Melhorar as calçadas é a nova ordem em Londres

Meta da Transport for London de ampliar deslocamentos de pedestres não avança desde 2018; Comissão de Transportes critica falta de manutenção, fiscalização e dados sobre acessibilidade

FÁTIMA MESQUITA, ESPECIAL PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

Melhorar as calçadas: é o que diz o recém-lançado relatório da Comissão de Transportes da Assembleia de Londres, que descreveu os espaços dedicados aos pedestres e cadeirantes como “obstruídos, danificados e excludentes”.

O plano de ação para pedestres da Transport for London (TfL), de 2018, estabeleceu a ambiciosa meta de atingir 7,5 milhões de viagens a pé por dia até 2024. No entanto, o número permanece estagnado há sete anos, sem sinais de crescimento.

O relatório da Comissão de Transportes identificou como problema número um desta estagnação o fato de muitas calçadas da cidade terem superfícies irregulares, com buracos, rachaduras e ondulações. Além disso, há lixo despejado, bicicletas e patinetes elétricos abandonados, placas de publicidade tipo sanduiche e cabos de carregamento de veículos elétricos que impedem a livre circulação das pessoas.

Lixo despejado nas calçadas e placas comerciais dificultam a circulação das pessoas. (Fotos: denúncias no FixMyStreet)

A Comissão criticou ainda a TfL por focar quase que exclusivamente nas colisões com veículos e nos buracos de rua, ignorando os acidentes ocorridos nas calçadas por negligências na manutenção e na fiscalização desses espaços.  Elly Baker, presidente da Comissão, acredita que “há algo errado quando os buracos nas estradas recebem muito mais atenção política do que as pedras ou cimento quebrado nas calçadas” enquanto aponta que a segurança e o conforto de quem anda a pé ou sobre rodas precisa estar entre as prioridades da cidade.

Priorização e falta de dados

A responsabilidade direta pela manutenção da área dedicada aos pedestres e cadeirantes recai sobre os 33 distritos que justificam a morosidade dos consertos com os cortes orçamentários impostos pelo governo geral da cidade. Mas a Comissão lembra que o buraco é mais embaixo: trata-se de uma questão de priorização já que os problemas no asfalto são rapidamente reparados, enquanto as calçadas quebradas ficam até um ano à espera de solução.

O relatório, aliás, termina com algumas recomendações pragmáticas para a TfL. A primeira delas é realizar uma nova pesquisa que traga dados que viabilizem o lançamento de um novo plano de ação para deslocamentos a pé ou em cadeira de rodas já em 2026.

A comissão recomenda ainda o monitoramento das viagens diárias com cadeiras de rodas e outros auxílios de mobilidade na cidade, já que até agora não há um raio-X desta questão. E cita ainda a promoção dos canais de denúncia  já existentes  – os sites FixMyStreet (nacional) e Streetcare (da TfL) – que funcionam, mas são pouco conhecidos pela população.

Mapa de denúncias recentes sobre calçadas em Londres no site FixMyStreet

Outra indicação do relatório é a criação de campanhas de conscientização para que haja mais denúncias, para que as pessoas não joguem lixo grande ou em volume na calçada, para que o comércio não bloqueie a passagem dos transeuntes e para que usuários de bikes e patinetes não deixem o equipamento largado na calçada.

Também na lista da Comissão está a organização de mutirões de desobstrução, com a adoção de uma abordagem unificada e sistemática para os distritos agirem contra a desordem nas calçadas e a coleta e análise de mais dados, com um mapeamento da escala real dos reparos necessários para que o governo possa ser sensibilizado a liberar verbas específicas.

Por fim, a adoção de um design mais inclusivo, com a revisão das diretrizes do projeto anterior com foco na priorização da acessibilidade e a inclusão de bancos, abrigos e banheiros públicos em um processo que incorpore princípios de co-design com a comunidade.

Para ler o relatório completo em inglês, clique aqui.

Fátima Mesquita é jornalista e escritora, e atua com consultora na ANTP, onde atua no webcast “Café ANTP” e na editoria da “Revista dos Transportes Públicos”

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