Gênova coloca em operação os primeiros trólebus IMC, o “E-Trol”, modelo Solaris de um lote de 112 veículos
Publicado em: 25 de julho de 2026
Modelos articulados com baterias podem circular em trechos sem rede aérea; renovação da frota ocorre enquanto operadora AMT passa por reestruturação financeira; No Brasil, BRT-ABC terá conceito semelhante, mas capital paulista não deve adotar modelo
ADAMO BAZANI
A operadora municipal AMT (Azienda Mobilità e Trasporti) colocou em circulação os primeiros ônibus do tipo “E-Trol” modelo Solaris Trollino 18 na cidade de Gênova, na Itália. Os veículos começaram a operar em 20 de julho na linha 20, entre Via Rimassa e Piazza Vittorio Veneto, marcando o início da incorporação de uma frota de 112 unidades articuladas.
A aquisição faz parte de um processo iniciado em 2024, quando a AMT realizou uma licitação para compra de trólebus e ônibus elétricos com recarga rápida (“flash charging”). Na ocasião, foram selecionadas as fabricantes Solaris e Hess.
Os trólebus terão os equipamentos de tração fornecidos pela Škoda Electric, enquanto a montagem dos veículos é realizada pela Solaris. O primeiro Trollino 18 foi apresentado em Gênova em abril de 2025, antes do início das entregas.
Este tipo de veículo, une as tecnologias trólebus, conectados à rede aérea, e baterias que permitem que operam por longos trechos sem estarem ligados á
Os novos veículos são articulados, possuem 18 metros de comprimento e capacidade para 133 passageiros.
O modelo utiliza a tecnologia In Motion Charging (IMC), que permite o carregamento das baterias enquanto o veículo circula conectado à rede aérea de alimentação elétrica. Dessa forma, os coletivos podem continuar operando em trechos onde não existem fios de alimentação, utilizando apenas a energia armazenada nas baterias.
O sistema do modelo da Solaris conta com quatro conjuntos de baterias, instalados no teto e na parte traseira do veículo, ampliando a flexibilidade operacional e reduzindo a necessidade de implantação de rede aérea em todo o percurso.
No Brasil, o BRT-ABC, um sistema de corredor BRT (Bus Rapid Transit), entre municípios da regão do ABC, e a cidade de São Paulo, terá conceito semelhante, mas a capital paulista não deve adotar o modelo.
Um estudo feito por especialistas em mobilidade elétrica do “Respira São Paulo” diz que foi um erro da administração municipal ter desprezado a solução tecnológica que poderia aproveitar a atual rede de trólebus que é subutilizada e que poderia equipar os corredores que estão sendo construídos ou em projeto, como o BRT-Aricanduva e o BRT-Radial Leste.
O Brasil só possui uma empresa nacional que produz tecnologia para o modelo, a Eletra, de São Bernardo do Campo (SP).
A entidade formada por pesquisadores, professores e tecnólogos, argumenta que o modelo custa 30% menos que os ônibus somente à bateria, podem ter gastos de operação também 30% menores e, ainda, dispensam infraestrutura de recargas nas garagens e grandes repotencializações locais, o que tem sido o principal motivo para o não cumprimento das metas de frota elétrica na cidade.
Segundo o estudo, a ideia não é interromper os investimentos em ônibus elétricos somente com bateria, que são mais flexíveis em áreas de acesso mais difícil e limitação viária, mas mesclar as tecnologias na frota, aproventando o E-Trol em estruturas já existentes e em corredores.
A prefeitura de São Paulo, por sua vez, argumenta que a implantação e manutenção da rede aérea de fiação causaria um gasto e um investimento que em breve se tornariam desnecessários já que as limitações de infraestrutura para recarga de baterias estão sendo superadas e que o preço dos ônibus do tipo “plugin” tende a cair. As baterias, com a evolução tecnológica, também devem se tornar mais baratas e terem maior autonomia, de acordo ainda com a visão da gestão Ricardo Nunes.
Equipamentos
Os “E-Trol” da Solaris, em Gênova, possui as seguintes configurações:
- 36 assentos;
- capacidade total para 133 passageiros;
- dois espaços para cadeirantes com rampa de acesso;
- 40 portas USB para carregamento de dispositivos eletrônicos;
- iluminação interna em LED;
- sistema de ar-condicionado.
A cabine do motorista é totalmente fechada e equipada com sistema de videomonitoramento. O conjunto inclui seis câmeras de segurança, quatro câmeras destinadas à contagem automática de passageiros e sete câmeras de serviço, utilizadas para monitorar as portas e os troles de captação de energia.
Reestruturação financeira da operadora
A entrada dos novos trólebus ocorre em um momento de reestruturação financeira da AMT.
De acordo com o balanço referente a 2024, a empresa registrou prejuízo líquido de 55,9 milhões de euros e encerrou o ano com dívida aproximada de 280 milhões de euros, incluindo mais de 73 milhões de euros em financiamentos bancários e cerca de 85 milhões de euros em débitos com fornecedores.
Em julho de 2026, a Região da Ligúria aprovou um pacote de apoio financeiro de 40 milhões de euros à operadora. A Prefeitura de Gênova e o governo regional também anunciaram medidas para reforçar a situação financeira da empresa e assegurar a continuidade da operação do transporte público.
A incorporação dos novos Trollino faz parte da estratégia de modernização da frota elétrica de Gênova e da ampliação do uso de veículos capazes de operar tanto conectados à rede aérea quanto em modo elétrico por baterias, reduzindo a necessidade de infraestrutura em determinados trechos da cidade.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes




Essa mania de alguns fabricantes colocarem tampões cobrindo as rodas dos ônibus…Fica horrível!
É opção dos clientes, até no Brasil há veículos que tem esse opcional como alguns trólebus Millennium BRT de primeira geração no corredor da Metra. Em teoria é um visual mais moderno que faria eles se assimilarem aos bondes que os mesmos substituíram nesses locais.
Eu pessoalmente gosto disso…
Solaris é sempre qualidade.