Ações da Marcopolo caem 10,43% nesta terça (04). Mercado reage mal a balanço de desempenho da fabricante de ônibus
Publicado em: 4 de agosto de 2026
Mesmo assim, papéis acumulam valorização em três anos; rentabilidade continua positiva em horizonte mais longo, apesar da pressão em 2026
ADAMO BAZANI
A queda de 10,43% das ações preferenciais da Marcopolo (POMO4) no pregão desta terça-feira (04), primeiro após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, chamou a atenção do mercado financeiro e colocou a empresa entre as maiores perdas do Ibovespa.
Como mostrou o Diário do Transporte, os investidores reagiram principalmente à redução do lucro líquido, do EBITDA e das margens operacionais, apesar do crescimento da receita líquida e da produção de ônibus no período.
Confira a reportagem sobre o balanço financeiro:
https://diariodotransporte.com.br/2026/08/03/marcopolo-lucra-r-2712-milhoes-no-segundo-trimestre-com-queda-de-155-amplia-receita-e-producao-mas-ve-margens-pressionadas-pela-retracao-dos-mercados-de-rodoviarios-e-urbanos/
Entretanto, quando se amplia o horizonte de análise, observa-se que a desvalorização registrada após o balanço representa uma correção em relação ao forte ciclo de valorização vivido pela companhia nos últimos anos.
No fechamento desta terça-feira, a POMO4 encerrou cotada a R$ 4,81, contra R$ 5,37 no pregão anterior, uma queda diária de 10,43%.
Veja a evolução aproximada da ação em diferentes períodos:
| Período | Cotação de referência* | Fechamento em 04/08/2026 | Comportamento |
| Desde janeiro de 2026 | R$ 6,45 | R$ 4,81 | Queda próxima de 25% |
| Últimos 12 meses | R$ 7,35 | R$ 4,81 | Queda próxima de 35% |
| Últimos 24 meses | R$ 5,36 | R$ 4,81 | Queda próxima de 10% |
| Últimos 36 meses | Inferior ao patamar atual | R$ 4,81 | Ainda acumula valorização no período |
*Valores de referência correspondem aos fechamentos mensais disponíveis para cada período.
A evolução mostra que o desempenho da ação mudou de direção ao longo de 2026. Depois de um ciclo de forte valorização entre 2023 e 2025, impulsionado pela recuperação do mercado de ônibus, aumento das exportações e resultados recordes da companhia, o papel passou a refletir um ambiente operacional mais desafiador.
No segundo trimestre deste ano, a Marcopolo registrou lucro líquido de R$ 271,2 milhões, queda de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025. O EBITDA recuou 15%, para R$ 339 milhões, enquanto a margem EBITDA caiu de 17,3% para 14,3%. A margem bruta também diminuiu, passando de 25,7% para 21,9%.
Segundo a companhia, parte dessa pressão decorreu dos custos relacionados à reestruturação da Metalsur, subsidiária na Argentina, além de um cenário menos favorável nos mercados de ônibus rodoviários e urbanos.
Na avaliação de analistas, o mercado deu maior peso à rentabilidade do que ao crescimento da receita e da produção. Em empresas industriais, especialmente fabricantes de bens de capital, a capacidade de preservar margens costuma influenciar mais a precificação das ações do que o aumento do faturamento isoladamente.
Apesar da reação negativa, o cenário para os próximos trimestres ainda dependerá de fatores que podem favorecer a companhia. Entre eles estão a continuidade das entregas do Programa Caminho da Escola, a execução de licitações públicas para renovação de frotas urbanas, o avanço de projetos financiados pelo Novo PAC e pelo programa MOVE, além da recuperação das exportações e da normalização das margens após a reestruturação da operação argentina.
A evolução desses fatores será acompanhada de perto pelo mercado para avaliar se a queda registrada após o balanço representa apenas uma reprecificação de curto prazo ou o início de um novo ciclo para as ações da fabricante gaúcha.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


