Eletromobilidade

VÍDEO: Ônibus-bala nos Estados Unidos pode ser opção a fracassado trem-bala que custaria R$ 166 bilhões

Inspirado no O-Bahn, da Austrália; nas Autobanhs alemãs; e no projeto do astronauta holandês Wubbo Ockels; ônibus pode se aproximar de 250 km/h e reduzir tempo de viagens das atuais nove horas para três horas entre San Francisco e Los Angeles

ADAMO BAZANI

Não é ficção científica: é assim que classifica documento oficial da Caltrans, a autoridade de transportes do estado da Califórnia, um projeto que ficou conhecido como “ônibus-bala” e deve ser alternativa para um sistema de trem-bala entre San Francisco e Los Angeles que jamais saiu do papel e custaria aos cofres públicos US$ 33 bilhões, algo próximo de R$ 166 bilhões.

O Governo cancelou em meados de 2025 as verbas bilionárias que iriam para o trem após um relatório federal classificar o projeto como uma “ferrovia para lugar nenhum”, devido ao custo e á complexidade de implantação.

O veículo tem até desenho projetado pronto e, segundo a Caltrans, se mostra viável, economicamente mais vantajoso e até mesmo ecologicamente porque, apesar de usar pneus, seria a hidrogênio, gás natural ou elétrico, e as obras trariam bem menos impactos ambientais que o sistema de trens.

De acordo com projeções da Caltrans, o veículo seguiria em corredor exclusivo pelos eixos das rodovias Interestaduais 5 e 80 e da Rota 101 norte-americanas.

O ônibus teria velocidade entre 162 km/h e 255 km/h a ligação entre as duas metrópoles que é feita hoje em nove horas cairia para uma média de três a quatro horas.

A velocidade é menor que de um trem-bala, mas traria a redução de tempo de trajeto de forma significativa sem comprometer a atratividade da roda, diz o relatório.

O projeto, que prevê ainda uma aerodinâmica na carroceria que ampliaria o desempenho e reduziria o peso não nasceu de um sonhador, segundo a Caltrans.

Está sendo desenvolvido por uma equipe de “técnicos altamente capacitados”, de acordo com a Caltrans, e deve superar desafios como curvas, áreas com menor espaço disponível (o que dificultaria os trens) e poderia ser flexível, com viagens começando fora do corredor como desempenho de um ônibus comum, para alcançar seu pico nas partes dedicadas e exclusivas do trajeto.

São três as inspirações iniciais: o O-Bahn, da Austrália; nas Autobanhs alemãs; e no projeto de Superbus do astronauta holandês Wubbo Ockels:

Autobanhs:

As famosas rodovias federais da Alemanha têm uma tecnologia de pavimento e um desenho elaborado justamente para permitir altas velocidade. Somam mais 13 mil km de extensão, são conhecidas mundialmente pela altíssima qualidade do asfalto, ausência de pedágios e trechos sem velocidade máxima estipulada. A velocidade mínima é de 60 km/h.

O-Bahn:

O-Bahn é um sistema de corredores guiados que combina as características de um ônibus com a velocidade e o traçado de um metrô ou trem. Opera principalmente em Adelaide, na Austrália, onde se tornou um ícone de mobilidade urbana

Possui as seguintes características:

Vias Guiadas: Os ônibus circulam em uma pista exclusiva de concreto em formato de “U”, que possui guias laterais elevadas

Rodas-guia: Os veículos são equipados com pequenas rodas horizontais localizadas perto dos pneus dianteiros. Quando entram na pista, essas rodas se apoiam nas guias laterais, permitindo que o motorista solte o volante e o ônibus seja guiado automaticamente pelos trilhos de concreto.

Flexibilidade: Fora da via guiada, o O-Bahn funciona como um ônibus articulado comum, circulando pelas ruas da cidade, pegando passageiros nos subúrbios e chegando até o centro de Adelaide

Velocidade: Na pista guiada, os ônibus conseguem viajar com segurança a velocidades de até 100 km/h, o que reduz drasticamente o tempo de viagem e evita congestionamentos. A viagem de 12 a 15 quilômetros leva cerca de 20 minutos.

Superbus Holandês:

 

O Superbus foi um projeto de Wubbo Ockels, o primeiro holandês no espaço, que dizia que “os trens eram lentos demais”. Em parceria com a Universidade de Delft e com o apoio da aerodinamicista Antonia Terzi, ex-integrante da equipe alemã de Fórmula 1 BMW-Williams, projetou o automóvel baixo de 15 metros de comprimento. O projeto foi descontinuado após ter morrido.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Não estou atualizado sobre o andamento da obra do trem-bala entre Los Angeles e San Francisco. Mas se algo fracassou ali, é o planejamento e a execução da obra, e não o emprego da tecnologia ferroviária.
    Não bastasse haver quem tire o BRTs de contexto pra tentar vendê-lo como substituto ao metrô, agora aparece gente inventando ônibus-bala pata brigar com ferrovias de alta velocidade.
    Nem o hospício merece isso…

  2. Leandro Alves disse:

    É o fura fila

  3. George Quintas disse:

    Excelente opção para substituir o trem bala SP RJ SP que nunca sai do papel…

  4. Rodrigo Zika! disse:

    Seria interessante por ser via segregada.

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