ENTREVISTA: Cuidar das condições de trabalho de motoristas profissionais é um dos melhores investimentos, aponta OIT

Especialista fala da importância do desenvolvimento de soluções em conjunto entre empresas e trabalhadores. Isso vale para aumento de eficiência, redução de custos e para atrair mão de obra

ADAMO BAZANI

Dados globais da OIT (Organização Internacional do Trabalho) confirmaram que uma das melhores formas de as empresas de transportes conseguirem ampliação da lucratividade e redução dos custos, além de mais segurança em contratos, é investir na melhoria das condições de trabalho dos colaboradores, em especial, dos motoristas profissionais. Não se trata de dar além do que se merece: mais investir e ter visão estratégica e de futuro.

Motoristas profissionais com vínculos empregatícios, como de ônibus, e por aplicativos estão entre os focos mais recentes do órgão global.

Na 114ª Conferência Internacional do Trabalho (CIT) da OIT, que ocorreu em Genebra, na Suíça, entre 1º e 12 de junho de 2026, os transportes foram temas principais.
O evento principal reuniu representantes de governos, empregadores e trabalhadores de 187 países para debater normas trabalhistas, com destaque para a aprovação do tratado histórico sobre trabalho na economia de plataformas tecnológicas.

A Convenção 161 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), fruto da conferência, se tornou a primeira norma internacional voltada especificamente para trabalhadores vinculados a plataformas digitais de serviços. Batizada de Convenção Internacional Sobre o Trabalho Decente na Economia de Plataformas, a iniciativa buscou responder ao crescimento acelerado de modelos de negócios baseados em aplicativos que conectam consumidores a profissionais autônomos em atividades como transporte de passageiros, entregas, serviços domésticos, tecnologia e outras modalidades de trabalho sob demanda.

O documento foca em direitos fundamentais e determina que os países formulem, de forma independente e de acordo com suas realidades, políticas para combater a precarização, garantir transparência algorítmica e proteção social:

Proteção Social e Seguridade: Exige que os países garantam redes de proteção contra acidentes, doenças ocupacionais e aposentadoria.

Transparência Algorítmica: Obriga as plataformas a explicarem claramente como funcionam seus sistemas de avaliação, bloqueios e punições, permitindo que o motorista conteste decisões injustas.

Remuneração Justa: Estabelece diretrizes para que os ganhos mínimos sejam discutidos e respeitem a dignidade do trabalhador na “economia de plataformas”

ÔNIBUS E CAMINHÕES:

Para os motoristas com vínculo, foi consenso nos debates que empresas devem tratar as melhorias nas condições de trabalho não somente como um ato de dignidade, mas estratégico e de investimento. Isso vale para aumento de eficiência, redução de custos e para atrair mão de obra.

A advogada especializada em risco empresarial, Liana Variani, esclarece ao leitor do Diário do Transporte, sobre a necessidade de as soluções entre empresas e trabalhadores serem construídas em conjunto.

“As legislações devem ser rigorosamente respeitadas. Mas hoje, faz a diferença a empresa que vai além do papel da lei e, chama as representações trabalhistas e diretamente os próprios colaboradores para encontrar soluções em conjunto para as mais diferentes realidades. Uma equipe de análise de risco jurídico pode ajudar muito para estabelecer estas formas de diálogos e posso dizer, em grande parte dos casos, pequenos ajustes, com um lado ouvindo o outro, evitam grandes problemas” – aconselha Liana Variani.

Entre os principais benefícios de oferecer melhorias para os trabalhadores, tanto em relação a incentivos financeiros, frota, planos de carreira, jornada e respeitabilidade estão:

Reduzir custos operacionais

  • Menos sinistros: diminui batidas e acidentes graves.
  • Menor absenteísmo: reduz faltas por problemas de saúde.
  • Menos processos: evita ações trabalhistas e indenizações.
  • Economia de combustível: motoristas descansados guiam melhor.
  • Menos manutenção: reduz o desgaste prematuro dos veículos

Reter talentos e valorizar a equipe

  • Menor turnover: reduz a rotatividade de funcionários.
  • Custo de seleção: economiza com novos recrutamentos.
  • Custo de treinamento: evita gastos constantes com integração.
  • Clima organizacional: melhora a motivação da equipe.
  • Atração de profissionais: atrai os melhores motoristas do mercado

Aumentar a segurança e eficiência

  • Mais atenção: motorista descansado reage mais rápido.
  • Menos fadiga: evita cochilos e distração ao volante.
  • Cumprimento de horários: viagens mais fluidas e previsíveis.
  • Direção defensiva: maior respeito às leis de trânsito.

Melhorar a imagem institucional

  • Satisfação do cliente: passageiros notam o bom atendimento.
  • Valorização da marca: empresa vista como socialmente responsável.
  • Pontuação em licitações: melhor score em contratos públicos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. GERSON CARVALHO disse:

    Boa noite a todos!.

    Pena que a Next Mobilidade não faz isso! Infelizmente, vive de Marketing, além de querer “abraçar o mundo”, em suas expansões e não pensar na melhoria de condições de trabalho, inclusive, por parte da proprietária, que sempre propõe aumentos pífios à categoria!

    Transportando você para o Futuro… Futuro com frota velha, burnout, assédio, falta de valorização da categoria, gestão autocrática, etc, etc, etc…

    Abraços!

    GERSON CARVALHO

  2. Carlos André disse:

    Até que um dia,estão focando nos motorista de transporte passageiro, depois de anos tomara que seguem assim porque horário,trânsito lhe dar com passageiro mal intencionado trocar dinheiro oras de trabalho ultrapassando, limite do ser umano se esgota só trás doença mais adiante graças a Deus estão encerrando isso.

  3. Gisele Queiroz disse:

    Boa tarde! Sou motorista de onibus urbano e tenho certeza absoluta que esta matéria é o início de um novo mundo construtivo entre empregado e empregador . Facilita a maneira de agir , de interagir e de restabelecimento da melhor maneira de se propor a um trabalho de qualidade e também de ter uma empresa organizada e bem sucedida por questões humanos e dignos entre as partes .

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