Pesquisa aponta insatisfação com horários e espera no transporte coletivo de Peruíbe (SP)

Foto: Victor Virginio/Ônibus Brasil

Levantamento com 110 usuários também identificou críticas à conservação dos ônibus, disponibilidade de informações e quantidade de viagens

ARTHUR FERRARI

Uma pesquisa de satisfação realizada pela Prefeitura de Peruíbe (SP) entre maio e julho deste ano revelou avaliação predominantemente negativa dos usuários sobre o transporte coletivo municipal. O levantamento, conduzido pelo Departamento de Mobilidade Urbana, reuniu 110 participantes e avaliou aspectos como cumprimento de horários, tempo de espera, conservação e limpeza dos ônibus, atendimento, segurança, acessibilidade e oferta de viagens.

Entre os principais problemas apontados estão a espera nos pontos, a quantidade de horários disponíveis e a regularidade das viagens. A avaliação do tempo de espera teve média de 2,37 em uma escala de 1 a 5. Dos participantes, 29 (26,4%) classificaram o item como “muito ruim” e outros 39 (35,5%) como “ruim”. Apenas 24 usuários avaliaram o tempo de espera como bom ou muito bom.

A percepção sobre o cumprimento dos horários também ficou abaixo do ideal. Em uma escala na qual 1 representa “sempre” e 5 significa “nunca”, a média foi de 3,31. A maior parcela, 53 pessoas (48,2%), afirmou que os horários são cumpridos “raramente”. Outros 22 participantes (20%) disseram que isso ocorre “às vezes”, enquanto 19 (17,3%) apontaram cumprimento na maioria das vezes.

A pesquisa ainda perguntou aos passageiros se já haviam presenciado viagens que não foram realizadas. A média registrada foi de 2,66 em uma escala de 1 a 4. A maioria, 63 participantes (57,3%), respondeu que isso ocorre “às vezes”, enquanto 14 (12,7%) disseram presenciar a situação “frequentemente”.

Oferta de horários também é alvo de críticas

A quantidade de viagens disponíveis recebeu média de 2,36 em uma escala de 1 a 4. Para 53 usuários (48,2%), a oferta atende apenas parcialmente às necessidades. Outros 23 (20,9%) consideraram a quantidade insuficiente e 17 (15,5%) a classificaram como muito insuficiente.

Somados, esses dois últimos grupos representam 40 usuários, ou 36,4% dos participantes. Apenas 17 pessoas (15,5%) disseram que a quantidade de horários atende totalmente às suas necessidades.

A falta de informações também aparece entre os resultados. Para 51 participantes (46,4%), as informações sobre horários e itinerários são inexistentes. Outros 10 (9,1%) consideraram os dados confusos e 21 (19,1%) disseram que são pouco claros.

Somente 28 usuários avaliaram as informações como claras ou muito claras, correspondendo a 25,5% dos entrevistados.

Conservação e limpeza ficam principalmente na faixa regular

O estado de conservação dos ônibus foi classificado como regular por 67 participantes (60,9%). Outros 13 (11,8%) consideraram a condição ruim e quatro (3,6%), muito ruim. Na outra ponta, 19 usuários (17,3%) avaliaram os veículos como bons e sete (6,4%) como excelentes.

A limpeza apresentou resultado semelhante. A maioria, 59 pessoas (53,6%), classificou o item como regular. Para 26 (23,6%), a limpeza é ruim, enquanto dois (1,8%) consideraram muito ruim. As avaliações positiva e excelente somaram 23 respostas, sendo 17 (15,5%) como boa e seis (5,5%) como excelente.

A disponibilidade de assentos também não recebeu avaliação elevada. Em uma escala de 1 a 5, 56 participantes (50,9%) disseram que a quantidade de lugares atende à demanda apenas “às vezes”. Outros 14 (12,7%) afirmaram que isso ocorre raramente e 10 (9,1%) disseram que nunca há assentos suficientes.

Por outro lado, 22 usuários (20%) consideraram que a oferta de assentos atende à demanda na maioria das vezes e oito (7,3%) disseram que isso acontece sempre.

Motoristas têm avaliação melhor que a operação

O atendimento prestado por motoristas e cobradores apresentou um resultado mais favorável. Embora 53 participantes (48,2%) tenham classificado o serviço como regular, 34 (30,9%) avaliaram como bom e 19 (17,3%) como excelente.

Apenas quatro usuários fizeram avaliações negativas: três (2,7%) classificaram o atendimento como ruim e um (0,9%) como muito ruim.

Na avaliação da segurança da condução, 60 participantes (54,5%) disseram que os motoristas dirigem com segurança “às vezes”. Outros 19 (17,3%) responderam “na maioria das vezes” e 29 (26,4%), “sempre”.

Dois usuários (1,8%) disseram que os motoristas nunca dirigem com segurança, enquanto nenhum marcou a opção “raramente”.

Acessibilidade é um dos pontos mais bem avaliados

A percepção sobre o atendimento a idosos e pessoas com deficiência apresentou resultado positivo. Para 81 participantes, equivalentes a 73,6%, o transporte atende plenamente esse público.

Outros 23 usuários (20,9%) consideraram que o atendimento ocorre parcialmente, enquanto quatro (3,6%) afirmaram que não atende adequadamente. Duas pessoas (1,8%) não souberam opinar.

Trabalho é principal motivo para utilizar ônibus

A pesquisa mostra que o transporte coletivo tem forte relação com os deslocamentos profissionais em Peruíbe. Dos 110 participantes, 84 (76,4%) afirmaram utilizar os ônibus principalmente para ir ao trabalho.

O estudo foi apontado como motivo principal por 19 pessoas (17,3%). Outros seis participantes (5,5%) indicaram outras finalidades, enquanto um (0,9%) utiliza principalmente para deslocamentos relacionados à saúde. Nenhum entrevistado apontou o lazer como principal motivo.

O perfil de uso também revela uma dependência elevada do sistema. 98 participantes (89,1%) disseram utilizar o transporte coletivo todos os dias, enquanto 11 (10%) usam algumas vezes por semana. Apenas um usuário (0,9%) declarou utilizar raramente e nenhum marcou a opção “ocasionalmente”.

Entre as linhas informadas pelos participantes, a Caraguava–Vila Erminda foi a mais representada, com 54 respostas (49,5%), seguida pela Vila Erminda–Caraguava, com 29 (26,6%). Também foram citadas Vila Peruíbe, com nove respostas (8,3%), Ribamar, com sete (6,4%), Guaraú, com quatro (3,7%), São Francisco, com três (2,8%), Ruínas, com duas (1,8%) e Barra do Una, com uma (0,9%).

Avaliação geral fica concentrada entre regular e muito ruim

Na avaliação geral do transporte coletivo municipal, o resultado foi predominantemente negativo. 35 participantes (31,8%) classificaram o sistema como muito ruim, enquanto 29 (26,4%) avaliaram como ruim.

Outros 30 usuários (27,3%) consideraram o transporte regular. Apenas 12 (10,9%) classificaram como bom e quatro (3,6%) como excelente.

Dessa forma, as avaliações “ruim” e “muito ruim” somaram 64 respostas, ou 58,2% dos participantes, enquanto as avaliações positiva e excelente representaram 16 respostas, equivalentes a 14,5%.

A Prefeitura informou que as contribuições serão utilizadas como subsídio para o acompanhamento e o aprimoramento do serviço. Entre os pontos destacados pelo próprio levantamento estão a necessidade de maior pontualidade, ampliação da oferta de horários e veículos, melhorias na conservação e climatização dos ônibus e instalação e manutenção de abrigos nos pontos de embarque e desembarque.

A pesquisa foi publicada pela Prefeitura de Peruíbe em 17 de agosto de 2026 e contou com 110 participantes.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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