ENTREVISTA: BYD detalha ônibus elétrico para fretamento e destaca menor peso e carregamento mais rápido
Publicado em: 13 de agosto de 2026
BC12HF pode ter recarga completa em menos de duas horas e autonomia de até 350 km; chassi de piso alto também pode receber carrocerias para serviços urbanos e traz baterias Blade. Diário do Transporte havia adiantado lançamento antes da Lat.Bus 2026
ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA
A BYD detalhou ao Diário do Transporte, durante a Lat.Bus 2026, as características do BC12HF, novo chassi de ônibus elétrico de piso alto desenvolvido para ampliar a atuação da fabricante principalmente no mercado de fretamento, mas que também poderá ser utilizado em linhas urbanas.
Entre os pontos destacados pela fabricante estão a possibilidade de autonomia de até 350 quilômetros, dependendo da configuração escolhida pelo operador, o sistema de recarga de maior potência, que pode permitir uma carga completa em menos de duas horas em condições de operação, e uma arquitetura desenvolvida para oferecer maior versatilidade às carrocerias de 12 metros.
O Diário do Transporte já havia adiantado a novidade no domingo, 10 de agosto de 2026, antes da abertura da Lat.Bus. Na ocasião, a reportagem mostrou que o BC12HF representava a estreia da nova configuração de piso alto da BYD para aplicações de fretamento e transporte urbano no mercado brasileiro.
Relembre:
BYD estreia chassi elétrico de piso alto e mira mercado de fretamento com BC12HF na Lat.Bus 2026
Na feira, Adamo Bazani, editor-chefe e criador do Diário do Transporte, e o repórter Vinícius de Oliveira acompanharam o lançamento e obtiveram novos detalhes do modelo em entrevista com Bruno Paiva, da BYD.
AUTONOMIA PODE CHEGAR A 350 KM
A configuração apresentada pela BYD na Lat.Bus possui baterias com capacidade de 401 kWh e autonomia indicada de 270 quilômetros.
Segundo Bruno Paiva, entretanto, a fabricante poderá oferecer configurações capazes de alcançar até 350 quilômetros, de acordo com as necessidades de cada cliente e as características da operação.
“Ele tem 400 kW de potência, 270 de autonomia, mas ele pode chegar até 350 de autonomia. Ele é opcional para cada cliente, para cada operação. Ele é equipado com as baterias Blade”, explicou.
O BC12HF utiliza a tecnologia de baterias Blade já aplicada pela BYD em outros ônibus elétricos da marca.
A configuração exposta possui dois motores de 150 kW cada, totalizando 300 kW de potência máxima, e torque máximo de 2 x 600 Nm, segundo a ficha apresentada pela fabricante na Lat.Bus.
Na entrevista, Bruno Paiva citou potência de 400 kW. O Diário do Transporte considera, para a ficha técnica desta reportagem, os dados oficiais exibidos pela BYD no estande, que informam potência máxima de 2 x 150 kW.
RECARGA MAIS RÁPIDA E OPORTUNIDADE ENTRE VIAGENS
Outro ponto destacado pela BYD é o aumento da capacidade de recarga.
A ficha técnica do BC12HF informa duas possibilidades: 2 x 140 kW, com 300 A, ou 2 x 120 kW, com 200 A. Na configuração de maior capacidade, a potência combinada de recarga chega a 280 kW.
O tempo divulgado pela fabricante para uma carga completa é de até duas horas.
Na utilização cotidiana, entretanto, a BYD avalia que o ônibus poderá permanecer menos tempo conectado porque dificilmente chegará ao carregador com a bateria completamente descarregada.
“Duas horas de zero a 100. Então eu acredito, como a gente nunca vai chegar a zero, em 1 hora e 20, 1 hora e 10, a gente carrega o carro para ele voltar à operação com praticamente 100% de bateria”, disse Bruno Paiva.
Esta característica pode ser especialmente importante para o fretamento contínuo, modalidade na qual os veículos normalmente cumprem viagens concentradas nos horários de entrada e saída de funcionários e podem permanecer parados entre os deslocamentos.
“Normalmente o fretamento faz uma perna de manhã, às vezes volta na hora do almoço, volta de novo. Então tem essas possibilidades de fazer a recarga de oportunidade”, explicou o representante da BYD.
PISO ALTO E A REALIDADE DA FROTA BRASILEIRA
A sigla HF do BC12HF significa High Floor, ou piso alto.
A estratégia da BYD é oferecer uma plataforma elétrica que possa ser aplicada a carrocerias semelhantes às utilizadas atualmente por grande parte das empresas brasileiras de fretamento e também pelas operadoras de ônibus urbanos.
O entre-eixos é de 6.350 mm e o PBT (Peso Bruto Total) informado pela BYD é de 20.500 kg.
A suspensão é totalmente pneumática com controle eletrônico.
Segundo a fabricante, a arquitetura também possibilita diferentes configurações de portas. O chassi pode receber carroceria de 12 metros com até três portas no lado direito e também porta no lado esquerdo, dependendo da necessidade operacional.
“É um carro que eu acho que vai conseguir atender os dois mercados, tanto o urbano quanto o fretamento”, afirmou Paiva.
BATERIAS OCUPAM ESPAÇO QUE SERIA DO BAGAGEIRO
Uma diferença importante em relação aos ônibus rodoviários convencionais está na disposição das baterias.
Apesar do piso alto, o BC12HF não foi concebido para oferecer grandes bagageiros inferiores como os encontrados em ônibus rodoviários destinados a viagens de médias e longas distâncias.
As baterias ocupam justamente parte da região que poderia ser destinada aos compartimentos de bagagem.
“Esse carro é voltado para o fretamento porque, como você pode ver, a gente não consegue pôr o bagageiro nele porque as baterias estão ocupando o espaço do bagageiro. Então por isso que a gente está trazendo ele para o fretamento e para o urbano também”, explicou Bruno Paiva.
A configuração indica a estratégia inicial da BYD de concentrar o modelo em serviços nos quais grandes volumes de bagagem não são uma exigência, como fretamento contínuo para empresas, indústrias, hospitais e complexos empresariais, além do transporte coletivo urbano.
BYD ESPERA AUMENTO DA DEMANDA NO FRETAMENTO
A eletrificação do fretamento foi um dos temas observados pelo Diário do Transporte durante a Lat.Bus 2026.
Empresas contratantes, principalmente grandes indústrias e companhias com metas próprias de redução de emissões, têm pressionado operadores por alternativas aos veículos movidos exclusivamente a combustíveis fósseis.
Bruno Paiva disse que a BYD já possui ônibus elétricos utilizados em fretamento em diferentes regiões do País, mas reconheceu que os volumes ainda são pequenos.
“A gente sempre teve procura do fretamento. O fretamento sempre veio, nos procurou. A gente ainda não tinha conseguido. Fizemos alguns, existem alguns carros de fretamento rodando o Brasil da BYD. Sul do Brasil, Espírito Santo, no norte do país também tem alguns. Mas ainda não teve volume.”
Para a fabricante, o BC12HF pode ajudar a mudar esse cenário.
“Eu acho que a gente vai quebrando um paradigma também. As pessoas vão se acostumando com o veículo elétrico nas operações, sentindo a mudança para melhor na operação, na manutenção, no custo com o combustível. Então eu acho que agora a gente tem visto essa procura mais forte e eu acredito que sim, a gente vai ter um volume grande de fretamento para o final desse ano e ano que vem”, afirmou.
GARANTIA DE DEZ ANOS PARA AS BATERIAS
A BYD também destaca a garantia das baterias como um dos argumentos comerciais do novo chassi.
De acordo com as informações apresentadas na Lat.Bus, a garantia é de dez anos, mantendo SOH (State of Health, ou estado de saúde da bateria) igual ou superior a 80%.
Bruno Paiva explicou que a condição não é exclusiva do BC12HF ou dos veículos destinados ao fretamento, mas faz parte da política aplicada aos ônibus da fabricante.
“Essa garantia não é exclusiva do ônibus de fretamento, é para todos os ônibus da marca. É a única que dá 10 anos de garantia total no jogo de baterias. Então, realmente, isso aqui é um atrativo que a marca traz aqui para o Brasil para poder desafiar os outros concorrentes também.”
FICHA TÉCNICA – BYD BC12HF
Característica – BYD BC12HF:
- Tipo – Chassi elétrico 4×2 de piso alto;
- Aplicação – Urbano e fretamento;
- Carroceria Aproximadamente 12 metros;
- Entre-eixos – 6.350 mm;
- Motorização – 2 motores elétricos;
- Potência máxima – 2 x 150 kW;
- Potência máxima combinada – 300 kW;
- Torque máximo – 2 x 600 Nm;
- Baterias – BYD Blade;
- Capacidade apresentada – 401 kWh;
- Autonomia apresentada – 270 km;
- Autonomia máxima possível – Até 350 km, conforme configuração;
- Potência de recarga – 2 x 140 kW (300 A) ou 2 x 120 kW (200 A);
- Potência combinada máxima de recarga – 280 kW;
- Tempo de carga divulgado – Até 2 horas;
- Recarga estimada em operação – Cerca de 1h10 a 1h20 para retornar próximo de 100%, segundo a BYD, dependendo da carga restante;
- Suspensão – Totalmente pneumática, controlada eletronicamente;
- PBT – 20.500 kg;
- Portas – Possibilidade de até três portas à direita e opção de porta à esquerda;
- Garantia das baterias – 10 anos, com SOH ≥ 80%.
Dados da ficha apresentada pela BYD na Lat.Bus 2026 e informações fornecidas por Bruno Paiva ao Diário do Transporte. Autonomia e tempo efetivo de recarga podem variar de acordo com configuração, condições de operação e estado de carga das baterias.
ENTREVISTA NA ÍNTEGRA
ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte está aqui com o Bruno Paiva, da BYD, que vai conversar com a gente sobre o principal lançamento desse semestre da marca, que é um ônibus voltado para fretamento. Bruno, quais são os principais detalhes desse veículo?
BRUNO PAIVA: Bom, esse é um veículo de piso alto, é o BC12HF, de high floor. Ele tem 400 kW de potência, 270 de autonomia, mas ele pode chegar até 350 de autonomia. Ele é opcional para cada cliente, para cada operação. Ele é equipado com as baterias Blade.
ADAMO BAZANI: Que são as melhores, né?
BRUNO PAIVA: Exatamente, como toda linha, que você viu o ano passado os lançamentos. Então a gente já está trazendo a bateria Blade para esse veículo. O 6 em 1 também equipa esse carro. Aqui a gente aumentou também a potência de recarga para 280 kW.
ADAMO BAZANI: E isso significa menos tempo para a recarga.
BRUNO PAIVA: Exatamente.
ADAMO BAZANI: Mais ou menos quanto tempo agora?
BRUNO PAIVA: Duas horas de 0 a 100. Então eu acredito, como a gente nunca vai chegar a zero, em 1 hora e 20, 1 hora e 10, a gente carrega o carro para ele voltar à operação com praticamente 100% de bateria.
ADAMO BAZANI: E para o fretamento, como ele tem uma característica que ele também para mais, em tese ele para mais, principalmente no contínuo, ele também tem mais espaço, tem mais margem para ficar carregando.
BRUNO PAIVA: Exatamente. Normalmente o fretamento faz uma perna de manhã, às vezes volta na hora do almoço, volta de novo. Então tem essas possibilidades de fazer a recarga de oportunidade. É isso aí.
ADAMO BAZANI: Uma questão que se comenta muito quando se fala em rodoviário e fretamento elétrico: espaço de bagageiro. Como é a questão do espaço de bagageiro dele e se a Blade traz vantagens em relação a isso?
BRUNO PAIVA: Esse carro é voltado para o fretamento porque, como você pode ver, a gente não consegue pôr o bagageiro nele porque as baterias estão ocupando o espaço do bagageiro. Então por isso que a gente está trazendo ele para o fretamento e para o urbano também. Importante ressaltar que esse carro aqui, como você sabe, a operação no Brasil é majoritariamente de veículos de piso alto. Ele vai também poder ser usado no transporte urbano.
ADAMO BAZANI: Para carroceria de 12 metros?
BRUNO PAIVA: Carroceria de 12 metros, com opção de três portas do lado direito, opção de porta do lado esquerdo, onde o cliente quiser colocar. A gente fez algumas alterações com relação ao modelo anterior para que a gente pudesse ter mais opções de portas. Enfim, é um carro que eu acho que vai conseguir atender os dois mercados, tanto o urbano quanto o fretamento.
ADAMO BAZANI: Agora a gente percebe no fretamento essa tendência do mercado, inclusive na Lat.Bus a gente tem acompanhado isso: cada vez mais o operador de fretamento, até pressionado pelo cliente dele, está buscando alternativas à combustão. O elétrico, em algumas operações como interior de áreas hospitalares, interior de fábricas, é uma tendência mesmo? O mercado está sinalizando que quer eletromobilidade para o fretamento?
BRUNO PAIVA: Adamo, a gente sempre teve procura do fretamento. O fretamento sempre veio, nos procurou. A gente ainda não tinha conseguido. Fizemos alguns, existem alguns carros de fretamento rodando o Brasil da BYD. Sul do Brasil, Espírito Santo, no norte do país também tem alguns. Mas ainda não teve volume. O que a gente acredita com a vinda desse veículo e com a expansão do elétrico? Eu acho que a gente vai quebrando um paradigma também. As pessoas vão se acostumando com o veículo elétrico nas operações, sentindo a mudança para melhor na operação, na manutenção, no custo com o combustível. Então eu acho que agora a gente tem visto essa procura mais forte e eu acredito que sim, a gente vai ter um volume grande de fretamento para o final desse ano e ano que vem.
ADAMO BAZANI: Então, para a gente resumir, o nome técnico dele, o nome do modelo dele?
BRUNO PAIVA: BC12HF.
ADAMO BAZANI: Agora, eu estava reparando até aqui atrás da gente, 10 anos de garantia na bateria. Isso para o fretamento também é importante porque, se o urbano tem uma vida útil, que você pode, por exemplo, colocar ciclos de bateria ou seguir uma determinação do gestor público, quanto maior a garantia para o fretamento, melhor.
BRUNO PAIVA: Sim, para todos os clientes. Então essa garantia não é exclusiva do ônibus de fretamento, é para todos os ônibus da marca. É a única que dá 10 anos de garantia total no jogo de baterias. Então, realmente, isso aqui é um atrativo que a marca traz aqui para o Brasil para poder desafiar os outros concorrentes também.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Vinícius de Oliveira, para o Diário dos Transportes


