Eletromobilidade

BRT-ABC faz testes de portas de plataforma, telões com previsão de horários, pontos de ultrapassagem e acessibilidade das paradas – EM PRIMEIRA-MÃO COM VÍDEO

NEXT Mobilidade confirma início da primeira fase com 20 ônibus superarticulados elétricos

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

A NEXT Mobilidade, responsável pela implantação e operação do BRT-ABC, iniciou os testes práticos de itens de acessibilidade, de ITS (tecnologia de monitoramento e integração de funções) e portas de plataformas das paradas do sistema de ônibus elétricos que vai fazer a ligação entre São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano, no ABC Paulista, e à cidade de São Paulo.

Também passa por testes finais o sistema de bilhetagem eletrônica, que terá reconhecimento facial e possibilidade de pagamento com o Cartão TOP, QR Code, aplicativo e cartão de banco por aproximação.

O pagamento da tarifa será na estação e não nos ônibus, É o chamado pré-embarque, que agiliza a entrada nos veículos e libera mais espaço para os passageiros.

A NEXT Mobilidade produziu um vídeo com as imagens dos testes.

Outro item que já está em fase de conclusão de testes é o sistema de telões nas paradas, que informa em tempo real a previsão de chegada dos ônibus dos três tipos de linhas:

– Parador: que vai atender a todas as paradas

– Semi-expresso: atendendo às paradas de maior demanda de passageiros

– Expresso: fazendo a ligação direta entre os três terminais do sistema: São Bernardo do Campo, Tamanduateí (São Paulo) e Sacomã (São Paulo).

Para que este esquema operacional não perca eficiência, com o expresso tendo de esperar cada embarque e desembarque do parador, por exemplo, em alguns trechos do BRT-ABC haverá pontos de ultrapassagem entre os ônibus. A sinalização destes pontos também passa por testes, assim como os motoristas estão em treinamento para este tipo de operação.

A acessibilidade será por rampa. Os ônibus são de piso baixo e as estações estão alinhadas no mesmo nível do assoalho interno dos veículos.  O piso é podotátil para pessoas com limitação visual.

Estas paradas possuem portas que se abrem simultaneamente à abertura das portas dos ônibus, na mesma lógica das estações de metrô que possuem a tecnologia.

Ainda de acordo com o material divulgado ao Diário do Transporte, cada parada terá um “porteiro eletrônico” pelo qual o passageiro vai poder conversar ao vivo com a central de monitoramento e segurança do BRT-ABC.

As paradas vão oferecer wi-fi para acesso à internet, bancos para espera dos veículos, ar-condicionado e tomadas para carregar o celular.

Como mostrou o Diário do Transporte, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, irritado com os atrasos nos trabalhos, que deveriam ter sido entregues em 2023, ameaçou a quebrar todo o contrato com a NEXT Mobilidade (caducidade do contrato) e ainda a Artesp, agência que regula os transportes, decretou um desequilíbrio em favor do Estado de cerca de R$ 130 milhões.

A empresa diz que o não cumprimento dos cronogramas até então ocorreram porque concessionárias de serviços públicos, como a Enel, não estavam entregando intervenções como remoção de postes e ligação de fiações de alta tensão.

No último dia 15 de maio de 2026, Tarcísio, em agenda no ABC Paulista, disse que verificou o andamento das obras e percebeu que os trabalhos ganharam ritmo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/05/16/entrevista-tarcisio-diz-nesta-sexta-15-que-obra-do-brt-abc-comecou-a-andar-bem-e-que-obras-da-linha-20-rosa-vao-demorar-cinco-anos-com-quatro-tatuzoes/

Em nova nota enviada ao Diário do Transporte, a NEXT Mobilidade confirmou que ainda neste semestre a primeira fase do BRT-ABC vai estar em operação.

O início deve ser com 20 ônibus superarticulados 100% elétricos com baterias. Cada veículo foi configurado para 146 passageiros. Quando estiver 100% pronto, o BRT-ABC deve ter 92 veículos. Os outros 72 serão do tipo E-trol, que funcionam ligados à rede aérea no sentido para São Paulo, e voltam para São Bernardo do Campo desconectados, somente com a energia armazenada nas baterias.

Por serem elétricos, os dois tipos de ônibus têm emissões atmosféricas zero na operação e o nível de ruído é muito baixo.

Este primeiro trecho, entre a Parada Metrópole, na região central de São Bernardo do Campo, até o limite entre São Caetano do Sul e São Paulo deve ter cerca de 10 km.

Ao todo, o corredor terá 17,8 km. A segunda fase vai contemplar a finalização do terminal de São Bernardo do Campo e o trecho da capital paulista.

Entre as estruturas já concluídas estão as paradas Metrópole, Aldino Pinotti, Senador Vergueiro, Winston Churchill, Fundação do ABC, Afonsina, Rudge Ramos, Instituto Mauá e Vila Império, e em fase final de acabamento as intervenções viárias da rotatória da Avenida Lauro Gomes e do Viaduto Mauá. O corredor também incorpora soluções de paisagismo e requalificação urbana, com áreas verdes e elementos de integração ao espaço público ao longo de sua extensão.

Como mostrou o Diário do Transporte, a NEXT Mobilidade informou na última semana que para avançar pela Avenida Presidente Wilson, na capital paulista, restam ainda intervenções a serem feitas por concessionárias de dutos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/06/03/brt-abc-next-mobilidade-divulga-novo-video-com-balanco-e-diz-que-restam-sete-km-para-concluir-sistema-de-corredores/

O QUE É O BRT-ABC:

O BRT-ABC consiste num sistema para ônibus elétricos de maior capacidade que corredores comuns e deve ligar em 17,5 km as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, e a capital paulista.

BRT é uma sigla em inglês – Bus Rapid Transit , significando Trânsito Rápido para Ônibus. As obras foram prometidas inicialmente para até 2023 e o sistema  foi escolhido em 2020 para substituir um monotrilho (linha 18-Bronze).

O monotrilho não saiu do papel e, de acordo com estudos do Governo, na época, se mostrou tecnicamente inviável e quase sete vez mais caro. A implantação, ainda segundo estes estudos, custaria R$ 7 bilhões (em valores atualizados), sendo cerca de R$ 3,5 bilhões custeados pelo Governo do Estado, dos quais, R$ 1 bilhão somente em desapropriações. O BRT-ABC tem custo estimado de implantação de cerca de R$ 1,2 bilhão é é integralmente bancado pela Next Mobilidade.

Faz parte da concessão a renovação da frota de cerca de 500 ônibus intermunicipais do ABC (antiga área 5 da EMTU, que nunca havia sido concedida, operava com contratos precários por várias empresas e liderava rankings de reclamações dos passageiros sobre frota que quebrava constantemente, atrasos e demora nos pontos). Também integra a concessão a modernização do Corredor Metropolitano ABD (que liga a capital paulista e o ABC com ônibus a diesel e trólebus).

A concessão nasceu de um modelo contratual chamado de prorrogação antecipada de contrato, que consiste em ampliar o prazo em troca de investimentos.

No caso específico, tratou-se do contrato de 1997 pelo Corredor ABD que venceria em 2022.

O modelo que tem o aval do TCU (Tribunal de Contas da União) é mais usado em ferrovias e rodovias federais.

O BRT-ABC, chegou a ser contestado pelo PODEMOS, mas em 2023, em julgamento de Plenário, por 8 votos a 3, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o modelo contratual pode ser usado por estados e municípios em diversas aplicações, como transporte por ônibus.

Outros sistemas se inspiraram e seguiram contratações semelhantes, como do Governador Ronaldo Caiado, na rede de ônibus de Goiânia e Região Metropolitana, com a renovação da frota e do sistema de corredores BRT.

BRT-ABC EM NÚMEROS (segundo a concessionária)

Passsageiros: Capacidade de até 600 mil passageiros/dia, com demanda inicial de 173 mil passageiros/dia.

Frota: Operação com 92 ônibus totalmente elétricos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional, inclusive baterias, por meio de parceria entre empresas como Eletra, Mercedes-Benz, WEG, Caio e outras; (72 E-Trol e 20 com baterias)
Veículos de piso baixo, não poluentes, silenciosos e confortáveis, com wi-fi e ar-condicionado;
Pavimento: Trajeto em via segregada, com 16 paradas fechadas e mais três terminais;
Embarque-Desembarque: Bilhetagem realizada nas paradas, antes do embarque nos veículos, facilitando o acesso; embarque em nível e ampla acessibilidade;
Custo: Inteiramente a cargo da empresa privada operadora (Next Mobilidade); – atualizado para R$ 1,2 bilhão;
Extensão: Trajeto de 17, 5 km, atendendo diretamente três municípios do Grande ABC (São Bernardo, Santo André e São Caetano), mais Diadema e Mauá (via Corredor ABD).
Interligação com três terminais: São Bernardo (Paço Municipal), Tamanduateí (Linha 2-Verde do Metrô e Linha 10 Turquesa da CPTM) e Sacomã (Linha 2-Verde do metrô e Expresso Tiradentes).
Três opções de linhas: Paradora, Semiexpressa (oito estações) e Expressa (só os terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã); a linha Expressa fará o trajeto em menos de 35 minutos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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