Você sabe o que é “emprego verde?”: Estudo inédito da prefeitura de São Paulo mostra 290 mil na cidade e motorista de ônibus é a principal

Pesquisa destaca eletrificação da frota de ônibus e manutenção de veículos como parte da mudança de profissões como condutores e mecânicos

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo divulgou um estudo que identificou 290.334 vínculos formais em ocupações relacionadas à economia verde na capital paulista em 2024. O levantamento aponta que esses trabalhadores representam aproximadamente 5% do total de empregos formais da cidade e destaca o transporte coletivo como um dos principais setores ligados à sustentabilidade, tendo os motoristas de ônibus urbanos como a ocupação com maior número de vínculos entre as chamadas profissões verdes (32.106 do sistema SPTrans)

A pesquisa foi elaborada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET) com base na metodologia do Bureau of Labor Statistics (BLS), dos Estados Unidos, e validada pela rede internacional de cidades C40. Segundo a Prefeitura, foram identificadas 345 ocupações verdes entre as 2.709 funções analisadas no mercado formal paulistano.

O levantamento mostra crescimento no número de trabalhadores dessas ocupações. Em 2022 eram 286.533 vínculos formais, passando para 286.978 em 2023 e chegando a 290.334 em 2024.

Mobilidade aparece entre os principais setores

O estudo aponta que o setor de reparação e manutenção concentra o maior número de empregos classificados como verdes na cidade, com mais de 106 mil trabalhadores formais.

Na sequência aparecem o transporte, com 70,5 mil vínculos, a gestão de resíduos, com 42,4 mil, e a infraestrutura, com aproximadamente 29 mil.

Entre todas as ocupações mapeadas, o cargo de motorista de ônibus urbano aparece como aquele com maior número de trabalhadores, somando 32.106 vínculos formais. Também figuram entre as principais funções trabalhadores de limpeza e conservação de áreas públicas, com 30.136 vínculos, e profissionais da manutenção de edificações, com 25.722.

Segundo a metodologia adotada pela pesquisa, essas ocupações são consideradas verdes por estarem relacionadas à redução de impactos ambientais, eficiência energética, preservação dos recursos naturais, economia circular, fontes renováveis de energia e conformidade ambiental.

Ônibus elétricos e novas competências

Entre os aspectos relacionados ao transporte coletivo, o estudo destaca a eletrificação gradual da frota municipal de ônibus.

A Prefeitura afirma que a incorporação de veículos elétricos vem modificando parte das atividades desempenhadas pelos motoristas, principalmente em relação ao acompanhamento do nível de carga das baterias e à necessidade de treinamentos específicos para operação dos novos equipamentos.

De acordo com o levantamento, a adoção dessa tecnologia também altera rotinas de manutenção, gestão de infraestrutura de recarga e operação das garagens, criando demanda por profissionais com novas competências técnicas.

A administração municipal utilizou como exemplo o depoimento de uma motorista que atua há dois anos na condução de ônibus elétricos.

Segundo a prefeitura de SÃO Paulo, entre as transformações impulsionadas pela economia verde está a eletrificação da frota de ônibus da capital. Há 13 anos no transporte coletivo e há dois operando veículos elétricos, a motorista Priscila Correia, 38 anos, conta que a principal mudança está nas novas responsabilidades da função, que passou a incluir o acompanhamento do nível de carga da bateria antes de sair da garagem. Ela explica ainda que a chegada de novos modelos exige treinamentos específicos para a condução.

As mudanças também contribuíram para tornar a profissão mais acessível. Segundo Priscila, os ônibus elétricos reduziram o esforço físico necessário para dirigir.

 “Os veículos trazem toda essa tecnologia que a gente não precisa mais estar ali na força braçal. E as mulheres são muito capazes de desempenhar a profissão.” – disse a motorista de acordo com nota da gestão municipal.

Profissionais e perfil

O estudo mostra que 82% dos trabalhadores das ocupações verdes são homens e 18% são mulheres.

A maior parte possui ensino médio completo, com mais de 155 mil profissionais nessa condição. A faixa etária predominante está entre 50 e 64 anos, seguida pelos trabalhadores de 40 a 49 anos.

Outras áreas

Além da mobilidade urbana, a pesquisa identifica crescimento de ocupações ligadas à gestão ambiental, geotecnologia, sensoriamento remoto, monitoramento da cobertura vegetal, recuperação ambiental e uso de inteligência artificial aplicada ao planejamento urbano.

Segundo a Prefeitura, essas funções vêm sendo utilizadas principalmente nas atividades da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente para monitoramento de áreas verdes, queimadas, desmatamento e elaboração de planos de manejo.

Objetivo do levantamento

De acordo com a administração municipal, o estudo deverá servir como base para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à qualificação profissional, geração de empregos e planejamento da economia verde na cidade.

A Prefeitura também afirma que o levantamento complementa pesquisa anteriormente realizada em parceria com a rede C40, ampliando a base de informações sobre empregos ligados à sustentabilidade no município.

Principais números do estudo

Indicador Resultado
Trabalhadores em ocupações verdes 290.334
Participação no emprego formal 5%
Ocupações verdes identificadas 345
Crescimento entre 2022 e 2024 3.801 vínculos
Setor com maior número de empregos Reparação e manutenção (106 mil)
Segundo maior setor Transporte (70,5 mil)
Motoristas de ônibus urbanos 32.106
Gestão de resíduos 42,4 mil
Infraestrutura 29 mil
Homens 82%
Mulheres 18%
Escolaridade predominante Ensino médio completo

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Assine

Assine para receber as notícias do Diário do Transporte direto em seu e-mail.

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Informe Publicitário
Comentários

Deixe um comentário