Marcopolo vê micros como principal motor de crescimento e aposta em rodoviários de maior valor agregado; mas vê cautela no segmento

Receita dos ônibus urbanos perdeu participação no faturamento, enquanto segmento de micros passou a representar mais de 42% do volume produzido no trimestre

ADAMO BAZANI

A Marcopolo apresentou ao mercado financeiro, durante reunião da Apimec, com investidores e analistas de mercado, um panorama dos diferentes segmentos de ônibus em que atua e indicou quais são as perspectivas que possui para cada categoria de veículos.

A apresentação, que ocorreu nesta quarta-feira, 05 de agosto de 2026, mostra que os micros continuam sendo o principal vetor de crescimento da fabricante, enquanto os ônibus rodoviários mantêm destaque pelos modelos de maior valor agregado. Já o segmento urbano é o que mais inspira cuidado.

O Diário do Transporte acompanhou.

No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou receita líquida consolidada de R$ 2,373 bilhões, lucro líquido de R$ 271,2 milhões e market share de 48,3% no mercado brasileiro de carrocerias de ônibus. Entre os destaques apresentados aos investidores está o fato de que os micros responderam por 42,5% de todo o volume produzido pela empresa no período, além de um crescimento de 122% na receita desse segmento em relação ao mesmo trimestre de 2025.

A distribuição da receita também evidencia diferenças entre os segmentos.

Os ônibus rodoviários continuam sendo a principal fonte de faturamento da Marcopolo, respondendo por 39,4% da receita líquida no segundo trimestre de 2026. Em seguida aparecem os urbanos, com 25,5%; Volare, com 19,6%; micros, com 8,2%; chassis, com 7,2%; e Banco Moneo, peças e outros, com 0,1%.

O Diário do Transporte noticiou que o mercado reagiu mal à divulgação na segunda-feira (03) dos resultados de desempenho da empresa, que segundo trimestre deste ano, a Marcopolo registrou lucro líquido de R$ 271,2 milhões, queda de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025. O EBITDA recuou 15%, para R$ 339 milhões, enquanto a margem EBITDA caiu de 17,3% para 14,3%. A margem bruta também diminuiu, passando de 25,7% para 21,9%.

Um dia depois da divulgação do resultado, na terça-feira (04), as ações caíram 10,43%

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/08/04/acoes-da-marcopolo-caem-1043-nesta-terca-04-mercado-reage-mal-a-balanco-de-desempenho-da-fabricante-de-onibus/

A ação da Marcopolo (POMO4) fechou o pregão de quarta-feira, 05 de agosto de 2026, cotada a R$ 4,66, registrando uma baixa de 3,12% em relação ao fechamento anterior. O papel oscilou entre a mínima de R$ 4,64 e a máxima de R$ 4,95 durante o dia.

Rodoviários

Segundo a empresa, o segmento rodoviário atravessa um momento de maior cautela por parte do mercado, reflexo do cenário macroeconômico.

Apesar disso, a Marcopolo afirma que os modelos de maior valor agregado continuam sustentando a demanda, especialmente os ônibus de dois andares (double deckers), que possuem maior participação em linhas premium e de longa distância.

A estratégia ajuda a compensar parcialmente o menor ritmo de compras observado em outros nichos do transporte rodoviário.

Uma das incertezas sobre os rodoviários está e torno das linhas interestaduais.

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o dia 14 de agosto de 2026 o julgamento que vai definir se o procedimento adotado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para criar novos atendimentos de ônibus rodoviários interestaduais permanece ou não suspenso.

Esse procedimento trata-se de uma oportunidade às empresas oferecerem novas ligações chamada de “primeira janela do mercado rodoviário de ônibus”

São cerca de 50 mil ligações novas, seja onde nunca existiu rota de ponta a ponta (mercado desatendido) ou onde há somente uma viação (mercados monopolistas).

Com mostrou o Diário do Transporte, o ministro André Mendonça na Reclamação Constitucional (Rcl) nº 86.498, proposta pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros (Anatrip) contra a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), suspendeu esta janela de mercados em 10 de julho de 2026.

O argumento principal da Anatrip é que há falhas de segurança no sistema de informática da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

O ministro, em vez de cancelar a “janela”, como queria a Anatrip suspendeu e determinou que a agência demonstre a segurança no sistema.

Nos últimos meses, o Diário do Transporte acompanhou diversas disputas judiciais envolvendo o processo de abertura do mercado, as janelas extraordinárias para autorização de novos mercados e os critérios regulatórios adotados pela ANTT. A liminar concedida pelo ministro André Mendonça passou a integrar esse conjunto de discussões judiciais que influenciam o ambiente regulatório do transporte rodoviário interestadual.

Diante da falta de segurança jurídica e das indefinições sobre o que vai acontecer com as linhas rodoviárias, as viações estão adiando ou mesmo desistindo de investimentos como compras de ônibus novos, infraestrutura, guichês e novas contratações.

Relembre:

 

https://diariodotransporte.com.br/2026/07/22/impasse-no-stf-sobre-abertura-de-mercados-da-antt-ja-faz-empresas-de-onibus-pensarem-em-adiar-investimentos-e-pode-afetar-industria/

Urbanos

Para os ônibus urbanos, a fabricante vê um cenário diferente.

A apresentação informa que parte importante das entregas ligadas a programas públicos de financiamento, como o PAC Mobilidade, deverá ocorrer principalmente no terceiro trimestre de 2026. O documento também aponta que o aumento dos custos do diesel e de outros insumos continua dificultando investimentos dos operadores no curto prazo.

Ao mesmo tempo, a Marcopolo considera que a sanção do Novo Marco do Transporte Público Coletivo pode favorecer a renovação das frotas brasileiras no médio e longo prazo, criando um ambiente mais favorável para novos investimentos.

Outro destaque apresentado foi a entrega de 67 ônibus elétricos Attivi durante o segundo trimestre.

Micros e Volare

O segmento de micros aparece como o principal destaque operacional da companhia.

Além do crescimento expressivo de receita, a fabricante atribui o desempenho às entregas da Fase 12 do programa Caminho da Escola e ao fornecimento de 1.246 micros para o programa Caminhos da Saúde, do Ministério da Saúde. Também foram entregues 443 ônibus escolares ao Caminho da Escola durante o trimestre.

A empresa informou ainda que aguarda a homologação dos resultados da Fase 13 do Caminho da Escola, que poderá representar novos pedidos para esse segmento.

Produção

Na comparação entre os segundos trimestres de 2025 e 2026, a produção brasileira de carrocerias da Marcopolo aumentou de 2.733 para 3.321 unidades, crescimento de 21,5%.

As exportações também avançaram, passando de 344 para 354 unidades, enquanto a produção nas fábricas internacionais recuou de 723 para 430 veículos.

Mercado brasileiro

A apresentação relembra que a produção brasileira de ônibus ainda permanece abaixo dos volumes considerados ideais para manter a renovação da frota nacional.

Segundo a companhia, a idade média da frota brasileira aumentou de oito anos para 11 anos e três meses entre 2012 e 2026, indicando necessidade de renovação em diferentes segmentos do transporte coletivo.

Perspectivas

Para os próximos meses, a Marcopolo afirmou aos investidores que continuará priorizando eficiência operacional, controle de custos, investimentos compatíveis com a demanda futura e desenvolvimento de novos produtos. A companhia também destacou a realização da Lat.Bus 2026 como oportunidade para apresentar lançamentos tecnológicos e discutir tendências para os diversos segmentos do mercado de ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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