Tarcísio de Freitas descarta privatizar Metrô e operação da linha 17 deve continuar sendo estatal

Em ritmo de pré-campanha, Governador diz que não se incomoda em mudar de opinião e acredita que é melhor atrair dinheiro privado para novas linhas. Já CPTM deve continuar no foco das concessões

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, descartou conceder as atuais linhas estatais do Metrô de São Paulo para a iniciativa privada.

Além disso, a linha 17-Ouro de monotrilho deve continuar com operação pela Companhia do Metrô, que é pública, apesar de fazer parte da concessão da Linha 5-Lilás, de responsabilidade da ViaMobilidade (Motiva e RuasInvest).

Segundo explicou o governador, já em ritmo de pré-campanha, tentando a reeleição, tirando a linha 17 da ViaMobilidade, haverá um equilíbrio econômico em prol do Estado e, com o dinheiro, seria possível fazer novos investimentos.

A concessão da linha 17 junto com a linha 5 é desde 2018.

Isso é uma coisa que a gente vai tratar. Hoje, essa linha já está concedida para a ViaMobilidade. Mas existe uma intenção minha e eu vou tratar isso. Porque, por um lado, eu quero fazer novos investimentos nas linhas da ViaMobilidade. Por outro lado, me parece razoável que o metrô continue operando.

Se você for fazer um reequilíbrio econômico-financeiro, tirando a Linha 17 da ViaMobilidade, você tem um reequilíbrio que é favorável ao Estado, que essa linha deve se dar. Sendo favorável ao Estado, você já tem um reequilíbrio positivo. Essa diferença que é gerada pode ser utilizada em outros investimentos, em outras intervenções, nas linhas que já são operadas pela ViaMobilidade.

Tarcísio disse que não tem problema nenhum em mudar de posicionamento no caso das concessões de linhas metroferroviárias. O intuito é ampliar o número de operadores privados, mas em novas linhas. Já a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) deve continuar no foco das concessões.

A realidade é que o metrô está operando muito bem. E aí, hoje, a minha tendência é que continue o metrô operando essas linhas. Na verdade, eu estou pensando na expansão das linhas operadas pelo metrô hoje. Até porque você não pode correr o risco de ter muitas linhas operadas por poucos operadores privados.

Uma grande dificuldade que nós temos no setor do transporte ferroviário é a quantidade de operadores. É difícil mobilizar operadores estrangeiros para vir para cá, por uma série de razões. E você também não pode concentrar todo o transporte na mão de poucos operadores.

Então, hoje, a tendência é que as linhas operadas pelo metrô continuem operadas pelo metrô.

As declarações foram feitas na manhã desta terça-feira, 30 de junho de 2026, na entrega da estação Washington Luís do monotrilho da linha 17, na zona Sul, que passa a funcionar a partir desta quarta-feira (1º) das 9h às 16h.

Era a estação que faltava da linha 17-Ouro, o monotrilho da Copa de 20214, que só está sendo concluído agora, a Copa de 2026.

Com 12 anos de atraso, o monotrilho da linha 17-Ouro, sistema de média capacidade, está sendo entregue bem menor e bem mais caro que o projeto original.

A linha perdeu 10 estações e 11 km nesta primeira fase. De 17,7 km de extensão e 18 estações, com traçado em formato “Y” ligando o Jabaquara ao Estádio do Morumbi e a Congonhas, o sistema passa a ter, ainda em Y, com a inauguração, apenas 6,7 km e 8 estações (ligando a Estação Morumbi ao Aeroporto de Congonhas, com conexão na Linha 5-Lilás).

A demanda também é bem abaixo do estimado incialmente, que era de 235 mil passageiros, e agora será de cerca de 100 mil

Para se ter uma ideia, o corredor de ônibus Nove de Julho/Santo Amaro, que tem 14 km de extensão, atende a 609 mil passageiros por dia, de acordo com a SPTrans; e o Corredor Metropolitano ABD, de ônibus e trólebus entre o ABC Paulista e a capital, em 33 km atende a 290 mil pessoas por dia, segundo a Artesp.

O monotrilho vai ficar bem mais caro que o projeto original, mesmo bem menor, passando de uma estimativa de R$ 3,2 bilhões para os atuais R$ 6,1 bilhões.

A estação é a última da linha a ser entregue.

Com os avanços da operação, o horário vai ser ampliado.

O Diário do Transporte mostrou recentemente que a BYD, produtora dos trens, estima que a última composição que resta seja entregue no Porto de Santos, vindo da China, em 11 de julho de 2026.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/06/15/entrevista-byd-vai-investir-em-people-mover-e-sinalizacao-de-trens-pesados-no-brasil-e-nos-vizinhos-da-america-latina/

Uma sucessão de fatores fez com que o monotrilho da linha 17-Ouro não fosse bem sucedido como o planejado, desde a necessidade de refazer projetos, falência da fornecedora original dos trens, a Scomi, da Malásia; impactos da operação Lava Jato da Polícia Federal sobre as construtoras; descumprimentos de rompimentos de contratos, entre outros.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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