Move Brasil 2 já teve consumido de 1/3 das verbas de R$ 21,2 bilhões e não deve passar de julho
Publicado em: 8 de junho de 2026
BNDES divulgou novo balanço nesta segunda-feira (08). Já foram aprovados R$ 6,6 bilhões. Ônibus devem ter recursos esgotados primeiro. Banco lança cartilha
ADAMO BAZANI
Mais de 1/3 dos R$ 21,2 bilhões do Programa Move Brasil, fase 2, que financia caminhões, ônibus, implementos rodoviários e tratores já foi consumido cerca de cinco dias depois da liberação efetiva da linha de crédito, que ocorreu em 29 de maio de 2026.
O balanço é do próprio BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) nesta segunda-feira, 08 de junho de 2026.
Segundo a instituição de fomento, já foram aprovados R$ 6,6 bilhões.
O volume corresponde a 31,2% da dotação orçamentária do programa. Deste total, R$ 3,1 bilhões já foram contratados e R$ 299,7 milhões, desembolsados.
A expectativa é que os recursos sejam completamente utilizados até o final de julho de 2026, muito embora, formalmente, a adesão pode ir até 28 de agosto de 2026.
Os financiamentos de ônibus, cuja destinação foi de R$ 2 bilhões no total, devem ser esgotados antes que isso.
Como mostrou o Diário do Transporte, logo no primeiro dia de operação, destes R$ 2 bilhões para ônibus, R$ 400 milhões haviam sido contratados.
Relembre:
No balanço desta segunda-feira, 08 de junho de 2026, o BNDES ainda informou que até agora o Move 2 contabiliza 4,9 mil operações, atendendo transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas associadas a cooperativas, empresários individuais e pessoas jurídicas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas e passageiros em 1.056 municípios de todas as regiões do país. O ticket médio foi de R$ 1,3 milhão por operação. A maior parte dos recursos foi destinada aos frotistas, com R$ 6,58 bilhões, em 4,8 mil operações. Foram aprovados R$ 43,8 milhões para clientes autônomos, em 104 operações. Os financiamentos estão sendo realizados por meio da rede de agentes financeiros parceiros do BNDES.
Por meio de nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, reconhece que o resultado é fruto de uma demanda reprimida por crédito.
“Esse resultado demonstra tanto a força da demanda do setor quanto a capacidade do BNDES de responder com velocidade e escala. Estamos falando de um programa que vai renovar a frota do país, retirando da estrada veículos poluentes, aumentar a segurança, fortalecer a logística nacional e aquecer a cadeia automotiva. É desenvolvimento econômico com impacto direto na vida das pessoas”, disse
CARTILHA:
O BNDES ainda informou que lançou uma cartilha para esclarecer motoristas autônomos e proprietários de empresas para tirar a principais dúvidas quanto à linha de financiamento.
O material pode ser acessado neste link: https://www.bndes.gov.br/wps/wcm/connect/site/129e2f3d-2777-48b7-a582-a1078c06a1dc/Cartilha+BNDES+Mais+Mobilidade.pdf?MOD=AJPERES
JUROS, PRAZOS E COMO ACESSAR:
Ainda na nota, o BNDES explica que as taxas de juros são até de 12,36% a.a. – ao ano – (ou 11,26% a.a. em caso de entrega do veículo usado para desmontagem).
Os prazos para o pagamento variam entre 60 meses (para transportadoras de cargas) e 120 meses (para caminhoneiros e para ônibus). Há possibilidade de financiamento de caminhões seminovos, fabricados a partir de 2012 (padrão de redução de emissões Euro V em diante).
Conheça o programa – Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa Move Brasil amplia o apoio às iniciativas de renovação de frota no país. A iniciativa prevê reserva de R$ 2 bilhões para aquisição de ônibus e micro-ônibus, além de R$ 2 bilhões para transportadores autônomos de cargas e pessoas físicas associados a cooperativas. No novo programa, a compra de caminhões e caminhões-tratores seminovos será permitida apenas para transportadores autônomos e cooperados.
Para veículos novos, o programa exige fabricação nacional, credenciamento no CFI do BNDES e atendimento ao padrão Proconve P-8 (Programa de Controle de Emissões Veiculares). No caso de caminhões e caminhões-tratores seminovos, os veículos devem ter fabricação a partir de 2012, atender à fase P-7 do Proconve e observar critérios de rastreabilidade fiscal.
As condições de financiamento variam conforme o perfil do beneficiário. Para autônomos, o prazo total poderá chegar a 120 meses, com até 12 meses de carência. Para empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas, o prazo poderá chegar a 60 meses, com até 6 meses de carência. Para empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de passageiros, o prazo poderá chegar a 120 meses, com até 6 meses de carência.
As taxas de juros podem alcançar patamares competitivos em relação às taxas praticadas no mercado, próximo a 13% ao ano. O programa prevê limite de financiamento de até R$ 50 milhões por cliente, sem valor mínimo, admite a utilização de fundos garantidores, conforme disponibilidade, regras específicas de cada fundo e política do agente financeiro.
Além dos veículos e implementos, poderão ser financiados itens associados à operação, como seguro do bem, seguro prestamista e comissão de fundos garantidores, desde que contratados em conjunto com o financiamento. Esses itens adicionais são elegíveis para clientes com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões.
Como acessar – Os interessados devem procurar uma instituição financeira credenciada ao BNDES. O Banco não realiza operações diretamente com os clientes finais nessa modalidade. Caberá ao agente financeiro analisar o crédito, negociar as condições finais da operação e encaminhar o pedido ao BNDES, conforme as regras do programa.
O prazo para protocolo das operações no sistema do BNDES vai até 28 de agosto de 2026, e a data limite para comunicação da contratação ao Banco é 28 de setembro de 2026. O programa poderá ser suspenso ou encerrado antes dessas datas em caso de esgotamento da dotação orçamentária disponível.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

