ENTREVISTA: Paranapiacaba deve ser a rota escolhida para o novo trem de passageiros para Santos e linha para São José dos Campos será extensão da 13-Jade
Publicado em: 9 de abril de 2026
Declarações são do governador Tarcísio de Freitas em cerimônia do início das obras do TIC (Trem Intercidades) São Paulo a Campinas
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
OUÇA;
A Vila Ferroviária de Paranapiacaba, pertencente ao município de Santo André, no ABC Paulista, deve voltar a ser rota de trens de passageiros para Santos.
Em cerimônia de início das obras do TIC Norte (Trem Intercidades Norte) entre São Paulo e Campinas, nesta quarta-feira, 08 de abril de 2026, o governador Tarcísio de Freitas voltou a afirmar que, entre as três possibilidades de rotas estudadas pela gestão estadual para o TIC Sul (Trem Intercidades Sul), entre São Paulo e Santos, a que tem se mostrado mais viável é o aproveitamento do sistema funicular, com as cremalheiras, que são espécies de terceiros trilhos “dentados” que ajudam a controlar os trens e em descidas e subidas, em Paranapiacaba.
O evento ocorreu na região de Campinas, no interior de São Paulo, onde o governador revelou novos planos do Estado para mais ferrovias regionais, além dos quatro projetos já existentes. Na cerimônia, Tarcísio não poupou elogios ao empresário Constantino de Oliveira, sócio da TIC-Trens, consórcio que vai construir a linha para Campinas, maior frotista de ônibus do Brasil com sete mil coletivos e fundador da GOL Linhas Aéreas.
Relembre:
Segundo Tarcísio, das três alternativas para o trem de passageiros São Paulo a Santos, o caminho por Paranapiacaba é o que tem se mostrado mais viável.
Além de Paranapiacaba, as opções são em trajeto paralelo a rodovia dos Imigrantes ou pela Serra do Cajati, via Mongaguá.
“A gente estudou várias alternativas: descida de Parelheiros até Itanhaém e pegar aquele caminho que era Santos–Cajati, que estava desativado. A gente estudou vir paralelo à Imigrantes e a gente está vendo que talvez o melhor caminho, a alternativa mais viável, seja a reativação do funicular, que é algo que ficou abandonado lá atrás. E a gente está imaginando que essa é a alternativa mais viável”.
O governador ainda disse que o TIC (Trem Intercidades) São José dos Campos a São Paulo, deve se tornar uma espécie de extensão da Linha 13 – Jade, que hoje faz a ligação entre o centro da cidade de São Paulo e as imediações do Aeroporto Internacional em Guarulhos. A linha 13-Jade deve ser prolongada até a região do bairro de Bonsucesso, em Guarulhos.
ALTERNATIVAS PARA O TREM DE PASSAGEIROS SÃO PAULO X SANTOS:
- Por Paranapiacaba: Aproveitaria o sistema funicular, com as cremalheiras, que são espécies de terceiros trilhos “dentados” que ajudam a controlar os trens e em descidas e subidas. Atualmente, o trajeto entre o planalto de São Paulo e a Baixada Santista é feito apenas por trens de carga. O projeto conferiria à rota novamente a vocação para transportes de passageiros. A linha Santos – Jundiaí, via ABC Paulista e capital, é a primeira ferrovia do Estado de São Paulo, sendo inaugurada em 16 de fevereiro de 1867, após um projeto idealizado por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, com os investimentos da empresa de capital inglês SPR (São Paulo Railway Company). A última viagem de trem de passageiros entre São Paulo e Santos ocorreu em 1970. O novo TIC Sul (Trem Intercidades Sul – São Paulo x Santos) deve partir da estação Barra Funda, passaria pela estação da Liz, pela Estação do Brás e teria trajeto coincidente com a linha 10-Turquesa no ABC. Hoje o acesso de passageiros por transporte coletivo à Vila só é possível pelos ônibus intermunicipais metropolitanos operados pela empresa NEXT Mobilidade, com partidas de Rio Grande da Serra ou de Santo André. Também há o Expresso Turístico da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que só funciona em um horário aos domingos e tem valor de tarifa elevado por se tratar de serviço de passeio especial.
- Paralelo a Imigrantes (Opção Sudoeste): Aproveitaria a área de domínio da Rodovia dos Imigrantes. A integração com o sistema metropolitano seria pela Estação Varginha da Linha 9-Esmeralda ou com a Estação Santos-Imigrantes da linha 2-Verde.
- Rota Litoral Sul (Mongaguá/Cajati): A opção partiria ou da estação Mendes-Vila Natal ou da estação Varginha, da Linha 9-Esmeralda. As composições iriam pela Serra em novo trajeto até a região de Mongaguá, atenderiam Praia Grande e seguiriam até Santos.
VOCAÇÃO TURÍSTICA E HISTÓRIA:
Atualmente, a Vila de Paranapiacaba, que é reconhecida como patrimônio histórico, ambiental e cultural pela UNESCO e é tombada desde 2008 pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), do Ministério da Cultura, é um dos polos principais de turismo urbano e metropolitano em São Paulo.
Mantendo as características de arquitetônicas da Inglaterra, inclusive com uma réplica do relógio Big Ben, de Londres, hoje o acesso de passageiros por transporte coletivo à Vila só é possível pelos ônibus intermunicipais metropolitanos operados pela empresa NEXT Mobilidade, com partidas de Rio Grande da Serra ou de Santo André. Também há o Expresso Turístico da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que só funciona em um horário aos domingos e tem valor de tarifa elevado por se tratar de serviço de passeio especial.
A Vila de Paranapiacaba é marcada por diversas histórias que envolvem grandes empreendedores, como Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, idealizador da linha; governos; investidores internacionais e grandes barões do café, já que o principal objetivo da ligação ferroviária foi inicialmente facilitar a exportação da produção, com o escoamento do produto do interior paulista até o Porto de Santos e, de lá, para ao mundo.
Também marcou a história da chamada Vila Inglesa, que tem até uma réplica do relógio Big Ben, o trabalho anônimo dos milhares de ferroviários que aturaram no ir e vir de pessoas e mercadorias e na construção de uma sociedade que deixava de ser rural para se tornar predominantemente urbana.
Um destes profissionais foi Romão Justo Filho.
Filho de ferroviário também, Romão começou a trabalhar antes dos 13 anos como limpador de trens. Naquela época, não havia regulação sobre o trabalho infantil.
Em reportagem especial, o Diário do Transporte retratou a história.
Relembre:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



É a melhor alternativa para o Trem Tegional a Santos. Todo o traçado já existe, é plenamente ativo, e serão necessárias pouquíssimas desapropriações (se é que elas forem necessarias).
No trecho de serra já existe o leito desativado Serra Nova, que exigirá consideráveis reestruturações mas já está escavado na montanha e com o traçado definido.
Com a instalação de uma cremalheira “leve” o mesmo trem poderá efetuar todo o percurso da viagem e sem necessidade de baldeaçoes, sendo um modelo específico equipado com roda dentada retrátil e baixada somente no trecho da Serra. Já existe tal tecnología!
Fale com os chineses, eles darao um jeito nisso.
Será realmente verdade só uma campanha eleitoreira afinal nesses quatro anos a única coisa que fez foi criar pedágios e vender empresas estatais como Sabesp e CPTM
E como fica os históricos e lindos patamares do antigo sistema finicular único no mundo. Aquilo é de uma riqueza histórica e visual incalculável, mesmo sobrando pouco do maquinário. Como fica o pátio de manobra, já que não existe mais espaço na vila e onde passa o trilho do antigo sistema funicular ser parte do museu? O trajeto existe, mas está abandonado a muitas décadas. Além disso os túneis não comportam os trens modernos. Aquilo foi escavado para locobreques. São bem menores e mais leves!
Não foi em 1970 a última viagem de passageiros até Santos. Na década de 80 eu e meus amigos uma vez subimos de trem de Santos até Santo André. No início da década de 90 nós pegávamos o trem que vinha de Santos para São Paulo. O bilhete era especial, e mais caro que os trens convencionais. Parava somente em Santo André, São Caetano e Luz.
Exatamente… Eu também andei várias vezes nos anos 80.
Esse trajeto dizem ser interessante apesar da linha 9 também ser, veremos se sai essa licitação nessa gestão ou na próxima, porque infelizmente destruíram tudo na década de 60.