São Paulo define integrantes de comitê que vai acompanhar Orçamento Climático; mobilidade e troca de ônibus a diesel estão entre políticas relacionadas
Publicado em: 10 de agosto de 2026
Secretaria de Mobilidade integra Câmara Técnica responsável por informações físicas e orçamentárias; mecanismo relaciona planejamento climático ao orçamento municipal em momento de investimentos em ônibus elétricos e avanço de projetos com biometano
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de São Paulo definiu novos representantes do Comitê Gestor Intersetorial do Orçamento Climático (CGI-Clima) e da Câmara Técnica do Orçamento Climático (CT-Clima), estrutura que terá participação direta da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT).
As indicações constam da Portaria Seplan nº 0017, de 07 de agosto de 2026, da Secretaria Municipal de Planejamento e Eficiência.
A medida é administrativa, mas a composição dos colegiados está relacionada à forma como a prefeitura pretende identificar, acompanhar e dar transparência aos gastos públicos destinados a políticas de redução das emissões e adaptação às mudanças climáticas.
No setor de transportes, isso ganha relevância em meio aos investimentos realizados pela administração municipal para substituir ônibus a diesel por veículos com outras fontes de energia, principalmente elétricos a bateria, além do avanço de projetos para utilização do biometano.
O Orçamento Climático do Município de São Paulo foi instituído pelo Decreto nº 64.688, de 4 de novembro de 2025, como instrumento de integração entre o planejamento climático e o orçamento público.
Entre as finalidades estabelecidas pelo decreto estão a viabilização de iniciativas de mitigação das mudanças climáticas para cumprimento das metas de redução das emissões de gases de efeito estufa previstas na Política Municipal de Mudança do Clima e no PlanClima SP.
O decreto também determina monitoramento físico e financeiro das ações classificadas como climáticas e prevê a divulgação pública das informações consolidadas.
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte faz parte da Câmara Técnica e, pela nova portaria, terá João Bonett como ponto focal técnico.
Na prática, as secretarias que integram a CT-Clima devem fornecer informações físicas e orçamentárias de suas áreas, colaborar para a implantação das decisões do Comitê Gestor e participar da consolidação dos dados e relatórios.
ÔNIBUS ELÉTRICOS ESTÃO ENTRE OS PRINCIPAIS INVESTIMENTOS
A criação desta estrutura ocorre enquanto a Prefeitura de São Paulo amplia despesas e operações de crédito relacionadas à eletrificação dos ônibus municipais.
Como mostrou o Diário do Transporte, somente no orçamento de 2026 foram empenhados R$ 663,87 milhões para amortizações, juros e encargos de financiamentos relacionados principalmente ao Programa Ônibus Elétrico e a obras de mobilidade, com operações junto ao Banco do Brasil, BNDES e Banco Mundial.
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Em março de 2026, o Diário do Transporte também mostrou que a prefeitura atualizou os valores de referência utilizados na subvenção para compra dos veículos elétricos.
Pelo modelo adotado pela administração municipal, as empresas operadoras arcam com valor correspondente ao veículo convencional a diesel e o poder público subsidia a diferença para aquisição do ônibus elétrico.
Os valores de referência estabelecidos variam de R$ 2,2 milhões para os modelos mini a R$ 4,65 milhões para ônibus articulados de 23 metros.
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Em outra etapa do programa, em maio de 2026, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte autorizou empenhos de R$ 225 milhões para Mobibrasil, Consórcio KBPX e Metrópole Paulista destinados à aquisição de 102 ônibus elétricos, sendo 82 veículos padron e 20 articulados.
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BIOMETANO TAMBÉM ENTROU NA POLÍTICA MUNICIPAL
Paralelamente à eletrificação, a Prefeitura de São Paulo passou a desenvolver o biometano como outra possibilidade para redução do uso de diesel no sistema municipal de ônibus.
Em setembro de 2025, o prefeito Ricardo Nunes instituiu, por meio do Decreto nº 64.519, o Programa BioSP, voltado à incorporação de ônibus movidos a biometano no sistema de transporte coletivo municipal.
A iniciativa também foi relacionada pela administração às metas climáticas e à renovação da frota por veículos com matriz energética de menor emissão.
O Diário do Transporte mostrou na ocasião:
No mesmo dia, em entrevista acompanhada pelo Diário do Transporte, Nunes afirmou que a administração pretendia viabilizar a aquisição de biometano no mercado para abastecer ônibus e caminhões e apresentou a fonte energética como alternativa complementar à eletrificação.
Leia e ouça:
OUÇA: Nunes assina decreto para viabilizar ônibus a biometano em São Paulo
A discussão já vinha sendo acompanhada pelo Diário do Transporte desde março de 2025, quando a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas realizou seminário sobre a utilização de biometano e GNV no transporte coletivo.
Na ocasião, foram apresentados veículos e discutidas questões relacionadas à infraestrutura necessária para implantação da tecnologia.
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NOVO ÔNIBUS A BIOMETANO PADRÃO SPTRANS VAI PARA TESTES
Mais recentemente, em reportagem exclusiva, o Diário do Transporte mostrou que a Scania desenvolveu, em conjunto com a Caio, um ônibus a biometano/GNV adaptado ao padrão da SPTrans.
O modelo é de piso baixo e foi preparado para os requisitos do sistema paulistano. Segundo Marcelo Gallão, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania, em entrevista ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, o ônibus deve começar a circular em testes em setembro de 2026.
A possível comercialização dependerá dos resultados da avaliação operacional e da aceitação da tecnologia pela administração municipal e pela SPTrans.
A fabricante informou ainda que já existe interesse de um grupo empresarial em um lote do modelo.
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O QUE FAZ O ORÇAMENTO CLIMÁTICO
O Decreto nº 64.688/2025 determina que o Orçamento Climático integre os instrumentos de planejamento climático e orçamentário da cidade.
Entre as atribuições da estrutura estão a classificação das ações consideradas climáticas, o acompanhamento físico e financeiro, a definição de indicadores e a divulgação das informações em painel público.
O Comitê Gestor Intersetorial é formado por representantes da Secretaria Municipal de Planejamento e Eficiência, Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas e Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.
Pela Portaria nº 0017/2026, foram indicados:
– Seplan: Ariane Maris Gomes Lacerda, titular, e Thalita Tiengo Hamanaka, suplente;
– Seclima/SGM: Alessandro Bender, titular, e José Teles Mendes, suplente;
– SVMA: Tamires Carla de Oliveira, titular, e Sandro Luís Palanca, suplente.
Já a Câmara Técnica reúne pontos focais da Seplan, Seclima, SVMA, Secretaria Municipal de Habitação, Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e Secretaria Municipal das Subprefeituras.
Os representantes são Fabiola Varanda da Silva, José Teles Mendes, Jumile dos Santos Moreira, Maria Teresa Cardoso Fedeli, André Ricardo Martelini, Antonia Ribeiro Guglielmi, João Bonett e Andrea Godoy Sanchez, respectivamente.
A nova portaria revoga a Portaria GAB/SEPLAN nº 13, de dezembro de 2025, que havia definido a composição anterior dos colegiados.
A inclusão da mobilidade na Câmara Técnica significa que informações sobre ações do setor classificadas dentro da política climática deverão integrar o acompanhamento físico e orçamentário previsto pelo município. Entre as políticas de transporte que se inserem no contexto de redução das emissões estão a substituição dos ônibus a diesel e os investimentos necessários para veículos e infraestrutura de novas fontes energéticas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



