ZURB: “Depois que assumimos o BRT, entendemos melhor as dificuldades de quem opera os transportes coletivos”
Publicado em: 25 de maio de 2026
Frase é da ex-secretária de transportes do Rio de Janeiro, Maína Celidônio, que defende que o poder público faça seu papel de regulação, e diz que encampação dos serviços foi situação extrema
ADAMO BAZANI
Desde quando começou a ser operado pela prefeitura do Rio de Janeiro, em março de 2021, o sistema de BRTs (Bus Rapid Transit), corredores de ônibus de alta capacidade, passou de um estado de degradação total de frota e infraestrutura para plena recuperação de demanda.
De uma frota de 120 ônibus, a grande maioria em péssimo estado de conservação, sendo que o contrato com as empresas privadas previa 430 coletivos, agora são 853 ônibus, todos comprados pela prefeitura 0 km.
A operação da prefeitura no BRT do Rio de Janeiro começou em março de 2021, inicialmente com um processo de intervenção. Como não houve regularização por parte do consórcio das empresas (consórcio BRT Rio) que operavam o sistema; em fevereiro de 2022, houve a encampação definitiva.
O número de estações fechadas por vandalismo e ações criminosas ultrapassou de 40 e a evasão de passageiros que usavam o sistema sem pagar chegava a 40%, representando prejuízos de R$ 300 mil por dia. Atualmente, este índice é de 9%.
Mas, nem por isso, quem esteve à frente deste processo de recuperação defende a “estatização” ou “municipalização” dos transportes coletivos por ônibus.
Segundo a ex-secretária de transportes municipais do Rio de Janeiro, Maína Celidônio, a intervenção e assunção pelo poder público dos serviços do BRT ocorreu por se tratar de um caso extremo.
“Para nós, como gestores públicos, foi e tem sido uma lição operar o BRT. Temos uma outra visão agora e entendemos melhor as dificuldades de quem opera transportes públicos” – disse Maína Celidônio.
A declaração foi feita no ZURB – Seminário de Mobilidade Urbana, promovido na última semana pelo Urbana-PE, sindicato das empresas de ônibus da Região Metropolitana de Recife, e que teve cobertura presencial do criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani.
Para Maína Celidônio, entender melhor o lado do operador não é ser conivente com más condutas e complacente com irregularidades, mas aperfeiçoar a gestão pública.
Segundo a ex-secretária, o poder público deve ser enérgico em seu papel de regulação. Enérgico e atuar em prol do interesse público, entretanto, não significa intolerância ou perseguição.
A gestora ainda afirma que pelas características atuais da operação dos transportes, modelos de empresas públicas operadoras não são os mais adequados.
“Já foram milhares de licitações que tivemos de fazer neste período. Por ser compra pública, muitas vezes até mesmo uma simples aquisição de insumos ou contratação de um serviço simples de manutenção, precisa abrir uma licitação. Isso, além de lentificar o processo, é custo público porque as equipes da prefeitura precisam se mobilizar para estes processos” – completou Maína Celidônio.
A prefeitura pretende conceder novamente os serviços à iniciativa privada, mas com os planos de converter trechos do BRT em VLT (Veículo Leve sobre Trilhs0 deve ser feita uma nova modelagem econômica e contratual.
Saiba mais sobre a palestra de Maína Celidônio neste link:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


O sistema do BRT e VLT levou a falência as empresas de ônibus e caos na mobilidade urbana das cidades
Um projeto errado com o qual os ônibus além de trafegar na pista da esquerda , isso impossibilita que as empresas pudessem remanejar estes carros para outras linhas e ainda por cima ônibus articulados que não rodam em qualquer lugar isso causa prejuízo às empresas
O certo seria os ônibus do BRT trafegarem na pista da direita deixando o lado esquerdo para os carros de passeio e o sistema ser variante expressa das linhas tradicionais com menos paradas e nada da sopa de letrinhas que Eduardo Paes inventou assim como mudar números, Bastaria ter a linha tradicional e na vista auxiliar a placa EXPRESSO ou RÁPIDO ou DIRETO ou PARADOR
Entendo ser plausível concessionar a frota e remunerá-la por km rodado, desde que caiba ao poder público detetminar a quantidade, o tipo e o padrão técnico dos ônibus.
Já a gestão operacional do sistema, incluindo as linhas, tem que ser feita sim pelo poder público através de um órgão estruturado e com autoridade plena pra isso.
A experiência já nos mostrou, ao longo de décadas, que delegar tambem gestão das linhas às empresas de ônibus não funciona! Quer dizer, “funciona” apenas para os empresários do setor, que ficam com a faca e o queijo em suas mãos.