Motiva investe R$ 50 milhões para ampliar a frota operacional de veículos eletrificados em suas rodovias e ativos de trilhos
Publicado em: 17 de agosto de 2026
Iniciativa faz parte das ações do plano de descarbonização da Motiva, que já reduziu as suas emissões de escopos 1 e 2 em 61% entre 2019 e 2025
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
A Motiva, a maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil, está investindo em torno de R$ 50 milhões na expansão de sua frota operacional de veículos elétricos e híbridos em suas concessões rodoviárias e trilhos (trens, metrôs e VLT) para acelerar a descarbonização dos seus ativos. Em pouco mais de um ano, a Companhia já ampliou em 61% a quantidade de automóveis eletrificados (elétricos e híbridos) em circulação, de cinco para 85, e tem a meta de chegar a 125 veículos até o fim de 2026.
O plano, iniciado no final de 2024 e em execução ao longo de 2025 e 2026, integra o esforço da Companhia para reduzir a pegada de carbono de seus ativos. A estratégia está alinhada às metas de redução de 59% das emissões de escopos 1 e 2 e 27% nos escopos 3 para 2033, aprovadas junto ao Science Based Targets initiative (SBTi), e ao compromisso de neutralidade carbônica nos escopos 1 (emissões diretas) e 2 (consumo de energia elétrica) até 2035. Ao final de 2025, a Motiva já havia reduzido em 61% suas emissões de escopos 1 e 2 ante 2019.
O investimento em curso está sendo utilizado para viabilizar a compra de 126 automóveis, entre carros de inspeção, guinchos leves e viaturas de resgate, sendo 59 elétricos e 67 híbridos. Atualmente, a frota da Motiva Rodovias contabiliza 78 veículos eletrificados, o que representa um crescimento expressivo frente aos cinco automóveis ao final de 2024, quando o projeto teve início. Até o final de 2026, a expectativa é adicionar outros 47 veículos, alcançando uma frota de 125 automóveis, com perspectiva de expansão nos próximos anos.
Os novos veículos estão presentes nos principais corredores viários operados pela Companhia. A Motiva AutoBan, que administra o sistema Anhanguera-Bandeirantes (SP), possui sete veículos eletrificados, sendo seis elétricos e um híbrido. Inclusive, a concessionária foi pioneira no Brasil ao implantar a primeira Base Operacional 100% elétrica no setor, localizada no km 118 da Rodovia Anhanguera, em Nova Odessa (SP). O ponto conta com guincho leve, viatura de resgate e automóvel de inspeção de tráfego eletrificados, além de infraestrutura de recarga, garantindo autonomia operacional sem comprometer a agilidade no atendimento aos clientes.
A frota eletrificada também circula em outras operações da Motiva Rodovias: são cinco veículos na BR-163/MS (Motiva Pantanal), nove na Rodovia Presidente Dutra (RioSP), seis no RodoAnel Oeste (SP), cinco no Sistema Raposo-Castello Branco (SPVias), dois na BR-101 Sul/SC (ViaCosteira) e dois nas vias administradas pela ViaSul, no Rio Grande do Sul.
Além de tornar os ativos mais sustentáveis, o projeto também contribui para ampliar a eficiência operacional e a competitividade da Motiva. Por isso, as novas concessões da Companhia já nascem com boa parte da sua frota eletrificada. É o caso da Motiva Paraná, que opera o Lote 3 de rodovias no estado, já conta com 19 carros 100% eletrificados em operação. A Motiva Sorocabana (SP), que administra um conjunto de vias na região de Sorocaba (SP), já possui sete automóveis. Na Motiva Minas_SP, que passou a operar a Fernão Dias (BR-381) em abril deste ano e tem a previsão de, em setembro de 2026, ter 16 veículos eletrificados em circulação.
Mais recentemente, a Companhia estendeu a iniciativa à sua plataforma de trilhos. Na capital paulista, a Linha 4 – Amarela, de metrô, recebeu os três primeiros veículos leves para uso operacional. O Metrô Bahia também opera uma frota de três ônibus elétricos, que realizam o traslado entre a estação de metrô Aeroporto e o Aeroporto Internacional de Salvador. Em circulação desde o início de 2025, o serviço já evitou a emissão de 140 toneladas de carbono equivalente (CO2e), em comparação ao desempenho de ônibus convencionais movidos a diesel.
A nova frota é composta pelas marcas JAC Motors, Mercedes-Benz, BYD e Ford. Os guinchos leves são do modelo JAC E-JT 9,5; as viaturas de resgate, JAC IEV1200T e Sprinter elétrica; o veículo leve, BYD Dolphin GS; e os automóveis de inspeção, JAC IEV 330P e Ford Maverick.
“A expansão da frota eletrificada em rodovias e trilhos reforça o nosso compromisso em liderar a agenda de descarbonização no setor de transportes no Brasil. Em um contexto de crescimento das operações, seguimos implementando uma série de ações para manter a nossa pegada de carbono em trajetória de queda. Essa e outras ações demonstram que a sustentabilidade é uma variável integrada ao coração da nossa estratégia, com o forte engajamento das nossas equipes e das nossas lideranças para a economia de baixo carbono”, diz a vice-presidente de Pessoas, Desenvolvimento Organizacional e Sustentabilidade da Motiva, Raquel Cardoso.
As estimativas indicam que cada guincho leve elétrico, quando introduzido na operação, pode gerar a redução direta nas emissões de ordem de 3,6 toneladas de CO2e ao longo do ciclo de vida útil de quatro anos do equipamento. O avanço da frota elétrica contribuiu para reduzir em 8% as emissões da plataforma de rodovias da Motiva em 2025, na comparação com 2024.
Eletrificação de ônibus em aeroportos
Além da eletrificação da frota operacional de rodovias e trilhos, a Motiva também vem avançando no uso de veículos elétricos em seus terminais aeroportuários. No começo de 2026, o BH Airport, que administra o Aeroporto de Confins (MG), investiu cerca de R$ 5 milhões para adquirir os dois primeiros ônibus elétricos para o transporte de passageiros. A expectativa é de que o projeto gere uma redução de 42,1 toneladas de CO2 equivalente por ano.
Iniciativa amplia as ações do terminal mineiro em mobilidade elétrica. Anteriormente, o BH Airport já havia realizado a substituição de quatro veículos a combustão por quatro modelos elétricos BYD, Mini Dolphin, utilizados no transporte de equipes operacionais no pátio. Esse projeto, por sua vez, já evitou a emissão de 40 toneladas de CO2 equivalente.
O Aeroporto de Goiânia, também operado pela Motiva Aeroportos, é outro que também vem utilizando um ônibus elétrico no transporte de passageiros pelo terminal. O modelo usado é o BYD D9W, que tem capacidade para até 80 pessoas e uma autonomia de 250 quilômetros.
Plano de transição para a economia de baixo carbono
Com a redução de 61% nas emissões ao final de 2025, a Motiva construiu um plano de transição para manter a sua pegada de carbono dentro das metas aprovadas junto ao SBTi. Neste sentido, a Companhia tem dois desafios principais ao longo da próxima década: 1) manter as emissões de escopo 2 zeradas, o que será obtido com a continuidade da estratégia de consumir energia elétrica apenas de fontes renováveis, e 2) avançar na redução do escopo 1.
Esse movimento considera a perspectiva de crescimento da Motiva no longo prazo. Isso porque que, nos últimos dois anos, a Companhia conquistou três novas concessões de rodovias (Motiva Paraná, Sorocabana e Fernão Dias), com possibilidade de obter novos ativos em 2026, e novas estações de metrô vão entrar em funcionamento nos próximos anos no Metrô Bahia, na Linha 4-Amarela (SP) e na Linha 5-Lilás (SP), além da assunção da operação da Linha 17-Ouro (SP).
Atualmente, a combustão móvel e emissões fugitivas representam aproximadamente 69% e 22%, respectivamente, das emissões de escopo 1 da Companhia. Por conta disso, a estratégia montada pela Diretoria de Sustentabilidade prevê alavancas de descarbonização, que são: acelerar a eletrificação da frota operacional, expandir o uso de combustíveis de baixo carbono (para veículos que não podem ser eletrificados) e adotar sistemas de refrigeração mais eficientes em suas operações metroferroviárias, tanto nos vagões quanto nos prédios.
Todas essas iniciativas estão diretamente conectadas ao pilar estratégico “Redução do Risco Climático e da Pegada Ambiental”, que integra o eixo “Liderança Sustentável” da Ambição 2035, estratégia de longo prazo da Motiva. A execução deste plano de transição é acompanhada pelo Comitê Interno de Sustentabilidade, que tem a participação dos membros da diretoria-executiva e dos sponsors dos cinco pilares estratégicos do eixo de sustentabilidade.
Atuação multissetorial e antecipação de metas
O projeto de eletrificação da Motiva se conecta às recomendações do plano de ação da Coalizão para Descarbonização dos Transportes, uma iniciativa multissetorial liderada pela Companhia em colaboração com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável, do Insper.
Lançado em 2024, o movimento, que reúne mais de 120 associações setoriais, empresas privadas, academia e poder público, aponta a eletrificação de frotas como uma das três grandes alavancas críticas para reduzir em até 70% as emissões do setor até 2050. De acordo com o plano da Coalizão, entregue ao presidente da COP30, embaixador André Correia do Lago em maio de 2025, a eletrificação tem potencial para eliminar 145 milhões de toneladas de carbono equivalente (MtCO2e) das emissões de gases de efeito estufa do setor nas próximas décadas.
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte


