Produção de ônibus no Brasil acumula alta de 7,1%, mas emplacamentos caem 16,3% diz Anfavea

Maior queda foi da Scania, com 42,1%; Mercedes-Benz lidera mercado, mas também caiu

ADAMO BAZANI

Com 13.885 unidades a produção de chassis de ônibus no Brasil acumulou alta de 7,1% entre janeiro e maio de 2026 na comparação com semelhante período de 2025, mas o mercado registra queda de 16,3% nos licenciamentos com 8.097 veículos entre os mesmos períodos.

A maior queda dos emplacamentos neste acumulado foi da Scania, com recuo de 42,5% e 157 unidades. Entre janeiro e maio de 2025, a Scania emplacou 273 coletivos.

A Mercedes-Benz continua liderando o mercado de ônibus, com 3.287 emplacamentos, mas também caiu: 21,3%

Todas as empresas associadas a Anfavea registraram recuo. A menor baixa foi da Agrale: 8,6% e 903 unidades.

A discrepância entre os dados de produção e licenciamento ocorre por causa do método de produção e comercialização da grande maioria dos ônibus no Brasil, por encarroçamento. Entre o pedido do veículo e o emplacamento podem se passar entre três meses e seis meses.

Em geral, primeiro a viação encomenda o ônibus, depois é feito o chassi. Este chassi é levado de carreta para a fábrica de carrocerias. Depois o ônibus é levado à viação que só aí emplaca.

Assim, a tendência (mas não regra) é de que se há alta em produção hoje e queda em licenciamento, futuramente os licenciamentos ou terão alta ou terão queda menor.

As expectativas quanto ao comportamento do mercado são divididas.

Se por um lado o segmento de urbanos vai mal e não deve ter uma recuperação relevante, em especial por causa dos impactos do preço do diesel em decorrência da guerra no Oriente Médio e da ausência de políticas públicas de mobilidade e incentivos ao transporte individual; por outro lado, justamente por causa da Guerra, o segmento de rodoviários deve ir bem. Isso porque, o preço do combustível de aviação subiu mais que o diesel e a oferta de viagens aéreas caiu com os preços das passagens explodindo. A demanda do avião não migra para o ônibus urbano, mas parte dela vai para o rodoviário. A retomada das autorizações da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para mais de 47 mil novos mercados em linhas rodoviárias interestaduais também deve ter impactos.

Ocorre que, por melhor que vá o desempenho dos rodoviários, em volume, a quantidade é bem menor que dos urbanos. Porém, em valor agregado, é mais alto.

Pesa favoravelmente a expectativa de conclusão de compras públicas como as 7.470 unidades do Caminho da Escola do Governo Federal (que pode cair para 5.470 se o TCU – Tribunal de Contas da União não liberar a compra para um dos lotes de duas mil unidades) e o Caminho da Saúde, com 3 mil veículos, sendo 1,5 mil vans e 3 mil micro-ônibus.

PRODUÇÃO:

Acumulado:

2026: 13.885 unidades

2025: 12.966 unidades

Alta de 7,1%

No mês:

2026: 2.975 unidades

2025: 2.920 unidades

Alta de 1,9%

Mês anterior: 3.095 unidades

Queda de 3,9 %

EMPLACAMENTOS:

Acumulado:

2026: 8.097 unidades

2025: 9.672 unidades

Queda de 16,3%

No mês:

2026: 1.603 unidades

2025: 1.943 unidades

Queda de 17,5 %

Mês anterior: 2.049 unidades

Queda de 21,8%

EXPORTAÇÕES:

Acumulado:

2026: 1.783 unidades

2025: 2.633 unidades

Queda de 32,3 %

No mês:

2026: 402 unidades

2025: 488 unidades

Queda de 36%

Mês anterior: 431 unidades

Queda de 6,7 %

MARCAS EMPLACAMENTO – ACUMULADO DO ANO

1º Mercedes-Benz: 3.287 unidades – queda de 21,3%

2º Volkswagen: 2.180 unidades – queda de 12,4%

3º Iveco: 903 unidades – queda de 8,6%

4º Agrale (contando com Volare): 892 unidades – queda de 35,2%

5º Volvo: 170 unidades – queda de 26,1%

6º Scania: 157 unidades – queda de 42,5%

Marcas não associadas à Anfavea: 508 unidades – alta de 276,3%

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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