MP realiza mais uma operação contra o crime organizado e sócio da UPBus é apontado novamente como integrante de rede de financiamento do PCC

Promotoria ainda apura suposto “Tribunal do Crime”. Especialista alertou, em entrevista ao Diário do Transporte, para a necessidade de contratos públicos e licitações terem mecanismos que impeçam a entrada de grupos suspeitos nos serviços

ADAMO BAZANI

O Gaeco, grupo do Ministério Público do Estado de São Paulo especializado no combate ao crime organizado, realiza nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, uma operação que apura uma suposta rede de financiamento da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). As investigações também envolvem um suposto esquema de “Tribunal do Crime”, pelo qual chefes da organização criminosa decretariam a morte ou absolveriam eventuais integrantes considerados traidores.

Estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão e 18 mandados de prisão preventiva. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.

Segundo o Gaeco, um dos alvos da investigação é Alexandre Salles Brito, conhecido como Buiu, que seria, de acordo com as apurações, um dos responsáveis pelas maiores movimentações das chamadas “fintechs” do crime, expressão utilizada pelos promotores.

Buiu é apontado como sócio da UPBus, empresa de ônibus da zona Leste da capital paulista que, em 9 de abril de 2026, foi alvo da Operação Fim da Linha, também conduzida pelo Ministério Público. A investigação aponta uma suposta ligação de parte do sistema de transporte coletivo gerenciado pela SPTrans (São Paulo Transporte) com o crime organizado.

Após o avanço das investigações, a empresa foi descredenciada pela Prefeitura de São Paulo, e suas linhas passaram a ser operadas pela Alfa Rodobus.

Como mostrou o Diário do Transporte, Buiu e o ex-sócio da empresa, Ubiratan Antônio da Cunha, foram presos novamente em 7 de maio de 2026.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/05/07/ubiratan-presidente-afastado-da-upbus-e-o-socio-buiu-sao-presos-novamente-pelas-investigacoes-sobre-suposta-ligacao-dos-onibus-com-o-pcc/

No caso da operação desta terça-feira (21), as apurações apontam que os recursos tinham origem em dinheiro em espécie obtido em atividades ilícitas e eram direcionados para contas de empresas de fachada.

Uma das estratégias utilizadas para ocultar a origem do dinheiro seria o pagamento de comissões a “doleiros”, que promoviam a lavagem dos recursos sem qualquer justificativa comercial legítima.

Nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, o especialista em Segurança Pública Wagner Mesquita, que atuou na Polícia Federal, alertou, em entrevista ao Diário do Transporte, para a necessidade de contratos públicos e licitações contarem com mecanismos capazes de impedir a entrada de grupos suspeitos na prestação de serviços públicos.

Um dos principais problemas apontados por Mesquita está na utilização do menor preço como critério predominante para a seleção das empresas.

Segundo o especialista, uma companhia idônea elabora sua proposta considerando custos operacionais, investimentos em frota, manutenção, pagamento de funcionários e uma margem que assegure a continuidade da operação.

Já uma empresa abastecida por recursos provenientes de atividades criminosas pode apresentar preços artificialmente baixos, pois não depende exclusivamente da receita do contrato para sustentar suas atividades.

“Para uma empresa idônea, o preço que ela vai cobrar para prestar o serviço é calculado por matemática. Ela precisa sustentar a operação e ter uma margem. A empresa que eventualmente já tem o suporte do crime organizado pode considerar o preço até irrelevante, porque o recurso já foi obtido por meio da atividade criminosa ou da corrupção”, afirmou.

Assista à entrevista completa neste link:

Modelos atuais de licitação podem abrir espaço para infiltração do crime organizado no transporte coletivo. Curitiba preocupa, alerta especialista

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Espero que investiguem todas.

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