EXCLUSIVO: Gestão Nunes abre uma das maiores investigações contra a UPBus por atos lesivos à cidade. No MP, investigação sobre ligação com o PCC continua
Publicado em: 27 de maio de 2026
No âmbito da Controladoria Municipal, prefeitura apura ocultação de reais interesses ou a identidade dos beneficiários dos atos praticados; criação de pessoa jurídica para fraudar licitação e contrato e atrapalhar na atuação de funcionários públicos
ADAMO BAZANI
O Diário do Transporte traz nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, em primeira-mão, a informação de que a gestão do prefeito Ricardo Nunes, na cidade de São Paulo, instaurou um processo de investigação por meio da Controladoria Geral do Município sobre “atos lesivos” conta a administração pública, que teriam sido praticados pela UPBus, operadora de ônibus da zona Leste.
É uma das maiores em relação a contratos de empresas de transportes na esfera administrativa.
A antiga direção da empresa, no âmbito criminal, é investigada pelo Gaeco, do Ministério Público do Estado de São Paulo, por supostas ligações com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Recentemente, como mostrou o Diário do Transporte, em 07 de maio de 2026, o presidente afastado da UPBUs, Ubiratan Antônio da Cunha, e o sócio, Alexandre Sales Pinto, foram presos novamente pelas investigações do MP.
Relembre:
A partir destas prisões, do ponto de vista administrativo, a Controladoria do Município identificou elementos que justifiquem a abertura do procedimento.
O início das investigações foi publicado em edição do Diário Oficial da Cidade nesta terça-feira (26).
O Diário do Transporte procurou a Prefeitura que informou que o procedimento corre sob sigilo, mas confirmou que o município apura diversas irregularidades, como:
– utilizar-se de interposta pessoa física ou jurídica para ocultar ou dissimular seus reais interesses ou a identidade dos beneficiários dos atos praticados;
– frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo de procedimento licitatório;
– criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para participar de licitação ou celebrar contrato administrativo;
– dificultar atividade de investigação ou fiscalização de órgãos, entidades ou agentes públicos, ou intervir em sua atuação.

A UPBus foi uma das companhias-alvos da Operação Fim da Linha, deflagrada em 09 de abril de 2024, com base nos trabalhos do promotor de Justiça do GAECO (braço do MP que investiga o crime organizado), Lincoln Gakiya e equipe.
A suspeita é que parte do sistema de ônibus da capital é usada para “lavar” dinheiro dos tráficos de drogas e armas, além de homicídios serem relacionados aos supostos esquemas.
As operações da empresa UPBus foram repassadas para outra companhia que também teve origem em cooperativa de transportes, a Alfa Rodobus. São 13 linhas na zona Leste. As apurações não envolvem a Alfa Rodobus
Já a malha de mais de 100 linhas de ônibus da Transwolff, na zona Sul, e que também foi alvo da “Fim da Linha” ainda será licitada, já que a Sancetur, empresa da família Chedid, do interior de São Paulo, desistiu do processo de transferência.
Veja nota completa da Prefeitura de São Paulo ao Diário do Transporte:
A Controladoria Geral do Município de São Paulo informa que a empresa UPBus responderá a Processo Administrativo de Responsabilização de Pessoa Jurídica, nos termos da Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013), por atos lesivos à Administração Pública Municipal. Conforme o enquadramento constante da decisão, o procedimento apura a eventual prática das seguintes condutas: utilizar-se de interposta pessoa física ou jurídica para ocultar ou dissimular seus reais interesses ou a identidade dos beneficiários dos atos praticados; frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo de procedimento licitatório; criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para participar de licitação ou celebrar contrato administrativo; dificultar atividade de investigação ou fiscalização de órgãos, entidades ou agentes públicos, ou intervir em sua atuação.
O procedimento está sob sigilo, não sendo possível, no momento, fornecer mais informações.
O Diário do Transporte tenta localizar a antiga direção da empresa.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

