétricos de grande capacidade. Um articulado de 21,5 metros divulgado pela própria Eletra utiliza tecnologia de tração da empresa, plataforma de chassi Mercedes-Benz, motores e baterias WEG e carroceria Caio, com capacidade informada de 149 passageiros, além do motorista.

Desta forma, considerando a tecnologia própria da Mercedes-Benz e a parceria com a Eletra, há possibilidades para operações com midi, básicos, padrons, configurações de piso alto e baixo e articulados de alta capacidade.

É importante ressalvar que nem todo modelo do portfólio da Eletra utiliza necessariamente plataforma Mercedes-Benz, já que a fabricante de tecnologia elétrica trabalha com diferentes fornecedores de chassis e configurações conforme a aplicação. No entanto, a parceria entre Mercedes-Benz e Eletra está presente em diferentes portes e arquiteturas e funciona como uma linha complementar aos elétricos desenvolvidos integralmente pela própria Mercedes-Benz.

Confira a entrevista na íntegra

ADAMO BAZANI: Diário do Transporte, nessa cobertura especial da Lat.Bus 2026, conversa com o Gerente de Eletromobilidade da Mercedes-Benz, Mike Munhato. Grande lançamento da empresa é o eCity básico, é um ônibus elétrico com dimensões diferentes do que se oferece no mercado atualmente, um conceito diferente. Primeiro, democratizar a eletromobilidade, o que é isso, Mike?

MIKE MUNHATO: É você ter um produto elétrico mais acessível em termos financeiros para as cidades brasileiras que não têm um poder aquisitivo tão alto como as grandes capitais.

ADAMO BAZANI: Essa é a proposta de mercado de aplicação. E a proposta técnica? Muita gente, por exemplo, questionou o Diário do Transporte sobre a autonomia de 150 km, não é uma autonomia limitada?

MIKE MUNHATO: Ele é um ônibus urbano piso alto, 12,1 metros para 77 passageiros, que faz a média de 150 km. É limitado? Eu vou te responder, depende. Para algumas linhas, sim. A linha que você roda o dia inteiro, grande cidade, sim, não é o produto ideal, mas para várias outras linhas, você tem a opção de carregar esse ônibus no meio do dia ou mesmo não andar os 250 km, ele é muito adequado. Então você tem duas possibilidades, ou linhas menores ou linhas que você faz o pico-manhã e o pico-tarde e consegue parar durante o dia para carregar, ele também resolve. Então depende, depende da linha, depende da aplicação.

ADAMO BAZANI: Então, por exemplo, são linhas alimentadoras, cidades menores?

MIKE MUNHATO: Linhas de bairro, linhas alimentadoras e cidades menores aceitam muito bem esse tipo de produto. E lembrando, linhas maiores, aí a gente fala no O500U, no O500UA, aí já é uma outra classe de produto.

ADAMO BAZANI: Nessas cidades menores, nesses atendimentos específicos, tipo uma linha da saúde, uma linha circular, uma alimentadora bairro a bairro, né? Muitas são cidades que não há ainda uma expertise no elétrico. A Mercedes, ela oferece toda a consultoria, todo o acompanhamento, há uma ferramenta também que orienta o operador, né? E também tem uma questão da compra já dele encarroçado para facilitar isso.

MIKE MUNHATO: Sim. A Mercedes, ela tem por característica estar muito próxima do cliente, né? A gente está aqui, está fazendo 70 anos de Brasil e a gente tem concessionárias no país inteiro, então a gente sempre está muito próximo. Essas cidades que ainda não estão na eletromobilidade terão todo o nosso apoio, a gente tem um time de consultoria lá dentro para pré-venda, vai explicar não só o produto, mas explicar a aplicação. Então também aqui na Lat.Bus, a gente está lançando uma ferramenta de simulação de autonomia, que ela vale para o eCity básico, ela vale para o O500U e para o O500UA. Nessa ferramenta, você consegue colocar a sua rota, a sua condição operacional e entender a viabilidade técnica da aplicação de cada produto. Isso ajuda o cliente a escolher o melhor produto e entender se vai funcionar ou não na rota. Isso vai ajudar muito ele a visualizar a operação sem ter o produto lá rodando. E depois do produto rodando, a gente tem a telemetria de fábrica, que monitora o produto em tempo real e ele consegue acompanhar o estado de bateria em tempo real. Então, antes e depois, a gente tem solução de serviço para ajudar na operação.

ADAMO BAZANI: E o encarroçamento, ele vendido já encarroçado, isso ajuda, por exemplo, a um operador que não tem essa expertise ainda do elétrico e até mesmo do gestor público.

MIKE MUNHATO: Sim, também no sentido de simplificar o processo comercial. Nesse produto, a gente vai vender o ônibus completo. Não significa que a Mercedes-Benz vai criar uma carroceria nova, não é isso. A gente tem parceiros, os principais parceiros do mercado. Inicialmente a Caio, para encarroçar o produto e a gente vender já encarroçado. Então, é uma parceria com o objetivo de simplificar o processo de aquisição do ônibus. Hoje, vocês sabem disso, a gente vende o chassi e o encarroçador vende a carroceria. São duas notas fiscais. A ideia é fazer uma venda com uma única nota fiscal. O pós-venda, quebrou o vidro, quebrou a porta, continua sendo do encarroçador.

ADAMO BAZANI: Do encarroçador. Na verdade, é uma facilitação comercial.

MIKE MUNHATO: Exatamente.

ADAMO BAZANI: Mike, vamos dar um passeio nele aqui para a gente ver os principais componentes? Baterias, menores baterias e aí dá para carregar mais rápido, né?

MIKE MUNHATO: Sim. Você tem três baterias. Aqui no entre-eixo tem duas e uma terceira lá no balanço traseiro, no meio da longarina ali, né? Elas estão todas no piso, então a carroceria é diferente dos outros modelos. Não precisa ter reforço estrutural para suportar a bateria no teto. Isso também é uma facilidade para encarroçar. Você conta com o motor central dessa vez.

ADAMO BAZANI: Não é na roda?

MIKE MUNHATO: Não é na roda, é o motor central.

ADAMO BAZANI: É por causa da aplicação também? Áreas de maior vibração? Ou foi uma solução de engenharia mesmo para esse padrão?

MIKE MUNHATO: Foi uma solução técnica. A gente tem o motor na roda lá no eO500U, que também funciona.

ADAMO BAZANI: O UA é na roda?

MIKE MUNHATO: O UA é central. A gente não tem muita predileção por central na roda. Ambos funcionam. Aqui por uma questão técnica de layout, a gente optou por fazer motor central. É um motor bem parrudo. A ideia é rodar esse ônibus no Brasil inteiro, então cidades com mais relevo, ele vai bem. Cidades mais planas também vai bem.

ADAMO BAZANI: Aqui já a parte traseira é praticamente igual.

MIKE MUNHATO: Igual ao OF. O que também é legal aqui, né? Não é o caso de trocar toda hora a bateria, mas se precisar fazer manutenção no ônibus, é muito mais fácil do que ter que acessar o teto do ônibus. Por aqui você abre uma portinhola e saca essa bateria por baixo. Então também facilita a manutenção quando necessário.

ADAMO BAZANI: A bateria WEG é a original do veículo ou isso também é uma opção?

MIKE MUNHATO: Não, é a original do veículo.

ADAMO BAZANI: Que é uma bateria nacional, inclusive.

MIKE MUNHATO: Sim. A Mercedes-Benz há 70 anos aqui no Brasil, a gente, o que puder trazer de conteúdo local para o nosso ônibus, a gente vai fazer.

ADAMO BAZANI: Ele é praticamente um ônibus 100% brasileiro, quase 100% brasileiro. Só os componentes que não têm mesmo a possibilidade de produzir aqui, né? A gente pode dizer que é um novo produto genuinamente nacional.

MIKE MUNHATO: Sim, a gente não fala 100% brasileiro. A cadeia dos componentes é muito gigante, né? Então é tudo interligado.

ADAMO BAZANI: Nem um veículo a combustão hoje em dia é 100% brasileiro, né?

MIKE MUNHATO: Exatamente.

ADAMO BAZANI: E não é só ônibus não, carro também.

MIKE MUNHATO: Exatamente. Mas a Mercedes-Benz, aqui no Brasil há muito tempo, muita gente trabalhando, uma fábrica toda automatizada, com muito conteúdo local. Isso que é legal de falar, né? Não é uma fábrica só de montar alguns componentes. A gente quer trazer tecnologia, trazer emprego para o país.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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