Executivos da Caio e Busscar detalham lançamentos a Adamo Bazani e prometem ganhos para operadores e passageiros
Publicado em: 12 de agosto de 2026
Diretor industrial da Caio, Maurício Cunha, diz que fabricante busca redução de peso sem comprometer durabilidade e revela que novo eApache Vip foi concebido desde o início como elétrico; diretor comercial da Busscar, Paulo Corso, anuncia produção dos novos El Buss a partir de dezembro e aposta em peças intercambiáveis para diminuir custos nas garagens
ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Mudanças de design são os aspectos mais imediatamente perceptíveis nos lançamentos da Caio e da Busscar na Lat.Bus 2026, mas as fabricantes prometem que as novidades apresentadas em São Paulo vão além da estética, com alterações de projeto que podem trazer ganhos de manutenção, redução de peso, racionalização dos estoques de peças e maior conforto.
Em entrevista ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, o diretor industrial da Caio, Maurício Cunha, e o diretor comercial da Busscar, Paulo Corso, detalharam as principais mudanças e explicaram quais resultados esperam dos novos produtos para operadores e passageiros.
Entre os destaques, Cunha revelou que a segunda geração do eApache Vip não é simplesmente uma adaptação do Apache Vip convencional para receber um chassi elétrico. Desta vez, segundo o executivo, a carroceria foi projetada especificamente para essa aplicação.
“Esse já foi concebido como um carro elétrico, não foi uma adaptação do Vip”, afirmou Maurício Cunha ao Diário do Transporte.

A Caio também buscou reduzir o peso das novas carrocerias, mas Cunha ressaltou que existe um limite para essa estratégia. Segundo o diretor industrial, retirar materiais estruturais apenas para alcançar números mais expressivos poderia comprometer características consideradas essenciais pela fabricante.
“Nós nunca abrimos e nunca vamos abrir mão de durabilidade, segurança e conforto”, disse.
Por isso, Cunha descartou antecipadamente reduções muito elevadas de peso. A fabricante ainda fará as medições definitivas com a entrada dos veículos em produção seriada.
“Não é nada de redução de 10% no peso do carro, nem perto disso”, explicou.
Na Busscar, Paulo Corso destacou principalmente a comunização de componentes entre diferentes integrantes da família NB1. A estratégia permite que peças utilizadas em um modelo também possam atender outros ônibus da linha, reduzindo a diversidade de componentes que uma empresa precisa manter no almoxarifado.
“Muitas coisas são comunizadas e isso traz um benefício para o frotista. Se ele tiver uma gama de produtos de toda a linha, pode usar peças intercambiáveis”, afirmou Corso.
O diretor comercial também antecipou ao Diário do Transporte que os novos El Buss apresentados na Lat.Bus ainda são protótipos preparados para a exposição. A produção regular das novas configurações está programada para dezembro de 2026.
“Nós vamos produzir a partir de dezembro. Agora nós estamos mostrando o carro. Por enquanto, a gente está fazendo o nosso El Buss 325 e o El Buss FT atuais. A partir de dezembro entra a configuração nova”, explicou.

APACHE VIP VI MUDA, MAS PRESERVA COMPONENTES DO VIP V
A Caio apresenta na Lat.Bus a sexta geração do Apache Vip, uma das principais famílias de ônibus urbanos da fabricante de Botucatu (SP).
Além da atualização visual, a estratégia foi desenvolver uma nova geração sem obrigar as empresas de ônibus a substituir imediatamente grande parte dos componentes armazenados para a geração anterior.
O Apache Vip VI recebeu nova dianteira, conjunto óptico Full LED, DRL e setas redesenhadas. Na traseira, permanece a concepção modular característica do modelo, com atualização de desenho e acabamentos.
“Nós fizemos uma mudança de geração, mudanças fortes do ponto de vista estético, mantendo vários componentes para que não haja um trauma muito grande nas garagens quanto ao nível de almoxarifado e estoque de peças de reposição”, explicou Cunha.
Segundo o diretor, diversos componentes do Apache Vip V foram aproveitados no Vip VI.
A fabricante apresenta ainda uma nova família de poltronas estofadas. Os bancos exibidos na feira, entretanto, ainda são protótipos.
“Essa poltrona que está aqui é uma poltrona protótipo, que ainda está em validação em campo, para aí podermos virar a chave para ser um item normal de produção”, disse Cunha.
Outra solução disponível é o sistema de portas denominado pela Caio de “Flor da Pele”, no qual as portas ficam alinhadas à lateral da carroceria quando fechadas. O recurso é opcional e, de acordo com a fabricante, também favorece a aerodinâmica.

REDUÇÃO DE PESO SEM SACRIFICAR ESTRUTURA
Além de mudanças de design, o Apache Vip VI recebeu alterações de materiais e processos de fabricação que devem resultar em redução de peso.
O percentual ainda não foi definido.
Cunha explicou que a avaliação definitiva ocorrerá com o início da produção seriada e ressaltou que aço, alumínio e fibra de vidro representam parcelas importantes da massa de uma carroceria, mas não podem simplesmente ser reduzidos sem consequências.
“Se você começa a reduzir muito o aço, vai comprometer a resistência e a durabilidade do produto. Se começa a reduzir muito a fibra de vidro e o alumínio, vai comprometer a estética visual e até a durabilidade”, afirmou.

NOVO eAPACHE VIP FOI CONCEBIDO COMO ELÉTRICO
Uma diferença de projeto destacada pelo executivo está na segunda geração do eApache Vip.
A primeira geração surgiu a partir de uma adaptação para atender à expansão dos chassis elétricos de piso alto. Agora, a Caio adotou outra estratégia.
O novo eApache Vip foi desenvolvido de ponta a ponta para a aplicação elétrica.
Apesar disso, existe padronização de elementos com o Apache Vip VI, incluindo o conjunto óptico Full LED e componentes que podem facilitar a manutenção.
BIOMETANO ENTRA NA FAMÍLIA MILLENNIUM
Outro lançamento é o bMillennium, desenvolvido para receber motorização a gás e com foco também no uso de biometano.
O veículo apresentado na Lat.Bus utiliza solução de motorização da Scania.
A estrutura foi projetada para acomodar o sistema de gás levando em consideração distribuição de peso, segurança e aerodinâmica. O modelo recebeu ainda saias laterais raiadas, novos materiais de acabamento, revestimentos internos e atualização das poltronas.
O sistema de portas alinhadas à lateral também pode ser adotado.
eMILLENNIUM RECEBE ATUALIZAÇÕES
O eMillennium, destinado às aplicações elétricas, também recebeu atualizações.
Entre elas estão saias raiadas nas laterais, novos revestimentos, mudanças na paleta de cores interna, atualização das poltronas e nova passadeira.
Segundo Cunha, parte das mudanças procura estabelecer uma padronização entre os produtos elétricos da fabricante.
BUSSCAR AMPLIA FAMÍLIA NB1
A Busscar apresentou na Lat.Bus quatro produtos da família NB1, incluindo o Panorâmico DD NB1, Panorâmico 410 NB1, El Buss FT NB1 e El Buss 325L NB1.
O Panorâmico 410 já havia sido exibido anteriormente em Santa Catarina, mas tem na Lat.Bus seu lançamento oficial, segundo Paulo Corso.
O Panorâmico DD NB1 exposto possui dois andares e configuração para 60 passageiros: 48 poltronas Class Leito Turismo no salão superior e 12 poltronas Leito no piso inferior, sendo uma destinada a passageiro em cadeira de rodas. Montado sobre chassi Volvo, possui sanitários nos dois pisos.
Já o Panorâmico 410 NB1 apresentado utiliza chassi Mercedes-Benz e pode transportar até 48 passageiros, incluindo espaço para passageiro em cadeira de rodas. A configuração conta com amplo bagageiro, poltronas Class Leito Turismo e sanitário.

NOVOS EL BUSS COMEÇAM A SER PRODUZIDOS EM DEZEMBRO
O El Buss FT NB1 apresentado na feira utiliza chassi Volkswagen e possui 47 poltronas, uma delas destinada a passageiro em cadeira de rodas. A proposta é atender principalmente operações de fretamento e viagens de curta e média distância.
Já o El Buss 325L NB1 utiliza chassi Mercedes-Benz, possui salão com 1,95 metro de altura e capacidade para até 46 passageiros. O modelo é direcionado principalmente ao fretamento e às linhas intermunicipais e pode receber diferentes configurações internas, do padrão convencional ao leito.
Corso explicou que os veículos apresentados na Lat.Bus foram antecipados em relação ao cronograma industrial para que pudessem ser conhecidos durante a feira.
A Busscar agora prepara as linhas de montagem para iniciar a fabricação das novas configurações em dezembro.

INTERCAMBIALIDADE PARA REDUZIR CUSTOS
Além do design, um dos principais argumentos da Busscar para a família NB1 é a comunização de componentes.
Peças utilizadas nos El Buss podem aparecer também em integrantes das linhas Panorâmico e em outros modelos NB1.
A estratégia chegou às poltronas, que foram redesenhadas.
“Todas as poltronas são comunizadas também. Pode servir para um DD que queira um carro macio, pode servir para um 400 mais simples. Então, tudo isso é intercambiável”, explicou Corso.
Para o executivo, a medida deve refletir diretamente nos custos das empresas.
“Nós acreditamos muito na economia operacional e de manutenção dos produtos nas garagens com essa transformação que nós fizemos”, afirmou.
A estratégia da Busscar se aproxima, nesse aspecto, da adotada pela Caio na transição do Apache Vip V para o Vip VI: aumentar o número de componentes compartilhados para que a renovação dos produtos não signifique necessariamente multiplicar peças, estoques e procedimentos de manutenção.

80 ANOS E EVOLUÇÃO DOS PRODUTOS
A apresentação ocorre no ano em que o grupo destaca seus 80 anos de trajetória.
No estande da Caio, um túnel imersivo em LED apresenta uma linha do tempo com acontecimentos e produtos da história da empresa, entre eles Jaraguá, Gabriela, Apache Vip e Millennium, a inauguração da fábrica de Botucatu em 1982, a chegada da Induscar em 2001 e a posterior consolidação do grupo com empresas como Busscar, FiberBus e Tecglass.
A família NB1 da Busscar começou a ser apresentada em 2023 e vem sendo ampliada para diferentes aplicações do transporte rodoviário, turismo e fretamento.
ENTREVISTA
ADAMO BAZANI: Bom, agora falando especificamente sobre os produtos lançados. Foram quatro lançamentos da Caio, três da Busscar, o 410 que tinha sido apresentado já, mais o lançamento mesmo oficial. Além das mudanças estéticas, quais são as mudanças funcionais em cada um desses lançamentos e o que elas vão trazer de vantagem para o operador em relação a manutenção, economia e também para o usuário final?
MAURÍCIO CUNHA: Bom, nos urbanos, no Apache Vip VI, nós fizemos uma mudança de geração, como você falou, mudanças fortes do ponto de vista estético, mantendo vários componentes para que não haja um trauma muito grande nas garagens quanto ao nível de almoxarifado, estoque de peças de reposição. Então, tem vários componentes do Vip V que foram aproveitados no Vip VI.
E, além disso, nós temos mudanças que vão impactar a nível de peso, troca de tecnologia de fabricação de componentes que vão resultar em alguma redução de peso. Mas a redução de peso que nós fazemos na Caio e também na Busscar tem um limite. Por quê? Nós nunca abrimos e nunca vamos abrir mão de durabilidade, segurança e conforto.
Então, os produtos têm tido uma evolução a nível de materiais e componentes. Estamos apresentando uma família nova das poltronas estofadas que ainda estão em desenvolvimento. Essa poltrona que está aqui é uma poltrona protótipo, que ainda está em validação em campo, para aí podermos virar a chave para ser um item normal de produção.
Os outros produtos, o eApache segunda geração, com um aprimoramento do produto, que foi feita uma primeira adaptação quando surgiu a primeira geração. E agora, como nós estávamos atualizando a segunda geração do Vip, também já fizemos um produto de ponta a ponta desenvolvido para o elétrico de piso alto.
ADAMO BAZANI: Ele nasceu genuinamente elétrico?
MAURÍCIO CUNHA: Isso. Esse já foi concebido como um carro elétrico, não foi uma adaptação do Vip. E depois fizemos inovações, tanto no lançamento do bMillennium, do biometano, no caso junto com a Scania, e da família do eMillennium, com itens que melhoram a estética do produto, com a saia um pouco raiada, materiais novos de acabamento, paraflex e tudo mais.
E a padronização, no caso dos elétricos, da porta alinhada com a lateral. No caso dos urbanos, é um opcional, vai depender da vontade do cliente. Então, esses são os principais impactos do produto novo.
ADAMO BAZANI: Antes do Corso, essa redução de peso, claro, depende da configuração, mas já se tem mais ou menos quantos por cento?
MAURÍCIO CUNHA: Nós ainda não quantificamos. Começando a série é que nós vamos poder quantificar, mas não é nada estrondoso, por quê? Porque nós não vamos comprometer.
Onde se reduz muito o peso? Estrutura. Aço é a coisa que mais pesa. Se você começa a reduzir muito o aço, você vai comprometer a resistência e durabilidade do produto. Se você começa a reduzir muito a fibra de vidro e o alumínio, você vai comprometer a estética visual e até a durabilidade, porque a fibra começa a movimentar e é a morte do produto.
Então, a gente tem limitações. Não é nada de redução de 10% no peso do carro, nem perto disso.
PAULO CORSO: Complementando mais uma parte da família NB1, que então é o Panorâmico 410, que nós tínhamos levado na feira de Santa Catarina, mas oficialmente estamos lançando ele aqui, o El Buss 325 e o El Buss FT.
No caso do El Buss 325 e do El Buss FT, eu queria deixar claro para vocês que nós vamos produzir esses carros a partir de dezembro, porque, como tinha a feira Lat.Bus, nós demos uma acelerada nos protótipos para trazer e mostrar os carros aqui, como fizemos no DD no passado. A gente lançou e depois teve um tempo para adaptar a empresa, adaptar as linhas de montagem para produzir esse produto.
Então, nós vamos produzir a partir de dezembro. Agora nós estamos mostrando o carro. Por enquanto, a gente está fazendo o nosso El Buss 325 e o El Buss FT atuais. A partir de dezembro entra a configuração nova.
O que esses produtos trazem de diferencial do que nós temos hoje? Primeiro que eles se enquadram na família NB1, com muitas peças comunizadas. Algumas coisas nos El Buss, algumas coisas no 400, que têm nos 365 e 345 e que têm no Panorâmico DD. Muitas coisas são comunizadas e isso traz um benefício para o frotista. Se ele tiver uma gama de produtos de toda a linha, pode usar peças intercambiáveis.
Outra coisa é o conforto do produto. Nós redesenhamos todas as poltronas, inclusive agora dos carros mais baixos dos El Buss. Então, todas as poltronas são comunizadas também. Pode servir para um DD que queira um carro macio, pode servir para um 400 mais simples. Então, tudo isso é intercambiável.
Nós acreditamos muito na economia operacional e de manutenção dos produtos nas garagens com essa transformação que nós fizemos. E acho que o carro está aí, vocês viram. Está muito bonito e tem tudo para ser um sucesso, marcando os 80 anos e seguindo a nossa família NB1.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte


