Sindicato dos motoristas coloca transporte coletivo de Uberaba (MG) em estado de greve por atrasos salariais
Publicado em: 24 de janeiro de 2026
Medida é um alerta prévio e não implica paralisação imediata; risco de greve geral no início de fevereiro é considerado alto
ALEXANDRE PELEGI
O sistema de transporte coletivo urbano de Uberaba (MG) — município do Triângulo Mineiro, com cerca de 350 mil habitantes, situado a cerca de 418 km de Belo Horizonte e 823 m de altitude — vive um momento de forte tensão neste início de 2026. A cidade, importante polo regional e entre as maiores em população no interior de Minas Gerais, tem seu sistema de ônibus urbanos contratado sob concessão pública para operação por duas empresas: Líder e São Geraldo — responsáveis por atender dezenas de linhas urbanas e rurais sob gestão municipal.
Na última sexta-feira, 23 de janeiro, o Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (Sintracol) oficializou a entrada da categoria em estado de greve, após deliberação em assembleia geral extraordinária.
A decisão foi comunicada à população por meio de uma carta aberta, na qual o sindicato afirma que “os trabalhadores do transporte coletivo urbano encontram-se em estado de greve”. A medida funciona como um último aviso antes de uma paralisação total, sinalizando que motoristas e demais funcionários podem interromper os serviços caso não haja avanço nas negociações.
Segundo o Sintracol, a decisão foi tomada “em razão dos atrasos recorrentes no pagamento dos salários, situação que prejudica diretamente os trabalhadores e suas famílias”. O sindicato afirma ainda que o estado de greve é uma “medida preventiva, adotada para evitar novos atrasos e garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas”.
Crise financeira das concessionárias
O impasse está ligado à crise financeira relatada pelas concessionárias do transporte coletivo na cidade. As empresas afirmam que o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos está comprometido, o que tem dificultado o pagamento regular dos vencimentos nos últimos meses sem a necessidade de aportes externos.
Do ponto de vista dos trabalhadores, o Sintracol defende que a indefinição não pode resultar em prejuízo à categoria. A entidade cobra uma posição da Prefeitura de Uberaba sobre o valor da tarifa ou sobre a adoção de subsídios públicos que assegurem previsibilidade de caixa às empresas e, consequentemente, a estabilidade salarial.
Na carta, o sindicato reforça que o movimento não tem caráter imediato de paralisação. “O estado de greve não significa paralisação imediata, mas sim um alerta e uma forma de buscar respeito e diálogo”, afirma a diretoria do Sintracol.
Ônibus seguem circulando, mas risco de paralisação cresce
Apesar do estado de greve, os ônibus — operados pelas empresas Líder e São Geraldo no contrato de concessão — seguem circulando normalmente em Uberaba. Ainda assim, a liderança sindical avalia que o risco de uma greve geral nos primeiros dias de fevereiro é elevado, caso não haja avanço nas negociações com o poder público.
Ao final do comunicado, o sindicato apela diretamente aos usuários do sistema. “Contamos com a compreensão da população”, diz o texto assinado pela diretoria da entidade.

Alexandre Pelegi, Jornalista especializado em transportes


