Piracicabana assumirá Reunidas Paulista – CADE torna público ato: VEJA A PETIÇÃO e também sobre a Expresso Fênix

Órgão do Ministério da Justiça analisa concentração

ADAMO BAZANI

Colaboraram Vinícius de Oliveira e Yuri Sena

O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão do Ministério da Justiça, tornou público nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, o ato de concentração formado pela aquisição da Empresa Reunidas Paulista de Transportes Ltda pela Viação Piracicabana, do Grupo Comporte.

Já pertencente a um braço da família de Constantino de Oliveira, fundador da GOL e líder do Grupo Comporte, com o ato de concentração, a Reunidas Paulista passará ao controle majoritário da maior empresa do grupo atualmente, no segmento rodoviário.

O ato de concentração foi publicado em Diário Oficial da União.

EDITAL Nº 70, DE 26 DE JANEIRO DE 2026

Nos termos do art. 53, § 2º, da Lei nº 12.529/2011, dá-se publicidade ao Ato de Concentração nº 08700.000725/2026-60. Partes: Viação Piracicabana S.A. e Empresa Reunidas Paulista de Transportes Ltda. Advogados: Daniel Elias do Nascimento e Luciano Benetti Timm. Natureza da operação: aquisição de controle. Setor econômico envolvido: transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, intermunicipal, exceto em região metropolitana (CNAE 4922-1/01)

A publicidade do ato foi assinada pelo secretário-adjunto do CADE, Felipe Neiva Mundim

Órgão do Ministério da Justiça analisa concentração para dar o aval definitivo.

DOCUMENTO EXCLUSIVO:

O Diário do Transporte teve acesso de forma exclusiva à petição, que foi protocolada nas última sexta-feira, 23 de janeiro de 2026.

De acordo com o documento, “A Operação consiste na proposta de aquisição, pela Piracicabana, da totalidade das quotas da Reunidas, de titularidade da Srª Aurivânia Constantino. Desta forma, a Operação se enquadra como um Ato de Concentração, de acordo com o Art. 90, II, da Lei 12.529/2011”.

Ainda de acordo com o documento, assinado pelo advogado Daniel Elias do Nascimento, ao qual o Diário do Transporte teve acesso, “A Operação, portanto, resulta da decisão da Vendedora de sair do mercado e da decisão da Compradora de investir na Empresa-Alvo, promovendo uma simples substituição do agente econômico titular do controle da Empresa-Alvo”

A defesa das duas empresas no negócio, tenta, no documento, obtido pelo Diário do Transporte, convencer o CADE que a compra não vai prejudicar concorrência no mercado.

“Embora relevante, não configura concentração capaz de prejudicar a concorrência, nem mesmo potencial, ainda mais considerando a estrutura regulatória de delegação, de operação e de precificação vigente no mercado, uma vez que a oferta e as tarifas são definidas e fixadas pelo próprio Poder Concedente, razão pela qual, a Operação não gera maiores preocupações concorrenciais, e, com a devida vênia, e no entender das Requerentes, a Operação deve ser analisada pelo Rito Sumário, e aprovada sem restrições”. – diz, de acordo com o documento obtido pelo Diário do Transporte.

No pedido, ao qual o Diário do Transporte tece acesso, a defesa apresenta um resumo das partes vendedora e compradora.

DAS PARTES DO ATO DE CONCENTRAÇÃO 2.

A Compradora é controlada pela Comporte Participações S.A., holding do grupo Comporte, conglomerado que reúne sociedades atuantes no segmento de transporte coletivo rodoviário de passageiros, urbano e intermunicipal, além de transporte metroferroviário e serviços correlatos (“Grupo Comporte”).

A Reunidas é uma empresa com sede em São Paulo, Brasil, fundada em 1948 e tem como principal atividade o transporte coletivo rodoviário de passageiros, principalmente no interior paulista como nas cidades de Araçatuba, Lins, Birigui, Penápolis e Campinas. – diz o documento ao qual o Diário do Transporte revela

No pedido, a defesa também cita a comunicação de solicitação ao CADE sobre a Expresso Fênix

De acordo com os parâmetros do Guia do CADE, mercados com HHI entre 1.500 e 2.500 são classificados como moderadamente concentrados. Em tais mercados, preocupações concorrenciais tendem a surgir quando a variação do HHI é superior a 100 pontos. No caso concreto, a variação estimada é significativamente inferior a esse patamar, o que reforça a inexistência de preocupações concorrenciais relevantes decorrentes da Operação. Para fins de completude e transparência, a Compradora informa que recentemente notificou a este CADE outra operação neste mesmo mercado. Trata-se da operação de compra, pela Compradora, da Rápido Fênix Viação Ltda. (“Fênix”). A Compradoradestaca que muito embora aquela operação e esta tratam do mesmo mercado, elas são completamente independentes. Além disso, é importante destacar que a Fênix opera somente no mercado da ARTESP e não há qualquer sobreposição entre linhas operadas pela Fênix, com a Compradora ou com a Vendedora. Adicionalmente, em termos de volume de vendas, a Fênix faturou no sistema ARTESP, em 2024, [Acesso Restrito à Compradora]. Desta forma, ainda que a operação com a Fênix seja aprovada por este CADE, sob o ponto de vista concorrencial, ela não gerará impactos na análise da presente Operação

 

Principais Marcos da História da Reunidas Paulista:

  • Fundação (1948): Iniciou operações em Lins, SP, atendendo cidades da região Noroeste com uma frota inicial de 10 a 15 veículos.
  • Sede em Bauru (1952): A sede da empresa foi transferida de Lins para Bauru, consolidando sua operação no centro do estado.
  • Inovação Pioneira (1969): Em 25 de março de 1969, lançou o primeiro ônibus-leito, marcando a história do transporte rodoviário com tecnologia de ponta para a época.
  • Expansão e Transferência (1980): A empresa transferiu sua sede administrativa para Araçatuba para otimizar a gestão das rotas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Ricardo Moriah disse:

    Triste fim da Reunidas Paulista! Fica aqui meu protesto! Logo todo o estado de São Paulo terá somente uma empresa, a Piracicabana… Deprimente.

  2. Ismael Junior disse:

    Minha nossa até a Fênix dos Chedid vai virar Piracicabana?

  3. Santiago disse:

    Imagino que a Viação Piracicabana deva ter algum significado histórico e afetivo à família Constantino.
    Afinal o nome “Piracicabana” não é lá muito sonoro em termos de marketing, e representa exatamente a empresa promovida a carro-chefe do grupo. E que a cada momento vem incorporando empresas tradicionais que vão tendo os seus nomes extintos.
    Já que vai concentrar mercado mesmo, então que ao menos se providencie um nome e um visual mais representativos. Chamem o departamento de marketing da irmã GOL, se necessário.

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