Ônibus do futuro precisa valorizar o passageiro e não só a tecnologia, diz diretora da Semove na Rio Innovation Week

Richele Cabral destaca que inovação no transporte coletivo depende de novas formas de financiamento, melhor infraestrutura viária e da requalificação do próprio sistema

VINÍCIUS DE OLIVEIRA

O futuro da mobilidade urbana foi tema de uma das mesas no Rio Innovation Week 2026, um dos maiores eventos globais de tecnologia e inovação, realizado esta semana no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Durante a mesa “Ônibus do futuro já chegou”, a diretora de Mobilidade da Semove, Richele Cabral, defendeu que a inovação no transporte coletivo depende não apenas da evolução tecnológica dos veículos, mas também de contratos de concessão modernos, com novos modelos de financiamento e políticas voltadas à sustentabilidade financeira do setor, além de infraestrutura viária adequada e da própria requalificação do sistema de ônibus.

– O ônibus do futuro precisa levar em conta os desejos do passageiro, as necessidades do operador de transporte e a maior participação do gestor público. É preciso considerar um novo modelo de remuneração que garanta sustentabilidade, qualidade do serviço e espaço para inovação, com incentivos fiscais para trazer o passageiro de volta – afirmou a diretora da Semove, que debateu o tema ao lado de Simone Costa, da Prefeitura do Rio, e Sérgio Avelleda, da Urucuia Inteligência em Mobilidade Urbana. 

Para Richele Cabral, a modernização da frota, embora importante, não é suficiente para transformar a mobilidade urbana do Rio de Janeiro. As ações a serem desenvolvidas para recuperar o sistema de ônibus devem torná-lo mais atrativo para a população, que vem trocando o transporte público pelo individual – em dez anos, o setor perdeu 50% de seus passageiros. 

– Não adianta colocar a melhor tecnologia do mundo em um ônibus se ele continua parado no congestionamento, sem poder se deslocar por faixas preferenciais ou exclusivas. Não há inovação capaz de conquistar o passageiro quando a viagem é lenta e imprevisível. O ônibus do futuro depende também de prioridade viária e infraestrutura adequada, capaz de garantir rapidez, regularidade e confiabilidade ao passageiro – destacou a diretora da Semove.

Richele Cabral também apontou para o potencial da inteligência artificial no aprimoramento da operação do transporte coletivo. De acordo com ela, a tecnologia permitirá ajustar cada vez com mais precisão a frequência dos ônibus conforme a demanda e otimizar itinerários, especialmente fora dos horários de maior movimento, aumentando a eficiência operacional e melhorando o atendimento aos passageiros – atualmente são mais de 5 milhões viagens realizadas diariamente em todo o Estado. 

A diretora da Semove também ressaltou que a descarbonização será um dos principais eixos da mobilidade urbana nos próximos anos. A adoção de veículos elétricos, movidos a gás ou com combustíveis de baixo carbono representa um passo importante para reduzir as emissões do setor, mas exige planejamento de longo prazo.

– A descarbonização não deve focar apenas na troca da frota. Exige infraestrutura de recarga e abastecimento, fontes de financiamento e um modelo de operação que garanta sustentabilidade ambiental, econômica e operacional – explicou Richele.

Por fim, a diretora da Semove destacou que não há uma única medida para a melhoria da qualidade do transporte público por ônibus:

– Não há uma bala de prata para se chegar ao modelo ideal de ônibus do futuro, mas um combo de iniciativas para reconquistar o passageiro e fortalecer o transporte coletivo frente ao individual, oferecendo um transporte mais confortável, seguro, acessível, confiável e integrado, aliado à viabilidade econômica necessária para garantir os investimentos contínuos na operação.

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

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