Licitação do Rio de Janeiro determina remuneração maior às empresas que implantarem ônibus elétricos na capital
Publicado em: 13 de julho de 2026
Ganho para as viações será de 12% a mais, porém, eletrificação não é obrigatória
ADAMO BAZANI
As empresas que colocarem ônibus elétricos para operar nos cinco lotes de linhas da cidade do Rio de Janeiro, cuja licitação foi lançada na semana passada e informada em primeira-mão pelo Diário do Transporte, vão receber uma remuneração 12% superior à prevista aos veículos a diesel.
É o que prevê o edital.
As propostas devem ser entregues em 28 de agosto de 2026.
Os valores de remuneração por quilômetro variam de acordo com cada lote.
A eletrificação da frota não é obrigatória, mas a remuneração a mais pondera que o preço de aquisição dos modelos elétricos é cerca de três vezes maior que os similares a óleo diesel, porém, os custos operacionais por quilômetro, considerando abastecimento e manutenção, é de em torno de cinco vezes menor, isso sem contar que a vida útil é de 15 anos a 20 anos ante 10 anos dos ônibus a combustão.
A remuneração será proporcional à frota.
Uma empresa, por exemplo, não precisa colocar todos os modelos elétricos na mesma linha, podendo mesclar as tecnologias.
Como tem mostrado o Diário do Transporte, tanto as empresas privadas do Rio de Janeiro como a Mobi-Rio (CMTC/Rio – Companhia Municipal de Transportes Coletivos) testam modelos de ônibus elétricos.
No caso das viações particulares, os testes são espontâneos e esporádicos, normalmente com modelos oferecidos pelas fabricantes. Já a Prefeitura abriu um programa de verificação dos modelos disponíveis no mercado brasileiro, tanto nacionais como importados, para definir parâmetros para uma eventual compra pública por licitação para a Mobi-Rio.
A remuneração básica, estipulada para os modelos a diesel é:
| Lotes | Tarifa de referência (R$/km) |
| A1 a B6 | R$ 10,40/km |
| B1 – B8 | R$ 10,70/km |
| C1 -C2 | R$ 11,78/km |
| H1 – I3 | R$ 13,02/km |
| H2 | R$ 11,71/km |
sexta-feira, 10 de julho de 2026, a Prefeitura do Rio de Janeiro (RJ) abriu a licitação que selecionará a empresa responsável pela nova Rede Integrada de Ônibus, denominada Sistema Rio.
O contrato com a administração pública da capital será vigente pelos próximos dez anos, com possibilidade de prorrogação por outros dez.
O edital publicado no Diário Oficial do Município prevê cinco lotes operacionais, superando a marca de R$ 1,39 bilhão em contratos.
Conforme o documento, nos lotes deverá estar incluída a implantação de garagens e o fornecimento da frota de ônibus.
O critério de escolha pela prefeitura será a menor tarifa de remuneração por quilômetro apresentada.
A abertura das propostas está marcada para o dia 28 de agosto de 2026, às 11h, na Procuradoria Geral do Município.
LICITAÇÃO DO RIO DE JANEIRO
Segundo a prefeitura do Rio de Janeiro, ao longo da concessão devem ser comprados cinco mil ônibus zero quilômetro. Ainda não foi informada a exigência de modelos elétricos.
A previsão é de que a frota seja ampliada em 25%; a bilhetagem não voltará para as empresas.
A divisão do sistema passará dos atuais quatro lotes para 31, sendo 22 estruturais e nove locais.
Serão diversas licitações separadas por lotes, segundo a ex-secretária de Transportes e Mobilidade, Maína Celidonio de Campos, começando pelas áreas mais problemáticas, em coletiva quando ainda ocupava o cargo em 2025.
O projeto estabelece a substituição do atual sistema, hoje operado por quatro grandes consórcios (Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz), por 31 áreas com diferentes operadores, em um modelo que pretende aumentar a concorrência, padronizar o serviço e melhorar o atendimento à população.
Campo Grande e Santa Cruz serão as primeiras áreas contempladas. A previsão é de que o lote estrutural de Campo Grande Norte aumente de 95 para 150 ônibus, enquanto o lote local salte de 37 para 200 veículos. Já Santa Cruz terá a frota ampliada de 67 para 330 ônibus. No total, a Zona Oeste receberá um reforço de 481 coletivos.
A seleção das regiões segue critérios técnicos. A frota nova deverá contar com responsabilidade de investimento atribuída às empresas vencedoras das licitações.
A segunda fase do processo deve atingir a Ilha do Governador no início de 2026. Segundo a prefeitura, a Paranapuan, operadora local, tem a pior avaliação no IQT (Índice de Qualidade de Transportes). As demais fases seguirão até 2028, acompanhando o encerramento dos contratos atuais.
Além de melhorias na frota, a proposta prevê maior transparência na operação e fiscalização mais rigorosa. Uma das metas é o combate às chamadas linhas fantasmas e o cumprimento rigoroso de horários, garantindo maior confiabilidade ao sistema.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes e Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte



Acho que essa proposta não vai colar.
Com o preço do ônibus elétrico custando o triplo do similar a diesel, e mesmo que vá gerar menos manutenção, dificilmente tal opção seduziria a escolha dos frotistas.
RJ cheio de político preso, corrupção e crime organizado tomando o estado, claro está cheio de dinheiro sobrando.