Linha 6-Laranja estreia em São Paulo com estação mais profunda da América Latina

Novo trecho do metrô entra em operação nesta semana com seis paradas, viagens gratuitas em horário reduzido e integração com a Linha 7-Rubi

ARTHUR FERRARI

A abertura do primeiro trecho da Linha 6-Laranja marcará um novo recorde para o transporte sobre trilhos de São Paulo. Entre as seis estações que começam a operar nesta semana está Água Branca, que passa a ser a estação de metrô mais profunda da América Latina, com 47,8 metros abaixo do nível da superfície.

Com a inauguração, Água Branca supera a Estação Santa Cruz, das linhas 1-Azul e 5-Lilás, que possui 41,5 metros de profundidade. A nova estação faz parte do trecho inicial da Linha 6-Laranja, que ligará João Paulo I a Perdizes nesta primeira fase de funcionamento.

O Governo do Estado estima que, quando toda a linha estiver concluída, o deslocamento entre Brasilândia, na zona norte da capital, e São Joaquim, na região central, será reduzido de cerca de uma hora e meia de ônibus para aproximadamente 23 minutos de metrô.

Além da profundidade recorde, Água Branca terá papel estratégico na integração do sistema de transporte. A estação permitirá conexão com a Linha 7-Rubi de trens metropolitanos e, futuramente, será um dos pontos de parada do Trem Intercidades, projeto que ligará São Paulo à cidade de Campinas (SP) em aproximadamente 64 minutos.

A grande profundidade das estações da Linha 6-Laranja decorre das características geológicas da região e do traçado adotado para a obra, que passa sob o Rio Tietê e também abaixo do túnel da Linha 4-Amarela.

Quando toda a linha entrar em operação, outras cinco estações estarão entre as mais profundas da rede metroviária paulista: Itaberaba-Hospital Vila Penteado, com 65,71 metros; Higienópolis-Mackenzie, com 64,86 metros; Bela Vista, com 60,68 metros; PUC-Cardoso de Almeida, com 60,51 metros; e São Joaquim, com 52,08 metros.

Nesta etapa inaugural, serão abertas as estações João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes. O funcionamento ocorrerá de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, exceto feriados, sem cobrança de tarifa para acesso às estações de metrô. A integração com a Linha 7-Rubi, porém, será tarifada.

A operação inicial será realizada em sistema shuttle, com dois trens, um em cada via, e intervalos médios de 19 minutos. Nesse período, a condução das composições será manual, com operadores a bordo. A previsão é que, futuramente, a linha passe a operar com trens autônomos.

Cada estação terá apenas um acesso liberado durante a fase inicial de operação, embora todas tenham sido projetadas com múltiplas entradas e saídas.

A Linha 6-Laranja é resultado de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Governo de São Paulo e a concessionária Linha Uni. Avaliado em R$ 19 bilhões, o empreendimento adota um modelo em que a mesma empresa é responsável tanto pela construção quanto pela futura operação da linha.

Ainda em 2026, a expectativa é de que o ramal seja ampliado com a inauguração das estações Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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