Ferrovias serão incluídas no Fundo do Clima, diz Alckmin

 

Vice-presidente da República disse em evento de entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte, em Mato Grosso, que “não há nada mais ambientalmente correto que os transportes ferroviários”

ADAMO BAZANI

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro dos Transportes, George Santoro, participaram neste sábado, 20 de junho de 2026, da entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte e do novo terminal ferroviário da BR-070, em Dom Aquino (MT). Com 160 km de extensão, o empreendimento é composto por 130 vagões para transportar grãos do Centro-Oeste ao Porto de Santos (SP). A obra mobilizou mais de 65 empresas contratadas e registrou mais de 5 mil profissionais em campo.

Nos discursos, Alckmin disse que o Governo Federal estuda incluir projetos de obras ferroviárias para obtenção de financiamentos do Fundo Clima, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Atualmente, a linha já financia materiais rodantes com baixas emissões, como locomotivas, carros metroferroviários e ônibus elétricos.

Conseguimos incluir a compra de locomotivas. E vamos trabalhar para incluir os trilhos também. Não há nada mais ambientalmente correto do que ferrovia. Reduz emissão de carbono e diminui acidentes.”  – discursou Alckmin.

Desenvolvida pela Rumo Logística, a extensão da Malha Norte integra o Novo PAC do Governo do Brasil e conta com mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados nesta etapa. Os recursos foram captados por meio de financiamento via Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e debêntures pelo BNDES.

Segundo o Ministério dos Transportes, a extensão da Malha Norte integra a Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT), projeto que prevê mais 743 quilômetros de extensão entre Rondonópolis (MT) e Lucas do Rio Verde (MT), com ramal para Cuiabá (MT). Passa por 16 municípios e conecta a produção mato-grossense à malha ferroviária nacional.

A primeira fase compreende a implantação de 162 quilômetros de ferrovia em traçado totalmente novo, aproximando os trilhos das regiões produtoras e ampliando a eficiência do transporte de cargas no principal corredor logístico do agronegócio brasileiro.

O novo terminal ferroviário da BR-070, em Dom Aquino, terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano. As operações do terminal terão início em fase de comissionamento, com testes operacionais.

O BNDES já possui uma linha de financiamento para construção de ferrovias e compra de trens com prazo de 40 anos. Habitualmente, obras de infraestrutura recebem prazos de 25 anos.

Com a possível inclusão no Fundo do Clima, a proposta é aumentar os recursos disponíveis para o setor ferroviário e a possibilidade de acesso.

Estão no radar do Governo Federal viabilizar oito projetos ferroviários que devem custar R$ 160 bilhões:

  • Ferrogrão: Conexão entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), projetada para escoar a produção de grãos pelo Norte do país.
  • Malha Oeste: Revitalização e modernização de cerca de 1.900 km de trilhos ligando São Paulo ao Mato Grosso do Sul
  • Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118): Nova rota logística que deve ligar o Rio de Janeiro ao Espírito Santo.
  • Corredor Minas-Rio: Integração ferroviária focada na otimização do escoamento de minério e cargas gerais entre os dois estados.
  • Corredor FICO-FIOL: Projeto que conectará a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), criando um corredor de 1.700 km.
  • Corredor Rio Grande: Projetos voltados à eficiência e expansão do escoamento e transporte de cargas no Rio Grande do Sul e região Sul.
  • Corredor Mercosul: Estruturação de malha para facilitar o trânsito e a integração do transporte de cargas entre o Brasil e países vizinhos.
  • Extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul e Corredor Paraná-Santa Catarina: Consolidação do traçado da Norte-Sul em direção ao extremo norte do país e melhorias nas malhas logísticas entre PR e SC.

Em nota, o Ministério dos Transportes fez um balanço dos aportes já realizados entre 2023 e 2025 que ultrapassaram R$ 30,5 bilhões:

A entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte ocorre em um momento de expansão dos investimentos ferroviários no país. Entre 2023 e 2025, os aportes em infraestrutura ferroviária somaram R$ 30,54 bilhões, reflexo de um ciclo de crescimento que impulsiona projetos de ampliação, modernização e aumento da capacidade logística do setor. 

O movimento reforça a retomada do modal ferroviário no atual governo como eixo estruturante da logística nacional e cria condições para a execução de novos projetos em diferentes regiões do país.

Com o Novo PAC, o Governo do Brasil retomou investimentos estratégicos no modal ferroviário, com recursos destinados à recuperação e expansão da infraestrutura sobre trilhos. Paralelamente, as concessionárias ampliaram seus aportes em um ambiente de maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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