Nunes publica decreto de intervenção na Transunião
Publicado em: 25 de junho de 2026
Interventor será Ângelo Fêde, que integra a diretoria de operações da SPTrans; duração será de seis meses
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliveira
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, acaba de publicar no final da tarde desta quinta-feira, 25 de junho de 2026, o decreto de intervenção da SPTrans sobre a Transunião Transportes.
Nunes segue uma determinação da Justiça que atendeu o pedido do Ministério Público e da Polícia, que deflagraram hoje a Operação Última Parada, que investiga suspeita de ligação da empresa com o PCC, o Primeiro Comando da Capital.
Na operação, como mostrou o Diário do Transporte, foram presos diretores da companhia e o vereador Senival Moura, do PT, presidente da Comissão de Transportes da casa.
De acordo com o decreto, publicado em edição extra do Diário Oficial da Cidade, a intervenção irá durar por seis meses. Como interventor, foi nomeado Ângelo Fêde, funcionário da prefeitura há mais de 40 anos, que atua desde a época da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos) e integra o quadro da diretoria operacional da empresa.
A intervenção terá um comitê formado por membros da Controladoria Geral do Município, da Secretaria Municipal da Fazenda e da Procuradoria Geral do Município.
Ainda de acordo com o documento, a SPTrans poderá pedir apoio da Guarda Civil Metropolitana caso seja necessário o ingresso a força na garagem.


Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Vinícius de Oliveira
OUÇA: Nunes diz que fim da Transunião pode ser semelhante ao da Transwolff e UPBus. Gakya vê agravante em Senival presidir comissão de transportes
Prefeito ainda garantiu que funcionários, fornecedores e credores bancários terão pagamento garantidos
ADAMO BAZANI e VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Colaborou Arthur Ferrari
Prefeito Ricardo Nunes:
Promotor Lincoln Gakiya:
A Transunião, que opera em dois lotes de ônibus na zona Leste da cidade de São Paulo, pode ter um fim semelhante ao que ocorreu com a Transwolff, na zona Sul, e UPBus, na zona Leste, que também foram alvos de operação do Ministério Público e autoridades policiais que investigam possíveis ligações do transporte público da capital paulista com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
A companhia opera 50 linhas e transporta 262 mil usuários por dia.
A declaração na manhã desta quinta-feira, 25 de junho de 2026, é do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, em entrevista coletiva.
A Justiça, atendendo a pedido do Ministério Público, determinou a intervenção da prefeitura administrativa e operacional, por meio da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora das linhas municipais, sobre a Transunião, a exemplo do que ocorreu com a UPBus e com a Transwolff.
A depender da Prefeitura, eu faria a intervenção. Lembrando que em 2024, nós já fizemos a intervenção da Transwolff e da UpBus. A UpBus já concluiu, ela já não está mais no sistema. A Transwolff é a mesma coisa, eu fiz a caducidade.Infelizmente, até agora, a gente não teve uma decisão, um enredo com relação à questão judicial desses dois processos, de condenação ou não. Não seria bom se tivesse que ter uma celeridade nisso. Mas, por parte da Prefeitura, vamos continuar dentro dessa linha de muito rigor e de não aceitar, em hipótese alguma, qualquer tipo de vinculação de uma concessionária, de uma empresa que seja ligada à Prefeitura, tenha qualquer relação com atividade criminosa. – disse Nunes.
A UPBus teve as linhas transferidas para a Alfa Rodobus, que também surgiu de cooperativas de transportes coletivos e já atuava na cidade, e a Transwolff teria os serviços assumidos pela Sancetur, da família Chedid, do interior de São Paulo, que diante das dificuldades justamente de transição por haver correntes e grupos heterogêneos e até rivais dentro da companhia, acabou desistindo do negócio.
Como noticiou a reportagem do Diário do Transporte, a prefeitura vai lançar um processo para licitar as linhas da Transwolff após reorganizar a malha e repassar alguns serviços para empresas que atuam na região, como MobiBrasil, Grajaú, Transkuba, Campo Belo e Metrópole Paulista.
Nunes também garantiu que todos os pagamentos a funcionários, fornecedores e credores bancários da Transunião serão honrados, a exemplo do que ocorreu com a Transwolff e a UPBus.
A nossa preocupação maior é manter o serviço sendo prestado. Nós temos, dentro dessa empresa, um volume bastante grande de pessoas que são transportadas, mais de 200 mil por dia. É uma empresa que tem mais de 600 ônibus que operam dentro do sistema de transporte coletivo. Então, eu garanto que todos os colaboradores terão sua remuneração garantida, os fornecedores podem continuar fornecendo, porque nós vamos honrar os pagamentos, os trabalhadores podem continuar trabalhando, porque nós vamos honrar o pagamento dessas pessoas. A Prefeitura tomará, então, agora a administração se confirmada a intervenção e aí entra no processo de a gente poder ver readequação de linha ou a transferência dessa empresa para uma outra empresa fazer aquisição ou a caducidade. Mas a Prefeitura garante que o serviço se mantém de forma natural e normal. – prosseguiu Nunes.
Como mostrou o Diário do Transporte ainda nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, a Transunião foi alvo da Operação “Última Parada”, que resultou na prisão de diretores da empresa e do vereador Senival Moura (PT), quem, segundo o MP, tem fortes ligações com a empresa de ônibus, sendo um articulador de verbas públicas para a organização.
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, que coordena as operações contra o PCC pelo Ministério Público, o fato de Senival Moura ser presidente da Comissão de Transportes da Câmara Municipal é um agravante.
“Estamos vendo com muita preocupação a infiltração do crime organizado, sobretudo do PCC, na economia formal, aqui no setor de transportes metropolitanos urbanos. Só no primeiro semestre essa empresa recebeu mais de 180 milhões de subvenção do Poder Público Municipal, uma empresa cuja direção foi capturada pelo crime organizado, pelo PCC e também com um abraço dentro do Poder Legislativo Municipal, infelizmente tivemos um vereador preso hoje, é claro que nós não estamos atacando o Poder Legislativo, mas dizendo que o crime organizado está se infiltrando em todos os poderes. O vereador tinha uma função, inclusive, de ser o presidente da Comissão de Transportes, por mais de um mandato, então isso demonstra que o crime organizado realmente se sofisticou na lavagem de dinheiro e a Polícia Civil e o Ministério Público vão permanecer emanados desse combate.” – explicou em coletiva.
A Transunião, empresa que presta serviços de ônibus na zona Leste de São Paulo, é alvo da Operação Última Parada do Ministério Público e Polícia Civil, nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026.
São cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão.
Entre os presos está o vereador Senival Moura, do PT da capital paulista.
Também foi preso Jair Ramos de Freitas, vulgo “Cachorrão”, considerado um dos diretores ocultos da companhia.
Investigação é sobre supostas lavagem de dinheiro e fraudes em contratos e licitações
Há suspeitas também de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A Justiça determinou intervenção da prefeitura sobre a empresa, como ocorreu com a UPBus, na zona Leste, e Transwolff, na zona Sul.
O judiciário também decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia, bem como 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. O Poder Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião
Desde quando ocorreu a operação em 2024 na zona Transwolff, da zona Sul, e UPBus, da Zona Leste, o Ministério Público já havia sinalizado a continuidade de apurações sobre outras empresas. Isso muda a vida do cidadão e a estrutura dos transportes de São Paulo. As linhas da Transwolff sertão licitadas confoirnme confirmou o prefeito Nunes no domingo. A UPBus foi assumida por outra empresa. A Transunião deve seguir pelo mesmo caminho.
Um dos aspectos levantados pela investigação é que Senival atuava no sentido de viabilizar transferências de recursos públicos para a Transunião, usando sua influência e prerrogativas como parlamentar.

Além da intervenção operacional da SPTrans (São Paulo Transporte), o MP pediu e a Justiça concedeu o afastamento do quadro de diretores para a prefeitura também gerir financeiramente a empresa, ou seja, são medidas operacionais (ônibus nas ruas, manutenção, abastecimento de diesel ou carga de baterias) e também administrativas, de gestão em si. Os caminhos nestas situações são:
- Gestão pública local, neste caso, a SPTrans, recebe a notificação judicial para intervenção que pode ser somente operacional, somente de gestão ou ambas. Nesta determinação sobre a Transunião, foi para ambas já que a Justiça determinou a suspensão da atividade econômica. Exemplo de intervenção operacional: colocar os ônibus nas ruas. Exemplo de intervenção administrativa: gerir os recursos dos créditos do bilhete único devidos pelas operações
- A intervenção pode ser de até 180 dias, prorrogáveis pelo mesmo período
- Ao fim de todo o processo legal, dependendo do modelo contratual, a prefeitura pode: a) devolver a operação e a gestão à diretoria original da empresa; b) redistribuir as linhas entre as empresas que já operam na cidade; c) Fazer chamamento publicou o possibilitar a transferência do contrato (foi o caso da UPBus para a Alfa Rodobus; d) caso chamamento ou transferência sejam fracassados, licitar as linhas (caso da Transwolff).

Por meio de nota, a prefeitura informou que as linhas operam normalmente e que, assim que for notificada, vai cumprir as determinações da Justica.
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans, informa que a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população. A Administração Municipal aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora.
O prefeito Ricardo Nunes relembra o romprimento de contrato com a Transwolff e UPBus, confirmando a apuração do Diário do Transporte que o mesmo pode ocorrer com a Transunião.
“Estamos acompanhando o desdobramento da operação ao mesmo tempo em que temos toda a atenção para que o serviço funcione plenamente, o que tem ocorrido normalmente desde as primeiras horas da manhã. Gostaria de lembrar que assinei dois decretos em 2024 para romper contratos com uma empresa de ônibus que teria relação com o crime organizado. Nossa gestão mantém o compromisso de oferecer o melhor serviço para os 7 milhões de passageiros diariamente na cidade. As medidas cabíveis em relação à empresa Transunião serão tomadas assim que a administração for notificada pelos órgãos competentes”.
Em nota, o Ministério Público e SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Estado de São Paulo trazem mais detalhes:
Desde as primeiras horas desta quinta-feira (25/6), centenas de
Uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo cumpre, nesta quinta-feira (25), mandados judiciais contra suspeitos envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de empresa de ônibus. A ação acontece na capital, Grande São Paulo e na cidade de Extrema, em Minas Gerais.
Até o momento, três pessoas foram presas, entre elas um vereador da cidade de São Paulo e integrantes da facção criminosa. No total, são cumpridos 103 mandados de busca e apreensão.
As ordens judiciais são cumpridas por policiais civis do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e agentes do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
As investigações tiveram início após o assassinato do tesoureiro da empresa de ônibus investigada, ocorrido em 2020. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, foram reunidas provas que apontam para o uso da empresa como instrumento para lavagem de capitais da organização criminosa.
Ainda de acordo com os investigadores, foi identificada a atuação de um núcleo paralelo responsável por decisões estratégicas da empresa, incluindo transferências de recursos para integrantes de uma facção criminosa. A apuração também aponta irregularidades na estrutura societária da concessionária. Conforme apurado, o capital social da empresa saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem que a origem dos recursos fosse devidamente esclarecida.agentes públicos de uma força-tarefa constituída pela Polícia Civil, por meio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), e pelo MPSP, por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), estão cumprindo mandados judiciais em endereços da capital, da Grande São Paulo e do município de Extrema (MG) expedidos no âmbito da Operação Última Parada, que resultou na prisão de cinco alvos, dentre eles um vereador da maior cidade do país, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do presidente da empresa de transporte coletivo Transunião.A investigação, iniciada a partir do assassinato de Adauto Soares Jorge (até então presidente da companhia), em 2020, coligiu provas robustas no tocante à utilização da concessionária, que só em 2025 auferiu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano, pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital para a prática de lavagem de capitais. A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia, bem como 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. O Poder Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião e a comunicação à prefeitura para adoção das providências administrativas, regulatórias e contratuais cabíveis, incluindo intervenção administrativa, garantindo assim a regularidade do atendimento à população.De acordo com o MPSP e a Polícia Civil, no curso da investigação comprovou-se a existência de um núcleo paralelo que toma as decisões relativas à empresa, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC. Além disso, a própria mudança societária da companhia, segundo a investigação, teve origem delituosa, havendo um salto em seu capital social de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões sem que a origem desses novos recursos ficasse clara. Outro fator que chamou a atenção do MPSP e da Polícia Civil foi o fato de o circuito econômico usado para a lavagem de capitais detectado na Operação Última Parada ter pontos de contato com os dos esquemas investigados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, esta última deflagrada pela Polícia Federal com foco no tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a ‘Ndrangheta, grupo mafioso sediado na Itália.Em 2024, o GAECO deflagrou a Operação Fim da Linha, desarticulando duas organizações criminosas que lavavam recursos ilícitos do PCC provenientes de tráfico de drogas, roubos e outros delitos por intermédio da UPBUS e da Transwolff, duas empresas de ônibus responsáveis pelo transporte de cerca de quase 700 mil passageiros diariamente na maior cidade do país. Elas receberam mais de R$ 800 milhões de remuneração da Prefeitura de São Paulo em 2023.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


PT envolvido com corrupção e crime organizado, nenhuma novidade.
Desde os “escândalos” da TranWolff e UPBus já pairava o receio de que não fossem só aquelas duas.
Basta voltar na história: Tais empresas foram formadas a partir das cooperativas de perueiros autônomos, quem antes operavam de forma independente e informal porém sob “licença e vigilância” de grupos criminosos que há décadas “patrulham” as regiões atendidas pelos perueiros.
Daí que a formação das cooperativas e a posterior conversão delas em empresas só puderam acontecer, na prática, com o consentimento não-formal daqueles mesmos que não aparecerm à luz da formalidade, porém informalmente dão a última palavra.
Ou alguém acreditava mesmo que o reconhecimento e a formalização dos perueiros bastariam, pra que o poder-paralelo simplesmente se retirasse do ramo???