ENTREVISTA: Paranapiacaba deve ser a rota escolhida para o novo trem de passageiros para Santos e linha para São José dos Campos será extensão da 13-Jade

Declarações são do governador Tarcísio de Freitas em cerimônia do início das obras do TIC (Trem Intercidades) São Paulo a Campinas

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

OUÇA;

A Vila Ferroviária de Paranapiacaba, pertencente ao município de Santo André, no ABC Paulista, deve voltar a ser rota de trens de passageiros para Santos.

Em cerimônia de início das obras do TIC Norte (Trem Intercidades Norte) entre São Paulo e Campinas, nesta quarta-feira, 08 de abril de 2026, o governador Tarcísio de Freitas voltou a afirmar que, entre as três possibilidades de rotas estudadas pela gestão estadual para o TIC Sul (Trem Intercidades Sul), entre São Paulo e Santos, a que tem se mostrado mais viável é o aproveitamento do sistema funicular, com as cremalheiras, que são espécies de terceiros trilhos “dentados” que ajudam a controlar os trens e em descidas e subidas, em Paranapiacaba.

O evento ocorreu na região de Campinas, no interior de São Paulo, onde o governador revelou novos planos do Estado para mais ferrovias regionais, além dos quatro projetos já existentes. Na cerimônia, Tarcísio não poupou elogios ao empresário Constantino de Oliveira, sócio da TIC-Trens, consórcio que vai construir a linha para Campinas, maior frotista de ônibus do Brasil com sete mil coletivos e fundador da GOL Linhas Aéreas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/04/08/tarcisio-elogia-constantino-e-fala-em-novas-possibilidades-de-trens-intercidades-sorocaba-x-campinas-campinas-x-ribeirao-preto-e-sorocaba-x-bauru/

Segundo Tarcísio, das três alternativas para o trem de passageiros São Paulo a Santos, o caminho por Paranapiacaba é o que tem se mostrado mais viável.

Além de Paranapiacaba, as opções são em trajeto paralelo a rodovia dos Imigrantes ou pela Serra do Cajati, via Mongaguá.

“A gente estudou várias alternativas: descida de Parelheiros até Itanhaém e pegar aquele caminho que era Santos–Cajati, que estava desativado. A gente estudou vir paralelo à Imigrantes e a gente está vendo que talvez o melhor caminho, a alternativa mais viável, seja a reativação do funicular, que é algo que ficou abandonado lá atrás. E a gente está imaginando que essa é a alternativa mais viável”.

O governador ainda disse que o TIC (Trem Intercidades) São José dos Campos a São Paulo, deve se tornar uma espécie de extensão da Linha 13 – Jade, que hoje faz a ligação entre o centro da cidade de São Paulo e as imediações do Aeroporto Internacional em Guarulhos. A linha 13-Jade deve ser prolongada até a região do bairro de Bonsucesso, em Guarulhos.

ALTERNATIVAS PARA O TREM DE PASSAGEIROS SÃO PAULO X SANTOS:

  • Por Paranapiacaba: Aproveitaria o sistema funicular, com as cremalheiras, que são espécies de terceiros trilhos “dentados” que ajudam a controlar os trens e em descidas e subidas. Atualmente, o trajeto entre o planalto de São Paulo e a Baixada Santista é feito apenas por trens de carga. O projeto conferiria à rota novamente a vocação para transportes de passageiros. A linha Santos – Jundiaí, via ABC Paulista e capital, é a primeira ferrovia do Estado de São Paulo, sendo inaugurada em 16 de fevereiro de 1867, após um projeto idealizado por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, com os investimentos da empresa de capital inglês SPR (São Paulo Railway Company). A última viagem de trem de passageiros entre São Paulo e Santos ocorreu em 1970. O novo TIC Sul (Trem Intercidades Sul – São Paulo x Santos) deve partir da estação Barra Funda, passaria pela estação da Liz, pela Estação do Brás e teria trajeto coincidente com a linha 10-Turquesa no ABC.  Hoje o acesso de passageiros por transporte coletivo à Vila só é possível pelos ônibus intermunicipais metropolitanos operados pela empresa NEXT Mobilidade, com partidas de Rio Grande da Serra ou de Santo André. Também há o Expresso Turístico da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que só funciona em um horário aos domingos e tem valor de tarifa elevado por se tratar de serviço de passeio especial.
  • Paralelo a Imigrantes (Opção Sudoeste): Aproveitaria a área de domínio da Rodovia dos Imigrantes. A integração com o sistema metropolitano seria pela Estação Varginha da Linha 9-Esmeralda ou com a Estação Santos-Imigrantes da linha 2-Verde.
  • Rota Litoral Sul (Mongaguá/Cajati): A opção partiria ou da estação Mendes-Vila Natal ou da estação Varginha, da Linha 9-Esmeralda. As composições iriam pela Serra em novo trajeto até a região de Mongaguá, atenderiam Praia Grande e seguiriam até Santos.

VOCAÇÃO TURÍSTICA E HISTÓRIA:

Atualmente, a Vila de Paranapiacaba, que é reconhecida como patrimônio histórico, ambiental e cultural pela UNESCO e é tombada desde 2008 pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), do Ministério da Cultura, é um dos polos principais de turismo urbano e metropolitano em São Paulo.

Mantendo as características de arquitetônicas da Inglaterra, inclusive com uma réplica do relógio Big Ben, de Londres, hoje o acesso de passageiros por transporte coletivo à Vila só é possível pelos ônibus intermunicipais metropolitanos operados pela empresa NEXT Mobilidade, com partidas de Rio Grande da Serra ou de Santo André. Também há o Expresso Turístico da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que só funciona em um horário aos domingos e tem valor de tarifa elevado por se tratar de serviço de passeio especial.

A Vila de Paranapiacaba é marcada por diversas histórias que envolvem grandes empreendedores, como Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, idealizador da linha; governos; investidores internacionais e grandes barões do café, já que o principal objetivo da ligação ferroviária foi inicialmente facilitar a exportação da produção, com o escoamento do produto do interior paulista até o Porto de Santos e, de lá, para ao mundo.

Também marcou a história da chamada Vila Inglesa, que tem até uma réplica do relógio Big Ben, o trabalho anônimo dos milhares de ferroviários que aturaram no ir e vir de pessoas e mercadorias e na construção de uma sociedade que deixava de ser rural para se tornar predominantemente urbana.

Um destes profissionais foi Romão Justo Filho.

Filho de ferroviário também, Romão começou a trabalhar antes dos 13 anos como limpador de trens. Naquela época, não havia regulação sobre o trabalho infantil.

Em reportagem especial, o Diário do Transporte retratou a história.

Relembre:

HISTÓRIA: Paranapiacaba e um modesto herói da ferrovia

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    É a melhor alternativa para o Trem Tegional a Santos. Todo o traçado já existe, é plenamente ativo, e serão necessárias pouquíssimas desapropriações (se é que elas forem necessarias).
    No trecho de serra já existe o leito desativado Serra Nova, que exigirá consideráveis reestruturações mas já está escavado na montanha e com o traçado definido.
    Com a instalação de uma cremalheira “leve” o mesmo trem poderá efetuar todo o percurso da viagem e sem necessidade de baldeaçoes, sendo um modelo específico equipado com roda dentada retrátil e baixada somente no trecho da Serra. Já existe tal tecnología!

  2. Antonio Carlos Palacio disse:

    Fale com os chineses, eles darao um jeito nisso.

  3. Marcio jose Da silva disse:

    Será realmente verdade só uma campanha eleitoreira afinal nesses quatro anos a única coisa que fez foi criar pedágios e vender empresas estatais como Sabesp e CPTM

  4. Gustavo disse:

    E como fica os históricos e lindos patamares do antigo sistema finicular único no mundo. Aquilo é de uma riqueza histórica e visual incalculável, mesmo sobrando pouco do maquinário. Como fica o pátio de manobra, já que não existe mais espaço na vila e onde passa o trilho do antigo sistema funicular ser parte do museu? O trajeto existe, mas está abandonado a muitas décadas. Além disso os túneis não comportam os trens modernos. Aquilo foi escavado para locobreques. São bem menores e mais leves!

  5. MARCELO MASSARI disse:

    Não foi em 1970 a última viagem de passageiros até Santos. Na década de 80 eu e meus amigos uma vez subimos de trem de Santos até Santo André. No início da década de 90 nós pegávamos o trem que vinha de Santos para São Paulo. O bilhete era especial, e mais caro que os trens convencionais. Parava somente em Santo André, São Caetano e Luz.

    1. Carlos Gonçalves disse:

      Exatamente… Eu também andei várias vezes nos anos 80.

  6. Rodrigo Zika! disse:

    Esse trajeto dizem ser interessante apesar da linha 9 também ser, veremos se sai essa licitação nessa gestão ou na próxima, porque infelizmente destruíram tudo na década de 60.

Deixe uma resposta para Carlos GonçalvesCancelar resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading